A mensagem do Rabino Nachman é que devemos permanecer firmes mesmo quando vemos que caÃmos. Ele nunca tentou ocultar o fato de que os tropeços são inevitáveis e fazem parte integrante de nossa vida.
Rabino Shalom Arush
Um Shabat cuja influência perdura para sempre
Era o Shabat Nachamu do ano de 5570/1810, apenas dois meses antes do falecimento do Rabino Nachman. Ele sofria de tuberculose havia três anos e seus pulmões estavam gravemente afetados. Frequentemente, sofria fortes ataques de tosse durante os quais cuspia sangue.
Ao longo dos anos, o Rebe havia estabelecido determinadas datas especiais em que todos os chassidim iam visitá-lo e ele ministrava uma extensa aula de chassidut. Durante o resto do ano, os chassidim chegavam simplesmente para passar um Shabat em Breslev — e mais tarde em Uman — ao lado do Rebe, mesmo que ele não fosse ministrar nenhuma aula.
Naquele Shabat Nachamu em particular, centenas de chassidim se reuniram em Uman. Esperavam que aquela grande multidão motivasse o Rebe a dar uma aula e, apesar de sua fraqueza, ele concordou. Falava bem baixo, quase num sussurro, mas de repente exclamou em alta voz as suas famosas palavras:
"Gevalt! Nunca desistam! Não existe yiush! Não existe situação sem esperança!"
Aquelas palavras e aquele Shabat ficaram profundamente gravados nos corações dos chassidim. Pouco tempo depois, essas palavras se espalharam por todo o mundo judeu. Até os dias de hoje, continuam a infundir esperança em inúmeras pessoas. Apareceram em adesivos e etiquetas, e serviram de letra para inúmeras melodias.
Um grito do mais profundo do coração
No entanto, familiarizamo-nos tanto com essas palavras que perdemos de vista o seu verdadeiro significado. Transformaram-se em mais um slogan, em um adesivo para colar na parte traseira do carro. E se for assim, estamos perdendo um aspecto profundo e fundamental da nossa maneira de enfrentar a vida. Detenhamo-nos por um momento para refletir sobre isso.
O Rabino Nachman dizia aos seus chassidim que sua vida havia sido curta em anos, mas que constituÃra um processo ininterrupto de crescimento espiritual. Chegou a se tornar uma figura única na história do nosso povo. Já havia alcançado um elevado nÃvel espiritual antes de sua viagem a Eretz Israel, mas quando retornou disse que se envergonhava do pouco que havia conquistado antes de experimentar a santidade da Terra. E continuou a subir a escada da perfeição espiritual ano após ano, até o dia de seu falecimento.
Em Rosh Hashaná do ano de 5571/1810, dois meses após aquele Shabat Nachamu, o Rabino Nachman ministrou sua última aula. Estava terrivelmente fraco e doente, e mal conseguia falar, mas se esforçou com uma força sobre-humana. Somente aqueles que estavam mais perto dele podiam ouvir suas palavras. Para a maioria dos chassidim, a última frase que lhe ouviram pronunciar foi aquela que havia gritado no Shabat Nachamu com todas as forças que ainda lhe restavam.
É evidente que era precisamente isso o que ele queria que seus chassidim lembrassem e tivessem presente para todas as gerações futuras:
"Não existe yiush! Nunca se deve perder a esperança!"
Um princÃpio fundamental
Portanto, esta frase resume todos os ensinamentos do Rabino Nachman. Ele a pronunciou no auge de sua vida espiritual e ela se tornou seu legado para todas as gerações. Isso é o que ele quis deixar para cada um de nós: jamais desistir nem perder a esperança. Tudo o mais depende disso. É um princÃpio fundamental da Torá e das mitzvot.
Quando é que uma pessoa tende a perder a esperança? Não quando tudo vai bem e tem sucesso. Nesses momentos, ninguém desiste e o Yetzer Hará tem pouca influência sobre nós.
