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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Sobre os próprios pés – Behar

“Tu o fortalecerás…” (Levítico 25:35)

Um dos mandamentos mais importantes da Torá é ajudar uma pessoa necessitada. Qual é a melhor maneira de cumprir essa mitzvá tão importante?

Rabi Nachman de Breslev ensina que, se uma pessoa depende dos outros de qualquer forma que seja, ela se torna um “necessitado”. Não importa do que ela precise, mas se não consegue resolver as coisas por si mesma, então essa pessoa fica vulnerável às mentiras. Tanto se alguém precisa de ajuda para obter renda quanto se precisa que alguém lhe faça um elogio para se sentir bem, essa pessoa perde sua independência na medida em que depende dos outros. Aqueles que dependem de outras pessoas de alguma maneira são propensos a se desviar da verdade para impressionar aqueles de quem dependem. Rabi Nachman explica que esse fenômeno de se desviar da verdade afeta a forma como a pessoa reza; às vezes, ela faz todo tipo de gesto para impressionar os outros e mostrar o quanto é correta e fervorosa.

É provável que essa pessoa busque prestígio ou ajuda financeira, mas como seus gestos são destinados aos demais congregantes e não a Hashem, estão longe da verdade — e ela também (veja Likutei Moharán I:66).

A independência, tanto econômica quanto emocional, é o maior sentimento que existe. Mais ainda: esse sentimento permite à pessoa encontrar a verdade. Ela não precisa bajular nem impressionar as pessoas, porque não recorre a seres de carne e osso para obter favores. Não necessita de elogios nem de esmolas. Se quer algo, ou mesmo se precisa de encorajamento, recorre a Hashem. A pessoa de emuná pode se sustentar por si mesma.

Desde que nos voltamos a Hashem, alcançamos uma maravilhosa sensação de independência, porque não estamos tentando agradar às outras pessoas o tempo todo. Podemos perseguir a verdade, aonde quer que ela nos leve.

Uma coisa é a independência e outra bem diferente é a crueldade. Cada um de nós deve se esforçar para ser independente, mas quando vemos que outra pessoa precisa de ajuda, devemos cumprir prontamente nossa obrigação para com Hashem e Sua Torá e fazer o que pudermos para ajudá-la. Além disso, se a pessoa necessitada é um justo convertido, uma viúva ou um órfão, ajudá-la implica uma mitzvá adicional.

A parábola clássica de Rashi fala de um homem com um jumento que carrega uma enorme carga nas costas. A carga começa a se desequilibrar; nesse ponto, uma única pessoa é suficiente para endireitar a carga. Mas, se a carga cai no chão, nem mesmo quatro pessoas conseguirão levantá-la.

Muitas vezes, se estendermos a mão a um indivíduo que está cambaleando, poderemos evitar que quatro mãos de ajuda sejam necessárias se ele cair por completo, que o Céu não o permita.

Segundo a Lei judaica, há oito níveis de caridade, cada um superior ao outro. O nível mais elevado é “fortalecer a mão de uma pessoa que está caindo… encontrando-lhe um trabalho para que não dependa de outras pessoas, pois é isso que está dito: ‘e tu o fortalecerás’” (Shulchan Aruch, Yore Dea 249:6).

Esta é a forma mais elevada de caridade, pois ao conseguir um emprego para uma pessoa ou ensinando-lhe um ofício ou habilidade que lhe permita sustentar-se, o benfeitor possibilita ao necessitado manter-se por si mesmo.

Graças à sua independência emocional e econômica, ele se poupa da humilhação de estender a mão aos outros ou de pedir favores a pessoas de carne e osso.

De fato, ao ser independente, a pessoa antes necessitada alcançará um status tal que lhe permitirá, por sua vez, ajudar os demais.

Fortalecer outra pessoa emocional e espiritualmente é uma mitzvá tão importante quanto fortalecê-la economicamente.

Quando alguém ensina a outra pessoa a falar com Hashem todos os dias e a recorrer a Ele — que não há necessidade (nem adianta) correr atrás dos outros para conseguir o que busca — está ajudando-a a ser independente, pois ela já não dependerá dos demais, nem economicamente nem emocionalmente.

Ensinar o outro a se sustentar por si mesmo e a falar com Hashem diariamente não é menos importante do que arrumar-lhe um trabalho ou ensinar-lhe um ofício, porque, ao falar com Hashem todos os dias, verá com seus próprios olhos como se torna independente dos demais mortais em todos os aspectos da sua vida.

Agora está livre para encontrar a verdade, pois não precisa adular nem impressionar ninguém.

Redação Breslev Israel

Um sopro quase messiânico: quando o mundo redescobre o segredo do Shabat

 


Há anúncios políticos… e há momentos que vão além da política. O anúncio de um “Shabat nacional” nos Estados Unidos não pode ser visto como uma simples decisão simbólica. Toca algo muito mais profundo, quase atemporal. Como se, em meio ao tumulto do mundo moderno, uma verdade antiga voltasse à superfície.


Há milênios, o povo judeu carrega um tesouro único: o Shabat. Um dia em que o ser humano deixa de correr. Um dia em que ele reconhece que nem tudo depende dele. Um dia em que ele volta ao essencial: a fé, a família, a gratidão a Hashem.


E eis que essa ideia, durante muito tempo percebida como algo próprio do povo de Israel, começa a ser reconhecida publicamente na escala de uma grande nação. Isso não é algo trivial. É como se o mundo dissesse, à sua maneira: “Há aqui uma sabedoria que ignoramos… e da qual precisamos.”


O que torna esse acontecimento ainda mais impactante é que ele não surge no vazio. Já antes, vozes influentes no mundo haviam evocado a ideia de um dia de descanso inspirado no modelo do Shabat. Mesmo em outras esferas religiosas, a ideia de que a humanidade precisa de uma pausa semanal, de um tempo sagrado, foi expressa com força.


Mas aqui, algo muda: já não é apenas uma ideia… é uma proclamação. Um país inteiro é convidado a parar. A agradecer. A reconhecer o Criador.


Isso ressoa quase como um eco distante das palavras dos profetas: um mundo em que a consciência de Hashem se torna natural, em que os valores espirituais recuperam seu lugar no centro da vida humana.


É claro, ainda não estamos numa realidade perfeita. O Shabat não se reduz a um conceito de descanso universal — é uma aliança, uma profundidade, uma santidade única dada ao povo de Israel. Mas ver as nações começarem a reconhecer a sua beleza… isso já é extraordinário.


É um sinal. Um sinal de que a luz do Shabat transcende suas fronteiras. Um sinal de que a mensagem do povo de Israel continua a irrigar o mundo. Um sinal, talvez, de um despertar maior.


Porque o Shabat não é apenas um dia de descanso. É uma declaração: Hashem é o Dono do mundo. E quando essa ideia começa a ser ouvida, mesmo de longe, mesmo de maneira imperfeita — algo se abre.


Talvez o nosso papel, hoje mais do que nunca, seja simples: viver o Shabat com ainda mais força, ainda mais alegria, ainda mais verdade. Porque se o mundo começa a olhar para o Shabat… então verá a sua luz.


- traduzido do Espanhol para Português - Grupo Breslev Israel