O urso apressou-se em direção ao lugar de onde vinha o cheiro. De repente, uma abelha zumbiu junto ao seu ouvido. Sem prestar nenhuma atenção ao incômodo, ele continuou, nada o deteria...
Rabino Lazer Brody
O urso apressou-se em direção ao lugar de onde vinha o cheiro. De repente, uma abelha zumbiu junto ao seu ouvido. Sem prestar nenhuma atenção ao incômodo, ele continuou, nada o deteria…
“E o povo ficou de longe, e Moisés aproximou-se da densa nuvem na qual se encontrava Di–s” (Êxodo 20:18).
Depois de ver e ouvir a glória de HaShem, o Criador do Universo, na primeira festividade de Shavuot, quando o povo de Israel recebeu a Torá, a Lei Divina, eles tremeram de medo. O Midrash nos conta que os anjos tiveram que fazer as almas voltarem aos corpos dos israelitas; de outra forma, o povo não teria conseguido manter sua existência física na presença de tamanha santidade.
A Torá é o “Projeto da Vida”. Portanto, a descrição do versículo acima sobre Shavuot e a recepção da Torá carrega duas mensagens intrínsecas particulares que ensinam uma importante lição sobre o serviço ao Criador. O Rebe Nachman de Breslev escreve (Likutey Moharan I, 116):
“As forças espirituais do Juízo Severo denunciam aquele que – em virtude de seus próprios atos – não é digno de alcançar a proximidade do Criador, e se recusam a permitir que ele se una a um Verdadeiro Tzadik (Justo) e ao Caminho da Verdade. HaShem ama a justiça; portanto, Ele deve, aparentemente, consentir em impedir essa pessoa de alcançar o caminho da vida, à luz das más ações dessa pessoa segundo a justiça, já que Ele ama a justiça.
Mas, na verdade, HaShem, bendito seja, ama Israel, e Seu amor por Israel é maior que Seu amor pela justiça. Então, o que Ele faz? Aparentemente, Ele deve concordar com as demandas da justiça de rejeitar uma pessoa que deseja alcançar a verdade, já que essa pessoa provocou o Juízo Severo. Porém, na realidade, apesar de seu passado, HaShem deseja que ela se aproxime d’Ele, pois Ele ama Israel mais do que a justiça que a condena. Por isso, HaShem consente em permitir que essa pessoa seja afligida por obstáculos, e Ele mesmo Se oculta dentro deles. Qualquer pessoa que possua Consciência Espiritual pode encontrar o Criador, que Se esconde justamente dentro dos próprios obstáculos.
Na verdade – não existem obstáculos de fato, pois a pessoa pode se aproximar de HaShem por meio deles, já que Ele Se oculta dentro deles!”
À luz dos ensinamentos assombrosos de Rabi Nachman, podemos interpretar corretamente as alusões do versículo:
“E o povo ficou de longe” – à luz de suas ações passadas como escravos no Egito, tendo aprendido muitas más influências dos egípcios, o povo – segundo o Juízo Divino – não merecia ser recompensado com a proximidade de HaShem. Hoje, esse mesmo versículo alude à pessoa que deseja retornar ao Criador, mas cujos atos passados provavelmente invocaram muitos Juízos Severos. Essa pessoa se sente afastada, obrigada a ficar “de longe”; muitos obstáculos dificultam seu processo de Teshuvá – arrependimento e retorno a HaShem – desencorajando-a. Na realidade, HaShem Se esconde dentro desses obstáculos, esperando que a pessoa seja suficientemente corajosa para superá-los. HaShem está próximo o tempo todo!
“Moisés aproximou-se da densa nuvem na qual se encontrava Di–s” – “Moisés” alude à pessoa que quer se aproximar de HaShem a qualquer custo; ele ou ela não teme aproximar-se das “densas nuvens” – os obstáculos – onde HaShem realmente se encontra!
Tentaremos esclarecer a alusão da Torá e o elevado princípio de Rabi Nachman com a seguinte parábola:
Um grande urso marrom estava com fome. Olhava por toda parte procurando alimento; encontrou alguns cardos e alguns tubérculos, mas desejava algo mais – mel! O mel era sua comida favorita, e ele percorreu bosques e prados à procura dele.
Entre os majestosos carvalhos brancos, o urso encontrou apenas bolotas. “Eu não sou um esquilo”, queixou-se consigo mesmo. “Preciso de algo doce – preciso de mel! Deem-me mel!” Entre as coníferas, encontrou algumas pinhas, mas tinham um gosto de aguarrás. Ao longe, seu nariz sensível sentiu um perfume delicioso – o aroma perfumado da flor silvestre da qual se extrai o mel!
O urso apressou-se em direção ao lugar de onde vinha o cheiro. De repente, uma abelha zumbiu junto ao seu ouvido. Sem prestar nenhuma atenção ao pequeno incômodo, ele continuou, nada o deteria. Outra abelha pousou em seu nariz, e uma terceira teve a audácia de picá-lo no lugar mais sensível de seu corpo. Não demorou muito e o urso estava envolvido por uma nuvem de abelhas furiosas.
Quanto mais abelhas chegavam, mais feliz ficava o urso, pois sabia que as colmeias e os favos de mel estavam perto dele. Por causa de seu objetivo, suportou o aumento das picadas, continuando na direção da fragrância embriagadora do mel, que ficava mais forte a cada momento. Sem perder de vista seu objetivo, conseguiu enxergar: ali, na árvore à beira do prado, estava o favo de mel que tanto desejava!
Um urso faminto, com a boca cheia de mel, não presta a mínima atenção a nenhum obstáculo, nem mesmo a centenas de picadas de abelha!
Engraçado, mas até um urso sabe que, quanto mais abelhas encontra, mais perto está do mel. Em outras palavras, quanto maiores são os obstáculos ou a resistência espiritual, mais perto a pessoa está de HaShem e de Sua Torá.
Em Shavuot, quando HaShem deu Sua Torá ao Seu povo de Israel, temos a oportunidade anual de fortalecer nosso compromisso com HaShem e Sua Torá. Durante a noite de Shavuot, as forças do Juízo Severo reclamam que não merecemos a Torá. O que faz então HaShem? Ele aparentemente cede às demandas da Justiça e nos faz sentir sonolentos para nos impedir de estudar Torá.
Se você quisesse jogar cartas, bêbado de gim, durante a noite de Shavuot, não sentiria sono algum. Mas, assim que abre um livro de Guemará ou outro livro sagrado de Torá, suas pálpebras ficam pesadas. Assim como as abelhas estão próximas do mel, o obstáculo ou a fadiga estão próximos da Torá; vencendo nossa sonolência (que é, na verdade, o Criador escondido nela), temos a possibilidade única de desfrutar da iluminação do nosso compromisso renovado com a Torá. Nosso amor pela Torá – o mel de nossas almas – nos dá o poder de permanecer acordados toda a noite de Shavuot e nos dedicar novamente ao estudo da Torá, a Lei Divina.
Que todo o povo de Israel consiga vencer qualquer obstáculo que dificulte seu retorno a HaShem e à Sua Torá, ainda neste ano, amém!
Fonte: redação Breslev Israel
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