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sexta-feira, 27 de março de 2026

Sobre a Parashá – Vaikrá


Será que Moshê sabia que D’us o amava? Estava Moshê consciente de que havia alcançado um nível de espiritualidade sem igual para qualquer outro ser humano?...

Rabino Abraham Twersky

Parashá Vaikrá

Será que Moshê sabia que D’us o amava? Estava Moshê consciente de que havia alcançado um nível de espiritualidade sem igual para qualquer outro ser humano?…

A Verdadeira Humildade

– “Vaikrá” – “E Ele chamou” (Levítico 1:1)

Quando as crianças pequenas começam a estudar Torá, tradicionalmente começam por esta porção. A primeira palavra deste livro da Torá, Vaikrá, é escrita com um Álef (א) minúsculo. As crianças tendem a associar o pequeno א com o seu próprio pequeno tamanho.

Mas por que o א é escrito minúsculo? Rashi diz que, sem o א, a palavra seria lida “Vaikar” (ויקר), o que significaria que a revelação Divina veio a Moshê de forma abrupta, sem preparação, assim como está dito da visão Divina que veio ao perverso Bilam (Números 23:4). Com o א, a palavra é “Vaikrá” (ויקרא), uma expressão de carinho, na qual D’us chamou Moshê e o convidou a entrar na Presença Divina com amor e dignidade.

Como Moshê escreveu a Torá conforme D’us a ditou para ele, ele se viu em um dilema com a palavra “Vaikrá”. Em sua profunda humildade, Moshê não desejava ostentar que D’us lhe havia concedido honra e distinção especiais. Moshê teria preferido omitir o א e deixar o povo ler “Vaikar”. No entanto, como não podia desobedecer à ordem Divina, fez um “meio-termo”: escreveu um א minúsculo, que talvez não chamasse tanta atenção.

Algumas pessoas pensam que humildade significa que alguém não deve estar consciente de suas próprias qualidades e capacidades. Gostariam que o homem sábio se considerasse estúpido, que o erudito se considerasse ignorante e que o músico consumado se considerasse surdo. No entanto, isso não seria humildade, mas autoengano.

Moshê sabia que D’us o amava? É claro que sabia. Estava Moshê consciente de que havia alcançado um nível de espiritualidade sem igual para qualquer outro ser humano? É claro que estava. Sabia ele que era o maior de todos os profetas de todos os tempos? É claro que sabia.

Mas esse conhecimento de si mesmo não tornou Moshê vaidoso ou arrogante. A Torá testemunha que Moshê era “o mais humilde de todos os homens sobre a face da Terra” (Números 12:3). Moshê estava disposto a entregar sua vida por cada indivíduo. Quando estourou a rebelião de Korach, o grande líder não ficou sentado em seu quartel-general ordenando que seus adversários fossem destruídos; ele foi pessoalmente até cada um deles, suplicando que encerrassem a rebelião e salvassem suas vidas. “Não é a Aarão e a mim que vocês estão desafiando, pois, afinal de contas, o que somos nós?”

Moshê nos ensinou o que é humildade. Ele conhecia sua própria grandeza, mas isso não lhe subiu à cabeça.

Assim, temos o pequeno א, que nos ensina que, mesmo quando a grandeza de alguém é evidente e inegável, não é necessário vangloriar-se dela. Nós nos referimos a Moshê como “Moshê Rabeinu”, nosso Mestre. Mas ele só pode ser nosso mestre se realmente aprendermos com ele.

– Extraído de “Viver Cada Dia”, do Rabino Abraham Twersky –

(Com a gentil autorização de Torá.org.ar)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Sucesso e Humildade – Vaikrá

 Como evitar que o sucesso suba à nossa cabeça? Aprenda como fazer com que as conquistas não inflarem o ego e, por outro lado, que os fracassos não o façam cair em um poço depressivo!

“E o Coên (Sacerdote) queimará tudo sobre o altar, um holocausto, uma oferenda de fogo, um aroma agradável a Deus” (Vayikra 1:9).
O sacrifício chamado “Olá”, ou holocausto, é tão importante que tem a honra de ser o primeiro sacrifício mencionado na parashá Vaikrá, do livro de Levítico. Portanto, devemos nos perguntar o que a Olá tem de especial e qual é sua mensagem subjacente para todas as gerações.

