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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

✨ Sucot se aproxima… ✨

Grupo Breslev Israel

“Habitareis em cabanas durante um período de sete dias… Para que vossas gerações saibam que fiz habitar em cabanas os Filhos de Israel quando os tirei da terra do Egito”.

Resumo da festividade

Uma das três festas de peregrinação que o povo judeu devia celebrar todos os anos é Sucot, a Festa das Cabanas, que dura uma semana, do dia 15 ao 21 de Tishrei (e na diáspora até o dia 22). O primeiro dia é um Yom Tov, e o restante dos 7 dias é conhecido como os Dias Intermediários do Festival, o que se denomina Chol HaMoed. (Depois vem outra festividade — Shemini Atzeret ou Simchat Torá — que ocorre imediatamente após Sucot, no oitavo dia, 22 de Tishrei em Israel e no 23 na diáspora).

A fonte desta festividade encontra-se na Torá, em Vayikrá (23:34-35,41): “No décimo quinto dia deste sétimo mês é a Festa das Cabanas, um período de sete dias para Hashem. O primeiro dia é uma santa convocação; não fareis nenhum trabalho pesado… Vós a celebrareis como uma festa para Hashem, um período de sete dias no ano, e decreto eterno para vossas gerações; no sétimo mês a celebrareis.”

Morar na sucá (cabana) é o principal componente desta festividade. Durante a semana, passamos mais tempo na sucá do que em nossa casa. Viver na sucá é uma experiência espiritual edificante e também um tempo de qualidade para toda a família.

O Sefer HaJinuch (o Livro da Educação, que explica as 613 Mitzvot (Mandamentos) de acordo com sua fonte bíblica) escreve sobre a mitzvá de habitar na sucá: “Uma das raízes da mitzvá está explícita na Torá: Para que nos lembremos dos grandes milagres que Deus fez aos nossos antepassados no deserto durante o Êxodo do Egito. Ele os cercou com as Nuvens de Glória para que o sol não os prejudicasse de dia, nem a geada à noite. Alguns explicam que se trata de uma comemoração das cabanas que os Filhos de Israel fizeram no deserto”.

Embora o Êxodo tenha ocorrido no mês de Nisán, não nos foi ordenado fazer as sucot em Nisán, porque nos dias amenos de Nisán os camponeses costumam sair de suas casas e desfrutar à sombra de cabanas ao ar livre. Não seria tão óbvio que estamos fazendo a sucá como uma mitzvá de Hashem. No entanto, durante Tishrei, quando — no hemisfério norte — as noites são frias e a estação das chuvas está prestes a começar, os camponeses voltam para suas casas. Quando fazemos o contrário, abandonando nossos lares e habitando em uma sucá, estamos demonstrando que o propósito da sucá é a mitzvá de Hashem.

Sucot cai na época da colheita, ou seja, em uma época de abundância, quando o agricultor leva seus produtos para o silo. O ser humano naturalmente se sente altivo quando é rico e pensa: “Minha força e o poder da minha mão fizeram esta riqueza”. Para contrabalançar nossa tendência à arrogância, a Torá nos ordena a deixar nossas casas cheias da abundância da riqueza na época da colheita e habitar em uma sucá. A única coisa necessária para ser feliz é a proteção de Deus, simbolizada pelo schach (a cobertura de folhas sobre a cabeça na sucá); mesmo na cabana frágil e temporária, pode-se sentir a maior alegria em gratidão pelo que Deus lhe deu.

O Midrash diz: “Por que construímos a sucá depois de Yom Kipur? Porque em Rosh Hashaná Deus julga o mundo inteiro, e em Yom Kipur o julgamento é selado. Talvez o povo judeu esteja obrigado a ir ao exílio? Por isso fazem uma sucá e se exilam de suas casas para a sucá”.

Viver na Sucá

A sucá deve ser o mais bonita possível. Nossos Sábios disseram: “Glorificai-O com as mitzvot. Fazei uma bela sucá, um belo lulav, etc. Como diz: ‘Este é o meu Deus e eu O glorificarei…’”. É uma grande mitzvá que a própria pessoa se ocupe de construir a sucá.

A Torá nos instrui a viver na sucá exatamente como se viveria em nossa própria casa. A sucá se torna o nosso local de residência durante estes sete dias de Sucot. Nela devem ser feitas todas as refeições e recebidos os convidados. Deve-se dormir na sucá, mesmo que seja apenas para uma soneca.

Construção da Sucá

As paredes da sucá podem ser construídas com qualquer material: madeira, plástico, metal ou pedra; mas o material deve ser resistente o suficiente para não se mover com um vento normal. Por esta razão, as paredes feitas de tecido são problemáticas e podem fazer com que toda a sucá não seja kosher.

