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sexta-feira, 27 de março de 2026

Sobre a Parashá – Vaikrá


Será que Moshê sabia que D’us o amava? Estava Moshê consciente de que havia alcançado um nível de espiritualidade sem igual para qualquer outro ser humano?...

Rabino Abraham Twersky

Parashá Vaikrá

Será que Moshê sabia que D’us o amava? Estava Moshê consciente de que havia alcançado um nível de espiritualidade sem igual para qualquer outro ser humano?…

A Verdadeira Humildade

– “Vaikrá” – “E Ele chamou” (Levítico 1:1)

Quando as crianças pequenas começam a estudar Torá, tradicionalmente começam por esta porção. A primeira palavra deste livro da Torá, Vaikrá, é escrita com um Álef (א) minúsculo. As crianças tendem a associar o pequeno א com o seu próprio pequeno tamanho.

Mas por que o א é escrito minúsculo? Rashi diz que, sem o א, a palavra seria lida “Vaikar” (ויקר), o que significaria que a revelação Divina veio a Moshê de forma abrupta, sem preparação, assim como está dito da visão Divina que veio ao perverso Bilam (Números 23:4). Com o א, a palavra é “Vaikrá” (ויקרא), uma expressão de carinho, na qual D’us chamou Moshê e o convidou a entrar na Presença Divina com amor e dignidade.

Como Moshê escreveu a Torá conforme D’us a ditou para ele, ele se viu em um dilema com a palavra “Vaikrá”. Em sua profunda humildade, Moshê não desejava ostentar que D’us lhe havia concedido honra e distinção especiais. Moshê teria preferido omitir o א e deixar o povo ler “Vaikar”. No entanto, como não podia desobedecer à ordem Divina, fez um “meio-termo”: escreveu um א minúsculo, que talvez não chamasse tanta atenção.

Algumas pessoas pensam que humildade significa que alguém não deve estar consciente de suas próprias qualidades e capacidades. Gostariam que o homem sábio se considerasse estúpido, que o erudito se considerasse ignorante e que o músico consumado se considerasse surdo. No entanto, isso não seria humildade, mas autoengano.

Moshê sabia que D’us o amava? É claro que sabia. Estava Moshê consciente de que havia alcançado um nível de espiritualidade sem igual para qualquer outro ser humano? É claro que estava. Sabia ele que era o maior de todos os profetas de todos os tempos? É claro que sabia.

Mas esse conhecimento de si mesmo não tornou Moshê vaidoso ou arrogante. A Torá testemunha que Moshê era “o mais humilde de todos os homens sobre a face da Terra” (Números 12:3). Moshê estava disposto a entregar sua vida por cada indivíduo. Quando estourou a rebelião de Korach, o grande líder não ficou sentado em seu quartel-general ordenando que seus adversários fossem destruídos; ele foi pessoalmente até cada um deles, suplicando que encerrassem a rebelião e salvassem suas vidas. “Não é a Aarão e a mim que vocês estão desafiando, pois, afinal de contas, o que somos nós?”

Moshê nos ensinou o que é humildade. Ele conhecia sua própria grandeza, mas isso não lhe subiu à cabeça.

Assim, temos o pequeno א, que nos ensina que, mesmo quando a grandeza de alguém é evidente e inegável, não é necessário vangloriar-se dela. Nós nos referimos a Moshê como “Moshê Rabeinu”, nosso Mestre. Mas ele só pode ser nosso mestre se realmente aprendermos com ele.

– Extraído de “Viver Cada Dia”, do Rabino Abraham Twersky –

(Com a gentil autorização de Torá.org.ar)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Sucesso e Humildade – Vaikrá

 Como evitar que o sucesso suba à nossa cabeça? Aprenda como fazer com que as conquistas não inflarem o ego e, por outro lado, que os fracassos não o façam cair em um poço depressivo!

“E o Coên (Sacerdote) queimará tudo sobre o altar, um holocausto, uma oferenda de fogo, um aroma agradável a Deus” (Vayikra 1:9).
O sacrifício chamado “Olá”, ou holocausto, é tão importante que tem a honra de ser o primeiro sacrifício mencionado na parashá Vaikrá, do livro de Levítico. Portanto, devemos nos perguntar o que a Olá tem de especial e qual é sua mensagem subjacente para todas as gerações.

Rashi, em sua explicação desta passagem, explica que a Olá deve ser sacrificada completamente em nome de Deus, desprovida de qualquer motivo pessoal ou interesse ulterior. Nossos Sábios deduzem que o preceito da Torá de queimar “tudo sobre o altar” significa que o Coên não recebe nenhuma parte desse tipo de sacrifício para si mesmo, sendo necessário queimar toda a Olá no altar.

Rabi Nachman de Breslev explica (Likutei Moharan I: 4.7) que receber elogios pode ser muito perigoso, no sentido de que pode levar a pessoa à arrogância. No entanto, quando a pessoa se anula perante Deus a ponto de não ser nada, e atribui todos os seus êxitos à bênção de Deus e à ajuda Divina, nesse caso, os elogios não lhe causarão nenhum dano.

No caso da Olá, ou oferenda queimada, o preceito de Deus ao Coên é muito semelhante: dado que os membros do clã sacerdotal normalmente desfrutam de status, poder e riqueza, isso faz com que possam cair facilmente na arrogância. Por isso, a Torá lhes ordena realizar em primeiro lugar o sacrifício do holocausto, a Olá, que é queimada completamente sobre o altar.

Diferentemente de outros tipos de sacrifícios em que o Coên é recompensado com porções específicas da carne, no caso da Olá, o Coên não obtém nenhum ganho pessoal. Portanto, ele pode realizar esse tipo de sacrifício sem qualquer interesse próprio ou motivo ulterior, a não ser o de proporcionar satisfação a Deus. Por meio da Olá, o Coên obtém uma oportunidade única de deixar de lado seu ego e seus interesses pessoais e servir a Deus de forma altruísta. Em essência, o Coên deve se apresentar diante de Deus com um “barril limpo”, um recipiente espiritual desinteressado, capaz de conter a abundância espiritual da luz Divina de Deus.

Além disso, o Coên deve perceber que seu sucesso – seu privilégio de servir como sacerdote no Beit HaMikdash – não é em virtude de seus próprios talentos e aptidões, mas é um presente de Deus, que o trouxe ao mundo como membro do clã sacerdotal.

A mensagem subjacente da Olá para todos nós, em todas as gerações, é dupla: primeiro, que devemos cumprir todas as nossas mitzvot como holocaustos, sem interesses ulteriores. Em segundo lugar, devemos aceitar o sucesso com emuná, com fé, e anular completamente o nosso ego, como os restos da Olá que são queimados no altar, estando conscientes de que o sucesso provém de Deus. Dessa maneira, o sucesso é benéfico para a alma.

A emuná anda de mãos dadas com o bitul, ou seja, a anulação do ego. A pessoa com emuná completa atribui tudo a Deus, especialmente seus feitos. Quando tem sucesso, não se vangloria de seus próprios poderes e habilidades, pois sabe que seu êxito é resultado da bênção de Deus. E, da mesma forma, a pessoa com emuná não se desespera quando sofre um fracasso, pois sabe que, uma vez que fez todo o esforço possível, o fracasso e os reveses são a vontade de Deus. Consequentemente, o ego não sofre.

Assim, de acordo com o princípio mencionado anteriormente por Rabi Nachman, se atribuirmos nossos sucessos – ainda que minimamente – a nós mesmos, nos assemelhamos àqueles que colocariam o vinho do Rei em um barril impuro; dessa forma, o sucesso – o vinho do Rei – nos é prejudicial, pois o sucesso sem bitul, a anulação do ego, conduz à arrogância. Nesse caso, Deus costuma reter o sucesso – seu “vinho” especial – porque ainda não limpamos nossos barris de egoísmo. Deus não quer nos dar nada que nos prejudique, e certamente não deseja que sejamos arrogantes.

Quanto mais descartarmos o ego, mais Deus nos concederá sucesso, pois nos tornamos recipientes adequados para a luz Divina de Deus, a fonte espiritual de todo êxito.

Que Deus devolva o sacrifício diário da Olá ao reconstruído Beit HaMikdash, o Santo Templo de Jerusalém, para que todos possamos aprender a servi-Lo de forma altruísta e com dedicação, rapidamente e em nossos dias, amém.

terça-feira, 17 de março de 2026

A Caridade Previne Penalidades

Muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade suficiente...

Rabino Shalom Arush

Muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade suficiente…

A caridade previne penalidades

Aqui é o lugar apropriado para observar que muitas das multas e perdas econômicas que chegam ao homem provêm da sua falta de caridade.

Ensinaram os Sábios que o sustento do homem é determinado no começo do ano, e assim também suas privações e perdas. Se ele o merecer – dará à caridade o dinheiro que lhe foi decretado perder, e se não o merecer – o perderá por meio de multas, impostos, médicos, deteriorações etc. Em outras palavras, a caridade previne penalidades. O relato a seguir nos demonstrará isso:

Conta-se sobre um grande Sábio que teve um sonho no começo do ano, no qual lhe foi revelado que os filhos de sua irmã estavam destinados a perder, naquele ano, a quantia exata de setecentos dinares.

Que fez o Sábio? Durante todo o ano visitou seus sobrinhos várias e várias vezes e lhes pediu caridade com todo tipo de desculpas e argumentos, uma vez para esta causa e outra vez para outra, até que recolheu quase toda a quantia, exceto dezessete dinares que não conseguiu levar.

No anoitecer do último dia do ano, chegou à casa dos sobrinhos um cobrador do imperador, tendo em mãos uma ordem para lhes cobrar dezessete dinares. Depois que lhe deram o dinheiro e o cobrador foi embora, os sobrinhos do Sábio ficaram com medo de que a repartição de impostos tivesse posto os olhos sobre seu dinheiro e voltasse agora para arrecadar cada vez mais. Quando contaram sua aflição ao tio, ele os tranquilizou e lhes disse: “Não tenham medo! Os dezessete dinares que pagaram são suficientes, e não terão de pagar mais nada”.

“E como você sabe disso?”, perguntaram céticos os sobrinhos. “Acaso você tem contatos com os cobradores de impostos, ou é um profeta?” Respondeu-lhes o Sábio: “Não tenho nenhum contato com os cobradores de impostos do imperador, e não sou profeta nem filho de profeta. Mas contatos com o Encarregado Superior – o Criador do Universo – isso eu tenho. Já no começo do ano me foi mostrado exatamente quanto dinheiro vocês perderiam, e recolhi quase toda a quantia para caridade. Restaram apenas esses dezessete dinares que não consegui recolher, e os cobradores de impostos vieram completar o trabalho.

Devem saber bem que, se eu não tivesse recolhido de vocês o dinheiro para caridade, teriam sido obrigados a pagar todos os setecentos dinares, não para o bem e com muita dor pelo dinheiro que teria sido levado pelo fisco. Mas agora vocês tiveram o mérito de doar o dinheiro para objetivos importantes, e ganharam muito mais com os privilégios e a recompensa pela caridade que fizeram. É também muito provável que vocês enriqueçam, porque todo aquele que abre sua mão para fazer caridade é abençoado em tudo o que faz”.

Os sobrinhos lamentaram o grande esforço do tio e lhe disseram: “Querido tio! Por que não nos contou desde o princípio que assim havia sido decretado desde o Alto? Que pena que você se cansou, uma vez após outra, vindo nos convencer a fazer caridade. Você poderia ter nos advertido que nos foi decretado perder os setecentos dinares, e teríamos dado toda a quantia de uma só vez no começo do ano”.

“Eu quis que vocês conseguissem fazer caridade pela caridade em si, sem nenhum interesse pessoal e não para se salvarem de um Decreto Celestial”, respondeu-lhes o Sábio.