Rashi, em sua explicação desta passagem, explica que a Olá deve ser sacrificada completamente em nome de Deus, desprovida de qualquer motivo pessoal ou interesse ulterior. Nossos Sábios deduzem que o preceito da Torá de queimar “tudo sobre o altar” significa que o Coên não recebe nenhuma parte desse tipo de sacrifício para si mesmo, sendo necessário queimar toda a Olá no altar.

Rabi Nachman de Breslev explica (Likutei Moharan I: 4.7) que receber elogios pode ser muito perigoso, no sentido de que pode levar a pessoa à arrogância. No entanto, quando a pessoa se anula perante Deus a ponto de não ser nada, e atribui todos os seus êxitos à bênção de Deus e à ajuda Divina, nesse caso, os elogios não lhe causarão nenhum dano.

No caso da Olá, ou oferenda queimada, o preceito de Deus ao Coên é muito semelhante: dado que os membros do clã sacerdotal normalmente desfrutam de status, poder e riqueza, isso faz com que possam cair facilmente na arrogância. Por isso, a Torá lhes ordena realizar em primeiro lugar o sacrifício do holocausto, a Olá, que é queimada completamente sobre o altar.

Diferentemente de outros tipos de sacrifícios em que o Coên é recompensado com porções específicas da carne, no caso da Olá, o Coên não obtém nenhum ganho pessoal. Portanto, ele pode realizar esse tipo de sacrifício sem qualquer interesse próprio ou motivo ulterior, a não ser o de proporcionar satisfação a Deus. Por meio da Olá, o Coên obtém uma oportunidade única de deixar de lado seu ego e seus interesses pessoais e servir a Deus de forma altruísta. Em essência, o Coên deve se apresentar diante de Deus com um “barril limpo”, um recipiente espiritual desinteressado, capaz de conter a abundância espiritual da luz Divina de Deus.

Além disso, o Coên deve perceber que seu sucesso – seu privilégio de servir como sacerdote no Beit HaMikdash – não é em virtude de seus próprios talentos e aptidões, mas é um presente de Deus, que o trouxe ao mundo como membro do clã sacerdotal.

A mensagem subjacente da Olá para todos nós, em todas as gerações, é dupla: primeiro, que devemos cumprir todas as nossas mitzvot como holocaustos, sem interesses ulteriores. Em segundo lugar, devemos aceitar o sucesso com emuná, com fé, e anular completamente o nosso ego, como os restos da Olá que são queimados no altar, estando conscientes de que o sucesso provém de Deus. Dessa maneira, o sucesso é benéfico para a alma.

A emuná anda de mãos dadas com o bitul, ou seja, a anulação do ego. A pessoa com emuná completa atribui tudo a Deus, especialmente seus feitos. Quando tem sucesso, não se vangloria de seus próprios poderes e habilidades, pois sabe que seu êxito é resultado da bênção de Deus. E, da mesma forma, a pessoa com emuná não se desespera quando sofre um fracasso, pois sabe que, uma vez que fez todo o esforço possível, o fracasso e os reveses são a vontade de Deus. Consequentemente, o ego não sofre.

Assim, de acordo com o princípio mencionado anteriormente por Rabi Nachman, se atribuirmos nossos sucessos – ainda que minimamente – a nós mesmos, nos assemelhamos àqueles que colocariam o vinho do Rei em um barril impuro; dessa forma, o sucesso – o vinho do Rei – nos é prejudicial, pois o sucesso sem bitul, a anulação do ego, conduz à arrogância. Nesse caso, Deus costuma reter o sucesso – seu “vinho” especial – porque ainda não limpamos nossos barris de egoísmo. Deus não quer nos dar nada que nos prejudique, e certamente não deseja que sejamos arrogantes.

Quanto mais descartarmos o ego, mais Deus nos concederá sucesso, pois nos tornamos recipientes adequados para a luz Divina de Deus, a fonte espiritual de todo êxito.

Que Deus devolva o sacrifício diário da Olá ao reconstruído Beit HaMikdash, o Santo Templo de Jerusalém, para que todos possamos aprender a servi-Lo de forma altruísta e com dedicação, rapidamente e em nossos dias, amém.

terça-feira, 17 de março de 2026

A Caridade Previne Penalidades

Muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade suficiente...

Rabino Shalom Arush

Muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade suficiente…

A caridade previne penalidades

Aqui é o lugar apropriado para observar que muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade.

