Muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade suficiente...
Rabino Shalom Arush
Muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade suficiente…
A caridade previne penalidades
Aqui é o lugar apropriado para observar que muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade.
Ensinaram os Sábios que o sustento do homem é determinado no começo do ano, e assim também suas privações e perdas. Se ele o merecer – dará à caridade o dinheiro que lhe foi decretado perder, e se não o merecer – o perderá por meio de multas, impostos, médicos, deteriorações etc. Em outras palavras, a caridade previne penalidades. O relato a seguir nos demonstrará isso:
Conta-se sobre um grande Sábio que teve um sonho no começo do ano, no qual lhe foi revelado que os filhos de sua irmã estavam destinados a perder, naquele ano, a quantia exata de setecentos dinares.
Que fez o Sábio? Durante todo o ano visitou seus sobrinhos várias e várias vezes e lhes pediu caridade com todo tipo de desculpas e argumentos, uma vez para esta causa e outra vez para outra, até que recolheu quase toda a quantia, exceto dezessete dinares que não conseguiu levar.
No anoitecer do último dia do ano, chegou à casa dos sobrinhos um cobrador do imperador, tendo em mãos uma ordem para lhes cobrar dezessete dinares. Depois que lhe deram o dinheiro e o cobrador foi embora, os sobrinhos do Sábio ficaram com medo de que a repartição de impostos tivesse posto os olhos sobre seu dinheiro e voltasse agora para arrecadar cada vez mais. Quando contaram sua aflição ao tio, ele os tranquilizou e lhes disse: “Não tenham medo! Os dezessete dinares que pagaram são suficientes, e não terão de pagar mais nada”.
“E como você sabe disso?”, perguntaram céticos os sobrinhos. “Acaso você tem contatos com os cobradores de impostos, ou é um profeta?” Respondeu-lhes o Sábio: “Não tenho nenhum contato com os cobradores de impostos do imperador, e não sou profeta nem filho de profeta. Mas contatos com o Encarregado Superior – o Criador do Universo – isso eu tenho. Já no começo do ano me foi mostrado exatamente quanto dinheiro vocês perderiam, e recolhi quase toda a quantia para caridade. Restaram apenas esses dezessete dinares que não consegui recolher, e os cobradores de impostos vieram completar o trabalho.
Devem saber bem que, se eu não tivesse recolhido de vocês o dinheiro para caridade, teriam sido obrigados a pagar todos os setecentos dinares, não para o bem e com muita dor pelo dinheiro que teria sido levado pelo fisco. Mas agora vocês tiveram o mérito de doar o dinheiro para objetivos importantes, e ganharam muito mais com os privilégios e a recompensa pela caridade que fizeram. É também muito provável que vocês enriqueçam, porque todo aquele que abre sua mão para fazer caridade é abençoado em tudo o que faz”.
Os sobrinhos lamentaram o grande esforço do tio e lhe disseram: “Querido tio! Por que não nos contou desde o princípio que assim havia sido decretado desde o Alto? Que pena que você se cansou, uma vez após outra, vindo nos convencer a fazer caridade. Você poderia ter nos advertido que nos foi decretado perder os setecentos dinares, e teríamos dado toda a quantia de uma só vez no começo do ano”.
“Eu quis que vocês conseguissem fazer caridade pela caridade em si, sem nenhum interesse pessoal e não para se salvarem de um Decreto Celestial”, respondeu-lhes o Sábio.
Os sobrinhos lhe agradeceram e, por ser assim e por aceitarem que a cada ano é decretado ao homem quanto ele perderá, a partir daquele momento passaram a buscar todas as possibilidades e oportunidades para fazer o máximo de caridade possível, compreendendo o grande poder desse elevado Preceito.
Vimos que muitas vezes o homem precisa pagar multas apenas para completar a quantia que lhe foi decretado perder naquele ano. Porque há uma contabilidade no Céu que se encarrega de que o homem perca toda a quantia que lhe foi decretada. Mas, se ele o merecer e se antecipar dando esse dinheiro em caridade, será salvo de toda pena sob a forma de pagamento de multas e, o mais importante, conseguirá cumprir o grande Preceito da caridade, que certamente o salvará de muitas dores e tribulações.
Expiação de pecados
Além daquilo que foi decretado ao homem perder, segundo o Tribunal Celestial, no começo do ano, há vezes em que lhe chegam perdas adicionais para expiar seus pecados. Também aqui ele tem uma alternativa: dar seu dinheiro em caridade por seu livre-arbítrio, com alegria, e merecer assim a expiação dos pecados e a recompensa pelo cumprimento do Preceito da caridade; ou então perder seu dinheiro contra a própria vontade, com aflição, e essa será a sua expiação.
Disso o homem deve aprender a não fechar sua mão à caridade. Pelo contrário, deve buscar meios e artifícios para doar grandes quantias em cada oportunidade, pois é muito provável que esse mesmo dinheiro que ele dá lhe tenha sido decretado perder. Em vez de perdê-lo em desordens, impostos, multas e aflições, alcançará o mérito de cumprir o grande Preceito de sustentar os servidores do Criador e os pobres, e de difundir a consciência da fé autêntica no Criador ao redor do mundo – mediante a divulgação de artigos, livros e CDs sobre esse tema – e seus pecados serão expiados.
Portanto, quando o homem comete uma infração de trânsito e é detido por um policial, deve imediatamente fazer o cálculo se não deu o dízimo de seu dinheiro naquele mês para caridade, ou se, em geral, não doa o suficiente, e então decidir doar uma grande quantia e declarar: “Eu me comprometo a dar tal e tal quantia para caridade”.
É uma grande ação comprometer-se a doar dinheiro para caridade. Mesmo que o homem não tenha sido julgado no Céu por falta de caridade e tenha sido detido por outro motivo, o mérito de se comprometer a fazê-lo inclina a Justiça do Tribunal Celestial em seu favor. O fato de ser declarado inocente pela Corte Divina se expressa neste mundo na forma de que tudo se transforma para o bem: o homem se salva de multas, de apresentar documentos, de processos e de outras condenações. Graças à caridade, toda situação pode ser transformada para o bem.
(Extraído do livro “No Jardim da Fé”, do Rabi Shalom Arush, Diretor das Instituições “Jut shel Jésed” – “Fio de Bondade”)
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