Os sobrinhos lhe agradeceram e, por ser assim e por aceitarem que a cada ano é decretado ao homem quanto ele perderá, a partir daquele momento passaram a buscar todas as possibilidades e oportunidades para fazer o máximo de caridade possível, compreendendo o grande poder desse elevado Preceito.

Vimos que muitas vezes o homem precisa pagar multas apenas para completar a quantia que lhe foi decretado perder naquele ano. Porque há uma contabilidade no Céu que se encarrega de que o homem perca toda a quantia que lhe foi decretada. Mas, se ele o merecer e se antecipar dando esse dinheiro em caridade, será salvo de toda pena sob a forma de pagamento de multas e, o mais importante, conseguirá cumprir o grande Preceito da caridade, que certamente o salvará de muitas dores e tribulações.

Expiação de pecados

Além daquilo que foi decretado ao homem perder, segundo o Tribunal Celestial, no começo do ano, há vezes em que lhe chegam perdas adicionais para expiar seus pecados. Também aqui ele tem uma alternativa: dar seu dinheiro em caridade por seu livre-arbítrio, com alegria, e merecer assim a expiação dos pecados e a recompensa pelo cumprimento do Preceito da caridade; ou então perder seu dinheiro contra a própria vontade, com aflição, e essa será a sua expiação.

Disso o homem deve aprender a não fechar sua mão à caridade. Pelo contrário, deve buscar meios e artifícios para doar grandes quantias em cada oportunidade, pois é muito provável que esse mesmo dinheiro que ele dá lhe tenha sido decretado perder. Em vez de perdê-lo em desordens, impostos, multas e aflições, alcançará o mérito de cumprir o grande Preceito de sustentar os servidores do Criador e os pobres, e de difundir a consciência da fé autêntica no Criador ao redor do mundo – mediante a divulgação de artigos, livros e CDs sobre esse tema – e seus pecados serão expiados.

Portanto, quando o homem comete uma infração de trânsito e é detido por um policial, deve imediatamente fazer o cálculo se não deu o dízimo de seu dinheiro naquele mês para caridade, ou se, em geral, não doa o suficiente, e então decidir doar uma grande quantia e declarar: “Eu me comprometo a dar tal e tal quantia para caridade”.

É uma grande ação comprometer-se a doar dinheiro para caridade. Mesmo que o homem não tenha sido julgado no Céu por falta de caridade e tenha sido detido por outro motivo, o mérito de se comprometer a fazê-lo inclina a Justiça do Tribunal Celestial em seu favor. O fato de ser declarado inocente pela Corte Divina se expressa neste mundo na forma de que tudo se transforma para o bem: o homem se salva de multas, de apresentar documentos, de processos e de outras condenações. Graças à caridade, toda situação pode ser transformada para o bem.

(Extraído do livro “No Jardim da Fé”, do Rabi Shalom Arush, Diretor das Instituições “Jut shel Jésed” – “Fio de Bondade”)

quarta-feira, 11 de março de 2026

A moeda de Iyov – Vaiakel

Uma fila de pessoas saía da porta do escritório do santo Baal Shem Tov. Muitos esperavam para pedir conselho e bênçãos ao santo tzadik...

Rabino Tzvi Meir Cohn

“Tomai dentre vós uma porção para Deus; todo aquele cujo coração o impulsionar, a trará” (Shemot 35:5)


Uma fila de pessoas saía da porta do escritório do santo Baal Shem Tov. Muitos esperavam para pedir conselho e bênçãos ao santo tzadik…

Um dos que esperavam era Reb Zissel, um homem simples, com pouquíssimos bens materiais neste mundo. Humildemente, ele pediu ao Baal Shem Tov uma bênção para não ter que viver na pobreza e depender da caridade dos outros.

O Baal Shem Tov escutou atentamente os pedidos de Reb Zissel. Depois de um longo silêncio, o Baal Shem Tov disse: “Eu gostaria de ajudá-lo, mas não está em meu poder fazê-lo. O Céu me impede de conceder tal bênção”.

Reb Zissel não se deixou dissuadir tão facilmente. “Por favor, Rabi”, exclamou. “Viajei de tão longe e esperei tanto tempo; não há nem sequer uma pequena bênção que o senhor possa me conceder?”.

O Baal Shem Tov sentou-se em silêncio por um momento, mas só conseguiu responder que não havia nada que pudesse fazer.

Então, de repente, o Baal Shem Tov se levantou, foi até sua estante e tirou um sefer (livro sagrado). Era o Talmud Baba Batra. Ele o abriu ao acaso, olhou atentamente para a página aberta e leu as seguintes palavras: “Aquele que tomar uma pruta (moeda) de Iyov (Jó) será abençoado”.

O Baal Shem Tov virou-se para Rabi Zissel, que permanecia em respeitoso silêncio ao lado da escrivaninha do tzadik. “Rabi Zissel, essas palavras contêm um profundo significado: Todo judeu sente um desejo instintivo de ajudar o seu próximo judeu. Esse desejo nasce da fonte de sua alma, que é uma parte absoluta de Deus. Assim como Deus criou este mundo físico por Sua bondade desinteressada, assim também cada alma judaica deseja conceder essa bondade aos outros. Esta declaração do Talmud nos ensina que o homem digno, que dispensa caridade e bondade aos outros, tem o poder de outorgar sua bênção de sucesso sobre a tzedaká (caridade) que dá, assim como sobre o recebedor que se beneficiará do presente. Agora, deixe-me pensar se conheço um homem assim…”.

Naquele momento, o Baal Shem Tov pensou em Rabi Shabtai Meir, um conhecido Baal Tzedaká (filantropo), que vivia na cidade de Brod. Rabi Shabtai não apenas dava generosas quantias de caridade aos necessitados, como o fazia com os mais sinceros sentimentos de “Ahavat Israel”, um verdadeiro amor por seu próximo judeu. E mais ainda, Rabi Shabtai rezava fervorosamente para que o Todo-Poderoso continuasse a abençoá-lo com riqueza apenas para que ele pudesse continuar a doar generosamente, e para que os recebedores de suas doações fossem, por sua vez, abençoados com riqueza e sucesso. A corte celestial viu a bondade de Rabi Shabtai e escutou suas sinceras preces, e de fato concedia todos os seus pedidos. Com o passar do tempo, Rabi Shabtai foi abençoado com uma riqueza cada vez maior, e aqueles que se beneficiaram de sua bondade também tiveram sucesso.

O Baal Shem Tov então disse a Rabi Zissel: “Há uma pessoa que pode ajudá-lo. Viaje até a cidade de Brod e procure Rabi Shabtai Meir. Ele tem o poder de ajudá-lo. Peça-lhe uma doação. O dinheiro que vem de sua mão é abençoado, e concede bênçãos a todos que o recebem”.

Rabi Zissel agradeceu ao Baal Shem Tov e viajou para Brod. Passou o Shabat com Rabi Shabtai e, quando o Shabat terminou, Rabi Zissel pediu insistentemente a Rabi Shabtai que lhe desse uma doação, que Rabi Shabtai lhe deu de bom grado e com um amplo sorriso. Pouco depois, Rabi Zissel partiu de Brod levando consigo a doação de Rabi Shabtai.

Logo, a situação de Reb Zissel começou a melhorar, e ele nunca mais precisou depender da caridade dos outros.

sexta-feira, 6 de março de 2026

O singular privilégio de nossa geração

Quando soam as sirenes e o judeu corre para se abrigar, não estamos simplesmente sobrevivendo à história: estamos participando dela.

David Ben Horin

Quando soam as sirenes e o judeu corre para se abrigar, não estamos simplesmente sobrevivendo à história: estamos participando dela. A fé nos ensina que até mesmo o medo pode se tornar serviço, e que até mesmo o sofrimento pode fazer parte da redenção.

A parashá que todos gostariam de pular

Quando chegamos à parashá Ki Tisá, nos preparamos para o pior. É a famosa história do Bezerro de Ouro, o desastre nacional ocorrido apenas semanas depois que o povo judeu recebeu a Torá. No entanto, como uma floresta após um incêndio, onde nova vida brota através do solo enegrecido, esta parashá esconde uma esperança extraordinária sob as cinzas.

Depois do pecado, Moshé suplica por misericórdia. A nação mereceria a destruição, e no entanto Hashem faz algo inesperado.

Ele diz: sigam em frente.

Pelo menos três vezes na parashá, Deus ordena ao povo judeu continuar sua missão e entrar na Terra de Israel. Ele promete expulsar as nações que ocupam Sua terra para que Seu povo possa habitar nela.

Para quem prefere uma linguagem moderna, isso gera desconforto.

As organizações de direitos humanos podem estremecer. Os juristas internacionais podem se incomodar. Em alguma sala de conferências da ONU ou do Tribunal Penal Internacional, alguém dirá: "Isso viola o direito internacional".

Deus não os consultou.

Segundo a Torá, o Criador do céu e da terra tem a autoridade de atribuir a terra a quem Ele decidir. O Ramban (Nahmanides) escreve que estabelecer-se na Terra de Israel é um mandamento permanente para o povo judeu, não um acidente histórico passageiro.

A história confirma algo extraordinário.

Depois de quase dois mil anos de exílio, o povo judeu recuperou sua soberania em 1948, algo que os historiadores alguma vez consideraram praticamente impossível. Nenhuma outra nação na história registrada manteve sua identidade e recuperou sua soberania depois de um exílio tão prolongado.

A aliança de Hashem conosco é mais forte que os impérios, seja Babilônia, Roma, Pérsia ou Davos.

A longa sombra do Bezerro de Ouro

A parashá também nos ensina algo sóbrio.

A Gemará no Sinédrio afirma que nenhum castigo chega sobre Israel sem conter alguma medida de expiação pelo pecado do Bezerro de Ouro.

Aquele momento não desapareceu no passado. Continua ressoando.

Os culpados daquela geração foram punidos diretamente. Alguns foram executados depois de terem sido advertidos, outros morreram em uma praga, e o resto da história judaica herdou o trabalho espiritual de reparar aquele fracasso.

Cada geração judaica participa da reparação daquele momento.

Até mesmo as sirenes

Agora vamos falar de algo muito atual.

As sirenes.

Um míssil balístico capaz de destruir um prédio não é um sofrimento teórico. Quando soa o alarme e as famílias têm entre 60 e 90 segundos para chegar ao abrigo, a teologia se torna muito prática.

Você pega seus filhos. Corre.

Todo o país prende a respiração ao mesmo tempo.

Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), o sistema de defesa Iron Dome intercepta aproximadamente 90% dos foguetes que representam uma ameaça (dados do Ministério da Defesa de Israel). Esse número é extraordinário, mas também significa que os 10% restantes nos lembram quão frágil é a vida.

Um dos estranhos presentes do perigo é que ele elimina as desculpas.

Quando as sirenes soam em todo Israel, seis milhões de judeus não podem apontar o dedo e dizer: "É problema deles".

Todos correm juntos.

Religiosos. Seculares. Idosos. Jovens.

De repente, toda a nação se converte em uma única família trêmula.

O Rambam (Maimônides) escreve que quando o sofrimento chega a uma comunidade, os judeus devem examinar suas ações e melhorar. O objetivo não é a culpa; o objetivo é o crescimento.

Sentar-se à longa mesa da história

Imagine o dia em que chegar o Mashiach.

Imagine uma grande mesa onde se sentam juntos os heróis da história judaica. O Rei David fala de quando fugia de Avshalom. Rabi Akiva relata a perseguição romana. Rabi Nachman descreve as provas de sua vida.

E alguém perguntará sobre nossa geração.

O que suportamos nós para expiar o pecado do Bezerro de Ouro?

Falaremos sobre as sirenes.

Contaremos como corríamos com nossos filhos para os abrigos enquanto sussurrávamos Tehilim. Recordaremos a estranha mistura de medo e fé quando os mísseis explodiam sobre nossas cabeças e, no entanto, a vida continuava na manhã seguinte.

Nossas histórias também terão um lugar naquela mesa.