Ensinaram os Sábios que o sustento do homem é determinado no começo do ano, e assim também suas privações e perdas. Se ele o merecer – dará à caridade o dinheiro que lhe foi decretado perder, e se não o merecer – o perderá por meio de multas, impostos, médicos, deteriorações etc. Em outras palavras, a caridade previne penalidades. O relato a seguir nos demonstrará isso:

Conta-se sobre um grande Sábio que teve um sonho no começo do ano, no qual lhe foi revelado que os filhos de sua irmã estavam destinados a perder, naquele ano, a quantia exata de setecentos dinares.

Que fez o Sábio? Durante todo o ano visitou seus sobrinhos várias e várias vezes e lhes pediu caridade com todo tipo de desculpas e argumentos, uma vez para esta causa e outra vez para outra, até que recolheu quase toda a quantia, exceto dezessete dinares que não conseguiu levar.

No anoitecer do último dia do ano, chegou à casa dos sobrinhos um cobrador do imperador, tendo em mãos uma ordem para lhes cobrar dezessete dinares. Depois que lhe deram o dinheiro e o cobrador foi embora, os sobrinhos do Sábio ficaram com medo de que a repartição de impostos tivesse posto os olhos sobre seu dinheiro e voltasse agora para arrecadar cada vez mais. Quando contaram sua aflição ao tio, ele os tranquilizou e lhes disse: “Não tenham medo! Os dezessete dinares que pagaram são suficientes, e não terão de pagar mais nada”.

“E como você sabe disso?”, perguntaram céticos os sobrinhos. “Acaso você tem contatos com os cobradores de impostos, ou é um profeta?” Respondeu-lhes o Sábio: “Não tenho nenhum contato com os cobradores de impostos do imperador, e não sou profeta nem filho de profeta. Mas contatos com o Encarregado Superior – o Criador do Universo – isso eu tenho. Já no começo do ano me foi mostrado exatamente quanto dinheiro vocês perderiam, e recolhi quase toda a quantia para caridade. Restaram apenas esses dezessete dinares que não consegui recolher, e os cobradores de impostos vieram completar o trabalho.

Devem saber bem que, se eu não tivesse recolhido de vocês o dinheiro para caridade, teriam sido obrigados a pagar todos os setecentos dinares, não para o bem e com muita dor pelo dinheiro que teria sido levado pelo fisco. Mas agora vocês tiveram o mérito de doar o dinheiro para objetivos importantes, e ganharam muito mais com os privilégios e a recompensa pela caridade que fizeram. É também muito provável que vocês enriqueçam, porque todo aquele que abre sua mão para fazer caridade é abençoado em tudo o que faz”.

Os sobrinhos lamentaram o grande esforço do tio e lhe disseram: “Querido tio! Por que não nos contou desde o princípio que assim havia sido decretado desde o Alto? Que pena que você se cansou, uma vez após outra, vindo nos convencer a fazer caridade. Você poderia ter nos advertido que nos foi decretado perder os setecentos dinares, e teríamos dado toda a quantia de uma só vez no começo do ano”.

“Eu quis que vocês conseguissem fazer caridade pela caridade em si, sem nenhum interesse pessoal e não para se salvarem de um Decreto Celestial”, respondeu-lhes o Sábio.

Os sobrinhos lhe agradeceram e, por ser assim e por aceitarem que a cada ano é decretado ao homem quanto ele perderá, a partir daquele momento passaram a buscar todas as possibilidades e oportunidades para fazer o máximo de caridade possível, compreendendo o grande poder desse elevado Preceito.

Vimos que muitas vezes o homem precisa pagar multas apenas para completar a quantia que lhe foi decretado perder naquele ano. Porque há uma contabilidade no Céu que se encarrega de que o homem perca toda a quantia que lhe foi decretada. Mas, se ele o merecer e se antecipar dando esse dinheiro em caridade, será salvo de toda pena sob a forma de pagamento de multas e, o mais importante, conseguirá cumprir o grande Preceito da caridade, que certamente o salvará de muitas dores e tribulações.

Expiação de pecados

Além daquilo que foi decretado ao homem perder, segundo o Tribunal Celestial, no começo do ano, há vezes em que lhe chegam perdas adicionais para expiar seus pecados. Também aqui ele tem uma alternativa: dar seu dinheiro em caridade por seu livre-arbítrio, com alegria, e merecer assim a expiação dos pecados e a recompensa pelo cumprimento do Preceito da caridade; ou então perder seu dinheiro contra a própria vontade, com aflição, e essa será a sua expiação.