Dimensões da Sucá

A sucá tem pelo menos três paredes. As paredes não podem se elevar do chão mais de 3 tefachim (24 cm) para que um pequeno animal não possa se arrastar para o seu interior. A altura deve ser superior a 10 tefachim (80 cm), mas inferior a 20 amot (9,60 m). A largura das paredes deve ser de pelo menos sete tefachim (56 cm).

Schach (Cobertura de folhas)

Depois de erguer as paredes, coloca-se o schach (a cobertura de folhas que dá sombra) como teto, utilizando tábuas finas e estreitas, colocadas horizontalmente sobre as paredes para sustentá-lo. Muitas pessoas utilizam galhos de árvores, folhas de palmeira ou bambu; existem esteiras de bambu especialmente preparadas. O princípio explicado na Lei Oral é que o schach deve ser algo que reúna as seguintes características:

1. Cresceu da terra

2. Foi completamente arrancado ou desprendido da planta

3. Nunca se tornou um instrumento ou recipiente (como uma mesa ou um barril)

4. Não tem mau cheiro nem folhas que caiam durante Sucot, porque estes tipos de schach podem fazer com que se saia da Sucá.

Não se pode construir uma sucá debaixo de galhos de árvores que façam sombra sobre a sucá. A quantidade de schach deve ser suficiente para que a sombra proporcionada pelo schach na sucá seja maior que a luz solar que passa através dele, mas não tanta que não se possam ver as estrelas à noite através do schach, ou que a chuva não possa penetrar.

“Alegrar-te-ás na tua festa”

Em todas as Festas nos é ordenado: “Alegrar-te-ás na tua festa”, mas em Sucot a alegria se duplica e triplica: “E somente te alegrarás”. Em nossas orações, chamamos a Festa de Sucot de “o tempo da nossa alegria”. E nos é ordenado demonstrar essa alegria comendo carne e bebendo vinho, vestindo roupas finas, dançando, cantando e nos alegrando.

Nas demais festividades, nos alegramos por um acontecimento histórico concreto, como o Êxodo em Pessach ou a Entrega da Torá em Shavuot. Mas em Sucot, a simchá (alegria) é a própria essência da festa. Portanto, a mitzvá de se alegrar em Sucot é muito grande. Devemos nos alegrar de verdade, com todo o nosso coração. Regozijamo-nos por termos a Deus, estamos felizes pela conexão que temos com Ele com todo o nosso ser. Estamos felizes por Ele cuidar de nós como um pai cuida de seu filho amado.

Nomes da Festa

A Festa tem vários nomes:

• Festa da Colheita – Era a época em que os agricultores traziam seus produtos do campo.

• Tempo da nossa alegria – A Torá enfatizava a alegria em Sucot.

• Shemini Atzeret e Simchat Torá – O oitavo dia da festa (e o nono na diáspora) é um dia especial de assembleia.

A peregrinação a Jerusalém

Sucot é uma das três Festas em que a Torá ordena ao Povo de Israel subir a Jerusalém, ao Sagrado Templo, e oferecer sacrifícios especiais. As três festas são Pessach (Páscoa judia), Shavuot e Sucot. Hoje em dia, muitos costumam visitar o Muro Ocidental de Jerusalém para comemorar esta mitzvá.

As três festas de peregrinação estão relacionadas com o trabalho da terra:

• Pessach – Os judeus levavam a oferta do Omer, da primeira cevada madura.

• Shavuot – Oferecia-se a primeira colheita de trigo maduro.

• Sucot – O tempo da colheita.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

📜 A mensagem de Yom Kipur

A mensagem do Rabino Nachman é que devemos permanecer firmes mesmo quando vemos que caímos. Ele nunca tentou ocultar o fato de que os tropeços são inevitáveis e fazem parte integrante de nossa vida.

Rabino Shalom Arush

Um Shabat cuja influência perdura para sempre

Era o Shabat Nachamu do ano de 5570/1810, apenas dois meses antes do falecimento do Rabino Nachman. Ele sofria de tuberculose havia três anos e seus pulmões estavam gravemente afetados. Frequentemente, sofria fortes ataques de tosse durante os quais cuspia sangue.

Ao longo dos anos, o Rebe havia estabelecido determinadas datas especiais em que todos os chassidim iam visitá-lo e ele ministrava uma extensa aula de chassidut. Durante o resto do ano, os chassidim chegavam simplesmente para passar um Shabat em Breslev — e mais tarde em Uman — ao lado do Rebe, mesmo que ele não fosse ministrar nenhuma aula.

Naquele Shabat Nachamu em particular, centenas de chassidim se reuniram em Uman. Esperavam que aquela grande multidão motivasse o Rebe a dar uma aula e, apesar de sua fraqueza, ele concordou. Falava bem baixo, quase num sussurro, mas de repente exclamou em alta voz as suas famosas palavras:

"Gevalt! Nunca desistam! Não existe yiush! Não existe situação sem esperança!"