O que dizem os céticos

Alguns leitores objetarão toda essa estrutura de pensamento.

Dirão que o sofrimento simplesmente deveria ser evitado, não abraçado com significado espiritual. Argumentarão que as pessoas modernas deveriam abandonar as antigas explicações teológicas.

Considere isto:

Os seres humanos sempre dão significado ao sofrimento. Se não é a fé, será a política, a psicologia ou a ideologia.

A tradição judaica oferece algo distinto.

Propósito.

Em vez de ver a história como algo aleatório, nos vemos participando em uma história que se estende desde o Sinai até a redenção futura.

A honra de Israel

Viver hoje em Israel é uma das maiores honras da história judaica.

Sim, há ameaças. Sim, há inimigos. Sim, às vezes há mísseis.

Mas também estamos testemunhando como a profecia se desdobra em tempo real.

O profeta Ezequiel descreveu o povo judeu retornando à sua terra depois do exílio. Durante séculos, isso soava poético.

Hoje é geografia.

Mais de sete milhões de judeus vivem agora em Israel, a maior população judaica do mundo (Escritório Central de Estatísticas de Israel, 2024). Depois de dois mil anos de exílio, o centro da vida judaica voltou para a terra prometida na Torá.

A história foi reaberta.

E nós temos assentos na primeira fila.

Então, na próxima vez que soar a sirene, respire.

Corra para o abrigo. Proteja sua família. Faça tudo o que um ser humano responsável deve fazer.

Mas lembre-se de algo mais profundo.

Você não está simplesmente se escondendo de um míssil.

Você está ombro a ombro com gerações de judeus que levaram a aliança através de erros, exílio, sofrimento, arrependimento, expiação e redenção.

Você é parte da longa reparação que começou com o Bezerro de Ouro.

Você está ajudando a preparar o mundo para o Mashiach.

E se esse momento chegar enquanto as sirenes uivam e o Iron Dome ilumina o céu, olharemos para cima — não com medo, mas com gratidão.

Porque mesmo em meio ao caos dos mísseis, o povo judeu continua avançando.

Tal como Hashem nos disse para fazer em Ki Tisá.

Agradecemos a Hashem a honra de servir às gerações de nossos antepassados e às gerações de nossos filhos, expiando nosso pior momento para abrir o caminho para nossa hora maior.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Tetzavé – Purificar o “Eu”

Nossa verdadeira arma é cuidarmos da forma de falar; isso implica purificar nosso “eu”, o ser interno…
Daniel Domb

Nossa verdadeira arma é cuidarmos da forma de falar; isso implica purificar nosso “eu”, o ser interno…

Vestuários sagrados

O rei David expressou: “Quem é o homem que deseja a vida, que quer muitos dias para ver o bem? Guarda a tua língua do mal e os teus lábios de falarem engano! Afasta-te do mal e faz o bem, busca a verdade e persegue-a!” (Salmos 34:13-14).

O versículo em si utiliza uma expressão não tão feliz: “para ver o bem”; o vocábulo correto seria: “para fazer o bem”. Encerrada nessas palavras, não pronunciadas ao acaso, guarda-se uma intenção profunda: o piedoso rei David nos ensina a verdadeira e autêntica forma de nos conduzirmos em nossa vida: ver cada ato do nosso próximo de forma benevolente. Todos possuímos defeitos; o importante é minimizá-los e enaltecer suas virtudes.

O conceito de Lashón HaRá aparece em nossa Parashá, mais exatamente quanto à forma de expiar tal pecado:

“E estas são as vestes que farás: um peitoral e um efod, um manto e uma túnica, um turbante e um cinto… para Aharón e seus filhos, para que exerçam o sacerdócio diante de Mim…” (Êxodo 28:4).

O Talmud, no tratado Erchin (folio 16a), afirma: “assim como os Korbanot – os sacrifícios – servem para purificar a pessoa de seus erros, assim também as roupas dos sacerdotes cumprem essa mesma função”; e por isso estas Parashiot finais do livro de Êxodo, que tratam da construção e do uso do Santuário, dos utensílios do recinto sagrado e das vestes dos sacerdotes, estão relacionadas com o livro de Vaikrá, o livro do serviço no Tabernáculo – seu paralelismo se dá em consonância com sua finalidade.

“E farás o efod de ouro, fio azul-celeste, púrpura e carmesim…” (Êxodo 28:6).

O Efod possui uma propriedade excelsa: perdoar os pecados referentes à idolatria e, como explica o Kli Yakar: “Sua localização, sobre o coração, ressalta a dependência sentimental para poder concretizar esse perdão, e insinua que os pecados, especificamente em idolatria, dependem da intenção”; a ação é o passo final. A pessoa pode cometer idolatria com o pensamento, com o coração, e esse fato acaba sendo mais difícil de reparar, pois é um sentimento às vezes latente, mas que permanece por toda a vida. Quem oferece sacrifícios sem intenção, por pressão, tem seu arrependimento aceito imediatamente. A ação passa; o que perdura e se projeta para o futuro é unicamente o fato intelectual; assim, o mau pensamento provoca um afastamento do Criador maior do que a própria ação.

“E farás o peitoral do juízo ao estilo do efod, de ouro, fio azul-celeste, púrpura e carmesim…” (Êxodo 28:15).

Tanto o Chóshen como o Efod possuem a mesma essência: sua propriedade de perdoar. O Chóshen absolve os erros dos juízes, e se equipara a perdoar o pecado da idolatria, já que tais erros são produtos do coração, pois: “Os pensamentos dos justos são retidão” (Provérbios 12:5); o sentimento se concretiza como se fosse uma ação. Assim como diz o Talmud, no tratado Sanhedrin (folio 76): “Um juiz indigno é comparado àquele que planta uma árvore a que se faz idolatria”.

“E farás o manto do efod, o Meíl, todo de cor azul-celeste…” (Êxodo 28:31).

O Meíl influencia as esferas celestes apagando pela raiz o pecado de lashón hará e, como explica o Talmud, no tratado Zevachim (folio 88b): “O azul (do Tzitzit) assemelha-se ao tom do mar, e o tom do mar ao da cor do céu, e este, à cor do Trono Celestial”. E essa comparação serve para compreender a essência do Meíl: as cores não são iguais, e sim parecidas; por isso a necessidade dessa enumeração quase interminável. O azul do mar não está próximo da “tonalidade” do Trono Celestial; tudo requer uma comparação, um trabalho intelectual, pessoal, mas, ainda assim, seu tom é “celeste”! E também, assim como o Efod e o Chóshen, a purificação com o Meíl atua no plano do pensamento. Lashón hará incide mesmo sem pronunciar palavras; essa ideia está sintetizada na barra da túnica.

“E farás, na orla inferior, romãs de cor azul-celeste, púrpura e carmesim, com campainhas de ouro no meio delas, ao redor; uma campainha de ouro e uma romã, uma campainha e uma romã…” (Êxodo 28:33-34).

Deixando de lado a posição desses componentes, Rashi explica, em sua forma mais simples: “um ao lado do outro”. Já o Ramban entende: “um dentro do outro, a campainha por fora e a romã por dentro”. E desta última tese extrai-se um ensinamento sublime: dentro do silêncio da romã existe o pecado de lashón hará e seu perdão. Dentro do silêncio imutável habita o pensamento, tão tremendo quanto a campainha, que constitui o lashón hará sem disfarces. Ambos podem “coabitar”, como se depreende da forma proposta pelo Ramban, ou “andar de mãos dadas”, como induz Rashi. Mas ambas as posturas expressam que as campainhas e as romãs estão dispostas num mesmo plano. A romã, ainda que se oculte dentro da campainha, é igualmente “culpada”; o som das campainhas (como afirma o Ramban) é um alerta para ambos os tipos de lashón hará.

“E um cinto farás…” (Êxodo 28:39).

Também o Avnet, o cinto, perdoa os pensamentos do coração; suas trinta e duas amot de comprimento (aproximadamente 18 metros) equivalem numericamente ao termo “Lev”, coração, “ajustando-o” e permitindo seu perdão. É o cinto que separa o coração dos desejos corporais localizados na parte inferior do corpo humano.

“E farás uma lâmina de ouro puro e gravarás nela: ‘SANTIDADE AO ETERNO’…” (Êxodo 28:36).

O uso do Tzitz provoca o perdão, por parte do Todo-Poderoso, das faltas cometidas em relação aos pecados de relações proibidas conhecidas por todos; enquanto os Mijnasáim, as calças de linho, como indica o versículo: “Far-lhes-ás calções de linho…” (Êxodo 28:42), servem para perdoar as relações proibidas não divulgadas.

“E tecerás um turbante de linho fino…” (Êxodo 28:39).

Sua finalidade é absolver o descaramento, tão perigoso, equiparável inclusive às relações proibidas. Essa relação foi expressa pelo Talmud, no tratado Sotá (folio 4b), ao dizer: “Toda pessoa que se comporta com soberba e de forma desavergonhada, no fim, nesse estado, tropeçará com a mulher do seu próximo”.

Por último, a Ketonet, a túnica de linho, como expressa o versículo: “Tu bordarás uma túnica de linho…” (Êxodo 28:39), que absolve a perversão provocada pelo derramamento de sangue.

O Talmud, no tratado Sanhedrin (folio 83b), expressa: “O versículo diz: ‘e serão sacerdotes por estatuto eterno’ (Êxodo 29:9), em todo momento em que estiverem vestidos com suas roupas sacerdotais; caso contrário, não estarão cumprindo seu ofício”; pois, como diz o versículo: “o sacerdote, que se veste esplendidamente…” (Isaías 61:10).

O Meíl, que perdoa o pecado de lashón hará, é a verdadeira “solução”. Hoje, por nossas transgressões, não possuímos o Santuário onde deveria repousar a Presença Divina, o local que permite que todos os pecados sejam perdoados. A presença desse recinto possibilitava apreciar Sua magnificência e, indiretamente, fazia com que os pecados fossem mais difíceis de se concretizar… Quem ousaria desobedecer às ordens Divinas? Percebia-se que o Criador estava ali. Se nossos antepassados tropeçaram em algum erro, é porque o instinto do mal era mais “forte” naquela época. Eles possuíam o Santuário que os “ajudava” a combater o instinto do mal; ali, ao apreciar os milagres que aconteciam em Jerusalém graças ao Santuário, como consta no tratado Pirkei Avot (5:5), e ainda assim… tropeçaram.

O rabino Yechezkel Levinstein expressa sobre essa situação de constante milagre vivida em Jerusalém: “Esses dez milagres eram os ‘conhecidos por todos’, os que se projetavam do interior do recinto sagrado para o exterior; mas uma infinidade de acontecimentos que escapavam ao parâmetro do natural ocorria ali, apenas que tais eventos eram conhecidos pelos Cohanim – os sacerdotes. Com esses dez milagres a pessoa podia reconhecer a existência do Criador e que Ele está acima da natureza”. Hoje, acreditando que “isso não vai acontecer comigo”, pois “sou invulnerável”, sem o Santuário, sem a fragrância da Presença Divina, que possibilidades temos? Como conseguimos nos autoenganar! Como conseguimos nos consolar!

Nossa verdadeira arma é cuidarmos da forma de falar; isso implica purificar nosso “eu”, o ser interno, provocando, a curto ou a longo prazo, uma mudança na pessoa – e essa transformação acabava afetando até seu exterior, pois a fisionomia da pessoa é o reflexo de seus sentimentos. Como expressou o rei Shlomó (Salomão): “O coração do sábio instrui a sua boca e acrescenta saber aos seus lábios” (Provérbios 16:23); e assim chegar à perfeição, como foi dito sobre o rabino Moshé Leib de Sasov: “Ele teve uma grande sorte de a Torá ter proibido falar lashón hará (calúnia), pois se ela tivesse ordenado falar mal do próximo, ainda que fosse verdade, ele nunca teria sido capaz de fazê-lo – e assim transgrediria um mandamento Divino”.

