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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Jejuar para Corrigir


Nossos Sábios ensinaram:

“Toda geração na qual o Sagrado Templo não é reconstruído é considerada como se o tivesse destruído”…

Rabino Eliahu Kitov

10 de Tevet – Jejuar para Corrigir

Do que se trata o jejum do dia 10 de Tevet?

Maimônides escreve o seguinte (Leis do Jejum, cap. 5):

“O jejum do dia 10 de Tevet é como os demais jejuns que foram instituídos para lamentar a destruição do Beit HaMikdash (o Sagrado Templo) e o exílio de Israel. No entanto, o objetivo principal do jejum não é a dor e o lamento, pois o sofrimento sentido quando esses acontecimentos ocorreram já foi suficiente. Pelo contrário, sua finalidade essencial é estimular o arrependimento, recordar-nos das más ações de nossos antepassados, assim como de nossas próprias ações, que trouxeram, a eles e a nós, grandes tribulações. Ao recordar tudo isso, nos arrependeremos e agiremos corretamente, como expressa o versículo (Levítico 26:40): ‘E confessarão os seus pecados e os pecados de seus antepassados, pelas infidelidades que cometeram contra Mim…’”.

Nossos Sábios (Talmud Yerushalmi, Tratado Yomá 1) ensinaram:

“Toda geração na qual o Beit HaMikdash não é reconstruído é considerada como se o tivesse destruído”, pois cada geração possui a capacidade de despertar a misericórdia Divina, redimir Israel de seus inimigos, reunir seus exilados dos lugares onde se encontram dispersos e reconstruir o Beit HaMikdash. Como isso pode ser alcançado? Por meio de um arrependimento completo e da correção dos pecados das gerações anteriores. Enquanto a salvação não chega, isso é sinal de que ainda não nos arrependemos de nossos pecados; por isso, continuamos sofrendo por nossas próprias transgressões e pelas de nossos antepassados. É como se estivéssemos atrasando a redenção final, e como se nós mesmos tivéssemos provocado a destruição.

Mesmo quando o Beit HaMikdash se encontra em ruínas, Israel permanece no exílio e nossa terra jaz desolada em mãos estrangeiras, nenhum desses fatores deve ser visto como sinal de que D’us tenha “se divorciado” de Seu povo — que D’us não o permita. Ele não decretou um exílio eterno para os judeus, nem uma destruição perpétua para Seu Santuário. Exílio, destruição e aflição — tudo isso é temporário e pode, a qualquer momento, por misericórdia Divina, ser transformado em alegria. O que foi destinado a ser eterno é que o povo judeu viva em sua terra e que o Grande Templo seja reconstruído.

Exílio Temporário

O versículo diz:

“…para que a terra não vos vomite por tê-la contaminado, como vomitou a nação que nela habitava antes de vós” (Levítico 18:28).

Este versículo não é apenas uma advertência, mas também uma promessa. D’us assegura a Israel que, mesmo que contaminem a terra, ela não os expulsará definitivamente. Apenas a nação que a habitava anteriormente foi “vomitada” de forma permanente, para nunca retornar, assim como alguém que vomita algo repugnante e jamais volta a ingeri-lo. Israel, porém, não foi “vomitado” pela terra, mas exilado em consequência de seus pecados, e em breve retornará para possuí-la como herança eterna. Seu retorno depende apenas do arrependimento e da misericórdia Divina, que apressarão o momento da redenção final.

Portanto, o objetivo do jejum é subjugar a má inclinação por meio da restrição do prazer, abrindo assim nossos corações ao arrependimento e às boas ações, o que fará com que se abram para nós os portais da misericórdia Divina.

Dessa forma, toda pessoa deve comprometer-se seriamente a examinar suas ações e arrepender-se durante esses dias [de jejum], pois esse é o seu propósito essencial. Como declara o versículo (Jonas 3:10) a respeito dos habitantes de Nínive: “E D’us viu as suas ações”. Os Sábios (Tratado Taanit 22a) explicaram: não diz que D’us viu seus cilícios e jejuns, mas que D’us viu suas ações — isto é, o jejum serviu como meio para despertar o arrependimento, tornando suas ações dignas.

