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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A Conversa Semanal – Mishpatím

No início, a conexão é difícil de entender. O que tem a ver jogar a carne Taréf para um cachorro com a pessoa que fofoca? Os dois parecem ser totalmente desconexos...

Em uma porção repleta de ordens e leis que detalham centenas dos mais diversos aspectos da vida judaica, nossos sábios analisaram detalhadamente as justaposições dessas leis, elucidando ainda mais sabedoria e orientação moral nas santas palavras da Torá. Assim explicaram a muito interessante justaposição de dois preceitos que são totalmente diferentes. Um versículo nos fala sobre as leis de um animal Taréf (não permitido – não Kasher): "Um povo santo sereis para Mim; não comereis carne de um animal que morreu no campo; aos cães a lançareis" (Êxodo 22:30).

O próximo versículo nos adverte sobre dar testemunhos falsos: "não aceites um testemunho falso, não estendas a mão ao mau para seres uma testemunha falsa" (Êxodo 23:1).

Os dois versículos parecem estar bastante desconexos. Mas o Talmude no tratado de Pesachim, página 118 cita Rav Sheshet em nome do Rabi Elazar ben Azariá que conecta os dois versículos: "Quem fala ou aceita a fofoca (Lashón HaRá) é digno de ser jogado aos cães, pois o versículo '...aos cães a lançareis...' e imediatamente depois a Torá diz '...não aceites um testemunho falso...'"

No início a conexão é difícil de entender. O que tem a ver que se deve jogar a carne Taréf a um cachorro com a pessoa que fofoca? Os dois parecem ser totalmente desconexos. Segundo o comentário do Mechilta, a carne dada aos cães é uma recompensa por seu comportamento na noite do êxodo do Egito. Naquela noite, apesar dos gritos dos egípcios pela morte dos primogênitos, os cães estavam tranquilos. "Contra nenhum filho de Israel os cães afiarão sua língua, nem contra o judeu ou seu animal, para que saibam que Hashem terá diferenciado entre Egito e Israel" (Êxodo 11:7). Portanto eles são recompensados com a carne da qual um judeu deve abster-se de comer.

Como sua recompensa por não terem atacado é uma lição para aprendermos a não falar fofocas? Li recentemente sobre um homem que passava suas férias em uma das ilhas do Caribe. O homem queria um quarto para ele mesmo e para seu cachorro, e portanto perguntou se o estabelecimento, um hotel em Kingston, Jamaica, permitiria o animal. Algumas semanas depois, o homem recebeu a resposta: "Prezado Senhor: Estive no negócio hoteleiro por quarenta anos e nunca tive que expulsar um cachorro desordeiro, nunca tive um caso de um cachorro que queime um colchão enquanto fuma. Nunca também tive um cachorro que roube uma toalha ou que vá embora sem ter pago sua hospedagem. Nunca tive como hóspede um cachorro bêbado. Seu cachorro é bem-vindo em nosso hotel. Saudações atenciosamente".

O Chafetz Chaim explica que o Talmude faz uma comparação surpreendentemente profunda. A razão pela qual os cães foram recompensados foi porque sua natureza é de latir e atacar quando seus donos são atacados ou quando ocorre uma tragédia. Apesar de seu instinto, eles foram contra sua natureza e se contiveram. Eles seguiram a ordem do Todo-Poderoso e se mantiveram calmos.

A Torá recompensou essa atitude com nossa carne Taréf que devemos cuidar para não comer.

Mas quando os seres humanos, que supostamente devem controlar seus desejos e a língua, perdem o controle, não há melhor método de aprender a como melhorar essa falha do que através do exemplo dos mesmos animais que dominaram seu instinto em momentos de extrema dificuldade.

Quão apropriado é que os dois versículos, o que recompensa os cães por controlar seu instinto, se justaponha com aquele que adverte a seus donos mortais a cuidar da língua, pois infelizmente perdemos perspectiva com muita frequência.

Somos os donos de nossos animais, ¡mas quanto mais devemos ser os donos de nossos próprios desejos!

Redação Breslev Israel

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Parashá Yitrô

A que se refere Hashem quando diz que sejamos um reino de sacerdotes? Como podemos ser todos Kohanim se a grande maioria de nós não é descendente de Kohanim, conforme exige a Lei Judaica?

Hashem não está dizendo que todos devemos pertencer à tribo sacerdotal, mas que adotemos e internalizemos uma característica própria dos Kohanim.

Permitam-me explicar:

Nachmanides (Rabi Moshe ben Nachman, também conhecido como Ramban) escreve, na introdução ao seu comentário do Livro de Deuteronômio — o quinto e último livro do Pentateuco —, que, embora Deuteronômio reitere todas as leis já enumeradas nos quatro livros anteriores, não menciona os sacrifícios rituais nem as funções dos Kohanim, os sacerdotes do Templo Sagrado.

Por quê? Nachmanides explica que os Kohanim são ágeis e velozes: cumprem imediatamente o que lhes é ordenado, da melhor forma possível. Não é necessário repetir-lhes as leis e os preceitos.

Já o restante da nação judaica, diferentemente dos Kohanim, por vezes demonstra preguiça ou esquecimento, necessitando ouvir determinações duas, até três vezes... E não só isso: muitas vezes requer advertências firmes e repreensões para começar a agir.

Nachmanides louva a agilidade dos Kohanim em seu serviço a Hashem. É justamente esse traço que Hashem deseja que todos nós adotemos: servir a Hashem com agilidade e presteza.

O que torna uma pessoa ágil? O que lhe confere velocidade e prontidão?

A resposta clássica seria “ir à academia”, mas isso não é nem verdadeiro nem prático.

Todos desejam ser ágeis, ativos, magros e jovens, mas poucos conseguem. Por quê? Ninguém consegue ser ágil — nem mental, nem fisicamente, nem espiritualmente — sem estar profundamente motivado.

E o que nos motiva? A resposta é: a vontade, o desejo, o amor genuíno — quando almejamos algo mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Lembra-se de como você se arrumava com esmero antes do noivado com seu/sua namorado(a), quando seu maior sonho era casar-se com aquela pessoa por quem se apaixonara perdidamente?

Ninguém precisava tirá-lo(a) da cama pela manhã. Ninguém tinha de lembrá-lo(a) de tomar banho, arrumar-se ou vestir-se bem. Ai! Quanto você amava aquela pessoa!

Converse com um atleta campeão: para ele, é irrelevante quem é presidente da China ou o que políticos postam no Facebook.

Não lhe interessam filmes, bares ou shoppings.

Para ele, o único que importa é o próximo campeonato. É o primeiro a chegar à academia de manhã e o último a sair à noite.

Cumpre cada instrução do treinador à risca e imediatamente.

Nunca interrompe sua dieta específica de treinamento.

Olha para Coca-Cola, pizza e batatas fritas como se fossem veneno de cascavel.

Busca o melhor para sua saúde física e mental, custe o que custar.

Mesmo adorando sorvete e bolo de chocolate com creme, nem se aproxima deles.

Para ele, perder a partida não é sequer uma opção.

O que torna o campeão tão ágil?

O fato de estar profundamente motivado e dedicar-se de todo o coração à sua missão.

B'chol levavcha — com todo o seu coração. A oração do Shemá Israel nos ordena amar Hashem com todo o nosso coração: sermos não apenas uma nação de sacerdotes, mas uma nação de campeões, cumprindo a Torá com fervorosa motivação.

E por onde começamos?

Começamos agradecendo a Hashem por todas as bênçãos que nos concedeu, sem jamais dar algo como certo.

Então, correremos com alegria para cumprir Sua vontade.

Essa é a sensação mais maravilhosa do mundo — e verá: cada um dos seus sonhos começará a se realizar. Garantido!

Fonte: Breslev.com

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Acredito em Deus, mas não na religião? O que pensar?

 "Acredito em Deus, mas não na religião." Se isso soa familiar para você, não está sozinho – e não, não está perdido.


"Quando deixei a religião organizada, não perdi minha fé. Por fim tive espaço para respirar." – Estudante Noaísmo (Ben Noach)


Está acontecendo um movimento Ben Noach (onde 'ch' teria som de rr gutural ou Noaísmo) global, silencioso mas constante. Pessoas de todas as origens estão se conectando com verdades eternas e vivendo-as com clareza e propósito.


A conversa com um rabino que não saiu como esperado

Há pouco tempo me sentei diante de um rabino, pronto para me explicar.


– Olha – comecei –, acredito em Deus. Rezo. Sinto que há uma força superior. Mas religião? Não, obrigado. Carga demais, regras demais e muita gente me dizendo o que pensar.