Chegar a ser “um companheiro querido e respeitado”, como expressa o Pirkei Avot (6:6), por suas virtudes, onde predomine o cuidado com nossos modos e expressões, constitui uma tarefa louvável de nossa parte, para que nossas palavras sejam “palavras agradáveis, como um favo de mel, doces para a alma e saudáveis para os ossos” (Provérbios 16:24). E sentirmos, como expressa o profeta: “Com grande alegria me regozijarei no Senhor; a minha alma se alegrará nEle, pois me vestiu com vestes de salvação, cobriu-me com um manto de justiça; como o noivo que se adorna com o turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com suas joias” (Isaías 61:10). “Vestuários e joias de santidade”; “Vestuários e joias de pureza”.

(Gentileza de www.Torá.org.ar)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Leis Práticas de Purim

Milhares de pessoas em todo o mundo já celebram Purim desta maneira, e todos dizem que não se compara com nada mais que conheçam.

Grupo Breslev Israel

Bom dia: O momento da leitura da Meguilá é um momento elevadíssimo do ponto de vista espiritual, um momento em que a alma desperta de seu letargo e todas as forças espirituais são ativadas, enchendo-nos de luz. Além disso, as neshamot (almas) de Mordejai e Ester despertam e se revelam, exatamente como quando estavam vivos, e se revelam a cada judeu para salvá-lo de todos os seus inimigos e problemas e para estar ao seu lado, ajudando-o a receber a kedushá (santidade) deste dia e aproveitá-lo ao máximo.

Os chassidim de Breslev de gerações anteriores descreviam a leitura da Meguilá como algo semelhante à tefilá de Neilá em Yom Kipur, derramando rios de lágrimas de emoção e anseio. Não há lugar para a leviandade, e muito menos para condutas indevidas que envolvam transgressões graves. É necessário estudar as halachot da leitura da Meguilá e ouvir cada palavra com concentração. O ideal é ouvir a Meguilá em um local onde haja talmidei chachamim (eruditos na Torá) que guiem a congregação no caminho reto do temor a Hashem.

Deve-se rezar com intensidade tanto à noite quanto na manhã seguinte, pedindo ouvir toda a Meguilá sem perder uma única palavra, despertar de nosso letargo e receber a imensa luz de Mordejai e Ester.

Boa noite: A noite de Purim não é um momento para festas nem banquetes. Não há nenhuma mitzvá de embriagar-se à noite. De fato, todas as mitzvot de Purim são cumpridas durante o dia; beber à noite é uma armadilha do Yetzer Hará, pura e simplesmente. Até mesmo nas yeshivot, vejo com grande dor que muitos se divertem a noite toda, perdendo assim o dia inteiro, chegando atrasados à tefilá, sem conseguir se concentrar e adormecendo durante a leitura da Meguilá.

Os tzadikim enfatizam que em Purim deve-se rezar com o nascer do sol. Portanto, é recomendável preparar o mishloach manot e os matanot la-evionim (presentes para os pobres) antecipadamente e entregá-los imediatamente após a reza da manhã, após a leitura da Meguilá, cumprindo assim estas mitzvot o mais cedo possível.

O que se faz à noite, então? Cada ano lembramos que esta noite é o melhor momento para rezar. Pois em Purim, "A todo aquele que estende a mão, é dado". Basta apenas pedir! Por esta única vez, ninguém "verifica" se você merece que suas preces sejam atendidas ou não. Simplesmente reza, pede, e seu pedido é concedido.

Durante o dia costuma não haver tempo, e é por isso que esta noite é tão valiosa e é preciso aproveitar o momento. Imediatamente após a leitura da Meguilá, convém que você vá dormir cedo para recarregar energias, e depois acorde à meia-noite para continuar rezando até a manhã. Todo aquele que puder permanecer acordado a noite toda sem que isso afete o cumprimento das mitzvot diurnas, tanto melhor, e será duplamente abençoado.

Não tenho intenção de convencê-lo, apenas peço que faça o teste e veja que funciona. Escolha alguma salvação de que necessite, reze por ela com grande intensidade durante uma ou duas horas, e verá os frutos ainda este ano. Então entenderá por si mesmo o quão importante é aproveitar esta noite sagrada como corresponde.

Claro, você encontrará tempo para rezar por todas as demais coisas em sua vida, especialmente por seu crescimento espiritual. E o mais importante é rezar por todo o povo judeu, que sempre e, em especial, agora, precisa de tantas salvações, ou melhor dito, de uma grande salvação: ¡a Geulá completa com compaixão!

Qual é o seu pedido? Será concedido.

Após a reza de Shajarit, aproveite cada minuto. Se precisar descansar um pouco, descanse, mas aproveite estas preciosas horas até a seudá (banquete festivo) para estudar Torá, que é a melhor forma de receber toda a luz do dia. "Os judeus tiveram luz" – "e a luz é a Torá". Em Purim, o povo judeu aceitou a Torá por amor, e é inconcebível que em um dia tão sagrado e elevado, negligenciemos nosso estudo da Torá.

Até Minchá – nada de beber.

Quando chega a hora de Minchá Guedolá, é momento de rezar com grande concentração. Imediatamente após, faz-se netilat yadaim para a seudá. Recomenda-se comer na companhia de amigos que compreendam a santidade deste dia, para que não arruínem este momento sagrado de comer e beber. Claro, a comida deve ser kosher lemehadrin e deve-se proceder com tzniut (recato e a adequada separação entre homens e mulheres).

Na seudá bebe-se apenas vinho, e nada mais. A bebida deve ser tomada com moderação e, sobretudo, com muitas tefilot. Durante anos temos difundido a tefilá de leshem yichud que redigimos para recitar antes de cada taça de vinho. Não beba nem uma gota sem rezar.

Beba de acordo com sua capacidade, assegurando-se de não transgredir nenhuma halachá nem esquecer-se do Birkat Hamazón (bênção após a comida), das tefilot de Kabalat Shabat e Arvit.

Na seudá, a maior avodá é simplesmente estar alegre e dançar o máximo possível.

Cantar e louvar a Hashem sem cessar. As famosas palavras: "Com danças e palmas se adoçam os julgamentos" – foram ditas originalmente com relação a Purim. A cada passo e a cada palma, você está mitigando os julgamentos rigorosos, ou seja, está trazendo sobre si e sobre todo o povo judeu mais salvações, santidade, pureza e alegria de vida – e sobre nossos inimigos materiais e sobre nosso grande inimigo, o Yetzer Hará, mais quedas e derrotas.

Se você veio a este mundo apenas para ouvir o que é Purim e como se celebra um Purim verdadeiro, ¡já só com isso valeu a pena!

Milhares de pessoas em todo o mundo já celebram Purim desta maneira, e todos dizem que não se compara com nada mais que conheçam. Clame a Hashem todos os dias – homens e mulheres de todas as idades: "Salve-me da klipá (casca de impureza) de Haman Amalek e conceda-me a santidade de Mordejai e Ester e a verdadeira kedushá de Purim". Faça petições pessoais sobre todos os pontos mencionados neste artigo.

¡E que todos vocês, junto com todo o povo judeu, tenham um Purim verdadeiramente alegre e um ano cheio de alegrias e salvações! ¡Amén!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A Primeira Arrecadação de Fundos – Trumá

A diferença é a forma como as pessoas reagem às suas transgressões da Torá hoje em dia, que é com muito menos sentido de remorso do que na época de Moshé Rabeinu.

Rabino Pinchas Winston

Hashem falou a Moshé dizendo: "Fala aos filhos de Israel e toma para Mim uma Oferta Elevada…" (Shemot 25:1)

Na parashá desta semana, Trumá, lemos sobre a primeira campanha oficial de arrecadação de fundos para a construção judaica. Ela acabou sendo um grande sucesso. De fato, Moshé teve que dizer ao povo judeu que parasse de contribuir, quando as contribuições para criar os vasos para o Mishkan superaram as expectativas.

A resposta para esta anomalia na história judaica encontra-se num comentário posterior de Rashi, em Parashat Ki Tisa:

"Não há uma ordem cronológica [absoluta] na Torá: o bezerro de ouro ocorreu muitos dias antes do mandamento de construir o Mishkan… [embora apareça em ordem inversa na Torá]" (Shemot 31:18).

Porque, como diz o Talmud, quando se trata do povo judeu, Hashem prepara a "cura" antes da "doença". Neste caso, significa que o Mishkan já existia, pelo menos conceitualmente, antes do pecado do bezerro de ouro, de modo tal que o povo judeu tivesse antecipadamente algo com que expiar seu terrível pecado.

Esta é uma grande técnica de arrecadação de fundos. Em vez de se limitar a arrecadar fundos das pessoas ricas, busque todos aqueles que tenham uma consciência culpada, gente que queira expiar algum pecado. Se funcionou nos tempos de Moshé, por que não funcionaria hoje?

A resposta é (muito provavelmente não), NÃO porque tais pessoas sejam difíceis de encontrar; mesmo as pessoas justas, disse Shlomo HaMelej, pecam pelo menos de vez em quando. A diferença é a forma como as pessoas reagem às suas transgressões da Torá hoje em dia, que é com muito menos sentido de remorso do que na época de Moshé Rabeinu.

Mas, claro! Como podemos comparar nossa época com a de Moshé? Para qualquer um que vivesse nos dias de Moshé e do Mishkan, durante os dias do maná e do milagroso poço de água (para não mencionar as Nuvens de Glória), seria impossível NÃO sentir remorso após pecar. Hashem estava bem ali! Não havia lugar para se esconder, então era melhor admitir do que fingir que nada de mau havia acontecido.

No entanto, hoje em dia, apesar de sabermos que Hashem está lá, ainda, há uma sensação – uma sensação equivocada – de que os erros não são escrutinados na mesma medida em que eram escrutinados no deserto. Não nos cai do céu nenhum raio na cabeça quando fazemos algo errado. Além disso, ao contrário do que ocorria com o maná, o pão aparece na mesma prateleira do supermercado para as pessoas que pecam quanto para as que não pecam.

Se tivéssemos que construir um Mishkan hoje em dia, haveria um excedente de presentes da parte de corações que buscam o Perdão Divino por vidas menos que espiritualmente perfeitas? Quando as pessoas dão tzedaká hoje em dia, para quem se faz o favor, para quem dá ou para quem recebe? Tipicamente, assumimos que é para o recebedor, que parece muito menos afortunado do que nós.

No entanto, aplicando os princípios bem conhecidos (e aceitos) de que a "cura" precede a "doença" e de que nada ocorre por acaso, talvez seja o doador quem realmente se beneficia mais da transação. Porque o conceito de "shidujim" não só se aplica a candidatos a maridos e esposas, mas também se aplica aos amigos, aos sócios comerciais e a qualquer situação em que se reúnam duas ou mais pessoas, ou sempre que nos encontramos com uma situação particular que "por acaso" se cruza em nosso caminho.

Ou seja, não é que caia um raio do céu cada vez (nem mesmo uma vez!) que vamos contra os valores da Torá, mas sempre que nos for pedido que nos desfaçamos de algo precioso — como o dinheiro, por exemplo, embora não seja em prol de uma mitzvá —, talvez seja o momento de nos perguntarmos – porque talvez Hashem esteja nos dando um respiro antecipado; talvez estejamos recebendo o remédio antecipado da doença, por assim dizer.

Tudo na vida é um teste projetado para ajudar-nos a amadurecer espiritualmente. Nossa responsabilidade consiste em tentar não nos distanciarmos da situação, não reagir como se não tivesse nada a ver conosco. Às vezes, pode ser que você não seja capaz de dar o que lhe é pedido, mas isso não significa que você não possa demonstrar interesse.