Aquelas palavras e aquele Shabat ficaram profundamente gravados nos corações dos chassidim. Pouco tempo depois, essas palavras se espalharam por todo o mundo judeu. Até os dias de hoje, continuam a infundir esperança em inúmeras pessoas. Apareceram em adesivos e etiquetas, e serviram de letra para inúmeras melodias.

Um grito do mais profundo do coração

No entanto, familiarizamo-nos tanto com essas palavras que perdemos de vista o seu verdadeiro significado. Transformaram-se em mais um slogan, em um adesivo para colar na parte traseira do carro. E se for assim, estamos perdendo um aspecto profundo e fundamental da nossa maneira de enfrentar a vida. Detenhamo-nos por um momento para refletir sobre isso.

O Rabino Nachman dizia aos seus chassidim que sua vida havia sido curta em anos, mas que constituíra um processo ininterrupto de crescimento espiritual. Chegou a se tornar uma figura única na história do nosso povo. Já havia alcançado um elevado nível espiritual antes de sua viagem a Eretz Israel, mas quando retornou disse que se envergonhava do pouco que havia conquistado antes de experimentar a santidade da Terra. E continuou a subir a escada da perfeição espiritual ano após ano, até o dia de seu falecimento.

Em Rosh Hashaná do ano de 5571/1810, dois meses após aquele Shabat Nachamu, o Rabino Nachman ministrou sua última aula. Estava terrivelmente fraco e doente, e mal conseguia falar, mas se esforçou com uma força sobre-humana. Somente aqueles que estavam mais perto dele podiam ouvir suas palavras. Para a maioria dos chassidim, a última frase que lhe ouviram pronunciar foi aquela que havia gritado no Shabat Nachamu com todas as forças que ainda lhe restavam.

É evidente que era precisamente isso o que ele queria que seus chassidim lembrassem e tivessem presente para todas as gerações futuras:

"Não existe yiush! Nunca se deve perder a esperança!"

Um princípio fundamental

Portanto, esta frase resume todos os ensinamentos do Rabino Nachman. Ele a pronunciou no auge de sua vida espiritual e ela se tornou seu legado para todas as gerações. Isso é o que ele quis deixar para cada um de nós: jamais desistir nem perder a esperança. Tudo o mais depende disso. É um princípio fundamental da Torá e das mitzvot.

Quando é que uma pessoa tende a perder a esperança? Não quando tudo vai bem e tem sucesso. Nesses momentos, ninguém desiste e o Yetzer Hará tem pouca influência sobre nós.

O Yetzer Hará espera justamente o momento em que a pessoa sente que caiu, que fracassou. Então entra em ação e lhe diz: "Agora você percebe que é um fracasso, que nunca conseguiu nada de bom. Então, para que continuar tentando? Você nunca vai ter sucesso, e você sabe disso".

Ao longo dos anos, conheci milhares de baalei teshuvá que vieram a mim cheios de entusiasmo, desejosos de se firmar em um mundo de kedushá e de apego a Hashem. Alguns eram jovens que aspiravam a subir a escada da perfeição espiritual; outros eram pais de famílias jovens com intenções sinceras.

No entanto, um ou dois anos depois, eu via que sua busca espiritual havia ficado em suspenso e que, na melhor das hipóteses, cumpriam as mitzvot cotidianas quase no piloto automático. Outros haviam se afastado muito do caminho.

A mensagem do Rabino Nachman é que devemos permanecer firmes mesmo quando vemos que caímos. Ele nunca tentou ocultar o fato de que os tropeços são inevitáveis e fazem parte integrante de nossa vida.

Ele descreveu o caminho da teshuvá como um ziguezague: subimos e depois caímos; voltamos a subir e voltamos a cair. Se uma pessoa perde a esperança porque vê que caiu, jamais tentará se levantar novamente. Nem sequer terá consciência de que existe essa possibilidade.

Reb Noson afirmou que cada tzadik conseguiu alcançar seu nível precisamente porque continuou tentando mesmo depois de cair ou fracassar.

O Rabino Nachman considerava este princípio tão importante que se certificou de proclamá-lo em alta voz para que ressoasse eternamente por todo o mundo:

"Não existe yiush! Nunca se deve perder a esperança!"

Oceanos de esperança

O Rabino Nachman nos ensinou muitas coisas: emuná, kedushá, humildade e todas as midot tovot. Mas se uma pessoa não sabe conservar a esperança, nada disso poderá criar raízes.

O ensinamento de que sempre há esperança é um dos maiores presentes que o Rabino Nachman deu ao nosso povo. Nossa geração atravessa inúmeras quedas espirituais e, sem uma base sólida de esperança, não poderemos fazer teshuvá.

Quando o Rabino Nachman gritou: "Não existe yiush!", ele o fez por nós, por cada um de nós, não importa o que tenha acontecido nem o que tenhamos feito.

