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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A Analogia do Vidreiro e Os Cinco Níveis da Alma (Néfesh)

Para fazer vidro é usado principalmente à areia ou sílica, que representa 70% da mistura, o calcário, a barrilha e o feldspato formam o restante da matéria prima. Ainda hoje em pequenas oficinas o vidro é feito artesanalmente, onde a mistura é aquecida e através de canos os artesão assopram o vidro ainda liquido para gerar as mais variadas formas e tamanhos. É um processo muito metódico e requer muita pratica antes de se fazer bons recipientes e peças de vidro.

Os antigos cabalistas comparavam a relação dos cinco níveis da alma a um vidreiro que deseja fazer um belo vaso.

Sobre o versículo “E D’us soprou em suas [do homem] narinas o alento-alma da vida” [Vayitser Hashem Elohim et-ha'adam afar min-ha'adamah vayipach pe'apav nishmat chayim vayehi ha'adam lenefesh chayah.] Ouça  (Bereshit 2:7), o Zohar acrescenta:  “Aquele que exala, exala do âmago de seu ser.”

Assim, o “alento” que D’us insuflou no homem não poderá jamais ser separado Dele.  A alma humana é uma extensão do “alento” de D’us e está diretamente conectada a Ele.
Esta conexão interna pode ser vista na etimologia dos cinco termos definidores dos níveis da alma do homem. A palavra Iechidá vem de echad (יחיד) e ichud, que significam “unidade absoluta” e “união”.  No nível de Iechidá, a alma ainda forma uma unidade com D’us, a Fonte.

A palavra Chaiá deriva de chai, “vida” (חי), e de chaiut, “força vital”.  Chaiá é a própria força vital da alma, o nível o qual ela ainda está ligada a todas as outras almas.  No Tanakh, conectar-se com este nível é descrito como ser “atada no feixe da vida” (I Samuel 25:29).

O vocábulo Neshamá é equivalente a neshimá, que sifnifica “respiração”.  A razão disto é que, como consta, D’us insufla nossa alma Divina em nós do mesmo modo que a insuflou em Adam (Adão).  Além disso o intelecto da pessoa se reflete em sua maneira  de “respirar” – isto é, em sua maneira de viver a vida.
Rúach geralmente é traduzido como “espírito”, mas verifica-se que a palavra tem também as conotações de vento, ar ou direção.  Ela representa o caráter da pessoa, sua capacidade de escolher uma direção, tomar decisões criteriosas e responsabilizar-se por elas.

A palavra néfesh (נפש) vem da raiz nafash, que significa “descansar”.  Néfesh é a extremidade inferior da alma, quase totalmente identificada com o corpo, em particular com a circulação sanguínea.  A Torá afirma (Devarim 12:23) : “O sangue é a Néfesh”[ Rak chazak levilti achol hadam ki hadam hu hanafesh velo-tochal hanefesh im-habasar.]Ouça. O vocábulo hebraico Néfesh também se assemelha ao aramaico nafish, que significa “crescer” ou “espalhar-se”.  Néfesh, assim, corresponde à circulação sanguínea, que se espalha pelo corpo levando vida a todas as células.

Os cinco níveis da alma, portanto, formam uma cadeia que liga o homem aos universos celestiais e, enfim, a Há-kadosh Baruch Hu. 


Fazendo a analogia do vidreiro o Rabino Aryeh Kaplan (Innerspace, pp. 17-20):
‘A “descisão” de fazer o vidro, que emana da vontade mais profunda, é o nível de Iechidá [Unidade].  Ela corresponde ao universo de Adam Cadmon e ao topo do Iud (י).  Em seguida, vemos o próprio vidreiro antes de ele começar a assoprar.  Este é o nível de Chaiá [Essência Viva], correspondente ao universo de Atsilut, onde a força vital ainda está no âmbito do Divino.  Este nível é associado ao Iud do Tetragrama.
Depois, o alento [Neshimá] emana da boca do vidreiro e desloca-se como vento pressurizado [Rúach] através do tubo de vidraria, expandindo-se em todas as direções e formando um vaso rudimentar.  O vento finalmente descansa [Nafash] no vaso acabado...’  
O rabino Kaplan usa essa analogia como  uma meditação para elevar-se, através de cinco estados de consciência de amplitude crescente, a uma percepção cada vez mais clara do Divino:
‘A parte mais baixa da alma interligar-se com o corpo físico... É no nível de Néfesh que a pessoa adquire consciência do corpo como um receptáculo para o espiritual.  Porem, isto só é possível quando o indivíduo é capaz de isolar-se do fluxo contínuo de estímulos internos e externos que ocupa seus pensamentos.  A consciência espiritual, portanto, começa necessariamente com o aquecimento da percepção do físico.  Por este motivo, essa parte da alma é, em essência, passiva e não ativa.  Para que a pessoa esteja preparada para experimentar a forte influência  de Rúach, toda estática deve ser eliminada.  Essa idéia também é sugerida pelo termo Néfesh, cujo sentido literal é “alma em repouso”

O segundo nível da alma é Rúach, o “vento” do alento de D’us que sopra em nossa direção...  Neste nível, a pessoa vai além da espiritualidade serena de Néfesh e sente um tipo de movimento completamente diferente.  Neste estado de consciência, informações podem ser transmitidas, é possível ter visões, ouvir coisas e tomar conhecimento de graus mais altos de espiritualidade.  Ao alcançar o nível de Rúach, o indivíduo sente um espírito que provoca movimento e não aquietamento.  Nos graus mais elevados, isto se torna a experiência de Rúach Hacodesh [Inspiração Divina, Espírito Do Santo ou Espírito que Há-kadosh Baruch Hu Emana de Sí], o estado profético no qual a pessoa se sente totalmente elevada e transformada pelo espírito de D’us.

No nível de Neshamá, você experimentaria o alento Divino...  Neste grau, você se torna consciente não só da espiritualidade como também de sua Fonte.  É exatamente esta a distinção entre um sopro e um vento.  É agradável sentir uma brisa num dia quente de verão, mas é muito diferente sentir o sopro de uma pessoa íntima lhe descendo pelo pescoço – isso denota uma certa proximidade.  Portanto, no nível de Neshamá a pessoa alcança um  alto grau de intimidade com D’us...

Se você quisesse ir adiante, qual seria o próximo nível, além do sopro?  Voltando à analogia do vidreiro, há o sopro, o vento e por fim o ar que se acomoda e dá forma ao vaso.  O que viria antes do sopro?  O ar quando ainda se encontra nos pulmões do vidreiro.  A própria força vital do soprador, que se denomina Chaiá [Essência Viva].  Este é o quarto nível, no qual o alento ainda não está separado do soprador.  Trata-se, na verdade, da experiência de estar dentro do campo do Divino.

Finalmente, qual seria o grau além deste?  Poder-se-ia concebê-lo como a decisão inicial de assoprar quando ela entra na psique do Soprador.  A idéia singular que Ele tem de criar estaria em Iechidá [Essência Única], o mais elevado dos cinco níveis.

A partir daí, você está no campo do inimaginável. ’


Bibliografia: 
  - Anatomia da Alma - Chaim Kramer - Editora Sefer;
  - http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=479&p=2;
  - http://bible.ort.org/books/torahd5.asp?action=displaypage&book=5&chapter=12&verse=22&portion=47 

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