Como evitar que o sucesso suba à nossa cabeça? Aprenda como fazer com que as conquistas não inflarem o ego e, por outro lado, que os fracassos não o façam cair em um poço depressivo!
“E o Coên (Sacerdote) queimará tudo sobre o altar, um holocausto, uma oferenda de fogo, um aroma agradável a Deus” (Vayikra 1:9).
O sacrifício chamado “Olá”, ou holocausto, é tão importante que tem a honra de ser o primeiro sacrifício mencionado na parashá Vaikrá, do livro de Levítico. Portanto, devemos nos perguntar o que a Olá tem de especial e qual é sua mensagem subjacente para todas as gerações.
Rashi, em sua explicação desta passagem, explica que a Olá deve ser sacrificada completamente em nome de Deus, desprovida de qualquer motivo pessoal ou interesse ulterior. Nossos Sábios deduzem que o preceito da Torá de queimar “tudo sobre o altar” significa que o Coên não recebe nenhuma parte desse tipo de sacrifício para si mesmo, sendo necessário queimar toda a Olá no altar.
Rabi Nachman de Breslev explica (Likutei Moharan I: 4.7) que receber elogios pode ser muito perigoso, no sentido de que pode levar a pessoa à arrogância. No entanto, quando a pessoa se anula perante Deus a ponto de não ser nada, e atribui todos os seus êxitos à bênção de Deus e à ajuda Divina, nesse caso, os elogios não lhe causarão nenhum dano.
No caso da Olá, ou oferenda queimada, o preceito de Deus ao Coên é muito semelhante: dado que os membros do clã sacerdotal normalmente desfrutam de status, poder e riqueza, isso faz com que possam cair facilmente na arrogância. Por isso, a Torá lhes ordena realizar em primeiro lugar o sacrifício do holocausto, a Olá, que é queimada completamente sobre o altar.
Diferentemente de outros tipos de sacrifícios em que o Coên é recompensado com porções específicas da carne, no caso da Olá, o Coên não obtém nenhum ganho pessoal. Portanto, ele pode realizar esse tipo de sacrifício sem qualquer interesse próprio ou motivo ulterior, a não ser o de proporcionar satisfação a Deus. Por meio da Olá, o Coên obtém uma oportunidade única de deixar de lado seu ego e seus interesses pessoais e servir a Deus de forma altruísta. Em essência, o Coên deve se apresentar diante de Deus com um “barril limpo”, um recipiente espiritual desinteressado, capaz de conter a abundância espiritual da luz Divina de Deus.
Além disso, o Coên deve perceber que seu sucesso – seu privilégio de servir como sacerdote no Beit HaMikdash – não é em virtude de seus próprios talentos e aptidões, mas é um presente de Deus, que o trouxe ao mundo como membro do clã sacerdotal.
A mensagem subjacente da Olá para todos nós, em todas as gerações, é dupla: primeiro, que devemos cumprir todas as nossas mitzvot como holocaustos, sem interesses ulteriores. Em segundo lugar, devemos aceitar o sucesso com emuná, com fé, e anular completamente o nosso ego, como os restos da Olá que são queimados no altar, estando conscientes de que o sucesso provém de Deus. Dessa maneira, o sucesso é benéfico para a alma.
A emuná anda de mãos dadas com o bitul, ou seja, a anulação do ego. A pessoa com emuná completa atribui tudo a Deus, especialmente seus feitos. Quando tem sucesso, não se vangloria de seus próprios poderes e habilidades, pois sabe que seu êxito é resultado da bênção de Deus. E, da mesma forma, a pessoa com emuná não se desespera quando sofre um fracasso, pois sabe que, uma vez que fez todo o esforço possível, o fracasso e os reveses são a vontade de Deus. Consequentemente, o ego não sofre.
Assim, de acordo com o princípio mencionado anteriormente por Rabi Nachman, se atribuirmos nossos sucessos – ainda que minimamente – a nós mesmos, nos assemelhamos àqueles que colocariam o vinho do Rei em um barril impuro; dessa forma, o sucesso – o vinho do Rei – nos é prejudicial, pois o sucesso sem bitul, a anulação do ego, conduz à arrogância. Nesse caso, Deus costuma reter o sucesso – seu “vinho” especial – porque ainda não limpamos nossos barris de egoísmo. Deus não quer nos dar nada que nos prejudique, e certamente não deseja que sejamos arrogantes.
Quanto mais descartarmos o ego, mais Deus nos concederá sucesso, pois nos tornamos recipientes adequados para a luz Divina de Deus, a fonte espiritual de todo êxito.
Que Deus devolva o sacrifício diário da Olá ao reconstruído Beit HaMikdash, o Santo Templo de Jerusalém, para que todos possamos aprender a servi-Lo de forma altruísta e com dedicação, rapidamente e em nossos dias, amém.
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