Lemos em Jaiêi Adam (133):

Assim, aquelas pessoas que jejuam, mas passam o dia viajando ou desperdiçando o tempo, consideram apenas o aspecto secundário [o jejum] e deixam de lado o essencial [o arrependimento]. No entanto, o arrependimento por si só — sem o jejum — também não é suficiente, pois é um mandamento positivo, instituído pelos Profetas, jejuar nesses dias.

Nossos Sábios (Talmud Yerushalmi, Taanit 2) declararam:

Quanto a todo jejum que não seja cumprido adequadamente, o versículo diz (Jeremias 12:8):

“Ela levantou a sua voz contra Mim; por isso, Eu a aborreci”.

— Seleção extraída de Nós e o Tempo – Sefer HaTodáá, do Rabino Eliahu Kitov —

(Com a gentil autorização de www.tora.org.ar)

O Jejum de 10 de Tevet não é apenas um dia de privação física, mas um convite à transformação interior.

Ao nos abstinermos de alimento e bebida, abrimos espaço para o arrependimento sincero, para a melhoria das nossas ações e para a esperança na redenção.


Que este dia nos ajude a agir com mais consciência, responsabilidade e verdade, e que possamos merecer ver Jerusalém reconstruída em paz, com a reunião de todo o povo de Israel em sua terra.

Fonte: Breslev Israel

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

“Ajuda-me, e rápido!”

O Chidushei HaRim, que foi discípulo do Rebe de Kotzk, transmitiu este ensinamento em seu nome, acrescentando um complemento breve, porém muito importante. Eis o que ele ensinou:

“Quando a pessoa faz um pedido ao Santo, Bendito Seja, por algo — seja filhos, vida ou sustento — isso está nas mãos do Céu. Se HaShem quiser, Ele pode conceder o que foi pedido; se não quiser, não concederá, a menos que o pedido seja por temor Divino. Se a pessoa pede a HaShem com todo o seu coração e com toda a sua alma que Ele lhe preencha o coração com temor Divino, então HaShem não apenas não deixará de responder ao seu pedido, como o concederá imediatamente.”

Ou seja, a prece para alcançar realizações espirituais deve, necessariamente, ser aceita, e essa prece dá frutos de imediato, pois isso corresponde à vontade do Criador.

Em termos práticos, o indivíduo está neste mundo para rezar a fim de alcançar o temor Divino. Por isso, o Chidushei HaRim explica:

“O que está nas mãos da pessoa é que, por meio do anseio e da vontade, com todo o seu coração, de alcançar o temor Divino, por meio disso HaShem lhe concede o temor Divino, conforme está escrito: ‘Quem dera que o seu coração fosse assim, para que Me temessem’ (Deuteronômio 5:26) — que tenham a vontade de temer a HaShem e de colocar o temor Divino em seus corações. Isso está nas mãos do indivíduo: por meio de uma prece adequada, ele certamente causará um efeito e alcançará o temor Divino.”

E essas palavras falam por si mesmas. Da mesma forma, Rabi Yehoshua de Belz ensina: “Presume-se que todas as preces de Israel serão aceitas e não retornarão vazias.

Contudo, é preciso fazer uma distinção: se a pessoa reza por questões espirituais, então é atendida de imediato; mas se reza por questões materiais, é possível que sua prece não se cumpra.”

A partir dessas palavras, vemos que tudo o que foi dito aqui — que HaShem quer nos conceder de imediato e que podemos pedir-Lhe que nos dê algo agora mesmo — aplica-se unicamente às questões espirituais, pois no âmbito espiritual a prece deve ser aceita imediatamente.

Já quando rezamos por assuntos materiais, embora HaShem queira nos prodigalizar abundância de bem, não podemos pedir-Lhe que nos salve de imediato; devemos esperar com paciência até que Ele nos envie Sua salvação.

Isso acontece porque, quando se trata de assuntos materiais, existem cálculos Divinos envolvidos quanto ao que o indivíduo deve vivenciar na vida e em quais circunstâncias deve servir ao Criador. Às vezes, se ele for resgatado no plano material, isso pode interferir em sua missão espiritual, que é o fator principal a ser considerado. Por isso, HaShem retém o resgate material, e é proibido “forçar o momento”.