Em Yom Kipur, todos permanecemos de pé e batemos no peito enquanto enumeramos os numerosos pecados que cometemos. Fazemos isso dez vezes ao longo do dia sagrado. Depois de reconhecer uma e outra vez todas as nossas faltas, como se supõe que devemos seguir em frente? A única coisa que vemos à nossa frente são montanhas e montanhas de pecados!

E, ao mesmo tempo que pronunciamos esta confissão, estamos convictos de que provavelmente voltaremos a fazer as mesmas coisas. Isso deveria nos quebrar por completo.

Mas a mensagem de Yom Kipur é:

Sim, sabemos o que você fez. Sabemos o quanto você caiu e o quanto lhe falta. E, no entanto, Hashem quer perdoá-lo. Ele quer limpá-lo e purificá-lo, e o faz todos os anos. Ele é nosso Pai amoroso e sempre estará lá para perdoá-lo. Nunca perca a esperança! Simplesmente confesse suas faltas e recomece, mesmo que seja a milésima vez.

Yom Kipur não é apenas um dia de expiação; é um dia repleto de uma profunda esperança. Se existe a expiação, então também existe a esperança.

E isso é precisamente o que mais precisamos.

Nunca perca a esperança!

E, com a ajuda de Hashem, não desistiremos. Continuaremos a nos esforçar e a lutar para subir cada vez mais, e estaremos sempre dispostos a recomeçar.

Estas palavras são para o mérito da alma do meu netinho, Shalom ben Asaf e Rivka, a"h, que nos ensinou o imenso poder de saber que não existe yiush, que nunca se deve perder a esperança.

Fonte: Breslev.com

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Leite e Mel – Ki Tavo

A Terra de Israel é a Terra dos milagres. Em outras palavras, assim como os milagres desafiam a natureza, tudo na Terra de Israel também a desafia.

Rabino Lazer Brody

“Ele nos traz a este Lugar e nos fala desta Terra, uma Terra que mana leite e mel.” (Deuteronômio 26:9)

A Terra de Israel é a Terra dos milagres. Em outras palavras, assim como os milagres desafiam a natureza, tudo na Terra de Israel também a desafia. O Talmud, no Tratado Ketubot, afirma enfaticamente que chama a Terra de Israel de “Terra da fé”; tanto a fé quanto os milagres transcendem as limitações da natureza. Basta abrir os olhos para contemplar a maravilha da pequena nação judaica que existe e prospera apesar de estar cercada por inimigos ferozes por todos os lados.

Os cabalistas clássicos não usam palavras para elogiar a Terra de Israel. Mas primeiro, vamos considerar uma questão sobre a história que mencionamos. A Torá é notavelmente concisa no uso da linguagem; portanto, por que arriscar parecer redundante se Hashem "nos traz a este lugar e nos revela esta Terra" — a Terra que mana leite e mel? A Torá não poderia simplesmente ter dito a mesma coisa: "Ele nos traz aqui e nos revela esta terra"?

A palavra hebraica para "lugar" é makom. "Mamakom" — o lugar — é uma alusão recorrente a Hashem ao longo dos escritos de nossos sábios. O Midrash afirma em pelo menos meia dúzia de passagens que Hashem "é o lugar do universo, mas o universo não é o Seu lugar", significando que Hashem é muito maior do que todo o universo. É por isso que muitas vezes nos abençoamos com "Hamakom ivarej" ou "Hamakom ienajem", que significa "Que Deus abençoe" ou "Que Deus conforte".

O Talmud, no tratado Kidushin, afirma que a Terra de Israel é superior a todas as outras terras. Aqueles que examinam o Talmud superficialmente zombam e dizem que é ridículo: não há montanhas na Terra de Israel, nenhum lugar tão alto quanto o Matterhorn, o Kilimanjaro ou o Everest. Como o Talmud poderia fazer tal afirmação? Rabi Shimon Bar Yochai diz no sagrado Zohar que a Terra de Israel se assemelha ao Reino Espiritual Superior; é por isso que Hashem habita lá com Seu Povo Escolhido e designa a Terra como a Terra Santa, a Terra do Templo Sagrado e a Terra onde todos os mandamentos da Torá são praticados e observados. Nesse sentido, a Terra de Israel é espiritualmente muito superior a qualquer outro lugar. É isso que quero dizer com Talmud quando afirmo que a Terra de Israel é superior a todas as outras terras. O Talmud de Jerusalém, no Tratado Shekalim, nos diz especificamente que a Terra de Israel é mais sagrada do que todas as outras terras porque, como a Torá nos ensina, a Presença Divina de Hashem está sempre lá.

Considerando tudo isso, podemos agora entender por que a Torá diz: “Ele nos traz a este lugar e nos dá esta terra”; uso maiúsculas porque se refere a Hashem. A Torá nos diz que Hashem nos traz aqui, à Terra onde Sua Presença Divina está sempre presente, a Terra Santa da Torá e das mitsvot que Ele nos revela. Portanto, “Lugar” e “Terra” não são redundantes: o primeiro se refere à Presença Divina, enquanto o segundo se refere à Terra de Israel.

