A diferença é a forma como as pessoas reagem às suas transgressões da Torá hoje em dia, que é com muito menos sentido de remorso do que na época de Moshé Rabeinu.
Rabino Pinchas Winston
Hashem falou a Moshé dizendo: "Fala aos filhos de Israel e toma para Mim uma Oferta Elevada…" (Shemot 25:1)
Na parashá desta semana, Trumá, lemos sobre a primeira campanha oficial de arrecadação de fundos para a construção judaica. Ela acabou sendo um grande sucesso. De fato, Moshé teve que dizer ao povo judeu que parasse de contribuir, quando as contribuições para criar os vasos para o Mishkan superaram as expectativas.
A resposta para esta anomalia na história judaica encontra-se num comentário posterior de Rashi, em Parashat Ki Tisa:
"Não há uma ordem cronológica [absoluta] na Torá: o bezerro de ouro ocorreu muitos dias antes do mandamento de construir o Mishkan… [embora apareça em ordem inversa na Torá]" (Shemot 31:18).
Porque, como diz o Talmud, quando se trata do povo judeu, Hashem prepara a "cura" antes da "doença". Neste caso, significa que o Mishkan já existia, pelo menos conceitualmente, antes do pecado do bezerro de ouro, de modo tal que o povo judeu tivesse antecipadamente algo com que expiar seu terrível pecado.
Esta é uma grande técnica de arrecadação de fundos. Em vez de se limitar a arrecadar fundos das pessoas ricas, busque todos aqueles que tenham uma consciência culpada, gente que queira expiar algum pecado. Se funcionou nos tempos de Moshé, por que não funcionaria hoje?
A resposta é (muito provavelmente não), NÃO porque tais pessoas sejam difíceis de encontrar; mesmo as pessoas justas, disse Shlomo HaMelej, pecam pelo menos de vez em quando. A diferença é a forma como as pessoas reagem às suas transgressões da Torá hoje em dia, que é com muito menos sentido de remorso do que na época de Moshé Rabeinu.
Mas, claro! Como podemos comparar nossa época com a de Moshé? Para qualquer um que vivesse nos dias de Moshé e do Mishkan, durante os dias do maná e do milagroso poço de água (para não mencionar as Nuvens de Glória), seria impossível NÃO sentir remorso após pecar. Hashem estava bem ali! Não havia lugar para se esconder, então era melhor admitir do que fingir que nada de mau havia acontecido.
No entanto, hoje em dia, apesar de sabermos que Hashem está lá, ainda, há uma sensação – uma sensação equivocada – de que os erros não são escrutinados na mesma medida em que eram escrutinados no deserto. Não nos cai do céu nenhum raio na cabeça quando fazemos algo errado. Além disso, ao contrário do que ocorria com o maná, o pão aparece na mesma prateleira do supermercado para as pessoas que pecam quanto para as que não pecam.
Se tivéssemos que construir um Mishkan hoje em dia, haveria um excedente de presentes da parte de corações que buscam o Perdão Divino por vidas menos que espiritualmente perfeitas? Quando as pessoas dão tzedaká hoje em dia, para quem se faz o favor, para quem dá ou para quem recebe? Tipicamente, assumimos que é para o recebedor, que parece muito menos afortunado do que nós.
No entanto, aplicando os princípios bem conhecidos (e aceitos) de que a "cura" precede a "doença" e de que nada ocorre por acaso, talvez seja o doador quem realmente se beneficia mais da transação. Porque o conceito de "shidujim" não só se aplica a candidatos a maridos e esposas, mas também se aplica aos amigos, aos sócios comerciais e a qualquer situação em que se reúnam duas ou mais pessoas, ou sempre que nos encontramos com uma situação particular que "por acaso" se cruza em nosso caminho.
Ou seja, não é que caia um raio do céu cada vez (nem mesmo uma vez!) que vamos contra os valores da Torá, mas sempre que nos for pedido que nos desfaçamos de algo precioso — como o dinheiro, por exemplo, embora não seja em prol de uma mitzvá —, talvez seja o momento de nos perguntarmos – porque talvez Hashem esteja nos dando um respiro antecipado; talvez estejamos recebendo o remédio antecipado da doença, por assim dizer.
Tudo na vida é um teste projetado para ajudar-nos a amadurecer espiritualmente. Nossa responsabilidade consiste em tentar não nos distanciarmos da situação, não reagir como se não tivesse nada a ver conosco. Às vezes, pode ser que você não seja capaz de dar o que lhe é pedido, mas isso não significa que você não possa demonstrar interesse.
Nunca se sabe quando essa pessoa que você tem à frente, ou essa causa que está sobre a mesa diante de você, é um "remédio" espiritual para uma futura "doença", uma expiação que certamente precisará em um momento futuro. Pode ser que AGORA não pareça, mas será no futuro, em um momento em que pouco poderá fazer para retificar a situação.
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