Ao contrário, a salvação espiritual não pode ser evitada, pois alcançá-la é todo o nosso propósito neste mundo e a razão pela qual fomos criados. Por isso, nos Salmos, o Rei David pede a HaShem em diversas ocasiões:

“Ajuda-me, rapidamente”,
“Apressa-Te em me ajudar”,
“Resgata-me de imediato”,
“Depressa, ajuda-me”,
e expressões semelhantes.

Equipe do Breslev Israel

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Hitbodedut – Vaigash ✡️

Por que tantos de nossos antepassados e líderes nacionais mais importantes decidiram ser pastores?

Rabino Lazer Brody

“E os homens são pastores, porque sempre foram pastores” (Bereshit 46:32).

Yosef (José), ao descrever seus irmãos ao Faraó, diz que eles são “pastores, porque sempre foram pastores”. Esta passagem parece ser redundante. Além disso, por que tantos de nossos antepassados e líderes nacionais mais importantes — Avraham (Abraão), Itzjak (Isaac), Yaakov (Jacó), os filhos de Yaakov, Moshe (Moisés), Shmuel HaNavi (Samuel, o Profeta) e David HaMelech (Rei David) — decidiram ser pastores?

Nossos Patriarcas encontraram quatro vantagens na profissão de pastor:

Primeiro, cuidar de ovelhas é uma atividade relativamente simples, que não ocupa excessivamente a mente; portanto, a pessoa pode cuidar dos rebanhos e, ao mesmo tempo, pensar em assuntos de maior importância.

Em segundo lugar, as ovelhas são rentáveis, pois produzem lã e leite e se reproduzem; se pastam em campo aberto, o dono do rebanho praticamente não tem despesas.

Em terceiro lugar, quem cuida de rebanhos passa a maior parte do tempo afastado de outras pessoas e, assim, evita cometer uma longa lista de transgressões, incluindo calúnias, fofocas, enganos e muitas outras.

Em quarto lugar, essa ocupação permitiu que nossos Patriarcas mantivessem sua santidade, evitando a assimilação aos seus anfitriões egípcios, já que o pastoreio era algo impensável para os antigos egípcios.

A vida solitária dos pastores no deserto permitiu que nossos antepassados se dedicassem ao seu passatempo favorito: a hitbodedut, ou seja, a prece pessoal em isolamento. Rabí Nachman de Breslev ensina:

“A hitbodedut é a coisa mais elevada que existe. Os tzadikim mais famosos disseram que alcançaram seu alto nível espiritual graças a uma extensa prece pessoal em reclusão” (Likutei Moharan II:25).

Em outra ocasião, Rabí Nachman de Breslev ensina:

“Quando a pessoa reza no campo, cada folha de grama se une à sua prece, ajudando-a e dando força à sua oração” (Likutei Moharan II:11).

O pensamento esotérico judaico ensina que todo ser criado — mineral, vegetal, animal e, naturalmente, o ser humano — possui uma força vital espiritual que chamamos de “alma”. A prece pessoal, especialmente no campo, envolve toda a Criação, pois todas as criaturas aproveitam a oportunidade de se ligar a uma prece de nível superior, já que isso facilita a correção de suas próprias almas. Assim, todos os seres criados formam uma bela sinfonia de fundo para o ser humano privilegiado que reza em meio a eles. Uma prece tão sublime ascende diretamente ao Trono Celestial. É por isso que nossos antepassados e sábios passaram tanto tempo quanto possível praticando a Hitbodedut.

Quando falamos com Hashem em hitbodedut, emulamos nossos antepassados. E Hashem fica mais do que feliz em ouvir Seus amados filhos e filhas que se aproximam Dele por meio da prece pessoal.

Pode-se perguntar: se a prece pessoal é tão maravilhosa, por que nem todos falam com Hashem por pelo menos uma hora por dia? A maioria das pessoas alega que não tem tempo diariamente para falar com Hashem em prece pessoal.

Nossos antepassados sabiam que, ao falar com Hashem, podiam suprir todas as suas necessidades, tanto espirituais quanto materiais. Rabí Nachman de Breslev ensina que, quando seguimos seus passos, também podemos satisfazer todas as nossas necessidades.

Muitas pessoas se lamentam, quando na verdade tudo o que precisam fazer é pedir a Hashem tudo aquilo de que necessitam. A hitbodedut não é apenas um sinal de nossa realeza: é um dos maiores dons que Hashem poderia nos conceder.