Então, por que a Terra de Israel é chamada de “a Terra que mana leite e mel”? Encontramos a resposta no pensamento cabalístico: toda criação tem aspectos espirituais: din e chesed, julgamento severo e compaixão. O leite vem do lado do chesed; seu oposto, como aprendemos no Tratado Niddah, é o sangue menstrual. O mel também vem do lado do chesed, porque na Cabala aprendemos que a doçura dos alimentos vem do chesed, enquanto o amargor e o picante vêm do din.

No plano espiritual, a Terra que mana leite e mel refere-se à Terra da compaixão Divina. Mesmo no plano material e tangível, os frutos da Terra de Israel, como qualquer um que a tenha visitado pode atestar, possuem uma doçura especial.

Que chegue logo o dia em que veremos o reencontro dos exilados e a plena redenção do nosso povo aqui mesmo, na Terra que mana leite! Amém!


Fonte: breslev.com

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Shoftim: Torne-se quem você realmente é

A parashá desta semana começa com o mandamento de estabelecer tribunais em cada cidade da terra de Israel para resolver as disputas entre as pessoas:

“Designarás juízes e oficiais em todas as tuas cidades que HaShem, teu D’us, te dá para as tuas tribos, e eles julgarão o povo com um julgamento justo.”

Rabi Natan de Breslev ensina que, quando os juízes e rabinos proferem um julgamento justo entre duas pessoas em conflito, isso representa o aspecto da teshuvá, o arrependimento.

Por exemplo, alguém que tentou roubar algo de outra pessoa quis arrancar aquele objeto de sua raiz e levá-lo para um lugar estranho e externo. Quando os juízes proferem uma decisão verdadeira que esclarece a realidade do caso, o dinheiro ou o objeto retorna ao seu lugar correto, à sua raiz. Esse é o aspecto da teshuvá.

Por isso, o julgamento é chamado de “julgamento de paz”, como está escrito:

“Falai a verdade uns com os outros, e em vossas portas julgai com verdade, justiça e paz.” (Zacarias 8:16)

O objetivo principal do julgamento é fazer as pazes entre as partes em conflito.

Fonte: Breslev.co.il

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Bênção e Maldição

Faça sua escolha!

Por Yanki Tauber



“Vejam, coloquei diante de vocês bênção e maldição.”

Assim se inicia a leitura dessa semana da Torá, Reê (Devarim 11:26-16:17), quando Moshê reitera, uma vez mais a doutrina do Livre Arbítrio. Liberdade de escolha. Sem isso, Maimônides nos lembra, a religião é sem sentido, a moralidade um não-conceito, a Torá supérflua.

De fato, não somente nos foi concedido um livre arbítrio entre o bem e o mal, mas também a opção de em qual nível fazer esta escolha. Uma escolha de escolhas, se me permite.

a – Há o bem e há o mal. Bênção e maldição, luz e trevas. D'us criou ambos. Escolhemos qual dos dois, ou qual combinação a partir deles, irá definir a nossa existência.

b – Na verdade, há apenas o bem. D'us é a fonte de toda realidade; e como D'us é a essência do bem, somente o bem é real. Assim como não há uma coisa como a escuridão – somente luz ou sua ausência (que chamamos “escuridão”) – assim também, há somente bem ou sua ausência. Ou em vez disso – como nenhum local é vazio de Sua presença – bem ou sua ocultação. Portanto, a opção entre bem e mal não é uma escolha entre duas realidades, mas uma escolha entre ser e não-ser, entre realidade e ilusão.

c – Como “escolha”, por definição, é a afirmação livre e desimpedida da vontade; e como a vontade intrínseca da alma humana é pela vida e bem-estar; a única escolha verdadeira que pode haver é a escolha do bem. Porém, nos foi concedida a liberdade de escolha, o que significa que podemos escolher não escolher; aquilo que chamamos “liberdade de escolha” é na verdade a escolha de exercer a opção ou de renunciar à escolha. Quando afirmamos nossa verdadeira vontade – quando escolhemos – invariavelmente optamos pelo bem.

Qual é então – a, b ou c? Isso é com você. Este é o verdadeiro significado de “livre arbítrio”: não que você possa meramente escolher entre duas ou mais opções apresentadas a você por uma autoridade superior, mas que é você que determina o nível de realidade na qual sua vida consciente se desdobra. É você que determina a distância entre sua vida e sua Fonte, e assim a forma pela qual o “Livre Arbítrio” entra em sua experiência.

Faça sua escolha.

Fonte: chabad.org

Rabi Shimon bar Yochai

Todos os anos, em Lag BaOmer (18 de Iyar), lembramos o grande e santo Tanna (sábio da Mishná) Rabi Shimon bar Yochai, que faleceu neste dia há cerca de dezoito séculos. Até hoje, judeus piedosos fazem uma peregrinação anual a Kefar Meron, na Terra de Israel, para orar no túmulo deste grande e santo erudito.