Nunca se sabe quando essa pessoa que você tem à frente, ou essa causa que está sobre a mesa diante de você, é um "remédio" espiritual para uma futura "doença", uma expiação que certamente precisará em um momento futuro. Pode ser que AGORA não pareça, mas será no futuro, em um momento em que pouco poderá fazer para retificar a situação.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A Conversa Semanal – Mishpatím

No início, a conexão é difícil de entender. O que tem a ver jogar a carne Taréf para um cachorro com a pessoa que fofoca? Os dois parecem ser totalmente desconexos...

Em uma porção repleta de ordens e leis que detalham centenas dos mais diversos aspectos da vida judaica, nossos sábios analisaram detalhadamente as justaposições dessas leis, elucidando ainda mais sabedoria e orientação moral nas santas palavras da Torá. Assim explicaram a muito interessante justaposição de dois preceitos que são totalmente diferentes. Um versículo nos fala sobre as leis de um animal Taréf (não permitido – não Kasher): "Um povo santo sereis para Mim; não comereis carne de um animal que morreu no campo; aos cães a lançareis" (Êxodo 22:30).

O próximo versículo nos adverte sobre dar testemunhos falsos: "não aceites um testemunho falso, não estendas a mão ao mau para seres uma testemunha falsa" (Êxodo 23:1).

Os dois versículos parecem estar bastante desconexos. Mas o Talmude no tratado de Pesachim, página 118 cita Rav Sheshet em nome do Rabi Elazar ben Azariá que conecta os dois versículos: "Quem fala ou aceita a fofoca (Lashón HaRá) é digno de ser jogado aos cães, pois o versículo '...aos cães a lançareis...' e imediatamente depois a Torá diz '...não aceites um testemunho falso...'"

No início a conexão é difícil de entender. O que tem a ver que se deve jogar a carne Taréf a um cachorro com a pessoa que fofoca? Os dois parecem ser totalmente desconexos. Segundo o comentário do Mechilta, a carne dada aos cães é uma recompensa por seu comportamento na noite do êxodo do Egito. Naquela noite, apesar dos gritos dos egípcios pela morte dos primogênitos, os cães estavam tranquilos. "Contra nenhum filho de Israel os cães afiarão sua língua, nem contra o judeu ou seu animal, para que saibam que Hashem terá diferenciado entre Egito e Israel" (Êxodo 11:7). Portanto eles são recompensados com a carne da qual um judeu deve abster-se de comer.

Como sua recompensa por não terem atacado é uma lição para aprendermos a não falar fofocas? Li recentemente sobre um homem que passava suas férias em uma das ilhas do Caribe. O homem queria um quarto para ele mesmo e para seu cachorro, e portanto perguntou se o estabelecimento, um hotel em Kingston, Jamaica, permitiria o animal. Algumas semanas depois, o homem recebeu a resposta: "Prezado Senhor: Estive no negócio hoteleiro por quarenta anos e nunca tive que expulsar um cachorro desordeiro, nunca tive um caso de um cachorro que queime um colchão enquanto fuma. Nunca também tive um cachorro que roube uma toalha ou que vá embora sem ter pago sua hospedagem. Nunca tive como hóspede um cachorro bêbado. Seu cachorro é bem-vindo em nosso hotel. Saudações atenciosamente".

O Chafetz Chaim explica que o Talmude faz uma comparação surpreendentemente profunda. A razão pela qual os cães foram recompensados foi porque sua natureza é de latir e atacar quando seus donos são atacados ou quando ocorre uma tragédia. Apesar de seu instinto, eles foram contra sua natureza e se contiveram. Eles seguiram a ordem do Todo-Poderoso e se mantiveram calmos.

A Torá recompensou essa atitude com nossa carne Taréf que devemos cuidar para não comer.

Mas quando os seres humanos, que supostamente devem controlar seus desejos e a língua, perdem o controle, não há melhor método de aprender a como melhorar essa falha do que através do exemplo dos mesmos animais que dominaram seu instinto em momentos de extrema dificuldade.

Quão apropriado é que os dois versículos, o que recompensa os cães por controlar seu instinto, se justaponha com aquele que adverte a seus donos mortais a cuidar da língua, pois infelizmente perdemos perspectiva com muita frequência.

Somos os donos de nossos animais, ¡mas quanto mais devemos ser os donos de nossos próprios desejos!

Redação Breslev Israel

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Parashá Yitrô

A que se refere Hashem quando diz que sejamos um reino de sacerdotes? Como podemos ser todos Kohanim se a grande maioria de nós não é descendente de Kohanim, conforme exige a Lei Judaica?

Hashem não está dizendo que todos devemos pertencer à tribo sacerdotal, mas que adotemos e internalizemos uma característica própria dos Kohanim.

Permitam-me explicar:

Nachmanides (Rabi Moshe ben Nachman, também conhecido como Ramban) escreve, na introdução ao seu comentário do Livro de Deuteronômio — o quinto e último livro do Pentateuco —, que, embora Deuteronômio reitere todas as leis já enumeradas nos quatro livros anteriores, não menciona os sacrifícios rituais nem as funções dos Kohanim, os sacerdotes do Templo Sagrado.

Por quê? Nachmanides explica que os Kohanim são ágeis e velozes: cumprem imediatamente o que lhes é ordenado, da melhor forma possível. Não é necessário repetir-lhes as leis e os preceitos.

Já o restante da nação judaica, diferentemente dos Kohanim, por vezes demonstra preguiça ou esquecimento, necessitando ouvir determinações duas, até três vezes... E não só isso: muitas vezes requer advertências firmes e repreensões para começar a agir.

Nachmanides louva a agilidade dos Kohanim em seu serviço a Hashem. É justamente esse traço que Hashem deseja que todos nós adotemos: servir a Hashem com agilidade e presteza.

O que torna uma pessoa ágil? O que lhe confere velocidade e prontidão?

A resposta clássica seria “ir à academia”, mas isso não é nem verdadeiro nem prático.

Todos desejam ser ágeis, ativos, magros e jovens, mas poucos conseguem. Por quê? Ninguém consegue ser ágil — nem mental, nem fisicamente, nem espiritualmente — sem estar profundamente motivado.

E o que nos motiva? A resposta é: a vontade, o desejo, o amor genuíno — quando almejamos algo mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Lembra-se de como você se arrumava com esmero antes do noivado com seu/sua namorado(a), quando seu maior sonho era casar-se com aquela pessoa por quem se apaixonara perdidamente?

Ninguém precisava tirá-lo(a) da cama pela manhã. Ninguém tinha de lembrá-lo(a) de tomar banho, arrumar-se ou vestir-se bem. Ai! Quanto você amava aquela pessoa!

Converse com um atleta campeão: para ele, é irrelevante quem é presidente da China ou o que políticos postam no Facebook.

Não lhe interessam filmes, bares ou shoppings.

Para ele, o único que importa é o próximo campeonato. É o primeiro a chegar à academia de manhã e o último a sair à noite.

Cumpre cada instrução do treinador à risca e imediatamente.

Nunca interrompe sua dieta específica de treinamento.

Olha para Coca-Cola, pizza e batatas fritas como se fossem veneno de cascavel.

Busca o melhor para sua saúde física e mental, custe o que custar.

Mesmo adorando sorvete e bolo de chocolate com creme, nem se aproxima deles.

Para ele, perder a partida não é sequer uma opção.

O que torna o campeão tão ágil?

O fato de estar profundamente motivado e dedicar-se de todo o coração à sua missão.

B'chol levavcha — com todo o seu coração. A oração do Shemá Israel nos ordena amar Hashem com todo o nosso coração: sermos não apenas uma nação de sacerdotes, mas uma nação de campeões, cumprindo a Torá com fervorosa motivação.

E por onde começamos?

Começamos agradecendo a Hashem por todas as bênçãos que nos concedeu, sem jamais dar algo como certo.

Então, correremos com alegria para cumprir Sua vontade.

Essa é a sensação mais maravilhosa do mundo — e verá: cada um dos seus sonhos começará a se realizar. Garantido!

Fonte: Breslev.com

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Acredito em Deus, mas não na religião? O que pensar?

 "Acredito em Deus, mas não na religião." Se isso soa familiar para você, não está sozinho – e não, não está perdido.


"Quando deixei a religião organizada, não perdi minha fé. Por fim tive espaço para respirar." – Estudante Noaísmo (Ben Noach)


Está acontecendo um movimento Ben Noach (onde 'ch' teria som de rr gutural ou Noaísmo) global, silencioso mas constante. Pessoas de todas as origens estão se conectando com verdades eternas e vivendo-as com clareza e propósito.


A conversa com um rabino que não saiu como esperado

Há pouco tempo me sentei diante de um rabino, pronto para me explicar.


– Olha – comecei –, acredito em Deus. Rezo. Sinto que há uma força superior. Mas religião? Não, obrigado. Carga demais, regras demais e muita gente me dizendo o que pensar.


Ele não discutiu. Apenas acenou com a cabeça.


E então disse algo que me surpreendeu:


– Acreditar em Deus mas não na religião não significa que você está fora do caminho. Pode significar que agora está entrando nele.


Foi aí que ele me falou de algo antigo... e surpreendentemente libertador.


O caminho espiritual que você não sabia que tinha permissão para percorrer

Se alguma vez você disse coisas como:


– "Sou espiritual, mas não religioso."

– "Deixei a religião... e agora?"

– "Acredito em Deus, mas não quero pertencer a nada."


...então o que você sente não é confusão. Talvez seja um chamado.


Na sabedoria judaica existe um conceito chamado o Pacto Noaísmo (Ben Noach): uma relação espiritual direta entre você e Deus, sem necessidade de conversão, sem rituais criados pelo homem e sem rótulos religiosos.


Não é uma nova religião. Não é uma seita. Não é um clube com mensalidades. É simplesmente isto:


Um caminho moral universal baseado em sete princípios fundamentais, destinado a toda a humanidade – arraigado na verdade divina, mas livre de dogmas.


E como se parece, na prática, uma vida Noaísmo (Ben Noach)? É surpreendentemente simples e concreta. Você não precisa de um templo, uma denominação ou mesmo um grupo. Você precisa de:


Acreditar em um único Deus

Querer viver de forma ética

Desejar crescer espiritualmente, do seu jeito e no seu ritmo

A partir daí, as Sete Leis de Noé dão estrutura – não para controlar você, mas para libertá-lo do caos moral e da confusão do mundo atual.


"Quando deixei a religião organizada, não perdi minha fé. Por fim tive espaço para respirar" – Estudante Noaísmo (Ben Noach) contemporâneo

As pessoas estão se afastando... e buscando algo real

Sejamos sinceros: a religião organizada falhou com muitas pessoas. Uma pesquisa recente do Pew Research Center mostra que quase 30% dos adultos hoje se define como "espiritual mas não religioso".


Eles não estão rejeitando Deus – estão rejeitando a confusão criada pelo homem, os abusos institucionais e sistemas rígidos que não falam à alma.


O caminho Noaísmo (Ben Noach) oferece algo diferente: um lar espiritual sem a política da religião.


Uma conexão direta com Deus – sem intermediários

O rabino me disse de forma tão simples:


– Você não precisa se converter para estar perto de Deus. Só precisa caminhar em Seus caminhos.


Isso ficou gravado em mim. E é por isso que compartilho com você.


Existe um movimento Noaísmo (Ben Noach) global que está crescendo em silêncio – pessoas de todo o mundo se conectando com verdades eternas e vivendo-as com clareza e sentido.


Dê o primeiro passo

Se isso ressoa com você, este pode ser seu próximo passo suave: comece nosso curso gratuito As 7 Leis de Noé para Iniciantes.


Você aprenderá o que são as Leis de Noé, como elas se aplicam à sua vida e como percorrer este caminho com confiança – sem se converter nem mudar sua identidade.


Pensamento final: você não está perdido – está chegando cedo

Se você se afastou da religião mas ainda acredita em Deus... talvez não tenha saído do caminho. Talvez esteja apenas entrando naquele que sempre foi para você.