Que essas palavras fortaleçam o coração, tragam esperança e renovem a confiança.


Que Hashem, bendito seja,

nos guie com misericórdia,

nos conceda saúde,

paz interior

e muitos motivos para sorrir.


Hashem sempre nos ama. 🙃🙂🙃 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Tudo é para o bem e tudo vem de Hashem!

Miketz – Tudo é Para o Bem!

Justamente os problemas que os irmãos de Yosef enfrentavam os levaram a pensar: “Que pecado teremos cometido?” Após uma introspecção, encontraram um...

Tudo o que HaShem faz é para o nosso bem.

É muito conhecida a narrativa que conta a história de Yosef e seus irmãos. Eles o venderam como escravo e, após vinte e dois anos, voltaram a se encontrar. Quando os irmãos foram comprar trigo, não o reconheceram — não perceberam que se tratava de Yosef. No momento em que notaram que o governador lhes falava com dureza e os colocava na prisão, disseram: “Somos culpados por causa de nosso irmão; ele nos suplicava que tivéssemos misericórdia dele, mas não tivemos piedade.”

Em outras palavras: quando os irmãos de Yosef perceberam todas as dificuldades que estavam enfrentando, não as atribuíram ao acaso, mas procuraram onde estava a falha. E não encontraram outro pecado senão o de não terem tido piedade de seu irmão.

Se prestarmos atenção, veremos que eles não se arrependeram especificamente por tê-lo vendido, pois consideravam que assim deveriam agir com Yosef — classificaram-no como um “perseguidor”. Sentiam-se aflitos por não terem demonstrado compaixão naquele momento.

No entanto, Reuven não concordava com a postura dos irmãos. Ele argumentava: “Seu sangue está clamando! Certamente, ele morreu em sua escravidão.” Para Reuven, não se tratava apenas de falta de compaixão: “Vocês pecaram ao vendê-lo!”

Devemos levar em conta o que está escrito na Guemará: “Todo aquele a quem D'us ama, Ele faz sofrer. As dificuldades que D'us nos envia são para expiar nossos pecados.” Justamente os problemas que os irmãos de Yosef enfrentavam os levaram a pensar: “Que pecado teremos cometido?” Após uma introspecção, encontraram um único pecado: a venda de Yosef.

Há um exemplo que pode ser relacionado a este tema. Conta-se que, em certa cidade, governava um senhor muito bondoso. Como administrador das terras e propriedades, permitia que os trabalhadores vivessem pagando aluguéis muito baixos. Por exemplo: onde o aluguel era de R$300, ele cobrava apenas R$100. Agia assim com todos os seus empregados — era a única forma de garantir que vivessem com dignidade.

Um de seus trabalhadores era extremamente pobre; mal conseguia sustentar a si mesmo e à sua família. Com esse empregado, o governador era ainda mais compassivo: em vez de cobrar R$100, como dos demais, cobrava-lhe apenas R$50.

Após certo tempo, esse governador precisou deixar seu cargo, e em seu lugar assumiu outro, totalmente diferente — um homem pouco compreensivo e muito materialista, que não reduzia nem um centavo do valor devido. Os trabalhadores rogavam-lhe que fosse mais flexível, mas ele não atendia a nenhum pedido.

Quando o empregado mais pobre se aproximou para falar com o novo governador, explicou-lhe que seria impossível pagar a quantia exigida. O governador então lhe disse que, por cada real que não pudesse pagar, receberia um chicotada.

Não houve mês em que esse pobre trabalhador não recebesse várias chicotadas por sua dívida. Quando o mandato desse governador terminou, o governador anterior retornou ao cargo. Então, o trabalhador foi até ele e contou tudo o que havia sofrido.

O governador pediu ao empregado que lhe dissesse quantas chicotadas havia recebido e, por cada uma delas, concedeu-lhe uma fortuna. O trabalhador voltou para casa muito feliz com a recompensa recebida. Depois de um tempo, sua esposa notou que ele parecia preocupado e perguntou: “O que há com você?” Ele respondeu: “Ah, que pena não ter recebido mais chicotadas!”