Aluno de Rabi Akiva Quando Shimon era menino, estudou na grande academia de sábios de Yavne, fundada pelo Rabino Yochanan ben Zakai, que faleceu pouco antes do nascimento de Shimon. O principal professor de Shimon foi o famoso Rabi Akiva, que tinha sua academia em Benei Barak. Shimon era tão apegado ao seu mestre, Rabino Akiva, que este o chamava de "meu filho".

Durante a cruel perseguição do imperador romano Adriano, quando as academias talmúdicas foram fechadas e o estudo do Talmud foi proibido sob pena de morte, Rabi Akiva continuou a ensinar o Talmud publicamente, e seu devotado aluno Shimon permaneceu ao seu lado até a prisão de Rabi Akiva. Mesmo assim, Shimon continuou a visitar seu mestre na prisão para receber instrução. Somente a morte os separou, Rabi Akiva foi condenado a morrer como mártir por Kidush Hashem (santificação do nome de D’us).

Tornando-se um Rabino sob o Domínio Romano
Aqueles foram tempos muito difíceis para o povo judeu na Terra de Israel, sob a brutal perseguição do imperador romano Adriano. Era particularmente difícil para os sábios estudarem o Talmud e conduzirem escolas. Sob pena de morte, também era proibido ordenar estudantes do Talmud. Tanto o sábio que ordenava quanto o estudioso eram mortos caso fossem pegos. Toda a vida religiosa judaica estava em perigo, até que o grande Rabino Yehudah ben Baba ordenou publicamente cinco estudiosos famosos, desafiando o cruel decreto de Adriano. Rabi Shimon foi um desses cinco, (Rabino Meir foi outro.) As autoridades romanas logo perseguiram esses destemidos judeus. Os estudiosos ordenados escaparam, mas Rabino Yehuda ben Baba foi capturado e morto.

Desafiando os Romanos
Finalmente, o cruel Adriano morreu em grande sofrimento, e seus decretos deixaram de ser aplicados com a mesma brutalidade de antes. Então, os principais sábios da época se reuniram para considerar maneiras de restaurar a vida religiosa judaica. Entre os principais sábios reunidos em Usha, encontramos novamente Rabi Shimon. Por razões de segurança, os sábios se mudaram para Yavne, onde se reuniram em uma conferência em um vinhedo.

Os principais sábios eram Rabi Yehuda, Rabi Yosei, o Galilita, e Rabi Shimon bar Yochai. Discutindo qual postura adotar em relação ao governo romano, Rabi Yehuda sugeriu uma postura amigável, Rabi Yosei não expressou opinião, enquanto Rabi Shimon falou com muita amargura dos tiranos romanos e defendeu toda e qualquer resistência possível. Pois Rabi Shimon jamais poderia esquecer a terrível cena de seu amado mestre e professor, Rabi Akiva, sendo torturado até a morte pelos carrascos romanos. Os sábios não sabiam que sua conversa estava sendo ouvida por um certo jovem, Judah ben Gerim.

Outrora discípulo de Rabi Shimon, Judah ben Gerim mais tarde tornou-se espião das autoridades romanas. Esse homem traiçoeiro relatou a conversa dos sábios às autoridades romanas. Imediatamente, decretaram honra e posição para Rabi Yehuda por falar favoravelmente deles, exílio para Rabi Yosei por não fazê-lo e morte para Rabi Shimon, que ousou desafiá-los. Vida na Caverna
Rabi Shimon fugiu para salvar sua vida junto com seu filho, Rabi Elazar. Por algum tempo, eles permaneceram escondidos no Bet Hamidrash (academia), onde a esposa de Rabi Shimon lhes trazia pão e água diariamente. Quando as buscas se intensificaram, eles decidiram procurar um esconderijo melhor. Sem revelar a ninguém seu paradeiro, esconderam-se em uma caverna. D’us fez brotar uma alfarrobeira na entrada da caverna, bem como uma fonte de água fresca. Por doze anos, Rabi Shimon bar Yochai e seu filho Elazar viveram na caverna, sustentando-se com alfarroba e água. Durante esse tempo, estudaram e rezaram até se tornarem os sábios mais sagrados de sua época.

Retorno aos Assuntos Mundanos
Ao final dos doze anos, o Profeta Eliyahu trouxe-lhes a boa nova de uma mudança no governo e um alívio. Pai e filho então deixaram a caverna. Passando por um campo onde viram agricultores judeus trabalhando na terra, disseram: “Imaginem as pessoas abandonando o estudo sagrado da Torá por assuntos mundanos!”

Assim que terminaram de falar, toda a produção do campo queimou e se transformou em fumaça e cinzas. Então ouviram uma voz celestial dizendo: “Vocês vieram para destruir o Meu mundo? Voltem para a sua caverna!”