Disso o homem deve aprender a não fechar sua mão à caridade. Pelo contrário, deve buscar meios e artifícios para doar grandes quantias em cada oportunidade, pois é muito provável que esse mesmo dinheiro que ele dá lhe tenha sido decretado perder. Em vez de perdê-lo em desordens, impostos, multas e aflições, alcançará o mérito de cumprir o grande Preceito de sustentar os servidores do Criador e os pobres, e de difundir a consciência da fé autêntica no Criador ao redor do mundo – mediante a divulgação de artigos, livros e CDs sobre esse tema – e seus pecados serão expiados.

Portanto, quando o homem comete uma infração de trânsito e é detido por um policial, deve imediatamente fazer o cálculo se não deu o dízimo de seu dinheiro naquele mês para caridade, ou se, em geral, não doa o suficiente, e então decidir doar uma grande quantia e declarar: “Eu me comprometo a dar tal e tal quantia para caridade”.

É uma grande ação comprometer-se a doar dinheiro para caridade. Mesmo que o homem não tenha sido julgado no Céu por falta de caridade e tenha sido detido por outro motivo, o mérito de se comprometer a fazê-lo inclina a Justiça do Tribunal Celestial em seu favor. O fato de ser declarado inocente pela Corte Divina se expressa neste mundo na forma de que tudo se transforma para o bem: o homem se salva de multas, de apresentar documentos, de processos e de outras condenações. Graças à caridade, toda situação pode ser transformada para o bem.

(Extraído do livro “No Jardim da Fé”, do Rabi Shalom Arush, Diretor das Instituições “Jut shel Jésed” – “Fio de Bondade”)

quarta-feira, 11 de março de 2026

A moeda de Iyov – Vaiakel

Uma fila de pessoas saía da porta do escritório do santo Baal Shem Tov. Muitos esperavam para pedir conselho e bênçãos ao santo tzadik...

Rabino Tzvi Meir Cohn

“Tomai dentre vós uma porção para Deus; todo aquele cujo coração o impulsionar, a trará” (Shemot 35:5)


Uma fila de pessoas saía da porta do escritório do santo Baal Shem Tov. Muitos esperavam para pedir conselho e bênçãos ao santo tzadik…

Um dos que esperavam era Reb Zissel, um homem simples, com pouquíssimos bens materiais neste mundo. Humildemente, ele pediu ao Baal Shem Tov uma bênção para não ter que viver na pobreza e depender da caridade dos outros.

O Baal Shem Tov escutou atentamente os pedidos de Reb Zissel. Depois de um longo silêncio, o Baal Shem Tov disse: “Eu gostaria de ajudá-lo, mas não está em meu poder fazê-lo. O Céu me impede de conceder tal bênção”.

Reb Zissel não se deixou dissuadir tão facilmente. “Por favor, Rabi”, exclamou. “Viajei de tão longe e esperei tanto tempo; não há nem sequer uma pequena bênção que o senhor possa me conceder?”.

O Baal Shem Tov sentou-se em silêncio por um momento, mas só conseguiu responder que não havia nada que pudesse fazer.

Então, de repente, o Baal Shem Tov se levantou, foi até sua estante e tirou um sefer (livro sagrado). Era o Talmud Baba Batra. Ele o abriu ao acaso, olhou atentamente para a página aberta e leu as seguintes palavras: “Aquele que tomar uma pruta (moeda) de Iyov (Jó) será abençoado”.

O Baal Shem Tov virou-se para Rabi Zissel, que permanecia em respeitoso silêncio ao lado da escrivaninha do tzadik. “Rabi Zissel, essas palavras contêm um profundo significado: Todo judeu sente um desejo instintivo de ajudar o seu próximo judeu. Esse desejo nasce da fonte de sua alma, que é uma parte absoluta de Deus. Assim como Deus criou este mundo físico por Sua bondade desinteressada, assim também cada alma judaica deseja conceder essa bondade aos outros. Esta declaração do Talmud nos ensina que o homem digno, que dispensa caridade e bondade aos outros, tem o poder de outorgar sua bênção de sucesso sobre a tzedaká (caridade) que dá, assim como sobre o recebedor que se beneficiará do presente. Agora, deixe-me pensar se conheço um homem assim…”.

