No início, a conexão é difícil de entender. O que tem a ver jogar a carne Taréf para um cachorro com a pessoa que fofoca? Os dois parecem ser totalmente desconexos...
Em uma porção repleta de ordens e leis que detalham centenas dos mais diversos aspectos da vida judaica, nossos sábios analisaram detalhadamente as justaposições dessas leis, elucidando ainda mais sabedoria e orientação moral nas santas palavras da Torá. Assim explicaram a muito interessante justaposição de dois preceitos que são totalmente diferentes. Um versículo nos fala sobre as leis de um animal Taréf (não permitido – não Kasher): "Um povo santo sereis para Mim; não comereis carne de um animal que morreu no campo; aos cães a lançareis" (Êxodo 22:30).
O próximo versículo nos adverte sobre dar testemunhos falsos: "não aceites um testemunho falso, não estendas a mão ao mau para seres uma testemunha falsa" (Êxodo 23:1).
Os dois versículos parecem estar bastante desconexos. Mas o Talmude no tratado de Pesachim, página 118 cita Rav Sheshet em nome do Rabi Elazar ben Azariá que conecta os dois versículos: "Quem fala ou aceita a fofoca (Lashón HaRá) é digno de ser jogado aos cães, pois o versículo '...aos cães a lançareis...' e imediatamente depois a Torá diz '...não aceites um testemunho falso...'"
No início a conexão é difícil de entender. O que tem a ver que se deve jogar a carne Taréf a um cachorro com a pessoa que fofoca? Os dois parecem ser totalmente desconexos. Segundo o comentário do Mechilta, a carne dada aos cães é uma recompensa por seu comportamento na noite do êxodo do Egito. Naquela noite, apesar dos gritos dos egípcios pela morte dos primogênitos, os cães estavam tranquilos. "Contra nenhum filho de Israel os cães afiarão sua língua, nem contra o judeu ou seu animal, para que saibam que Hashem terá diferenciado entre Egito e Israel" (Êxodo 11:7). Portanto eles são recompensados com a carne da qual um judeu deve abster-se de comer.
Como sua recompensa por não terem atacado é uma lição para aprendermos a não falar fofocas? Li recentemente sobre um homem que passava suas férias em uma das ilhas do Caribe. O homem queria um quarto para ele mesmo e para seu cachorro, e portanto perguntou se o estabelecimento, um hotel em Kingston, Jamaica, permitiria o animal. Algumas semanas depois, o homem recebeu a resposta: "Prezado Senhor: Estive no negócio hoteleiro por quarenta anos e nunca tive que expulsar um cachorro desordeiro, nunca tive um caso de um cachorro que queime um colchão enquanto fuma. Nunca também tive um cachorro que roube uma toalha ou que vá embora sem ter pago sua hospedagem. Nunca tive como hóspede um cachorro bêbado. Seu cachorro é bem-vindo em nosso hotel. Saudações atenciosamente".
O Chafetz Chaim explica que o Talmude faz uma comparação surpreendentemente profunda. A razão pela qual os cães foram recompensados foi porque sua natureza é de latir e atacar quando seus donos são atacados ou quando ocorre uma tragédia. Apesar de seu instinto, eles foram contra sua natureza e se contiveram. Eles seguiram a ordem do Todo-Poderoso e se mantiveram calmos.
A Torá recompensou essa atitude com nossa carne Taréf que devemos cuidar para não comer.
Mas quando os seres humanos, que supostamente devem controlar seus desejos e a língua, perdem o controle, não há melhor método de aprender a como melhorar essa falha do que através do exemplo dos mesmos animais que dominaram seu instinto em momentos de extrema dificuldade.
Quão apropriado é que os dois versículos, o que recompensa os cães por controlar seu instinto, se justaponha com aquele que adverte a seus donos mortais a cuidar da língua, pois infelizmente perdemos perspectiva com muita frequência.
Somos os donos de nossos animais, ¡mas quanto mais devemos ser os donos de nossos próprios desejos!
Redação Breslev Israel
Nenhum comentário:
Postar um comentário