Ele não discutiu. Apenas acenou com a cabeça.


E então disse algo que me surpreendeu:


– Acreditar em Deus mas não na religião não significa que você está fora do caminho. Pode significar que agora está entrando nele.


Foi aí que ele me falou de algo antigo... e surpreendentemente libertador.


O caminho espiritual que você não sabia que tinha permissão para percorrer

Se alguma vez você disse coisas como:


– "Sou espiritual, mas não religioso."

– "Deixei a religião... e agora?"

– "Acredito em Deus, mas não quero pertencer a nada."


...então o que você sente não é confusão. Talvez seja um chamado.


Na sabedoria judaica existe um conceito chamado o Pacto Noaísmo (Ben Noach): uma relação espiritual direta entre você e Deus, sem necessidade de conversão, sem rituais criados pelo homem e sem rótulos religiosos.


Não é uma nova religião. Não é uma seita. Não é um clube com mensalidades. É simplesmente isto:


Um caminho moral universal baseado em sete princípios fundamentais, destinado a toda a humanidade – arraigado na verdade divina, mas livre de dogmas.


E como se parece, na prática, uma vida Noaísmo (Ben Noach)? É surpreendentemente simples e concreta. Você não precisa de um templo, uma denominação ou mesmo um grupo. Você precisa de:


Acreditar em um único Deus

Querer viver de forma ética

Desejar crescer espiritualmente, do seu jeito e no seu ritmo

A partir daí, as Sete Leis de Noé dão estrutura – não para controlar você, mas para libertá-lo do caos moral e da confusão do mundo atual.


"Quando deixei a religião organizada, não perdi minha fé. Por fim tive espaço para respirar" – Estudante Noaísmo (Ben Noach) contemporâneo

As pessoas estão se afastando... e buscando algo real

Sejamos sinceros: a religião organizada falhou com muitas pessoas. Uma pesquisa recente do Pew Research Center mostra que quase 30% dos adultos hoje se define como "espiritual mas não religioso".


Eles não estão rejeitando Deus – estão rejeitando a confusão criada pelo homem, os abusos institucionais e sistemas rígidos que não falam à alma.


O caminho Noaísmo (Ben Noach) oferece algo diferente: um lar espiritual sem a política da religião.


Uma conexão direta com Deus – sem intermediários

O rabino me disse de forma tão simples:


– Você não precisa se converter para estar perto de Deus. Só precisa caminhar em Seus caminhos.


Isso ficou gravado em mim. E é por isso que compartilho com você.


Existe um movimento Noaísmo (Ben Noach) global que está crescendo em silêncio – pessoas de todo o mundo se conectando com verdades eternas e vivendo-as com clareza e sentido.


Dê o primeiro passo

Se isso ressoa com você, este pode ser seu próximo passo suave: comece nosso curso gratuito As 7 Leis de Noé para Iniciantes.


Você aprenderá o que são as Leis de Noé, como elas se aplicam à sua vida e como percorrer este caminho com confiança – sem se converter nem mudar sua identidade.


Pensamento final: você não está perdido – está chegando cedo

Se você se afastou da religião mas ainda acredita em Deus... talvez não tenha saído do caminho. Talvez esteja apenas entrando naquele que sempre foi para você.


"O caminho do justo entre as nações não é se tornar outra pessoa. É se tornar plenamente si mesmo, em alinhamento com o Criador." – Rabino Moshe Perets, Noahide Academy

Você não precisa de um rótulo. Não precisa de um edifício. Só precisa da disposição de caminhar.


A redação Breslev Israel

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Estamos aqui para ficar

Há duas maneiras de nos afirmarmos na terra que HaShem nos deu: fazendo aliá e

povoando-a de fronteira a fronteira, e plantando árvores onde quer que vamos.

Durante os últimos 3.800 anos — desde que Yaakov e sua família desceram ao Egito —

nossos antepassados plantaram árvores.

O povo de Israel havia provado menos de dois meses de liberdade quando recebeu a Torá

no Monte Sinai. Ali foi-lhe ordenado construir o Mishkán, o Tabernáculo sagrado que

serviria como Templo móvel até que o rei Shlomó edificasse o Templo em Jerusalém. O

Mishkán exigia uma longa lista de materiais: ouro, prata, pedras preciosas, tinturas e peles

de animais. Tudo isso eles possuíam a partir dos despojos do Egito, de seus rebanhos ou

do ambiente ao redor. Mas o Mishkán também necessitava de uma grande quantidade

de madeira, especificamente vigas de acácia. De onde tiraram árvores de acácia maduras

em pleno deserto?

O Midrash nos conta que nosso patriarca Yaakov, com seu espírito profético, previu que seus descendentes precisariam de madeira de

acácia ao saírem do Egito. Por isso, plantou mudas de acácia no deserto quando descia em direção ao Egito. Até hoje podem ser vistas

no deserto do Sinai acácias de uma beleza impressionante.

Outro Midrash relata que foram nossos antepassados no Egito que plantaram as acácias e que levaram as vigas de acácia consigo

quando foram libertados da escravidão.

É possível que ambas as versões sejam verdadeiras. Em todo caso, nosso povo tem sido agricultor e plantador de árvores por milhares

de anos.

Como você definiria uma vida doce? Imagine uma vida sem problemas, sem inimigos nas fronteiras, com saúde e sustento garantidos.

Como descreveria uma vida assim?

Nossos profetas respondem a essa pergunta em vários lugares:

“Judá e Israel viviam em segurança, cada um debaixo de sua videira e de sua figueira, desde Dan até Beer Sheva, durante todos os dias

de Shlomó” (I Reis 5:5).

Essa passagem nos ensina duas lições fundamentais. A primeira: as árvores — e especialmente as frutíferas — representam paz,

segurança e bem-estar; a dolce vita, a vida boa. Nossos sábios ensinam que, na época do rei Shlomó, as pessoas eram tão ricas que nem

sequer se abaixavam para apanhar uma moeda de prata do chão. A videira e a figueira aludem à abundância, a uma realidade em que

ninguém se preocupa com sua próxima refeição, pois sempre há o suficiente.

A segunda lição é que todos em Judá e Israel possuíam árvores: “desde Dan”, no extremo norte, “até Beer Sheva”, no sul. O rei David

nos ensina que as árvores frutíferas simbolizam a abundância divina quando diz:

“Tua esposa é como uma videira frutífera” e “teus filhos como brotos de oliveira”

(Salmos 128:3).

Portanto, as árvores simbolizam paz, segurança, riqueza, fertilidade e descendência.

Em hebraico, quando se deseja verdadeira saúde a alguém, abençoa-se dizendo que

seja “forte como um cedro”. As árvores também representam saúde.

Com todas as bênçãos que trazem, é fácil entender por que temos todos os anos um

Ano Novo das Árvores, Tu Bishvat.

Muitas pessoas em Israel que possuem um pequeno pátio o transformam em um

bustán, um pequeno pomar de árvores frutíferas. Plantam as árvores mencionadas

na Torá e, em particular, as espécies da Terra de Israel: uvas, tâmaras, romãs, figos e

oliveiras.

Considera-seque um jardim assim atrai bênção divina. Além de ser um prazer e um

espaço de beleza, o pomar é uma declaração clara:“estamos aqui para ficar”.

Assim como as árvores aprofundam suas raízes na terra, nós também o fazemos. E,

especialmente na Terra de Israel, cada árvore que plantamos transmite uma mensagem

inequívoca: ficamos aqui, aconteça o que acontecer e digam o que disserem.

Com tudo isso em mente, podemos compreender plenamente por que a Torá compara

o ser humano a uma árvore do campo e por que é proibido arrancar ou cortar uma

árvore frutífera. Há duas maneiras de nos afirmarmos na terra queHaShem nos deu:

povoá-la de norte a sul e de leste a oeste, e plantar árvores onde quer que vamos.

Feliz TuBishvat!

Que sejas tão frutífero quanto a videira e desfrutes da longevidade da oliveira. Amén.


Equipe do Breslev Israel

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O grito silencioso – Beshalaj

Devemos aprender a clamar diante de Hashem na oração pessoal, sem que ninguém mais nos escute.

Rabino Lazer Brody

 

 “Por que clamas a Mim?” (Shemot 14:15)

 

O significado aparente do parágrafo anterior é que Hashem está dizendo a Moshé (Moisés) que este não é um momento de oração, mas de ação e dedicação. Ou seja, é o momento de se lançar ao mar.