Se refletirmos sobre essa história, perceberemos que, de acordo com o exposto, quando enfrentamos dificuldades devemos saber que tudo acontece por algum motivo, que, se HaShem deseja que algo ocorra, é para o nosso bem, e que certamente receberemos uma recompensa por esse sofrimento.

Qual era a intenção de Yosef? Por que causou tantos problemas aos irmãos? Yosef queria que seus sonhos se cumprissem em todos os detalhes, para que não precisassem ser realizados depois de forma mais severa.

De acordo com o Rambam (Maimônides), sobre o versículo “E Yosef lembrou-se dos sonhos”, Yosef agia contra sua própria vontade — chorava e lavava o rosto para que ninguém percebesse. Ele se continha, mas tinha algo muito claro: essa atitude serviria como expiação para seus irmãos pelo que haviam feito.

Segundo a perspectiva judaica, tudo o que HaShem faz é para o bem.

Redação Breslev Israel

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Chanucá – Luzes e… Luzes

 Nem todas as luzes são iguais. Há luzes que iluminam. Há luzes que ofuscam. Há luzes que mareiam...

Rabino Daniel Oppenheimer

Nem todas as luzes são iguais. Há luzes que iluminam. Há luzes que ofuscam. Há luzes que mareiam…

Uma das coisas que mais mudou a vida do homem moderno é a luz. Não faz tanto tempo que o ser humano despertava e vivia praticamente apenas com a luz natural. A cera para velas era muito cara e era economizada para ser usada em casos de necessidade, para iluminar a noite. Tudo isso mudou. A tecnologia permitiu fazer praticamente as mesmas coisas de dia e de noite. Os aviões decolam e aterrissam a qualquer hora. Passeamos, nos visitamos e… até estudamos à noite. Quer tomar sol e não tem tempo durante o dia? Está nublado? Não há problema! Existem as camas solares.

Isso também trouxe consigo um aspecto negativo. A noite e o impedimento de sair criavam um espaço para a reflexão. A contemplação (e o saber usar o tempo de estar sozinho, sem televisão e sem companhia) fez crescer mais de uma pessoa.

Nem todas as luzes são iguais. Há luzes que iluminam. Há luzes que ofuscam. Há luzes que mareiam. Quando tiramos uma foto, percebemos que uma das coisas importantes a se levar em conta é que não falte… nem sobre luz. Luz excessiva ou insuficiente às vezes pode significar… escuridão.

Os Sábios assinalaram que, quando a Torá se refere aos diferentes exílios aos quais estivemos expostos, o da Grécia (Iaván) é denominado “Joshej” – escuridão. E não por acaso. Iaván é descendente do filho de Noach chamado Iéfet. Iéfet se caracteriza por sua sensibilidade à beleza, às artes, à estética, às estruturas do pensamento e da filosofia, às esculturas. Seu irmão Shem, de quem provém o povo judeu, personifica o nome. O nome das coisas, no idioma hebraico, é a sua essência. As coisas não se definem por palavras convencionais apenas para que todos chamemos os objetos pelo mesmo nome e saibamos o que o outro está dizendo, mas sim pela função Divina que cada pessoa ou objeto possui. Uma arma, por exemplo, pode ser um elemento de defesa para um, um instrumento de trabalho para outro (o assaltante), um objeto “esportivo” para um terceiro ou “mercadoria” para o comerciante que a vende. Cada um a observa a partir de sua ótica pessoal. Quando Adam nomeou os animais, conseguiu compreender sua essência fundamental acima de sua visão pessoal.

Essa diferença entre Shem e Iéfet manifestou-se em Janucá. Iaván (Grécia) queria impor ao mundo uma “religião” na qual as artes, o esporte e a nudez do corpo humano assumiam um caráter religioso. No entanto, na realidade, as artes não deixam de ser aparências e imagens que se procuram projetar. Diferentemente disso, o judeu deve buscar a essência de sua existência, para a qual foi criado. A arte de Iéfet é positiva para acompanhar a essência, não para substituí-la. Quando tenta fazê-lo, transforma-se em algo opaco, em escuridão.