Retornaram à caverna por mais doze meses e a deixaram somente depois de ouvirem a mesma voz celestial chamando-os para partir.

Desta vez, eles saíram com uma perspectiva diferente da vida. Ao verem um judeu carregando dois ramos de murta, voltando apressado para casa na tarde de sexta-feira, perguntaram-lhe o que pretendia fazer com a murta.

“É para adornar minha casa em honra ao Shabat”, respondeu o homem. “Um ramo de murta não seria suficiente para perfumar sua casa?”, perguntaram.

O desconhecido respondeu:
“Estou levando dois ramos, um para ‘Lembrar o Shabat’ e o outro para ‘Santificar o Shabat’”.

Rabino Shimon então diz ao seu filho: .
“Veja como os preceitos são preciosos para nossos irmãos!”

Satisfeitos por, apesar de todos os decretos e perseguições dos cruéis governantes romanos, os judeus ainda se apegarem aos mandamentos e, especialmente, à observância do Shabat, Rabi Shimon e seu filho se sentiram muito encorajados.

Prosseguindo sua jornada, encontraram o Rabino Pinchas ben Yair, outro famoso erudito sobre quem existem tantas histórias maravilhosas no Talmud. O Rabino Pinchas ben Yair era sogro de Rabi Shimon e veio ao seu encontro. Ao ver os terríveis efeitos da vida prolongada na caverna sobre a saúde de seu genro, Rabino Pinchas ben Yair caiu em prantos, mas Rabi Shimon o consolou dizendo que ele jamais teria alcançado um grau tão elevado de erudição e sabedoria Divina se não tivesse passado tantos anos na caverna.

Ensinando em Tecoa
Rabi Shimon bar Yochai se estabeleceu na cidade de Tecoa, onde fundou uma grande academia. Os maiores eruditos da época se reuniam ali para receber sua instrução e ensinamentos. Entre eles estava o Rabino Yehuda, filho de Rabi Shimon ben Gamliel, o Nassi, posteriormente compilador da Mishná.

Certo dia, Rabi Shimon encontrou Judah ben Gerim, o espião traiçoeiro que lhe causara tantos problemas. Rabi Shimon exclamou:
"Este homem ainda está vivo?" e, pouco depois, Judah ben Gerim faleceu.

Mais uma vez, a perseguição religiosa aumentou. Os romanos proibiram a observância do Shabat e a prática de outras importantes leis judaicas. Os Sábios decidiram enviar uma delegação a Roma e escolheram Rabi Shimon bar Yochai para liderá-la.

Quando chegaram a Roma, souberam que a filha do imperador romano havia perdido a sanidade e que ninguém conseguia curá-la. Rabi Shimon bar Yochai dirigiu-se ao palácio e pediu permissão para tratar a paciente.

Após alguns dias de tratamento, a princesa recuperou a saúde. Em gratidão, o imperador disse a Rabi Shimon que ele poderia escolher o objeto mais precioso de seu tesouro. Rabi Shimon encontrou ali os decretos originais de perseguição e os reivindicou como sua recompensa. Assim, ele conseguiu trazer grande salvação ao seu povo.

Mestre de Israel
Rabi Shimon bar Yochai foi um dos maiores mestres da Lei e da ética judaicas. Seus muitos ditos e leis no Talmud refletem sua santidade de caráter e devoção à Torá.

Certa vez, ele disse: "Se eu estivesse presente na entrega da Torá no Monte Sinai, teria exigido duas bocas: uma para o estudo contínuo das palavras da Torá e a outra para comer." Mas então ele admitiu que isso não seria muito sábio, pois mesmo agora, quando o homem tem apenas uma boca, ele diz tantas coisas erradas. Quanto mais se tivesse duas!

Embora tenha vivido como um recluso por muitos anos, Rabi Shimon conhecia a importância de bons relacionamentos humanos. Alguns de seus ditos: "É melhor um homem se atirar numa fornalha ardente do que ofender o outro em público", Enganar alguém com palavras é pior do que roubar-lhe dinheiro”, "Aquele que se deixa dominar pela arrogância é como o pagão que adora ídolos."

Em Pirkei Avot, "Ética dos Pais", há um de seus ensinamentos:
"Existem três coroas: a coroa da Torá, a coroa do sacerdócio e a coroa da realeza; mas a coroa de um bom nome se destaca acima de todas elas."

Rabi Shimon bar Yochai é o autor do sagrado Zohar ("Brilho"), que contém interpretações místicas da Torá e é a principal fonte da Cabala. Por muitas gerações, os ensinamentos do sagrado Zohar foram estudados por alguns poucos eruditos, até que o grande erudito Rabi Moses ben Shem Tov de Leon publicou o Zohar há cerca de setecentos anos. Rabi Shimon também é autor de Sifri e “Mechilta de Rabi Shimon bar Yochai”.