Em um nível mais profundo, Hashem está ensinando mais uma lição a Moshé e aos filhos de Israel. É como se Hashem estivesse dizendo: “Não é necessário clamar quando os outros estão te ouvindo — basta um grito silencioso vindo do mais profundo do teu coração”.

Devemos aprender a clamar diante de Hashem na oração pessoal, sem que ninguém mais nos escute. Quando o grito silencioso não contém vaidade — é apenas para Hashem. Essas orações sobem imediatamente e evitam a obstrução das forças do mal. Se durante a hitbodedut, no campo, uma pessoa grita como um animal selvagem e outros escutam sua voz, cria-se, Deus nos livre, uma profanação do Nome de Hashem, e essa oração acaba indo para as kelipot, as forças do mal.

O Rebe Nachman de Breslev explica (Sijot HaRan 16):

“É possível gritar forte com uma voz pequena e silenciosa, sem que ninguém ouça, porque não se emite som algum, mas apenas se grita silenciosamente com essa pequena voz silenciosa. Qualquer pessoa pode fazer isso. Basta imaginar o som de um grito na mente. Representa o grito na imaginação exatamente como se fosse um som. Continue assim até que, literalmente, você esteja gritando com essa pequena voz silenciosa. Isso é, de fato, um grito, e não apenas imaginação. É possível ficar em um local cheio de pessoas, gritando dessa maneira, sem que ninguém escute”.

O grito silencioso é uma arma poderosa de oração, que permite à pessoa clamar diante de Hashem mesmo em uma estação de metrô, em um ônibus ou em um trem lotado. Por meio do grito silencioso, é possível aproveitar o tempo aparentemente perdido para falar com Hashem e expressar as emoções mais profundas. A beleza do grito silencioso é que ninguém pode ouvi-lo, exceto Hashem.

Quando uma pessoa está rezando em público e todos rezam em voz alta, nesse caso, rezar em voz alta não apenas é recomendado, como é apropriado. Porém, quando a pessoa se encontra em uma sessão de hitbodedut, levantar a voz expõe as orações aos “caçadores”, isto é, às forças do mal que fazem de tudo para impedir que as preces da pessoa ascendam ao Trono Celestial. A oração pessoal é especialmente poderosa, como nos ensina o Rebe Nachman, pois as forças do mal têm dificuldade em obstruir aquilo que não é rotineiro. No entanto, no momento em que a pessoa grita, a oração perde sua força.

O grito silencioso é, muitas vezes, a chave mestra para que a pessoa alcance a salvação. Que todos saibamos aproveitá-lo. Amém!


Redação Breslev Israel

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Shvat – O mês do crescimento espiritual

O mês de Shvat é o décimo primeiro mês do calendário hebraico e está conectado ao signo astrológico de Aquário. Shvat tem como foco o Tikkun Achilah (a correção do ato de comer), o Perek Shirah (Cântico da Criação) e a festividade de Tu B’Shvat.


Equipe de Breslev Israel


Diversos elementos estão associados ao mês de Shvat:

• Tikkun Achilah (Elevar o ato de comer)

• Signo zodiacal

• Festividade de Tu B’Shvat

• Perek Shirah (Cântico da Criação)

• Estrela do Mashiach


Tikkun Achilah (Elevar o ato de comer)


Agora estamos no mês hebraico de Shvat. Ele é o décimo primeiro mês do ano, contando a partir de Nissan.

O Sefer HaYetzirá, atribuído a Avraham Avinu (Abraão), ensina que cada mês possui uma energia específica e um serviço divino que pode ser elevado. Shvat é o Tikkun Achilah — elevar o ato de comer.

Podemos compreender a forma correta de comer observando como um Tzadik come. A Torá ensina que um Tzadik come para satisfazer a alma, em oposição a comer apenas para satisfazer o corpo. O Baal Shem Tov ensina que, assim como o ser humano é composto de corpo e alma, todo objeto no universo também é composto de corpo e alma. E assim como o corpo necessita de alimento, nutrientes, fibras e água, a alma também necessita de alimento, nutrientes, fibras e água.

Como alimentamos a alma? Qual é o verdadeiro alimento da alma? É o alimento que o Tzadik consome. A Torá declara:

“Ve’Amech Kulam Tzadikim” — “E o teu povo, todos são justos.”

Uma vez que todos somos Tzadikim, também possuímos a capacidade de comer principalmente para sustentar nossas almas, além de nossos corpos.

Qual é o aspecto espiritual do alimento? Qual é o aspecto espiritual de qualquer coisa? É aquela parte que é mais facilmente identificável e conectável ao Divino. Em certo nível, cada aspecto do nosso ser pode, em última instância, se conectar a Hashem. No entanto, a alma, com todos os seus níveis, está particularmente próxima de Hashem e é, de fato, feita de matéria divina. Todo elemento criado, animado ou inanimado, deve conter necessariamente uma centelha de Elokut (Divindade) para poder existir.

Somente Hashem possui existência inerente; somente Hashem existe de forma independente. O restante do universo — incluindo os anjos, as sefirot e a energia de nossos pensamentos e emoções — é apenas uma construção física que representa o Ratzon Hashem (a Vontade de Hashem). Em certo nível, todos nós somos como fragmentos da imaginação de Hashem. A centelha de energia que concede existência a qualquer coisa é a sua alma, o filamento do Ratzon Hashem.

Existem elementos do mundo criado que estão mais próximos do ponto essencial de Hashem. A alma de um judeu é a entidade criada que está mais próxima e mais identificável com Hashem. Os objetos do mundo criado que nos é permitido consumir possuem uma frequência energética e espiritual que ressoa com a nossa. Ao incorporá-los corretamente, liberamos sua frequência e energia, transformando-os em parte do nosso ser.

Como ensinam nossos Sábios (Chazal), a cadeia alimentar trata de elevar o inanimado ao animado e, em seguida, transformá-lo no ser humano. Os minerais penetram na vegetação, que comemos diretamente, ou consumimos produtos de animais que foram nutridos pela vegetação. Por fim, a energia derivada desses alimentos pode ser elevada ao nível mais alto — o nível das mitzvot — que os conecta a Hashem.

Assim, comer pode ser visto como o processo pelo qual o mundo é transformado em Divindade. O veículo é o corpo de um judeu. O Tzadik, plenamente consciente da alma de cada partícula da matéria, incorpora em seu corpo os elementos que precisam ser elevados à Elokut. O Tzadik eleva a alma do alimento por meio do filtro de seu corpo. Comer é feito para satisfazer o elemento chamado alma — a própria alma e a alma do alimento.

O Baal Shem Tov revela que a centelha de kedushá (santidade) presente no alimento é liberada quando pronunciamos o Nome de Hashem na brachá rishoná (a bênção recitada antes de consumir o alimento). Pronunciar o Nome de forma lenta e meditativa ajuda a focar nosso ser na grandeza do que estamos prestes a realizar. Nas leis da física material, os opostos se atraem. Mas, no domínio da física espiritual, os semelhantes se atraem. O Nome de Hashem é o ponto de Elokut na bênção, e ele desperta o ponto de Elokut no alimento, liberando-o e permitindo que ele entre no corpo de um judeu e seja transformado em energia de mitzvá.

Nosso corpo é composto por diversas camadas. Temos o corpo físico, que observamos e sentimos. Depois, temos um corpo emocional e um corpo de luz, remanescentes do corpo original de Adam HaRishon. Os Sábios ensinam que o número de membros físicos que possuímos, 248, corresponde diretamente ao número de membros do nosso corpo espiritual ou da alma. Estes precisam ser nutridos, e isso é feito por meio da leitura cuidadosa das 248 palavras do Shema e do cumprimento consciente das 248 mitzvot positivas.

Assim como temos fragilidades em certas áreas da saúde física, temos áreas correspondentes de fragilidade na alma. Uma pessoa pode ser propensa a dores de cabeça, outra a resfriados e outra à ansiedade. Embora hoje ninguém saiba qual mitzvá ou qual palavra do Shema corresponde a cada enfermidade ou parte do corpo, a ideia dessa correspondência permanece válida e eficaz. As mitzvot nas quais somos mais fracos provavelmente são aquelas que viemos corrigir e fortalecer nesta vida.

Os alimentos pelos quais somos mais atraídos podem ser aqueles de que precisamos ou aqueles aos quais somos alérgicos. O corpo é curioso dessa forma. Também desenvolvemos alergias a alimentos consumidos em grandes quantidades. O corpo está simplesmente nos dizendo que já não necessita deles.