Os Jashmonaim (macabeus) “arriscaram-se” e lutaram porque os gregos haviam proibido a observância do Shabat, de Rosh Jodesh e da Brit Milá (esta última os incomodava particularmente, pois para os judeus representa a submissão do corpo ao espírito, enquanto para os gregos o corpo e sua beleza são o fator central da existência humana). Todos os judeus poderiam tê-lo feito, mas grande parte optou pelo que estava na moda naquela época, que era a cultura do “físico”. Lutaram pela Neshamá (alma) do povo judeu. Restauraram o Bet HaMikdash (Templo).

A Neshamá é chamada de a “vela” Divina que está em nossas mãos. Os macabeus buscaram e encontraram azeite puro. Muito pouco. Não era suficiente para os oito dias necessários para preparar azeite novo. O que se faz em tal situação? Dilui-se? Procura-se um azeite que não seja puro? Não! O azeite deve ser puro, mesmo que seja pouco, mas íntegro e saudável. Acenderam o pouco azeite puro que tinham e… oh milagre! Durou oito dias. Demonstraram que não é a quantidade que define as coisas. É necessária pureza. É possível que, no começo, haja apenas pouca luz. No primeiro dia, a Januquiá está quase vazia. Mas se o azeite é puro, ao cabo de oito dias temos a Januquiá cheia.

A luz genuína da Torá, por um lado, e o brilho aparente da Grécia antiga, por outro, continuam competindo por nossa atenção. Se soubermos fixar nosso olhar, poderemos enxergar com a luz da Torá, sem nos deixarmos ofuscar pelos outros brilhos ocasionais.

(Com a gentil autorização de www.tora.org.ar)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Ascensão desde o abismo – Parashá Vaieshev

Yosef era um homem extremamente atraente – “de bela forma” – e muito meticuloso com a maneira como se vestia – “de aspecto bem parecido”.

**Rabino Lazer Brody**  
“… e Yosef era de bela forma e de aspecto bem parecido” (Gênesis 39:6)

Utilizando uma linguagem aparentemente dupla, a sagrada Torá nos diz que Yosef era um homem extremamente atraente – “de bela forma” – e muito cuidadoso com sua aparência – “de aspecto bem parecido”.

À primeira vista, parece que Rashi desaprova o comportamento de Yosef, pois em seu comentário sobre esse versículo, Rashi afirma que, desde o momento em que Yosef se tornou responsável pela casa de seu senhor, “começou a comer, beber e enrolar o cabelo; Hashem disse: ‘Seu pai está de luto e você enrola o cabelo? Incitarei o urso contra você.’”

Naturalmente, o “urso” era a esposa de Potifar e o subsequente encarceramento de Yosef.

Yosef conhecia toda a Torá, pois era o principal discípulo de seu pai. Podemos conceber que ele tenha transgredido a halachá, a lei judaica?

Para sermos precisos: Yaakov estava de luto porque acreditava que Yosef havia sido morto. Yosef não estava de luto e, portanto, não estava sujeito às restrições do luto (como a proibição de cortar o cabelo ou fazer a barba).

Mesmo se considerarmos que ele poderia ter sido mais sensível aos sentimentos de seu pai por piedade, o fato é que ele era o chefe dos administradores e responsável pelos bens de um oficial de alto escalão como Potifar — exigindo que mantivesse uma aparência impecável, conforme a Halachá determina.

O Shulchan Aruch permite ao enlutado cortar o cabelo após trinta dias; porém, alguém do nível de Yosef tem permissão para cortar o cabelo e se arrumar após sete dias, ao final da shivá.  
O Shach esclarece que pentear o cabelo não é considerado um ato de prazer ou alegria. Portanto, mesmo se Yosef estivesse de luto, ainda assim seria permitido a ele arrumar-se.

E já que ele não estava de luto, por que Rashi cita um Midrash que aparentemente o condena?

Com a ajuda de Hashem, explicamos assim: as ações de Yosef estavam totalmente alinhadas com a lei judaica e eram agradáveis a Hashem.  
No entanto, Hashem estava enganando o Satã e preparando o cenário para a futura redenção do povo judeu.

O Satã ansiava tentar Yosef por meio da esposa de Potifar e depois lançá-lo na prisão.  
Sem compreender a intenção divina, o Satã estava satisfeito: ou Yosef cairia na tentação e perderia seu alto nível espiritual, ou seria encarcerado e perderia sua influência e status. O Satã tinha certeza de que seria o fim de Yosef.