Naquele momento, o Baal Shem Tov pensou em Rabi Shabtai Meir, um conhecido Baal Tzedaká (filantropo), que vivia na cidade de Brod. Rabi Shabtai não apenas dava generosas quantias de caridade aos necessitados, como o fazia com os mais sinceros sentimentos de “Ahavat Israel”, um verdadeiro amor por seu próximo judeu. E mais ainda, Rabi Shabtai rezava fervorosamente para que o Todo-Poderoso continuasse a abençoá-lo com riqueza apenas para que ele pudesse continuar a doar generosamente, e para que os recebedores de suas doações fossem, por sua vez, abençoados com riqueza e sucesso. A corte celestial viu a bondade de Rabi Shabtai e escutou suas sinceras preces, e de fato concedia todos os seus pedidos. Com o passar do tempo, Rabi Shabtai foi abençoado com uma riqueza cada vez maior, e aqueles que se beneficiaram de sua bondade também tiveram sucesso.

O Baal Shem Tov então disse a Rabi Zissel: “Há uma pessoa que pode ajudá-lo. Viaje até a cidade de Brod e procure Rabi Shabtai Meir. Ele tem o poder de ajudá-lo. Peça-lhe uma doação. O dinheiro que vem de sua mão é abençoado, e concede bênçãos a todos que o recebem”.

Rabi Zissel agradeceu ao Baal Shem Tov e viajou para Brod. Passou o Shabat com Rabi Shabtai e, quando o Shabat terminou, Rabi Zissel pediu insistentemente a Rabi Shabtai que lhe desse uma doação, que Rabi Shabtai lhe deu de bom grado e com um amplo sorriso. Pouco depois, Rabi Zissel partiu de Brod levando consigo a doação de Rabi Shabtai.

Logo, a situação de Reb Zissel começou a melhorar, e ele nunca mais precisou depender da caridade dos outros.

sexta-feira, 6 de março de 2026

O singular privilégio de nossa geração

Quando soam as sirenes e o judeu corre para se abrigar, não estamos simplesmente sobrevivendo à história: estamos participando dela.

David Ben Horin

Quando soam as sirenes e o judeu corre para se abrigar, não estamos simplesmente sobrevivendo à história: estamos participando dela. A fé nos ensina que até mesmo o medo pode se tornar serviço, e que até mesmo o sofrimento pode fazer parte da redenção.

A parashá que todos gostariam de pular

Quando chegamos à parashá Ki Tisá, nos preparamos para o pior. É a famosa história do Bezerro de Ouro, o desastre nacional ocorrido apenas semanas depois que o povo judeu recebeu a Torá. No entanto, como uma floresta após um incêndio, onde nova vida brota através do solo enegrecido, esta parashá esconde uma esperança extraordinária sob as cinzas.

Depois do pecado, Moshé suplica por misericórdia. A nação mereceria a destruição, e no entanto Hashem faz algo inesperado.

Ele diz: sigam em frente.

Pelo menos três vezes na parashá, Deus ordena ao povo judeu continuar sua missão e entrar na Terra de Israel. Ele promete expulsar as nações que ocupam Sua terra para que Seu povo possa habitar nela.

Para quem prefere uma linguagem moderna, isso gera desconforto.

As organizações de direitos humanos podem estremecer. Os juristas internacionais podem se incomodar. Em alguma sala de conferências da ONU ou do Tribunal Penal Internacional, alguém dirá: "Isso viola o direito internacional".

Deus não os consultou.

Segundo a Torá, o Criador do céu e da terra tem a autoridade de atribuir a terra a quem Ele decidir. O Ramban (Nahmanides) escreve que estabelecer-se na Terra de Israel é um mandamento permanente para o povo judeu, não um acidente histórico passageiro.

A história confirma algo extraordinário.

Depois de quase dois mil anos de exílio, o povo judeu recuperou sua soberania em 1948, algo que os historiadores alguma vez consideraram praticamente impossível. Nenhuma outra nação na história registrada manteve sua identidade e recuperou sua soberania depois de um exílio tão prolongado.

A aliança de Hashem conosco é mais forte que os impérios, seja Babilônia, Roma, Pérsia ou Davos.

A longa sombra do Bezerro de Ouro

A parashá também nos ensina algo sóbrio.

A Gemará no Sinédrio afirma que nenhum castigo chega sobre Israel sem conter alguma medida de expiação pelo pecado do Bezerro de Ouro.

Aquele momento não desapareceu no passado. Continua ressoando.

Os culpados daquela geração foram punidos diretamente. Alguns foram executados depois de terem sido advertidos, outros morreram em uma praga, e o resto da história judaica herdou o trabalho espiritual de reparar aquele fracasso.