Existe uma teoria segundo a qual cada alimento ingerível, seja vegetal ou animal, possui um sistema básico de defesa contra predadores, na forma de uma sutil interferência química. A pessoa que consome grandes quantidades de um único alimento ingerirá essas substâncias naturais e, eventualmente, terá tanto delas no corpo que passará a rejeitar naturalmente aquele alimento.

O alimento que não é kasher possui uma alma espiritual em uma configuração que não pode ser elevada por meio do corpo de um judeu. Ele terá seu próprio tikun, separado e diferente. Nem todos os elementos do planeta possuem a mesma quantidade de alma. Somos chamados a trabalhar com aquilo que nos é dado e com aquilo para o qual somos atraídos. A Cabalá, a ciência dos paralelos e correspondências, ensina que cada alma judaica possui centelhas que lhe são específicas e familiares. Quando somos atraídos por algo ou alguém, provavelmente existe uma conexão espiritual natural. Às vezes, o teste consiste em verificar a total kashrut do objeto ou da pessoa.

Com frequência, somos atraídos a situações com o propósito de avaliá-las e rejeitá-las. Tudo isso se enquadra na categoria de Achilah. E o mês de Shvat é o momento mais oportuno para essa correção.

Cada mês possui um grupo de judeus que se identifica de forma mais intensa com ele. Cada tribo foi atribuída a um mês diferente. E, embora a tribo de Shvat seja Asher, o Bnei Yissachar ensina que a energia de Shvat ressoa de forma universal em cada judeu. A natureza e o mazal de Shvat são o mazal da Nação de Israel.

O primeiro pecado foi cometido por meio da comida e lançou o mundo em seu estado atual. Ao povo de Israel foi dada a tarefa de corrigir este mundo. Portanto, todos nós ressoamos com o mês de Shvat, o mês do Tikkun Achilah.


Signo Zodiacal

A configuração astrológica de Shvat é chamada d’li, o balde, que é baixado a um poço para retirar água. O Shem MiShmuel ensina que isso se refere à capacidade de cada judeu de se aprofundar em todos os aspectos da vida e da criação, buscando o seu ponto de Elokut. Também se refere à necessidade de buscar profundamente dentro de nós mesmos os pontos que precisam ser aperfeiçoados, e de buscar profundamente na Torá o método correto de correção.

O balde é totalmente submisso à água que carrega. Ele permite passivamente que seja baixado ao poço e depois elevado para trazer a água. Assim é a natureza de um judeu: ser um recipiente para canalizar as águas curativas da Torá, o Be’er Mayim Chayim. Nossa natureza permite a humildade como veículo para a elevação pessoal e a elevação cósmica.

As leituras da Torá em Shvat são retiradas do início do Sefer Shemot. O acróstico formado pelas primeiras letras dos nomes das seis primeiras parshiot de Sefer Shemot é ShOVeVIM. Tradicionalmente, essas são as semanas em que nos concentramos em corrigir relacionamentos, purificar-nos e elevar-nos. No hebraico moderno, shovav significa selvagem e incontrolável.

“Shuvu Banim Shovavim” — o Profeta suplica: “Retornai, filhos desviados.”

A forma correta de comer — e os resultados de uma digestão saudável e de uma nutrição adequada do corpo — começa com escolhas corretas e saudáveis. Da mesma forma, escolhas corretas são necessárias para relacionamentos corretos, santos e apropriados. O processo de digestão consiste em separar o que é útil do que não é. O corpo extrai os nutrientes, a alma extrai seus nutrientes, e o resíduo é eliminado. No corpo, o que não é necessário não permanece neutro; torna-se tóxico. Isso se assemelha à ideia de que tudo aquilo que não pode ser utilizado para Avodat Hashem e não pode ser elevado precisa ser eliminado.

Rebbe Nachman ensina que comer corretamente deve ser feito de forma lenta, controlada e não selvagem. Comer, não engolir. Mastigar, não devorar. Comer com consciência — estar atento ao que se faz e fazê-lo com alegria e gratidão. Ele promete que comer dessa forma clareia a mente da confusão. Rebbe Nachman atribui grande parte da névoa mental ao ato de comer apressadamente e sem tranquilidade. Não ser shovav ao comer permite clareza de pensamento.


Tu B’Shvat – A festividade

O Yom Tov de Tu B’Shvat é chamado Rosh HaShaná L’Ilan (o Ano Novo das Árvores) e nos lembra das árvores frutíferas. A Guemará revela um segredo da natureza: embora ainda estejamos no meio do inverno e as árvores aparentem estar adormecidas e estéreis, a atividade interna das árvores já começou.

Em Israel, a maior parte das chuvas já caiu, a seiva dentro das raízes começa a subir e a vida interior da árvore começa a pulsar.

Por mais que o mundo pareça escuro, improdutivo e à beira da destruição, ainda existe vitalidade dentro do Povo Judeu que começa a pulsar. Somos chamados por nossos mestres, guias e justos ocultos a abrir nossos corações agora mais do que nunca e clamar por vida.

“Ki HaAdam Eitz HaSadeh” — o ser humano é comparado às árvores do campo. Eles, e nós, estamos sendo julgados agora. Seremos autorizados a nos apegar à Eitz HaChayim, a Árvore da Vida, neste ano? Escolheremos corretamente entre a Árvore do Bem e do Mal?


O costume em Tu B’Shvat é comer diferentes frutas e consumir as sete espécies da Terra de Israel: trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras.


Perek Shirah (Cântico da Criação)

Perek Shirah é um texto antigo, atribuído a David HaMelech e Shlomô HaMelech. Como tal, é o único texto que possuímos escrito pelo par pai/filho do qual brotará o Mashiach. Ele cumpre a profecia messiânica de unir os corações dos pais aos corações dos filhos.

Perek Shirah nos apresenta os versículos associados a muitos elementos da criação. A lição do trigo — sua energia e força vital — é derivada de seu versículo:

“Shir HaMaalot, Mimamakim Keraticha Hashem” — Um cântico de ascensões; das profundezas, clamo a Ti, Hashem.

O versículo da cevada possui tom semelhante:

“Tefilá le’ani ki ya’atof, velifnei Hashem yishpoch sichô” — A oração de um pobre que desfalece de fraqueza, mas ainda assim derrama seu coração diante de Hashem.


Sabemos que um grão de trigo pode ser utilizado de duas maneiras: pode ser comido ou pode ser plantado.

Quando uma semente é plantada, ela acaba produzindo proporcionalmente muito mais do que ela mesma. Uma única semente pode gerar gerações incontáveis de frutos. Porém, para que a semente cresça, ela primeiro precisa perder sua identidade, decompor-se e, externamente, “morrer”. Ela perde toda forma reconhecível de vida. Somente então a verdadeira força vital interior é ativada e liberada.

Essa é a mensagem dos grãos primários, conforme ensinada no Perek Shirah. Quando um judeu se encontra nas profundezas do sofrimento e da morte, ele deve direcionar sua energia a Hashem, clamando, conectando-se, pedindo para enxergar a bênção oculta na dor e suplicando pela ressurreição dessa morte — Techiyat HaMeitim. A Guemará em Sanhedrin ensina que aprendemos o conceito de Techiyat HaMeitim a partir do trigo. E, segundo algumas opiniões, a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal era, na verdade, o grão de trigo.

Rebbe Nachman ensina que todo alimento consumido no Shabat é sagrado, e que o próprio ato de comer no Shabat também é sagrado. Comer durante a semana com o pensamento voltado para o Shabat também é sagrado. Um Tzadik vive cada dia da semana com a consciência do Shabat. Reb Shlomo costumava contar a história do judeu simples que dizia “LeKvod Shabat” todos os dias, em cada ação e para cada pessoa. Ele era carregador e, ao levar as compras das mulheres da cidade, dizia: “Certamente parte disso será para o Shabat”. Embora fosse motivo de chacota, quando um Tzadik visitante o viu, afastou-o e o treinou para se tornar um Tzadik Nistar (justo oculto).


Estrela do Mashiach

“Darach Kochav MiYaakov, Sheyvet MiYisrael” — A bênção e profecia de Bilam fala sobre uma estrela que surgirá de Yaakov e um cetro que emergirá de Israel. Isso se refere ao primeiro Mashiach, David, e ao seu descendente final, o Mashiach Ben David, que aguardamos.