"O caminho do justo entre as nações não é se tornar outra pessoa. É se tornar plenamente si mesmo, em alinhamento com o Criador." – Rabino Moshe Perets, Noahide Academy

Você não precisa de um rótulo. Não precisa de um edifício. Só precisa da disposição de caminhar.


A redação Breslev Israel

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Estamos aqui para ficar

Há duas maneiras de nos afirmarmos na terra que HaShem nos deu: fazendo aliá e

povoando-a de fronteira a fronteira, e plantando árvores onde quer que vamos.

Durante os últimos 3.800 anos — desde que Yaakov e sua família desceram ao Egito —

nossos antepassados plantaram árvores.

O povo de Israel havia provado menos de dois meses de liberdade quando recebeu a Torá

no Monte Sinai. Ali foi-lhe ordenado construir o Mishkán, o Tabernáculo sagrado que

serviria como Templo móvel até que o rei Shlomó edificasse o Templo em Jerusalém. O

Mishkán exigia uma longa lista de materiais: ouro, prata, pedras preciosas, tinturas e peles

de animais. Tudo isso eles possuíam a partir dos despojos do Egito, de seus rebanhos ou

do ambiente ao redor. Mas o Mishkán também necessitava de uma grande quantidade

de madeira, especificamente vigas de acácia. De onde tiraram árvores de acácia maduras

em pleno deserto?

O Midrash nos conta que nosso patriarca Yaakov, com seu espírito profético, previu que seus descendentes precisariam de madeira de

acácia ao saírem do Egito. Por isso, plantou mudas de acácia no deserto quando descia em direção ao Egito. Até hoje podem ser vistas

no deserto do Sinai acácias de uma beleza impressionante.

Outro Midrash relata que foram nossos antepassados no Egito que plantaram as acácias e que levaram as vigas de acácia consigo

quando foram libertados da escravidão.

É possível que ambas as versões sejam verdadeiras. Em todo caso, nosso povo tem sido agricultor e plantador de árvores por milhares

de anos.

Como você definiria uma vida doce? Imagine uma vida sem problemas, sem inimigos nas fronteiras, com saúde e sustento garantidos.

Como descreveria uma vida assim?

Nossos profetas respondem a essa pergunta em vários lugares:

“Judá e Israel viviam em segurança, cada um debaixo de sua videira e de sua figueira, desde Dan até Beer Sheva, durante todos os dias

de Shlomó” (I Reis 5:5).

Essa passagem nos ensina duas lições fundamentais. A primeira: as árvores — e especialmente as frutíferas — representam paz,

segurança e bem-estar; a dolce vita, a vida boa. Nossos sábios ensinam que, na época do rei Shlomó, as pessoas eram tão ricas que nem

sequer se abaixavam para apanhar uma moeda de prata do chão. A videira e a figueira aludem à abundância, a uma realidade em que

ninguém se preocupa com sua próxima refeição, pois sempre há o suficiente.

A segunda lição é que todos em Judá e Israel possuíam árvores: “desde Dan”, no extremo norte, “até Beer Sheva”, no sul. O rei David

nos ensina que as árvores frutíferas simbolizam a abundância divina quando diz:

“Tua esposa é como uma videira frutífera” e “teus filhos como brotos de oliveira”

(Salmos 128:3).

Portanto, as árvores simbolizam paz, segurança, riqueza, fertilidade e descendência.

Em hebraico, quando se deseja verdadeira saúde a alguém, abençoa-se dizendo que

seja “forte como um cedro”. As árvores também representam saúde.

Com todas as bênçãos que trazem, é fácil entender por que temos todos os anos um

Ano Novo das Árvores, Tu Bishvat.

Muitas pessoas em Israel que possuem um pequeno pátio o transformam em um

bustán, um pequeno pomar de árvores frutíferas. Plantam as árvores mencionadas

na Torá e, em particular, as espécies da Terra de Israel: uvas, tâmaras, romãs, figos e

oliveiras.

Considera-seque um jardim assim atrai bênção divina. Além de ser um prazer e um

espaço de beleza, o pomar é uma declaração clara:“estamos aqui para ficar”.

Assim como as árvores aprofundam suas raízes na terra, nós também o fazemos. E,

especialmente na Terra de Israel, cada árvore que plantamos transmite uma mensagem

inequívoca: ficamos aqui, aconteça o que acontecer e digam o que disserem.

Com tudo isso em mente, podemos compreender plenamente por que a Torá compara

o ser humano a uma árvore do campo e por que é proibido arrancar ou cortar uma

árvore frutífera. Há duas maneiras de nos afirmarmos na terra queHaShem nos deu:

povoá-la de norte a sul e de leste a oeste, e plantar árvores onde quer que vamos.

Feliz TuBishvat!

Que sejas tão frutífero quanto a videira e desfrutes da longevidade da oliveira. Amén.


Equipe do Breslev Israel

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O grito silencioso – Beshalaj

Devemos aprender a clamar diante de Hashem na oração pessoal, sem que ninguém mais nos escute.

Rabino Lazer Brody

 

 “Por que clamas a Mim?” (Shemot 14:15)

 

O significado aparente do parágrafo anterior é que Hashem está dizendo a Moshé (Moisés) que este não é um momento de oração, mas de ação e dedicação. Ou seja, é o momento de se lançar ao mar.

Em um nível mais profundo, Hashem está ensinando mais uma lição a Moshé e aos filhos de Israel. É como se Hashem estivesse dizendo: “Não é necessário clamar quando os outros estão te ouvindo — basta um grito silencioso vindo do mais profundo do teu coração”.

Devemos aprender a clamar diante de Hashem na oração pessoal, sem que ninguém mais nos escute. Quando o grito silencioso não contém vaidade — é apenas para Hashem. Essas orações sobem imediatamente e evitam a obstrução das forças do mal. Se durante a hitbodedut, no campo, uma pessoa grita como um animal selvagem e outros escutam sua voz, cria-se, Deus nos livre, uma profanação do Nome de Hashem, e essa oração acaba indo para as kelipot, as forças do mal.

O Rebe Nachman de Breslev explica (Sijot HaRan 16):

“É possível gritar forte com uma voz pequena e silenciosa, sem que ninguém ouça, porque não se emite som algum, mas apenas se grita silenciosamente com essa pequena voz silenciosa. Qualquer pessoa pode fazer isso. Basta imaginar o som de um grito na mente. Representa o grito na imaginação exatamente como se fosse um som. Continue assim até que, literalmente, você esteja gritando com essa pequena voz silenciosa. Isso é, de fato, um grito, e não apenas imaginação. É possível ficar em um local cheio de pessoas, gritando dessa maneira, sem que ninguém escute”.

O grito silencioso é uma arma poderosa de oração, que permite à pessoa clamar diante de Hashem mesmo em uma estação de metrô, em um ônibus ou em um trem lotado. Por meio do grito silencioso, é possível aproveitar o tempo aparentemente perdido para falar com Hashem e expressar as emoções mais profundas. A beleza do grito silencioso é que ninguém pode ouvi-lo, exceto Hashem.

Quando uma pessoa está rezando em público e todos rezam em voz alta, nesse caso, rezar em voz alta não apenas é recomendado, como é apropriado. Porém, quando a pessoa se encontra em uma sessão de hitbodedut, levantar a voz expõe as orações aos “caçadores”, isto é, às forças do mal que fazem de tudo para impedir que as preces da pessoa ascendam ao Trono Celestial. A oração pessoal é especialmente poderosa, como nos ensina o Rebe Nachman, pois as forças do mal têm dificuldade em obstruir aquilo que não é rotineiro. No entanto, no momento em que a pessoa grita, a oração perde sua força.

O grito silencioso é, muitas vezes, a chave mestra para que a pessoa alcance a salvação. Que todos saibamos aproveitá-lo. Amém!


Redação Breslev Israel

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Shvat – O mês do crescimento espiritual

O mês de Shvat é o décimo primeiro mês do calendário hebraico e está conectado ao signo astrológico de Aquário. Shvat tem como foco o Tikkun Achilah (a correção do ato de comer), o Perek Shirah (Cântico da Criação) e a festividade de Tu B’Shvat.


Equipe de Breslev Israel


Diversos elementos estão associados ao mês de Shvat:

• Tikkun Achilah (Elevar o ato de comer)

• Signo zodiacal

• Festividade de Tu B’Shvat

• Perek Shirah (Cântico da Criação)

• Estrela do Mashiach


Tikkun Achilah (Elevar o ato de comer)


Agora estamos no mês hebraico de Shvat. Ele é o décimo primeiro mês do ano, contando a partir de Nissan.

O Sefer HaYetzirá, atribuído a Avraham Avinu (Abraão), ensina que cada mês possui uma energia específica e um serviço divino que pode ser elevado. Shvat é o Tikkun Achilah — elevar o ato de comer.

Podemos compreender a forma correta de comer observando como um Tzadik come. A Torá ensina que um Tzadik come para satisfazer a alma, em oposição a comer apenas para satisfazer o corpo. O Baal Shem Tov ensina que, assim como o ser humano é composto de corpo e alma, todo objeto no universo também é composto de corpo e alma. E assim como o corpo necessita de alimento, nutrientes, fibras e água, a alma também necessita de alimento, nutrientes, fibras e água.

Como alimentamos a alma? Qual é o verdadeiro alimento da alma? É o alimento que o Tzadik consome. A Torá declara:

“Ve’Amech Kulam Tzadikim” — “E o teu povo, todos são justos.”

Uma vez que todos somos Tzadikim, também possuímos a capacidade de comer principalmente para sustentar nossas almas, além de nossos corpos.

Qual é o aspecto espiritual do alimento? Qual é o aspecto espiritual de qualquer coisa? É aquela parte que é mais facilmente identificável e conectável ao Divino. Em certo nível, cada aspecto do nosso ser pode, em última instância, se conectar a Hashem. No entanto, a alma, com todos os seus níveis, está particularmente próxima de Hashem e é, de fato, feita de matéria divina. Todo elemento criado, animado ou inanimado, deve conter necessariamente uma centelha de Elokut (Divindade) para poder existir.

Somente Hashem possui existência inerente; somente Hashem existe de forma independente. O restante do universo — incluindo os anjos, as sefirot e a energia de nossos pensamentos e emoções — é apenas uma construção física que representa o Ratzon Hashem (a Vontade de Hashem). Em certo nível, todos nós somos como fragmentos da imaginação de Hashem. A centelha de energia que concede existência a qualquer coisa é a sua alma, o filamento do Ratzon Hashem.

Existem elementos do mundo criado que estão mais próximos do ponto essencial de Hashem. A alma de um judeu é a entidade criada que está mais próxima e mais identificável com Hashem. Os objetos do mundo criado que nos é permitido consumir possuem uma frequência energética e espiritual que ressoa com a nossa. Ao incorporá-los corretamente, liberamos sua frequência e energia, transformando-os em parte do nosso ser.

Como ensinam nossos Sábios (Chazal), a cadeia alimentar trata de elevar o inanimado ao animado e, em seguida, transformá-lo no ser humano. Os minerais penetram na vegetação, que comemos diretamente, ou consumimos produtos de animais que foram nutridos pela vegetação. Por fim, a energia derivada desses alimentos pode ser elevada ao nível mais alto — o nível das mitzvot — que os conecta a Hashem.

Assim, comer pode ser visto como o processo pelo qual o mundo é transformado em Divindade. O veículo é o corpo de um judeu. O Tzadik, plenamente consciente da alma de cada partícula da matéria, incorpora em seu corpo os elementos que precisam ser elevados à Elokut. O Tzadik eleva a alma do alimento por meio do filtro de seu corpo. Comer é feito para satisfazer o elemento chamado alma — a própria alma e a alma do alimento.

O Baal Shem Tov revela que a centelha de kedushá (santidade) presente no alimento é liberada quando pronunciamos o Nome de Hashem na brachá rishoná (a bênção recitada antes de consumir o alimento). Pronunciar o Nome de forma lenta e meditativa ajuda a focar nosso ser na grandeza do que estamos prestes a realizar. Nas leis da física material, os opostos se atraem. Mas, no domínio da física espiritual, os semelhantes se atraem. O Nome de Hashem é o ponto de Elokut na bênção, e ele desperta o ponto de Elokut no alimento, liberando-o e permitindo que ele entre no corpo de um judeu e seja transformado em energia de mitzvá.