Cada geração judaica participa da reparação daquele momento.

Até mesmo as sirenes

Agora vamos falar de algo muito atual.

As sirenes.

Um míssil balístico capaz de destruir um prédio não é um sofrimento teórico. Quando soa o alarme e as famílias têm entre 60 e 90 segundos para chegar ao abrigo, a teologia se torna muito prática.

Você pega seus filhos. Corre.

Todo o país prende a respiração ao mesmo tempo.

Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), o sistema de defesa Iron Dome intercepta aproximadamente 90% dos foguetes que representam uma ameaça (dados do Ministério da Defesa de Israel). Esse número é extraordinário, mas também significa que os 10% restantes nos lembram quão frágil é a vida.

Um dos estranhos presentes do perigo é que ele elimina as desculpas.

Quando as sirenes soam em todo Israel, seis milhões de judeus não podem apontar o dedo e dizer: "É problema deles".

Todos correm juntos.

Religiosos. Seculares. Idosos. Jovens.

De repente, toda a nação se converte em uma única família trêmula.

O Rambam (Maimônides) escreve que quando o sofrimento chega a uma comunidade, os judeus devem examinar suas ações e melhorar. O objetivo não é a culpa; o objetivo é o crescimento.

Sentar-se à longa mesa da história

Imagine o dia em que chegar o Mashiach.

Imagine uma grande mesa onde se sentam juntos os heróis da história judaica. O Rei David fala de quando fugia de Avshalom. Rabi Akiva relata a perseguição romana. Rabi Nachman descreve as provas de sua vida.

E alguém perguntará sobre nossa geração.

O que suportamos nós para expiar o pecado do Bezerro de Ouro?

Falaremos sobre as sirenes.

Contaremos como corríamos com nossos filhos para os abrigos enquanto sussurrávamos Tehilim. Recordaremos a estranha mistura de medo e fé quando os mísseis explodiam sobre nossas cabeças e, no entanto, a vida continuava na manhã seguinte.

Nossas histórias também terão um lugar naquela mesa.

O que dizem os céticos

Alguns leitores objetarão toda essa estrutura de pensamento.

Dirão que o sofrimento simplesmente deveria ser evitado, não abraçado com significado espiritual. Argumentarão que as pessoas modernas deveriam abandonar as antigas explicações teológicas.

Considere isto:

Os seres humanos sempre dão significado ao sofrimento. Se não é a fé, será a política, a psicologia ou a ideologia.

A tradição judaica oferece algo distinto.

Propósito.

Em vez de ver a história como algo aleatório, nos vemos participando em uma história que se estende desde o Sinai até a redenção futura.

A honra de Israel

Viver hoje em Israel é uma das maiores honras da história judaica.

Sim, há ameaças. Sim, há inimigos. Sim, às vezes há mísseis.

Mas também estamos testemunhando como a profecia se desdobra em tempo real.

O profeta Ezequiel descreveu o povo judeu retornando à sua terra depois do exílio. Durante séculos, isso soava poético.

Hoje é geografia.

Mais de sete milhões de judeus vivem agora em Israel, a maior população judaica do mundo (Escritório Central de Estatísticas de Israel, 2024). Depois de dois mil anos de exílio, o centro da vida judaica voltou para a terra prometida na Torá.

A história foi reaberta.

E nós temos assentos na primeira fila.

Então, na próxima vez que soar a sirene, respire.

Corra para o abrigo. Proteja sua família. Faça tudo o que um ser humano responsável deve fazer.

Mas lembre-se de algo mais profundo.

Você não está simplesmente se escondendo de um míssil.

Você está ombro a ombro com gerações de judeus que levaram a aliança através de erros, exílio, sofrimento, arrependimento, expiação e redenção.

Você é parte da longa reparação que começou com o Bezerro de Ouro.

Você está ajudando a preparar o mundo para o Mashiach.

E se esse momento chegar enquanto as sirenes uivam e o Iron Dome ilumina o céu, olharemos para cima — não com medo, mas com gratidão.

Porque mesmo em meio ao caos dos mísseis, o povo judeu continua avançando.

Tal como Hashem nos disse para fazer em Ki Tisá.

Agradecemos a Hashem a honra de servir às gerações de nossos antepassados e às gerações de nossos filhos, expiando nosso pior momento para abrir o caminho para nossa hora maior.