O sheyvet (cetro) é especialmente desejado no mês de Shvat. O kochav (estrela) também está ligado aos cometas, que são mais visíveis em Shvat. A cauda do cometa representa o rastro deixado ao longo dos milênios pelo Mashiach em seu caminho até nós. Esses vestígios do Mashiach despertam nossos corações e mentes no mês de Shvat, aumentando o anseio do ponto de Tzadik dentro de cada um de nós para se conectar ao verdadeiro Tzadik, Mashiach Tzidkeinu.

O clima em Jerusalém tem sido ensolarado, ameno e agradável. Parece ser um padrão anual do mês de Shvat. O calor permitiu que as amendoeiras florescessem, algo muito apropriado para o Yom Tov de Tu B’Shvat. A natureza da amendoeira é florescer primeiro, trazendo seus frutos mais rapidamente do que outras árvores. O profeta Yirmiyahu viu uma amendoeira em visão, e Hashem lhe disse que cumpriria Sua palavra rapidamente, assim como a amendoeira produz seus frutos com rapidez.

Em hebraico e em aramaico, a palavra para amêndoa é luz. Essa mesma palavra refere-se ao osso ou às células do corpo de um judeu que não se decompõem após a morte. Os Sábios ensinam que o Luz será a fonte da Techiyat HaMeitim para o corpo. Rav Aryeh Kaplan sugere uma conexão entre o Luz, a partir do qual o corpo será reconstruído na época da Techiyat HaMeitim, e o processo de clonagem humana.

A prece de todo judeu — e provavelmente de grande parte da humanidade — é atravessar este período assustador sem a necessidade de recorrer à guerra. Vemos que não parece haver solução derech hateva, por meios naturais. Torna-se clara a necessidade de que o líder do mundo, o Mashiach Tzidkeinu, assuma sua posição, comece a ensinar, guiar, esclarecer e relembrar o mundo da verdade fundamental de Hashem.

Desejamos começar a retornar à vida, em todos os níveis. A Terra é capaz de absorver todos os seus filhos.

Halevai  (espero) — que sejamos abençoados a entrar no tempo revelado da liderança do Mashiach, quando o conhecimento de Hashem preencherá o mundo assim como as águas cobrem os oceanos.

 

 

Que este tempo de Tu Bishvat seja um momento de renovação, fortalecimento e esperança.

 

Que possamos seguir cultivando vida, luz e consciência, transformando cada ato em uma semente de bem.

Fonte: Redação Breslev Israel

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Renovação Constante – Bo

De que maneira a lua influencia o poder de renovação do ser humano?


Rabanit Jana Braja Seigelbaum


A primeira mitzvá da renovação

Na parashá desta semana, o povo judeu recebeu a primeira mitzvá:

“Hashem falou a Moshe e Aharon na terra do Egito, dizendo:

‘Este mês será para vocês o princípio dos meses; será o primeiro mês do ano para vocês’”

(Shemot 12:1–2).

 

Nada de novo sob o sol

A palavra hebraica para mês, “jódesh”, também significa “novo”.

Com essa primeira mitzvá de santificar a lua nova, nós nos renovamos como povo.

“Não há nada de novo sob o sol” (Kohelet 1:9) nos ensina que, no âmbito da natureza (sob o sol), a vida se repete dentro de sua órbita predestinada.

No entanto, por meio das mitzvot, podemos nos conectar com a realidade transcendental que está além do sol e da natureza.

O Sfat Emet explica que, ao cumprir mitzvot, nos conectamos com a fonte da vida, que é uma renovação constante.

Nossa capacidade de nos renovar por meio das mitzvot é o que nos torna judeus.

Ao receber a primeira mitzvá, nasceu a nação de Israel.

Nossos sábios ensinam:

“Um convertido que se converte é como um bebê recém-nascido” (Yevamot 62a).

Por isso, não é surpreendente que a primeira mitzvá que recebemos como nação judaica seja justamente a representação da renovação (jódesh).

 

Responsáveis pela natureza

É interessante que recebemos a mitzvá de santificar a lua nova — que estabelece que Israel está acima da natureza — justamente na terra do Egito, famosa por adorar a natureza.

Essa mitzvá interrompe o relato da praga dos primogênitos que trouxe a nossa redenção:

“…Será o primeiro mês do ano para vocês.”

A palavra “lajem” — “para vocês” — nos ensina que o povo judeu deve estar pessoalmente envolvido no processo de estabelecer o início de cada mês.

A data de Rosh Chôdesh (o primeiro dia do mês) era determinada pelo beit din (tribunal judaico), com base no testemunho de pessoas que haviam visto a lua nova.

Embora os sábios do grande beit din em Jerusalém conhecessem os cálculos astronômicos do calendário, para que essa mitzvá fosse verdadeiramente “deles”, a declaração do novo mês precisava ser verificada de forma subjetiva.

 

Contar a partir do mês da nossa redenção

Segundo o Rambán, cumprimos a mitzvá de recordar constantemente os grandes milagres do Êxodo ao enumerar o mês hebraico de Nisán, o mês da redenção, como o primeiro mês.

 

Renovação constante

O renascimento da lua nos chama constantemente a renascer a partir das noites de rotina e de desgaste espiritual.

Esse relógio Divino, entregue a Israel às vésperas da redenção, é internalizado por meio da experiência da feminilidade.

Por meio de nossos ciclos mensais, nós, mulheres, encarnamos a renovação da lua:

“Da minha própria carne verei Deus” (Iyov 19:26).

Através das mudanças em nosso corpo, sentimos que nada na vida é estático.

 

Ver luz na escuridão

A mitzvá de reconhecer a lua nova acontece na escuridão, após o pôr do sol.

Por isso, ela foi dada no Egito, um lugar de escuridão espiritual.

O momento da lua nova está ligado à capacidade de trazer luz para dentro de uma realidade escura.

Deus começou a moldar interiormente o Seu povo ao estabelecer a renovação da lua como um sinal que se repetiria ao longo do ano.

Assim, a experiência da auto-renovação ficou gravada em nossos corações.

A mitzvá de santificar a lua nova nos concede a capacidade de manter viva a esperança pela redenção futura.

A luz da liberdade que brilhou durante o Êxodo continua iluminando até hoje

e se renovará em grande intensidade no momento da nossa redenção final.


Fonte: Breslev Israel


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Conhecendo a Hashem

Todos dizemos que acreditamos. Mas será que realmente temos ideia do que estamos dizendo? Como sabemos que é assim? Depois de explorar diferentes abordagens espirituais como estudante universitário e de viver um estilo de vida completamente secular, descobri que o judaísmo e a emuná eram a melhor abordagem para viver uma vida de felicidade — e, graças a D’us, fiz essa mudança.

Eu mesmo já tive períodos na vida em que tive dinheiro e períodos em que mal conseguia comprar pão na mercearia. Já vivi épocas em que era muito popular e outras em que me senti profundamente só. O dinheiro vai e vem, mas o que me acompanhou em todas as fases de transição da minha vida foi saber que existe um D’us. Não importava a circunstância — boa ou ruim, rica ou pobre —, eu sabia no meu coração que Ele existe, embora não soubesse como me conectar a Ele. E o que diz o judaísmo observante da Torá sobre tudo isso?

O termo “Conhecer a Hashem – ladaat et Hashem” refere-se ao momento em que a pessoa examina sua própria vida, desde os eventos e circunstâncias da infância até a idade atual, e percebe que está repleta das “impressões digitais” do Criador. Concentramo-nos na Providência Divina dentro de nossas vidas pessoais e buscamos explicações baseadas na Emuná sobre por que as coisas aconteceram da maneira como aconteceram. Perguntamo-nos como esses eventos foram para o nosso bem, como foram projetados para nos aproximar de D’us e fazê-Lo mais apreciado por nós. Refletimos e tentamos dar sentido a tudo com uma predisposição de fé. O que D’us estava me dizendo todos esses anos? Para onde Ele estava me apontando? E, mais importante ainda: o que Ele está me dizendo agora? E para onde devo ir a partir daqui?

Quando decidimos construir nossa Emuná, concentramo-nos na Providência Divina e na intervenção de D’us em nossas vidas. Uma forma de fazer isso é dedicar uma hora por dia à oração pessoal e refletir sobre todos os acontecimentos diferentes que ocorreram em nossa vida e que nos trouxeram até onde estamos hoje.

Meu momento favorito para fazer isso é no Shabat, com uma xícara de café, logo cedo de manhã, na minha varanda em Jerusalém. Encontre um lugar onde você se sinta confortável e tente listar todos os eventos importantes que aconteceram nos últimos cinco anos. Qual é a mensagem que D’us está lhe enviando?