Mas o que o Satã não sabia é que o encarceramento de Yosef seria o início de sua verdadeira ascensão ao poder e à glória.

Aprendemos, então, uma lição profunda, capaz de fortalecer nossa emuná e nossa confiança em Hashem mesmo nas situações mais difíceis: **a pior queda conduz ao maior ascenso**.

Hashem está prestes a elevar Yosef de seu abismo mais profundo à sua mais elevada grandeza, como vemos quando ele decifra os sonhos do Faraó na Parashat Miketz.

A má inclinação, que é o próprio Satã, tenta convencer a pessoa de que ela está perdida, que não há solução para seus problemas e que seus desafios são insuperáveis — pois uma pessoa deprimida é uma pessoa vencida.

Ao contrário disso, a emuná nos ensina que nunca há motivo para desespero, porque a salvação de Hashem é repentina, inesperada e frequentemente vem de um lugar que jamais imaginaríamos.  
Essa é a forma maravilhosa com que Hashem conduz o mundo.

Este também é o segredo do Mashíach e da Redenção.

Observemos os acontecimentos anteriores ao nascimento do Rei David: Yehudá e Tamar, Boaz e Ruth.  
Consideremos as circunstâncias do nascimento de David, quando seu próprio pai pensou que ele era um mamzer (bastardo), fruto de uma relação proibida.  
Estes são exemplos de como Hashem engana o Satã, fazendo com que atos aparentemente indignos se tornem precursores da Casa de David.

Além disso, tanto Tamar quanto Ruth poderiam facilmente ter caído na desesperação devido às suas situações.  
Mas elas se apegaram a Hashem com emuná e, longe de desistirem, alcançaram os níveis mais elevados do povo judeu, tornando-se as matriarcas do Mashíach.

Que o recebamos muito em breve. Amén!!!

Fonte: Breslev.com

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Tzedaká – Caridade / Justiça Social

Nossos Sábios ensinam: Se você vê que seu sustento é muito limitado, dê tzedaká! E muito mais se você conta com um sustento suficiente.

Grupo Breslev Israel

Nossos Sábios ensinam: Se você vê que seu sustento é muito limitado, dê tzedaká! E muito mais se você conta com um sustento suficiente. É como duas ovelhas, uma tosquiada e a outra não, que querem atravessar o rio: a tosquiada não tem problemas para cruzá-lo, mas a outra se afoga quando sua lã se enche de água (Guuitín 7a).

Rabi Nachman ensina: Todos os começos são difíceis… Assim como a mulher que está dando à luz deve sofrer as dores do parto antes de trazer seu filho ao mundo, do mesmo modo, para tudo o que desejamos conquistar — gerar e criar — primeiro devemos sofrer as “dores de parto”. A parte mais difícil é fazer a abertura, o começo. A tzedaká é chamada de “abertura”. É a primeira abertura, aquela que alarga todas as brechas e abre todas as outras portas; a que cria oportunidades (Likutei Moharán II 4:2).

Não é fácil começar a dar tzedaká. E especialmente se por natureza somos avarentos ou se em nossa personalidade existem traços de dureza. O verdadeiro trabalho consiste em quebrar nossa crueldade inerente, convertendo-a em compaixão. Isso é expresso pelo versículo: “E Eu ordenei aos corvos que o sustentassem”. Embora por natureza o corvo seja cruel, ele se transformou em compaixão para sustentar o profeta Eliyahu. Do mesmo modo, todo aquele que dá tzedaká por sua generosidade inata, independentemente da quantidade, precisa passar por essa etapa preliminar de quebrar qualquer vestígio de crueldade que possa possuir, convertendo-o em compaixão.

Rabi Natan escreve em Likutei Halachot que, quando vemos outra pessoa morrendo de fome, certamente despertamos compaixão para ajudá-la. Claro que isso é uma mitzvá e devemos fazê-lo, mas também existe um nível muito mais elevado de dar tzedaká. Mesmo aquele que por natureza possui um coração generoso deve passar por essa etapa quando começa a dar além da sua tendência compassiva. Quando ele supera sua tendência inata, entendendo onde termina sua compaixão e onde começa sua crueldade, deve converter essa crueldade em compaixão e dar tzedaká. Se não fizer isso, então se considera que ainda não começou a trabalhar o tema da tzedaká. Cada um tem um ponto em que diz: “Daqui eu não passo” — este ponto de “crueldade” é o que deve se esforçar para quebrar.