Rabi Shimon bar Yochai faleceu em Meron, uma vila perto de Safed, na Terra de Israel. Como mencionado anteriormente, muitos judeus fazem uma peregrinação anual ao seu túmulo no dia 18 de Iyar (Lag BaOmer), o dia de sua morte, onde acendem velas, rezam junto ao seu túmulo e, cumprindo o seu desejo, celebram a data com cânticos e alegria.

Fonte: chabad.org

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Palavras de Torá – A verdadeira e boa guia

Este trecho em que Moshé Rabenu se dirige a HaShem é muito breve no texto, mas na realidade abre uma profundidade imensa, especialmente quando é lido com a sensibilidade da emuná e a perspectiva de Rabi Nachman.




Moshé sabe que está prestes a deixar este mundo. No entanto, em vez de falar de si mesmo, de seus méritos ou de seu lugar, ele se volta imediatamente para o futuro do povo. Ele diz a HaShem, em essência: “Tu és o D’us dos espíritos de toda carne, Tu conheces cada alma em sua singularidade… por isso dá ao povo um líder.”

A expressão é muito importante: “D’us dos espíritos de toda carne”. Isso significa que HaShem não vê os seres humanos como um bloco uniforme. Cada pessoa tem uma estrutura interior distinta, uma sensibilidade diferente, uma maneira diferente de compreender e de viver as coisas. Portanto, se o povo deve ser guiado, precisa de um condutor capaz de sustentar essa diversidade sem quebrá-la.

Moshé descreve então a situação com uma imagem muito simples, mas muito poderosa: um rebanho sem pastor. Um rebanho sem pastor não está simplesmente “desorganizado”. Ele está exposto, disperso, vulnerável, incapaz de se proteger ou de se reunir. Moshé entende que a maior fragilidade de um povo não é externa, mas interna: é a ausência de direção.

Ao mesmo tempo, aqui há uma emuná muito profunda. Moshé não pensa que tudo depende unicamente do homem. Seu pedido é dirigido a HaShem. Isso significa que ele reconhece que o verdadeiro condutor da história não é um líder humano, mas o próprio HaShem. O líder é apenas um intermediário, um canal. E mesmo quando Moshé desaparece, o povo não desaparece com ele, porque a guia sempre provém de HaShem.

É aqui que o ensinamento de Rabi Nachman acrescenta uma camada adicional de profundidade. Para Rabi Nachman, a noção de “pastor” não se limita a uma figura política ou mesmo histórica. O pastor representa a conexão viva entre a alma e HaShem.

Na vida interior da pessoa, há momentos em que tudo se confunde: os pensamentos se contradizem, as emoções tomam o controle, a clareza desaparece. Nesses momentos, a pessoa pode sentir de verdade o que significa estar “sem pastor”, ou seja, sem uma direção interior estável.

Por isso o tzadik, na visão de Rabi Nachman, desempenha um papel essencial: ele traz clareza (daat), lembra à pessoa onde está HaShem, mesmo quando ela já não O sente. Ele não substitui HaShem, mas ajuda a reconectar a pessoa com HaShem. Age como uma luz na neblina.

E, no entanto, Rabi Nachman sublinha algo ainda mais profundo: mesmo quando o tzadik não é visível, mesmo quando a guia parece ausente, isso nunca significa que HaShem tenha abandonado o mundo. A sensação de ser um “rebanho sem pastor” é muitas vezes uma percepção humana, não uma realidade divina. Na verdade, HaShem continua guiando cada detalhe, cada caminho, cada desvio.

Assim, a oração de Moshé pode ser compreendida em dois níveis ao mesmo tempo. No nível externo, ele está pedindo um líder concreto, alguém que possa carregar o povo, guiá-lo, protegê-lo e manter sua unidade. Sem isso, o povo corre o risco de se dispersar na confusão.

No nível interno, tal como o revela Rabi Nachman, ele também está expressando uma verdade espiritual permanente: o ser humano precisa de uma conexão viva com HaShem para não se perder em seu mundo interior. E essa conexão pode passar por meio de um tzadik, de uma palavra de verdade ou até mesmo de um pequeno ponto de clareza que desperta no coração.

Por isso, o pedido de Moshé é também uma forma de emuná pura. Ele não está dizendo: “tudo depende do líder”. Ele está dizendo: “dá-nos um líder, porque sem Tua guia não podemos avançar”. É o reconhecimento de que até o maior dos líderes não é mais que um instrumento nas mãos de HaShem.

E isso traz um grande consolo. Porque na vida há momentos em que a pessoa perde seus referenciais, quando as figuras de guia desaparecem ou já não estão acessíveis. Mas este trecho nos lembra que nunca há um abandono verdadeiro. Mesmo na escuridão, a guia continua. Às vezes visível, às vezes oculta, mas sempre presente.

E, no fim, talvez esta seja a mensagem mais forte de todas: mesmo quando a pessoa se sente como um rebanho sem pastor, nunca está sem HaShem.

Redação Breslev Israel.