Quando olhamos através da lente da Emuná — de que tudo vem de D’us, que tudo é para o bem e foi planejado para nos aproximar d’Ele — começamos a perceber que D’us desempenha um papel central em nossas vidas. Isso nos permite fortalecer ainda mais essa conexão pessoal com D’us e avançar de forma produtiva. Esse mesmo princípio pode ser aplicado não apenas no nível individual, mas também no coletivo.

Por exemplo, vejamos o que acontece com a nação de Israel. Ao analisarmos a história, vemos que, desde os dias de Abraão até Moisés e depois os Profetas, quase todas as profecias se cumpriram — exceto a reconstrução do Terceiro Templo Sagrado. Isso é um sinal claro de que Hashem está atuando muito de perto com nosso povo e de que Ele é real.

Sabendo disso, cada pessoa — especialmente dentro do judaísmo — pode aproveitar seus talentos vivendo uma vida observante, mudando-se para Israel ou difundindo a Emuná. Assim, essa pessoa beneficia não apenas a si mesma, mas também ao mundo inteiro, impactando tanto a escala micro quanto a macro da elevação espiritual.

Tarefa para casa:

Faça uma lista de alguns dos eventos mais importantes que aconteceram com você nos últimos cinco anos e tente compreender, através dos olhos da Emuná, o que D’us tem tentado lhe dizer. Considere os princípios da Emuná: que tudo vem de D’us, que tudo é para o bem e que tudo foi projetado para aproximá-lo d’Ele. Reze pedindo clareza sobre o caminho a seguir. Esse será o seu exercício de “Conhecer a D’us”.

Escolha uma área da sua vida e estude o que a Torá diz sobre ela. Pode ser, por exemplo, a mitsvá da pureza familiar, a caridade ou a visita aos enfermos. Tente aplicar o que a Torá ensina sobre essas mitsvot.

Nossas bênçãos para que continue tendo sucesso.

A redação Breslev Israel

O Todo Poderoso

O Gaon de Vilna afirma que o maior anseio do mundo — maior do que qualquer outro — é o anseio da alma por cumprir a vontade de seu Criador. Pense em quantos desejos existem no mundo e nas coisas que as pessoas estão dispostas a fazer quando ardem de desejo; pense na quantidade de pessoas que revolucionaram todo o seu mundo para realizar um desejo ardente. Contudo, tudo isso é nada comparado ao anseio que a alma sente por cumprir a vontade de seu Criador. E esse anseio, por sua vez, é nada comparado ao anseio que o próprio Criador sente por ajudar a pessoa a se aproximar d’Ele — milhares de vezes mais intenso do que o desejo da própria pessoa.

Portanto, a primeira coisa que você deve fazer é visualizar claramente o quanto Hashem anseia salvá-lo e ajudá-lo a viver em conformidade com Sua vontade. Hashem deseja isso, independentemente de quem você seja e do que tenha feito — mesmo que seja a pessoa mais perversa e pecadora do mundo inteiro, alguém que até levou outros ao pecado.

Quem é que deseja e anseia ajudá-lo? É o Criador Infinito e Todo-Poderoso, o Senhor de todas as capacidades e de todos os poderes, a Quem ninguém pode frustrar nem questionar: “O que estás fazendo?”. Ele é Todo-Poderoso em todos os âmbitos, tanto físicos quanto espirituais. Ele desfaz todas as leis da natureza, físicas e espirituais.

Ele pode salvar qualquer pessoa e prover-lhe todas as condições necessárias para receber todo o bem que existe no mundo, tanto físico quanto espiritual. E foi justamente com esse propósito que Ele criou todo o universo.

No momento em que a vontade de Hashem se revela no mundo, toda a existência se anula; tudo se dissolve diante dessa vontade incrível de Hashem, que é o ápice de toda a Criação.

O conhecimento pleno desses dois pontos é chamado de “reconhecer a Hashem”. Essa é a perfeição da fé, pois a fé consiste em reconhecer a Hashem.

Não pense que Hashem é um Ser que nos impõe desafios e obstáculos, que nos coloca à prova com o objetivo de nos fazer tropeçar, Deus nos livre. Você deve alcançar esse reconhecimento e essa sensação profunda de que Hashem está apenas esperando para ajudá-lo e salvá-lo espiritualmente — imediatamente, agora mesmo.

Caro leitor: quando você se coloca diante de Hashem, lembre-se deste princípio tão importante, que é a essência do verdadeiro conhecimento. Visualize da forma mais palpável possível que você está diante de Hashem, que o ama, que está apenas esperando para salvá-lo espiritualmente, que lhe dá todos os mundos e todos os níveis espirituais, e que lhe diz: “Meu filho, neste exato momento, tome todo o bem do mundo...”.

Mas o que impede isso? O que está no caminho?

Se Hashem deseja tanto nos dar isso, e se Ele é Todo-Poderoso, o que impede que isso aconteça? O obstáculo é que não temos a capacidade de receber a bondade do Criador.

Por isso, uma vez que implementamos a primeira etapa do nosso trabalho — que é reconhecer o Criador com fé plena — devemos então assumir nossa tarefa.

Nosso trabalho consiste em nos preparar para, em seguida, receber a bondade do Criador e a salvação espiritual que Ele nos concede com tanto amor. E o trabalho de preparação é justamente o trabalho de desenvolver uma vontade plena!

Rabino Shalom Arush - Breslev Israel

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

As bases de um relacionamento perfeito – Vaera

Muitos judeus se perguntam o que é o judaísmo: um povo, uma religião ou apenas costumes ocasionais? O dicionário o define como uma religião monoteísta dos antigos hebreus, e, tragicamente, muitos aceitam essa definição como se refletisse toda a sua tradição.

Ao analisá-la, porém, fica claro que essa definição quase contradiz o judaísmo — seria como descrever uma maçã como uma fruta alaranjada. Na infância, eu tinha dificuldade em definir o que era o judaísmo; embora tivesse estudado em escolas judaicas, como muitos outros, nunca aprendi a refletir criticamente sobre minha identidade. Em alguns momentos, o judaísmo se reduzia, para mim, a rituais básicos. Se me perguntassem o que significava ser judeu, eu respondia com uma definição superficial, sem imaginar que a visão da Torá é tão profunda e transformadora que supera até mesmo os dicionários.

A parashá desta semana resume nossa tradição: antes de enviar Moshé para libertar Israel, HaShem lhe promete tirar o povo do Egito e levá-lo à terra que jurou a Abraão, Isaque e Jacó (Êxodo 6:2–8). Muitas pessoas acreditam que religião é sinônimo de fé cega. Mas, no judaísmo, não existe fé cega. A palavra hebraica emuná, frequentemente traduzida como “fé”, significa reconhecer que algo é verdadeiro e agir de acordo com essa verdade. Por exemplo, a maioria das pessoas “acredita” que a melhor maneira de perder peso é com alimentação saudável e exercício, pois isso já foi comprovado inúmeras vezes. Essa crença, no entanto, não é fé; é aceitar um fato. A emuná vai um passo além: quem realmente possui emuná nisso efetivamente muda sua alimentação e pratica exercícios.

Um contrato de casamento

O versículo citado assemelha-se mais a um contrato de casamento (ketubá) do que a um dogma religioso. Num casamento judaico, o noivo compromete-se a honrar, cuidar, sustentar e respeitar sua esposa com fidelidade. Nesse versículo, D'us — como “o noivo” — promete cuidar e sustentar o povo judeu, redimindo-o do Egito e conduzindo-o à Terra de Israel. Em troca do Seu amor e fidelidade, nós nos tornamos Seu povo.

Com isso, podemos começar a definir o que é o judaísmo. Não é um conjunto de regras empoeiradas que nos impedem de aproveitar o dia 25 de dezembro. É, e sempre foi, um relacionamento profundo — quase um matrimônio — entre o Criador e Seu povo.

O Rabino Shimshon Raphael Hirsch explica que o judaísmo é muito mais amplo do que a ideia secular de “religião”. Em outras religiões, D'us tem templos, sacerdotes e congregações, e as pessoas têm relações com reis, presidentes ou líderes. Mas, no judaísmo, D'us não fundou uma Igreja, mas sim uma Nação, e toda uma vida nacional deveria ser organizada em torno d’Ele. Nossa relação com D'us deve impregnar cada aspecto da vida, não apenas a oração de sexta-feira à noite.