Nosso corpo é composto por diversas camadas. Temos o corpo físico, que observamos e sentimos. Depois, temos um corpo emocional e um corpo de luz, remanescentes do corpo original de Adam HaRishon. Os Sábios ensinam que o número de membros físicos que possuímos, 248, corresponde diretamente ao número de membros do nosso corpo espiritual ou da alma. Estes precisam ser nutridos, e isso é feito por meio da leitura cuidadosa das 248 palavras do Shema e do cumprimento consciente das 248 mitzvot positivas.

Assim como temos fragilidades em certas áreas da saúde física, temos áreas correspondentes de fragilidade na alma. Uma pessoa pode ser propensa a dores de cabeça, outra a resfriados e outra à ansiedade. Embora hoje ninguém saiba qual mitzvá ou qual palavra do Shema corresponde a cada enfermidade ou parte do corpo, a ideia dessa correspondência permanece válida e eficaz. As mitzvot nas quais somos mais fracos provavelmente são aquelas que viemos corrigir e fortalecer nesta vida.

Os alimentos pelos quais somos mais atraídos podem ser aqueles de que precisamos ou aqueles aos quais somos alérgicos. O corpo é curioso dessa forma. Também desenvolvemos alergias a alimentos consumidos em grandes quantidades. O corpo está simplesmente nos dizendo que já não necessita deles.

Existe uma teoria segundo a qual cada alimento ingerível, seja vegetal ou animal, possui um sistema básico de defesa contra predadores, na forma de uma sutil interferência química. A pessoa que consome grandes quantidades de um único alimento ingerirá essas substâncias naturais e, eventualmente, terá tanto delas no corpo que passará a rejeitar naturalmente aquele alimento.

O alimento que não é kasher possui uma alma espiritual em uma configuração que não pode ser elevada por meio do corpo de um judeu. Ele terá seu próprio tikun, separado e diferente. Nem todos os elementos do planeta possuem a mesma quantidade de alma. Somos chamados a trabalhar com aquilo que nos é dado e com aquilo para o qual somos atraídos. A Cabalá, a ciência dos paralelos e correspondências, ensina que cada alma judaica possui centelhas que lhe são específicas e familiares. Quando somos atraídos por algo ou alguém, provavelmente existe uma conexão espiritual natural. Às vezes, o teste consiste em verificar a total kashrut do objeto ou da pessoa.

Com frequência, somos atraídos a situações com o propósito de avaliá-las e rejeitá-las. Tudo isso se enquadra na categoria de Achilah. E o mês de Shvat é o momento mais oportuno para essa correção.

Cada mês possui um grupo de judeus que se identifica de forma mais intensa com ele. Cada tribo foi atribuída a um mês diferente. E, embora a tribo de Shvat seja Asher, o Bnei Yissachar ensina que a energia de Shvat ressoa de forma universal em cada judeu. A natureza e o mazal de Shvat são o mazal da Nação de Israel.

O primeiro pecado foi cometido por meio da comida e lançou o mundo em seu estado atual. Ao povo de Israel foi dada a tarefa de corrigir este mundo. Portanto, todos nós ressoamos com o mês de Shvat, o mês do Tikkun Achilah.


Signo Zodiacal

A configuração astrológica de Shvat é chamada d’li, o balde, que é baixado a um poço para retirar água. O Shem MiShmuel ensina que isso se refere à capacidade de cada judeu de se aprofundar em todos os aspectos da vida e da criação, buscando o seu ponto de Elokut. Também se refere à necessidade de buscar profundamente dentro de nós mesmos os pontos que precisam ser aperfeiçoados, e de buscar profundamente na Torá o método correto de correção.

O balde é totalmente submisso à água que carrega. Ele permite passivamente que seja baixado ao poço e depois elevado para trazer a água. Assim é a natureza de um judeu: ser um recipiente para canalizar as águas curativas da Torá, o Be’er Mayim Chayim. Nossa natureza permite a humildade como veículo para a elevação pessoal e a elevação cósmica.

As leituras da Torá em Shvat são retiradas do início do Sefer Shemot. O acróstico formado pelas primeiras letras dos nomes das seis primeiras parshiot de Sefer Shemot é ShOVeVIM. Tradicionalmente, essas são as semanas em que nos concentramos em corrigir relacionamentos, purificar-nos e elevar-nos. No hebraico moderno, shovav significa selvagem e incontrolável.

“Shuvu Banim Shovavim” — o Profeta suplica: “Retornai, filhos desviados.”

A forma correta de comer — e os resultados de uma digestão saudável e de uma nutrição adequada do corpo — começa com escolhas corretas e saudáveis. Da mesma forma, escolhas corretas são necessárias para relacionamentos corretos, santos e apropriados. O processo de digestão consiste em separar o que é útil do que não é. O corpo extrai os nutrientes, a alma extrai seus nutrientes, e o resíduo é eliminado. No corpo, o que não é necessário não permanece neutro; torna-se tóxico. Isso se assemelha à ideia de que tudo aquilo que não pode ser utilizado para Avodat Hashem e não pode ser elevado precisa ser eliminado.

Rebbe Nachman ensina que comer corretamente deve ser feito de forma lenta, controlada e não selvagem. Comer, não engolir. Mastigar, não devorar. Comer com consciência — estar atento ao que se faz e fazê-lo com alegria e gratidão. Ele promete que comer dessa forma clareia a mente da confusão. Rebbe Nachman atribui grande parte da névoa mental ao ato de comer apressadamente e sem tranquilidade. Não ser shovav ao comer permite clareza de pensamento.


Tu B’Shvat – A festividade

O Yom Tov de Tu B’Shvat é chamado Rosh HaShaná L’Ilan (o Ano Novo das Árvores) e nos lembra das árvores frutíferas. A Guemará revela um segredo da natureza: embora ainda estejamos no meio do inverno e as árvores aparentem estar adormecidas e estéreis, a atividade interna das árvores já começou.

Em Israel, a maior parte das chuvas já caiu, a seiva dentro das raízes começa a subir e a vida interior da árvore começa a pulsar.

Por mais que o mundo pareça escuro, improdutivo e à beira da destruição, ainda existe vitalidade dentro do Povo Judeu que começa a pulsar. Somos chamados por nossos mestres, guias e justos ocultos a abrir nossos corações agora mais do que nunca e clamar por vida.

“Ki HaAdam Eitz HaSadeh” — o ser humano é comparado às árvores do campo. Eles, e nós, estamos sendo julgados agora. Seremos autorizados a nos apegar à Eitz HaChayim, a Árvore da Vida, neste ano? Escolheremos corretamente entre a Árvore do Bem e do Mal?


O costume em Tu B’Shvat é comer diferentes frutas e consumir as sete espécies da Terra de Israel: trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras.


Perek Shirah (Cântico da Criação)

Perek Shirah é um texto antigo, atribuído a David HaMelech e Shlomô HaMelech. Como tal, é o único texto que possuímos escrito pelo par pai/filho do qual brotará o Mashiach. Ele cumpre a profecia messiânica de unir os corações dos pais aos corações dos filhos.

Perek Shirah nos apresenta os versículos associados a muitos elementos da criação. A lição do trigo — sua energia e força vital — é derivada de seu versículo:

“Shir HaMaalot, Mimamakim Keraticha Hashem” — Um cântico de ascensões; das profundezas, clamo a Ti, Hashem.

O versículo da cevada possui tom semelhante:

“Tefilá le’ani ki ya’atof, velifnei Hashem yishpoch sichô” — A oração de um pobre que desfalece de fraqueza, mas ainda assim derrama seu coração diante de Hashem.


Sabemos que um grão de trigo pode ser utilizado de duas maneiras: pode ser comido ou pode ser plantado.

Quando uma semente é plantada, ela acaba produzindo proporcionalmente muito mais do que ela mesma. Uma única semente pode gerar gerações incontáveis de frutos. Porém, para que a semente cresça, ela primeiro precisa perder sua identidade, decompor-se e, externamente, “morrer”. Ela perde toda forma reconhecível de vida. Somente então a verdadeira força vital interior é ativada e liberada.

Essa é a mensagem dos grãos primários, conforme ensinada no Perek Shirah. Quando um judeu se encontra nas profundezas do sofrimento e da morte, ele deve direcionar sua energia a Hashem, clamando, conectando-se, pedindo para enxergar a bênção oculta na dor e suplicando pela ressurreição dessa morte — Techiyat HaMeitim. A Guemará em Sanhedrin ensina que aprendemos o conceito de Techiyat HaMeitim a partir do trigo. E, segundo algumas opiniões, a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal era, na verdade, o grão de trigo.

Rebbe Nachman ensina que todo alimento consumido no Shabat é sagrado, e que o próprio ato de comer no Shabat também é sagrado. Comer durante a semana com o pensamento voltado para o Shabat também é sagrado. Um Tzadik vive cada dia da semana com a consciência do Shabat. Reb Shlomo costumava contar a história do judeu simples que dizia “LeKvod Shabat” todos os dias, em cada ação e para cada pessoa. Ele era carregador e, ao levar as compras das mulheres da cidade, dizia: “Certamente parte disso será para o Shabat”. Embora fosse motivo de chacota, quando um Tzadik visitante o viu, afastou-o e o treinou para se tornar um Tzadik Nistar (justo oculto).


Estrela do Mashiach

“Darach Kochav MiYaakov, Sheyvet MiYisrael” — A bênção e profecia de Bilam fala sobre uma estrela que surgirá de Yaakov e um cetro que emergirá de Israel. Isso se refere ao primeiro Mashiach, David, e ao seu descendente final, o Mashiach Ben David, que aguardamos.

O sheyvet (cetro) é especialmente desejado no mês de Shvat. O kochav (estrela) também está ligado aos cometas, que são mais visíveis em Shvat. A cauda do cometa representa o rastro deixado ao longo dos milênios pelo Mashiach em seu caminho até nós. Esses vestígios do Mashiach despertam nossos corações e mentes no mês de Shvat, aumentando o anseio do ponto de Tzadik dentro de cada um de nós para se conectar ao verdadeiro Tzadik, Mashiach Tzidkeinu.

O clima em Jerusalém tem sido ensolarado, ameno e agradável. Parece ser um padrão anual do mês de Shvat. O calor permitiu que as amendoeiras florescessem, algo muito apropriado para o Yom Tov de Tu B’Shvat. A natureza da amendoeira é florescer primeiro, trazendo seus frutos mais rapidamente do que outras árvores. O profeta Yirmiyahu viu uma amendoeira em visão, e Hashem lhe disse que cumpriria Sua palavra rapidamente, assim como a amendoeira produz seus frutos com rapidez.

Em hebraico e em aramaico, a palavra para amêndoa é luz. Essa mesma palavra refere-se ao osso ou às células do corpo de um judeu que não se decompõem após a morte. Os Sábios ensinam que o Luz será a fonte da Techiyat HaMeitim para o corpo. Rav Aryeh Kaplan sugere uma conexão entre o Luz, a partir do qual o corpo será reconstruído na época da Techiyat HaMeitim, e o processo de clonagem humana.

A prece de todo judeu — e provavelmente de grande parte da humanidade — é atravessar este período assustador sem a necessidade de recorrer à guerra. Vemos que não parece haver solução derech hateva, por meios naturais. Torna-se clara a necessidade de que o líder do mundo, o Mashiach Tzidkeinu, assuma sua posição, comece a ensinar, guiar, esclarecer e relembrar o mundo da verdade fundamental de Hashem.

Desejamos começar a retornar à vida, em todos os níveis. A Terra é capaz de absorver todos os seus filhos.