Ao nos forçarmos a dar tzedaká, estamos mudando nossa própria essência, o que nos permite aproximar-nos de nosso Criador e, ao fazê-lo, trazer ao mundo as bênçãos de Deus.

É importante lembrarmos que, além de sermos escrupulosamente honestos em nossos negócios, também nos é exigido compartilhar nossas bênçãos com aqueles que têm menos do que nós. Isso se realiza dando tzedaká.

Quanta tzedaká devemos dar?

Certa vez, um chassid muito rico foi ver o Maguid de Mezritch, anunciando que, em seu grande desejo de se aproximar de Deus, havia feito um voto de jejuar e mortificar seu corpo.

Então o Maguid o tomou pela lapela e ordenou: “Você deve comer peixe e carne todos os dias”.

Depois que o rico se foi, os discípulos do Maguid lhe perguntaram: “O que há de errado em esse milionário sofrer um pouco?”.

O Maguid respondeu: “Se ele come peixe e carne, então vai entender que os pobres têm que comer pelo menos pão. Mas se ele come apenas pão, então o que vai acontecer com os pobres?”.

As leis de tzedaká estão enumeradas em Yoré Deá 247–259 e incluem quanto dar, a quem dar, etc. Nossos deveres de caridade são determinados por nossa renda, levando em conta muitas das considerações que nosso contador teria. No entanto, em termos gerais, devemos dar para tzedaká dez por cento (dízimo – maasser) de nossa renda.

Isso pode parecer difícil — porque afinal, poderíamos pensar: “Ufa… com todo o trabalho que tive para conseguir esse dinheiro, por que não vou aproveitá-lo?”. Mas quando damos aos outros, recebemos muito mais do que damos. Na realidade, dar é receber!

Ao dar maasser, você se salvará de seus inimigos (Likutei Moharán I, 221).

Rabi Nachman disse a Reb Dov de Tcherin, que era um rico homem de negócios, que desse vinte por cento de sua renda aos pobres. Reb Dov de Tcherin cumpriu essa mitzvá durante toda a sua vida. Antes de falecer, ouviu-se ele dizer: “Com meus vinte por cento não tenho medo do Tribunal Celestial, porque serei considerado meritório” (Kojavei Or, pág. 24, #19).

As seguintes citações foram retiradas do livro Sefer HaMidot (O Livro dos Atributos):

A tzedaká é tão grande que acelera a Redenção Final, salva da morte a pessoa que a dá e lhe permite receber o Rosto Divino.
O ato de dar tzedaká permite à pessoa melhorar seu mau comportamento.
Seja generoso e você poderá ascender no mundo.
A tzedaká dada aos pobres da Terra Santa traz prosperidade a quem a dá.
Dê tzedaká e você será abençoado com filhos.
A tzedaká traz paz.
Jerusalém será redimida através da tzedaká.
Quando as pessoas não são caridosas, inevitavelmente o governo emite maus decretos e as despoja de todo o seu dinheiro.
Dê tzedaká com as duas mãos e suas preces serão respondidas.
Ao dar tzedaká, a pessoa se salva da injustiça, da opressão e da desgraça.

Quando devemos dar tzedaká?

É uma ótima ideia separar o dinheiro da tzedaká assim que se recebe o salário. Há quem inclusive deposite seu dinheiro de tzedaká em uma conta bancária separada, mantendo essa conta especificamente para as organizações de beneficência que deseja apoiar.

A Torá afirma: “Dar, você dará [ao pobre]. E não se entristeça ao dar” (Deuteronômio 15:10). Rabi Eliyahu Chaim costumava parafrasear o versículo: “Dê o que você já separou e então não se entristecerá ao dar”.

A pessoa deve dar caridade diariamente, antes de rezar (Orach Chaim 92:10; Likutei Moharán I 2:4).

Ao iniciar qualquer empreendimento, dê caridade. Tudo o que você deseja atingir — seja o estudo da Torá, a oração, outras mitzvot, viagens, negócios ou qualquer coisa — preceda esse ato com tzedaká (Likutei Moharán II 4:2).