Amar é dar

Como construímos esse relacionamento? O amor é um componente essencial de qualquer vínculo bem-sucedido. O Rabino Akiva Tatz explica que a palavra hebraica para amor, ahavá, é formada pelas letras alef, hei e vav. A raiz hei–vav significa “dar”, e a alef modifica esse significado. Assim, amor significa essencialmente “eu dou”. O amor não é apenas paixão romântica, mas entrega. Quanto mais damos, mais o amor cresce. Por isso os pais amam tão profundamente seus filhos: porque esse amor nasce da doação constante.

Quando compreendemos o judaísmo como um relacionamento, abrem-se possibilidades infinitas de crescimento, alegria e plenitude. Assim como um relacionamento profundo gera felicidade, quando o povo judeu investe em sua relação com D'us descobre um vínculo que traz um enorme senso de propósito. No entanto, muitos estão tão distantes dessa experiência que nem sequer conseguem imaginar o que estão perdendo.

Muitos jovens hoje sentem-se exaustos com o mundo dos encontros amorosos: cansados da superficialidade, buscam algo mais autêntico. O mesmo ocorre com a espiritualidade: muitos sentem-se fartos de uma vivência vazia do judaísmo. Talvez o problema não seja o judaísmo em si, mas o contexto em que o conheceram.

Criar um relacionamento verdadeiro

Assim como você não procuraria sua futura esposa num bar barulhento, também não é razoável esperar encontrar profundidade espiritual num ambiente desconectado. Para redescobrir o judaísmo, precisamos repensar nossas ideias e ver essa tradição como um relacionamento vivo, capaz de nos proporcionar uma alegria profunda e duradoura.

Todos, no fundo, buscamos o relacionamento perfeito. Como judeus, temos acesso a esse relacionamento em cada momento do dia. Ao aprendermos a valorizar nossa herança e trabalharmos para nos tornarmos pessoas mais sensíveis, íntegras e generosas, podemos nos aproximar do Criador e viver uma vida mais plena. Esse é, segundo a perspectiva da Torá, o propósito da vida — e o estudo judaico nos oferece as ferramentas para construir esse relacionamento perfeito.

A redação Breslev Israel

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

✨ A Doce Vida


Por que há mulheres que estão sempre de mau humor?

Muitas vezes a mulher não suporta o marido e nem sequer sabe por quê…


Rabino Shalom Arush


Essas semanas chamadas “Shovavim”, nas quais lemos as parashiót Shemot, Vaera, Bo, Beshalach, Yitrô e Mishpatim, são um período muito propício para aprimorar o aspecto da santidade pessoal.

Tudo o que diz respeito a evitar a promiscuidade, o adultério e outros aspectos ligados à santidade pessoal é chamado, na Cabalá, de “guardar o fundamento”, pois a santidade pessoal é o alicerce e a base para se ter uma boa vida — uma dolce vita — neste mundo e também no Mundo Vindouro.

Quando falamos em “boa vida”, não nos referimos a conforto material. Ainda assim, podem ter certeza de que, ao cuidar da santidade pessoal, a pessoa também atrai bênçãos materiais, como saúde e um bom sustento, entre muitos outros benefícios.

Aqui falamos de uma “boa vida” infinitamente superior a qualquer coisa que se possa imaginar, algo que não pode ser comprado nem com todo o dinheiro do mundo. Aqueles que são guardiões da santidade recebem um verdadeiro passe VIP para um mundo de prazer e iluminação espiritual sublime, muito além de qualquer prazer físico que o ser humano possa imaginar.

Todos nós valorizamos profundamente a virtude da lealdade. A lealdade começa no amor entre marido e mulher e se estende ao amor pelos filhos, pela família e por toda a nação.

Esse mesmo princípio de lealdade também se aplica à nossa relação com o Criador. Ele é o Único que nos sustenta e nos concede todas as bênçãos que temos na vida. O pacto sagrado — o brit, gravado na carne de todo homem judeu — é o nosso pacto de lealdade com o Criador.

Por isso falamos em “cuidar da santidade pessoal”: assim como um guarda fiel protege o rei, nós protegemos nosso pacto com o Rei dos Reis.

Somente quando o homem se eleva acima do desejo por outras mulheres ele pode começar a amar verdadeiramente sua esposa e desfrutar de uma felicidade matrimonial autêntica. Isso é exatamente o oposto do que ensina a sociedade moderna, e por isso o divórcio se tornou tão comum.

A santidade pessoal é um pré-requisito para o amor genuíno e duradouro, e não a atração sexual, como muitos pensam equivocadamente. Uma relação baseada no desejo do corpo é promiscuidade, não felicidade conjugal, e não produz nem filhos virtuosos nem paz no lar.

A luxúria é um dos principais fatores do aumento do divórcio. A esposa de um homem que não cuida de sua santidade pessoal sofre e frequentemente vive de mau humor. Conscientemente, ela nem entende por que não suporta o marido, mas pelo fato de ele não guardar o pacto, ela é conduzida do Alto a se opor a ele.

Quanto mais ele olha para outras mulheres e pensa nelas, menos ela coopera com ele. Mesmo que, conscientemente, ela tente ser a melhor esposa do mundo, não conseguirá enquanto ele permanecer imerso na promiscuidade.

Por causa da luxúria, o homem também não é capaz de amar verdadeiramente sua própria esposa. Ela sente essa falta de amor, e a relação se deteriora ainda mais. A chave do amor não é a luxúria dentro do relacionamento, mas sim atrair a Presença Divina para dentro dele.

O sucesso no casamento e a satisfação que os filhos proporcionam aos pais se baseiam em um único fundamento: o amor e a lealdade entre os membros do casal. Assim, o lar se transforma em um lugar de amor e alegria.

O verdadeiro amor não pode começar enquanto houver indulgência sexual, pois a indulgência e a promiscuidade são formas extremas de egoísmo. Amor é dar, não tomar.

A Torá relata que Isaac tomou Rebeca por esposa (Gênesis 24:67): “E ele a amou”. Isaac, que se ofereceu na Akeidá como sacrifício a HaShem, possuía um nível perfeito de santidade. Seu amor por Rebeca não tinha relação alguma com a luxúria. Assim é como todo homem deve amar sua esposa.

Nossos livros sagrados estão repletos de elogios àqueles que cuidam de sua santidade pessoal.

Que Deus os coroe com todas as bênçãos e com sucesso em seus empreendimentos.

Amém.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Moisés, o líder – Shemot

Moisés foi escolhido como líder não por sua força nem por sua posição, mas porque soube manter o coração aberto ao sofrimento de seu povo.

Grupo Breslev Israel

Moisés foi escolhido como líder não por sua força nem por sua posição, mas porque soube manter o coração aberto ao sofrimento de seu povo. Embora tenha crescido no palácio do faraó, nunca se desconectou da dor dos judeus escravizados. Saía para vê-los, interessava-se por sua situação e carregava interiormente a sua angústia. Essa capacidade de sentir o outro, de não se fechar em seu próprio bem-estar, foi a base de sua liderança.

Quando Hashem Se revela a ele na sarça ardente, não o faz em uma árvore grande e majestosa, mas em um arbusto pequeno, cheio de espinhos, que arde sem se consumir. Isso ensina que mesmo nos lugares mais baixos e dolorosos a Presença Divina pode se revelar, e que o povo judeu, ainda que atravesse fogo, perseguição e exílio, não é destruído. A sarça arde, mas não se queima; o povo sofre, mas não desaparece.

A filha do faraó estende o braço para retirar o bebê do Nilo, mesmo quando humanamente parecia impossível alcançar até ali. A Torá destaca esse gesto para nos ensinar que, quando uma pessoa faz tudo o que está ao seu alcance para ajudar o outro, Hashem amplia esse gesto para além de seus limites naturais. O esforço humano abre o canal para a ajuda Divina.

A grandeza de Moisés também está em sua humildade. Quando Hashem o chama, ele não se sente digno, não se apresenta como alguém importante, mas diz: “Quem sou eu para ir ao faraó?”. Justamente por isso foi escolhido: porque não agia a partir do ego, mas da responsabilidade. Não buscava honra nem poder, mas cumprir a vontade de Hashem e aliviar o sofrimento do povo.

O faraó tentou não apenas escravizar Israel fisicamente, mas também dividi-lo, pois sabia que, enquanto o povo estivesse unido, nenhuma opressão poderia destruí-lo. A divisão enfraquece por dentro aquilo que não pode ser destruído de fora. Por isso, a redenção sempre começa com a união, com o reencontro entre as pessoas, com o reconhecimento de que somos um só corpo.