Halevai  (espero) — que sejamos abençoados a entrar no tempo revelado da liderança do Mashiach, quando o conhecimento de Hashem preencherá o mundo assim como as águas cobrem os oceanos.

 

 

Que este tempo de Tu Bishvat seja um momento de renovação, fortalecimento e esperança.

 

Que possamos seguir cultivando vida, luz e consciência, transformando cada ato em uma semente de bem.

Fonte: Redação Breslev Israel

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Renovação Constante – Bo

De que maneira a lua influencia o poder de renovação do ser humano?


Rabanit Jana Braja Seigelbaum


A primeira mitzvá da renovação

Na parashá desta semana, o povo judeu recebeu a primeira mitzvá:

“Hashem falou a Moshe e Aharon na terra do Egito, dizendo:

‘Este mês será para vocês o princípio dos meses; será o primeiro mês do ano para vocês’”

(Shemot 12:1–2).

 

Nada de novo sob o sol

A palavra hebraica para mês, “jódesh”, também significa “novo”.

Com essa primeira mitzvá de santificar a lua nova, nós nos renovamos como povo.

“Não há nada de novo sob o sol” (Kohelet 1:9) nos ensina que, no âmbito da natureza (sob o sol), a vida se repete dentro de sua órbita predestinada.

No entanto, por meio das mitzvot, podemos nos conectar com a realidade transcendental que está além do sol e da natureza.

O Sfat Emet explica que, ao cumprir mitzvot, nos conectamos com a fonte da vida, que é uma renovação constante.

Nossa capacidade de nos renovar por meio das mitzvot é o que nos torna judeus.

Ao receber a primeira mitzvá, nasceu a nação de Israel.

Nossos sábios ensinam:

“Um convertido que se converte é como um bebê recém-nascido” (Yevamot 62a).

Por isso, não é surpreendente que a primeira mitzvá que recebemos como nação judaica seja justamente a representação da renovação (jódesh).

 

Responsáveis pela natureza

É interessante que recebemos a mitzvá de santificar a lua nova — que estabelece que Israel está acima da natureza — justamente na terra do Egito, famosa por adorar a natureza.

Essa mitzvá interrompe o relato da praga dos primogênitos que trouxe a nossa redenção:

“…Será o primeiro mês do ano para vocês.”

A palavra “lajem” — “para vocês” — nos ensina que o povo judeu deve estar pessoalmente envolvido no processo de estabelecer o início de cada mês.

A data de Rosh Chôdesh (o primeiro dia do mês) era determinada pelo beit din (tribunal judaico), com base no testemunho de pessoas que haviam visto a lua nova.

Embora os sábios do grande beit din em Jerusalém conhecessem os cálculos astronômicos do calendário, para que essa mitzvá fosse verdadeiramente “deles”, a declaração do novo mês precisava ser verificada de forma subjetiva.

 

Contar a partir do mês da nossa redenção

Segundo o Rambán, cumprimos a mitzvá de recordar constantemente os grandes milagres do Êxodo ao enumerar o mês hebraico de Nisán, o mês da redenção, como o primeiro mês.

 

Renovação constante

O renascimento da lua nos chama constantemente a renascer a partir das noites de rotina e de desgaste espiritual.

Esse relógio Divino, entregue a Israel às vésperas da redenção, é internalizado por meio da experiência da feminilidade.

Por meio de nossos ciclos mensais, nós, mulheres, encarnamos a renovação da lua:

“Da minha própria carne verei Deus” (Iyov 19:26).

Através das mudanças em nosso corpo, sentimos que nada na vida é estático.

 

Ver luz na escuridão

A mitzvá de reconhecer a lua nova acontece na escuridão, após o pôr do sol.

Por isso, ela foi dada no Egito, um lugar de escuridão espiritual.

O momento da lua nova está ligado à capacidade de trazer luz para dentro de uma realidade escura.

Deus começou a moldar interiormente o Seu povo ao estabelecer a renovação da lua como um sinal que se repetiria ao longo do ano.

Assim, a experiência da auto-renovação ficou gravada em nossos corações.

A mitzvá de santificar a lua nova nos concede a capacidade de manter viva a esperança pela redenção futura.

A luz da liberdade que brilhou durante o Êxodo continua iluminando até hoje

e se renovará em grande intensidade no momento da nossa redenção final.


Fonte: Breslev Israel


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Conhecendo a Hashem

Todos dizemos que acreditamos. Mas será que realmente temos ideia do que estamos dizendo? Como sabemos que é assim? Depois de explorar diferentes abordagens espirituais como estudante universitário e de viver um estilo de vida completamente secular, descobri que o judaísmo e a emuná eram a melhor abordagem para viver uma vida de felicidade — e, graças a D’us, fiz essa mudança.

Eu mesmo já tive períodos na vida em que tive dinheiro e períodos em que mal conseguia comprar pão na mercearia. Já vivi épocas em que era muito popular e outras em que me senti profundamente só. O dinheiro vai e vem, mas o que me acompanhou em todas as fases de transição da minha vida foi saber que existe um D’us. Não importava a circunstância — boa ou ruim, rica ou pobre —, eu sabia no meu coração que Ele existe, embora não soubesse como me conectar a Ele. E o que diz o judaísmo observante da Torá sobre tudo isso?

O termo “Conhecer a Hashem – ladaat et Hashem” refere-se ao momento em que a pessoa examina sua própria vida, desde os eventos e circunstâncias da infância até a idade atual, e percebe que está repleta das “impressões digitais” do Criador. Concentramo-nos na Providência Divina dentro de nossas vidas pessoais e buscamos explicações baseadas na Emuná sobre por que as coisas aconteceram da maneira como aconteceram. Perguntamo-nos como esses eventos foram para o nosso bem, como foram projetados para nos aproximar de D’us e fazê-Lo mais apreciado por nós. Refletimos e tentamos dar sentido a tudo com uma predisposição de fé. O que D’us estava me dizendo todos esses anos? Para onde Ele estava me apontando? E, mais importante ainda: o que Ele está me dizendo agora? E para onde devo ir a partir daqui?

Quando decidimos construir nossa Emuná, concentramo-nos na Providência Divina e na intervenção de D’us em nossas vidas. Uma forma de fazer isso é dedicar uma hora por dia à oração pessoal e refletir sobre todos os acontecimentos diferentes que ocorreram em nossa vida e que nos trouxeram até onde estamos hoje.

Meu momento favorito para fazer isso é no Shabat, com uma xícara de café, logo cedo de manhã, na minha varanda em Jerusalém. Encontre um lugar onde você se sinta confortável e tente listar todos os eventos importantes que aconteceram nos últimos cinco anos. Qual é a mensagem que D’us está lhe enviando?

Quando olhamos através da lente da Emuná — de que tudo vem de D’us, que tudo é para o bem e foi planejado para nos aproximar d’Ele — começamos a perceber que D’us desempenha um papel central em nossas vidas. Isso nos permite fortalecer ainda mais essa conexão pessoal com D’us e avançar de forma produtiva. Esse mesmo princípio pode ser aplicado não apenas no nível individual, mas também no coletivo.

Por exemplo, vejamos o que acontece com a nação de Israel. Ao analisarmos a história, vemos que, desde os dias de Abraão até Moisés e depois os Profetas, quase todas as profecias se cumpriram — exceto a reconstrução do Terceiro Templo Sagrado. Isso é um sinal claro de que Hashem está atuando muito de perto com nosso povo e de que Ele é real.

Sabendo disso, cada pessoa — especialmente dentro do judaísmo — pode aproveitar seus talentos vivendo uma vida observante, mudando-se para Israel ou difundindo a Emuná. Assim, essa pessoa beneficia não apenas a si mesma, mas também ao mundo inteiro, impactando tanto a escala micro quanto a macro da elevação espiritual.

Tarefa para casa:

Faça uma lista de alguns dos eventos mais importantes que aconteceram com você nos últimos cinco anos e tente compreender, através dos olhos da Emuná, o que D’us tem tentado lhe dizer. Considere os princípios da Emuná: que tudo vem de D’us, que tudo é para o bem e que tudo foi projetado para aproximá-lo d’Ele. Reze pedindo clareza sobre o caminho a seguir. Esse será o seu exercício de “Conhecer a D’us”.

Escolha uma área da sua vida e estude o que a Torá diz sobre ela. Pode ser, por exemplo, a mitsvá da pureza familiar, a caridade ou a visita aos enfermos. Tente aplicar o que a Torá ensina sobre essas mitsvot.

Nossas bênçãos para que continue tendo sucesso.

A redação Breslev Israel

O Todo Poderoso

O Gaon de Vilna afirma que o maior anseio do mundo — maior do que qualquer outro — é o anseio da alma por cumprir a vontade de seu Criador. Pense em quantos desejos existem no mundo e nas coisas que as pessoas estão dispostas a fazer quando ardem de desejo; pense na quantidade de pessoas que revolucionaram todo o seu mundo para realizar um desejo ardente. Contudo, tudo isso é nada comparado ao anseio que a alma sente por cumprir a vontade de seu Criador. E esse anseio, por sua vez, é nada comparado ao anseio que o próprio Criador sente por ajudar a pessoa a se aproximar d’Ele — milhares de vezes mais intenso do que o desejo da própria pessoa.

Portanto, a primeira coisa que você deve fazer é visualizar claramente o quanto Hashem anseia salvá-lo e ajudá-lo a viver em conformidade com Sua vontade. Hashem deseja isso, independentemente de quem você seja e do que tenha feito — mesmo que seja a pessoa mais perversa e pecadora do mundo inteiro, alguém que até levou outros ao pecado.

Quem é que deseja e anseia ajudá-lo? É o Criador Infinito e Todo-Poderoso, o Senhor de todas as capacidades e de todos os poderes, a Quem ninguém pode frustrar nem questionar: “O que estás fazendo?”. Ele é Todo-Poderoso em todos os âmbitos, tanto físicos quanto espirituais. Ele desfaz todas as leis da natureza, físicas e espirituais.

Ele pode salvar qualquer pessoa e prover-lhe todas as condições necessárias para receber todo o bem que existe no mundo, tanto físico quanto espiritual. E foi justamente com esse propósito que Ele criou todo o universo.

No momento em que a vontade de Hashem se revela no mundo, toda a existência se anula; tudo se dissolve diante dessa vontade incrível de Hashem, que é o ápice de toda a Criação.

O conhecimento pleno desses dois pontos é chamado de “reconhecer a Hashem”. Essa é a perfeição da fé, pois a fé consiste em reconhecer a Hashem.

Não pense que Hashem é um Ser que nos impõe desafios e obstáculos, que nos coloca à prova com o objetivo de nos fazer tropeçar, Deus nos livre. Você deve alcançar esse reconhecimento e essa sensação profunda de que Hashem está apenas esperando para ajudá-lo e salvá-lo espiritualmente — imediatamente, agora mesmo.

Caro leitor: quando você se coloca diante de Hashem, lembre-se deste princípio tão importante, que é a essência do verdadeiro conhecimento. Visualize da forma mais palpável possível que você está diante de Hashem, que o ama, que está apenas esperando para salvá-lo espiritualmente, que lhe dá todos os mundos e todos os níveis espirituais, e que lhe diz: “Meu filho, neste exato momento, tome todo o bem do mundo...”.

Mas o que impede isso? O que está no caminho?

Se Hashem deseja tanto nos dar isso, e se Ele é Todo-Poderoso, o que impede que isso aconteça? O obstáculo é que não temos a capacidade de receber a bondade do Criador.

Por isso, uma vez que implementamos a primeira etapa do nosso trabalho — que é reconhecer o Criador com fé plena — devemos então assumir nossa tarefa.

Nosso trabalho consiste em nos preparar para, em seguida, receber a bondade do Criador e a salvação espiritual que Ele nos concede com tanto amor. E o trabalho de preparação é justamente o trabalho de desenvolver uma vontade plena!

Rabino Shalom Arush - Breslev Israel