O Yetzer Hará espera justamente o momento em que a pessoa sente que caiu, que fracassou. Então entra em ação e lhe diz: "Agora você percebe que é um fracasso, que nunca conseguiu nada de bom. Então, para que continuar tentando? Você nunca vai ter sucesso, e você sabe disso".
Ao longo dos anos, conheci milhares de baalei teshuvá que vieram a mim cheios de entusiasmo, desejosos de se firmar em um mundo de kedushá e de apego a Hashem. Alguns eram jovens que aspiravam a subir a escada da perfeição espiritual; outros eram pais de famÃlias jovens com intenções sinceras.
No entanto, um ou dois anos depois, eu via que sua busca espiritual havia ficado em suspenso e que, na melhor das hipóteses, cumpriam as mitzvot cotidianas quase no piloto automático. Outros haviam se afastado muito do caminho.
A mensagem do Rabino Nachman é que devemos permanecer firmes mesmo quando vemos que caÃmos. Ele nunca tentou ocultar o fato de que os tropeços são inevitáveis e fazem parte integrante de nossa vida.
Ele descreveu o caminho da teshuvá como um ziguezague: subimos e depois caÃmos; voltamos a subir e voltamos a cair. Se uma pessoa perde a esperança porque vê que caiu, jamais tentará se levantar novamente. Nem sequer terá consciência de que existe essa possibilidade.
Reb Noson afirmou que cada tzadik conseguiu alcançar seu nÃvel precisamente porque continuou tentando mesmo depois de cair ou fracassar.
O Rabino Nachman considerava este princÃpio tão importante que se certificou de proclamá-lo em alta voz para que ressoasse eternamente por todo o mundo:
"Não existe yiush! Nunca se deve perder a esperança!"
Oceanos de esperança
O Rabino Nachman nos ensinou muitas coisas: emuná, kedushá, humildade e todas as midot tovot. Mas se uma pessoa não sabe conservar a esperança, nada disso poderá criar raÃzes.
O ensinamento de que sempre há esperança é um dos maiores presentes que o Rabino Nachman deu ao nosso povo. Nossa geração atravessa inúmeras quedas espirituais e, sem uma base sólida de esperança, não poderemos fazer teshuvá.
Quando o Rabino Nachman gritou: "Não existe yiush!", ele o fez por nós, por cada um de nós, não importa o que tenha acontecido nem o que tenhamos feito.
Em Yom Kipur, todos permanecemos de pé e batemos no peito enquanto enumeramos os numerosos pecados que cometemos. Fazemos isso dez vezes ao longo do dia sagrado. Depois de reconhecer uma e outra vez todas as nossas faltas, como se supõe que devemos seguir em frente? A única coisa que vemos à nossa frente são montanhas e montanhas de pecados!
E, ao mesmo tempo que pronunciamos esta confissão, estamos convictos de que provavelmente voltaremos a fazer as mesmas coisas. Isso deveria nos quebrar por completo.
Mas a mensagem de Yom Kipur é:
Sim, sabemos o que você fez. Sabemos o quanto você caiu e o quanto lhe falta. E, no entanto, Hashem quer perdoá-lo. Ele quer limpá-lo e purificá-lo, e o faz todos os anos. Ele é nosso Pai amoroso e sempre estará lá para perdoá-lo. Nunca perca a esperança! Simplesmente confesse suas faltas e recomece, mesmo que seja a milésima vez.
Yom Kipur não é apenas um dia de expiação; é um dia repleto de uma profunda esperança. Se existe a expiação, então também existe a esperança.
E isso é precisamente o que mais precisamos.
Nunca perca a esperança!
E, com a ajuda de Hashem, não desistiremos. Continuaremos a nos esforçar e a lutar para subir cada vez mais, e estaremos sempre dispostos a recomeçar.
Estas palavras são para o mérito da alma do meu netinho, Shalom ben Asaf e Rivka, a"h, que nos ensinou o imenso poder de saber que não existe yiush, que nunca se deve perder a esperança.
Fonte: Breslev.com
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