O livro se chama Shemot — “Nomes” — porque cada pessoa, cada filho de Israel, contribui com uma força espiritual única. A sobrevivência do povo não foi apenas física, mas espiritual: a capacidade de manter a identidade, a alegria interior e a conexão com Hashem mesmo na escravidão. A tristeza profunda quebra o ser humano; a alegria, mesmo em meio à dificuldade, o sustenta e o aproxima da vida.

O tzadik é aquele que mantém essa chama interior acesa e a transmite aos outros. Não porque seja perfeito, mas porque lembra constantemente que Hashem está presente mesmo na escuridão. Enquanto essa consciência viva existir, nenhum exílio é definitivo e nenhuma queda é final.

No fundo, todo o processo da saída do Egito ensina que a verdadeira redenção não é apenas sair de uma terra, mas sair de um estado interior: do fechamento, do ego, do isolamento e da desesperança, em direção a uma vida de fé, humildade, sensibilidade e união. Quando uma pessoa se move nessa direção, ainda que lentamente, já está caminhando rumo à liberdade.


Fonte: Redação Breslev Israel - Tradução realizada por ChatGPT

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Shemot - Parashat

 Nossa Parashá nos conta sobre a descida do nosso povo ao Egito que começa com a descida de Yaakov e seus filhos


O Ari Zal nos conta que até a época de Yaakov nosso povo não pôde se formar devido ao nível espiritual em que nossas Almas se encontravam, como está escrito mais para frente: “tirar um povo de dentro de outro”.Ou seja, eles estavam em um nível espiritual tão baixo que são comparados ao povo de onde saíram


No Egito começou o conserto do nosso povo, começando pelos filhos de Yaakov e se estendendo à sua descendência


O povo de Israel ficou 210 anos no Egito, dentre eles 130 eram para o conserto das Almas Divinas que Adam a Rishon trouxe ao mundo nos 130 em que esteve separado de Havá e se relacionou nesse período com duas demônias .


Nessas relações ele trazia Almas Divinas de um nível muito alto chamado de “Daat”, e por não existir uma mulher material nessas relações, aquelas Almas Divinas se revestiam em corpos de demônios criados pelas próprias demônias com quem ele se relacionou


Posteriormente essas Almas Divinas nasceram como seres humanos, e se tornaram uma geração na qual por suas atrocidades causaram o dilúvio mas morreram felizes antes do dilúvio, e aqui na nossa Parashá esses grandes criminosos nascem como doces crianças judias no Egito e são jogados no Rio Nilo pelo decreto do faraó.


Dessa maneira essas Almas Divinas chegam ao seu conserto, e depois de 130 anos de exilio no Egito, anos que são relacionados à descida daquelas Almas da época em que Adam se separou de Havá, Moshe Rabeinu nasce, e quando é colocado no Rio Nilo o decreto do faraó termina, porque a retificação dessas Almas já terminou


Aquelas Almas também tinham passado por uma reencarnação aonde eles construíram a torre de Bavel, e por isso na nossa Parashá o faraó escraviza nosso povo para construir Pitom e Ramsés


A regra Divina é de que D’us faz acontecer as coisas boas do mundo por meio das pessoas boas e as coisas ruins por meio das pessoas ruins.


As coisas ruins pelas quais passamos purificam nossa Alma, mas isso não as transforma em coisas boas e nem a pessoa que a fez em pessoa boa, mesmo tendo causado para nós ocultamente um bem imensurável


Por isso o faraó foi escolhido lá de cima para nos fazer todos esses sofrimentos, sendo que ele ganhou lá em cima o “concurso Divino” de “pessoa ruim da geração”, incluindo o grande  “prêmio”, ou seja, o grande castigo que ele levou mais futuramente por ter nos causado todo aquele sofrimento.


Mas a Parashá termina com a promessa Divina da nossa Gueulá. Com a promessa Divina de que sairemos do Egito definitivamente.


Fonte: Rabino Gloiber

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Paz interior – Vaieji

O estudo da Torá refina a pessoa, ensinando-lhe a controlar suas tendências naturais e a expressá-las de forma construtiva. “Por que a Torá foi entregue ao povo judeu? Porque são audaciosos (e o estudo da Torá lhes incutirá humildade – Rashi)” (Beitzá 25b). A audácia é uma característica positiva, até mesmo necessária, quando utilizada corretamente. Os judeus são “um povo de dura cerviz” (Shemot 32:9). São o mais audacioso dentre os povos (Beitzá, ibid.). Devido a essa característica, uma vez que o judeu aceita uma missão sobre si mesmo ou resolve agir de determinada maneira, nada o fará desviar-se de sua decisão (Vilna Gaon, Mishlei 10:20). O tremendo poder dessa característica é evidente.

Foi justamente essa “rigidez de cerviz” que deu ao povo judeu, ao longo das gerações, a força para entregar a vida por sua religião. Mas os perigos dessa característica são igualmente claros. Se utilizada de forma equivocada, pode provocar terríveis calamidades. A Torá desenvolve o caráter da pessoa, ensinando-lhe a canalizar cada uma de suas características naturais para um comportamento construtivo.

A Guemará afirma: “A fonte de todos os males é o sangue; a fonte de todos os remédios é o vinho. Só em um lugar onde não há vinho se busca a medicina”. O sangue, explica o Gaon de Vilna (Kol Eliahu 230), representa o desejo ou a luxúria (Vaikrá 17:11). O vinho representa a Torá (Mishlei 9:5). A origem de todos os traços negativos é a luxúria. Porém, enquanto a pessoa estuda a Torá, não terá que se preocupar em perder o controle de seus desejos e buscar “medicina” espiritual. A Torá a guiará pelo caminho correto.

Paz com o semelhante

A Mishná nos ensina (Peá 1:1) que alguém “colhe os frutos” de certas boas ações neste mundo, enquanto a recompensa principal por essas ações será recebida no Mundo Vindouro: honrar os pais, realizar atos de bondade com o próximo e fazer a paz entre o homem e seu amigo. A Mishná conclui que o estudo da Torá é tão grandioso quanto todos esses atos combinados.

O Rambam explica a Mishná da seguinte forma: cada vez que uma pessoa realiza uma mitzvá que ajuda outra pessoa, sua recompensa é dupla. Ela não só receberá a recompensa pela mitzvá no Mundo Vindouro, mas também fará com que outros sigam seu exemplo, trazendo uma atmosfera geral de paz ao mundo. Esses são os “frutos” de seus esforços que colhe neste mundo. O estudo da Torá, contudo, é mais importante do que qualquer uma dessas mitzvot, pois é por meio do estudo da Torá que a pessoa aprende, em primeiro lugar, a forma correta de agir. E essa é a fonte de todas as relações interpessoais dignas.

Da mesma forma eficaz para alcançar a paz interpessoal é a aplicação das normas da Torá nos tribunais.

“O mundo sustenta-se sobre três pilares: sobre a justiça, sobre a verdade e sobre a paz” (Avot 1:18). “E os três são, na verdade, um só, pois se administra justiça, a verdade vem à luz e o resultado será a paz” (Yerushalmi Taanit 4:2).

Paz com o Criador

Hashem nos suplica: “Dei-lhes boas instruções; não abandonem a Minha Torá!” (Mishlei 4:2). Por meio do estudo da Torá, a pessoa cria um vínculo profundo com seu Criador. O Midrash discute a proibição de cortar pedras para o Mizbeach (Altar Sagrado) com ferramentas de ferro.

“Por que a Torá desqualificou o ferro para uso no Mizbeach, em vez de qualquer outro metal? Porque a espada é feita de ferro, e, portanto, o ferro é um símbolo de punição. O Mizbeach, por outro lado, é um símbolo de expiação. Mantemos o símbolo da punição afastado do símbolo da expiação…”

Quanto mais evidente é que aqueles que estudam a Torá e trazem expiação ao mundo não serão tocados por nenhuma força nociva; … quanto mais evidente é que aqueles que estudam a Torá e trazem paz ao mundo permanecerão “completos” diante de Hashem (Tosefta Bava Kama 7:2; ver também Jaguigá 27a).

A Torá nos traz paz, e é estudada da melhor forma quando reina a paz entre nós. Como diz o Midrash: “Quando o povo judeu (saiu da escravidão egípcia e) chegou ao monte Sinai, todos se uniram como um só povo… em perfeita harmonia. Hashem disse: ‘A Torá trata da paz; a quem devo entregá-la? À nação que ama a paz.’”

“Que Hashem dê força ao Seu povo e abençoe o Seu povo com paz” (Tehilim 29:11).

A redação Breslev Israel