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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Renovação Constante – Bo

De que maneira a lua influencia o poder de renovação do ser humano?


Rabanit Jana Braja Seigelbaum


A primeira mitzvá da renovação

Na parashá desta semana, o povo judeu recebeu a primeira mitzvá:

“Hashem falou a Moshe e Aharon na terra do Egito, dizendo:

‘Este mês será para vocês o princípio dos meses; será o primeiro mês do ano para vocês’”

(Shemot 12:1–2).

 

Nada de novo sob o sol

A palavra hebraica para mês, “jódesh”, também significa “novo”.

Com essa primeira mitzvá de santificar a lua nova, nós nos renovamos como povo.

“Não há nada de novo sob o sol” (Kohelet 1:9) nos ensina que, no âmbito da natureza (sob o sol), a vida se repete dentro de sua órbita predestinada.

No entanto, por meio das mitzvot, podemos nos conectar com a realidade transcendental que está além do sol e da natureza.

O Sfat Emet explica que, ao cumprir mitzvot, nos conectamos com a fonte da vida, que é uma renovação constante.

Nossa capacidade de nos renovar por meio das mitzvot é o que nos torna judeus.

Ao receber a primeira mitzvá, nasceu a nação de Israel.

Nossos sábios ensinam:

“Um convertido que se converte é como um bebê recém-nascido” (Yevamot 62a).

Por isso, não é surpreendente que a primeira mitzvá que recebemos como nação judaica seja justamente a representação da renovação (jódesh).

 

Responsáveis pela natureza

É interessante que recebemos a mitzvá de santificar a lua nova — que estabelece que Israel está acima da natureza — justamente na terra do Egito, famosa por adorar a natureza.

Essa mitzvá interrompe o relato da praga dos primogênitos que trouxe a nossa redenção:

“…Será o primeiro mês do ano para vocês.”

A palavra “lajem” — “para vocês” — nos ensina que o povo judeu deve estar pessoalmente envolvido no processo de estabelecer o início de cada mês.

A data de Rosh Chôdesh (o primeiro dia do mês) era determinada pelo beit din (tribunal judaico), com base no testemunho de pessoas que haviam visto a lua nova.

Embora os sábios do grande beit din em Jerusalém conhecessem os cálculos astronômicos do calendário, para que essa mitzvá fosse verdadeiramente “deles”, a declaração do novo mês precisava ser verificada de forma subjetiva.

 

Contar a partir do mês da nossa redenção

Segundo o Rambán, cumprimos a mitzvá de recordar constantemente os grandes milagres do Êxodo ao enumerar o mês hebraico de Nisán, o mês da redenção, como o primeiro mês.

 

Renovação constante

O renascimento da lua nos chama constantemente a renascer a partir das noites de rotina e de desgaste espiritual.

Esse relógio Divino, entregue a Israel às vésperas da redenção, é internalizado por meio da experiência da feminilidade.

Por meio de nossos ciclos mensais, nós, mulheres, encarnamos a renovação da lua:

“Da minha própria carne verei Deus” (Iyov 19:26).

Através das mudanças em nosso corpo, sentimos que nada na vida é estático.

 

Ver luz na escuridão

A mitzvá de reconhecer a lua nova acontece na escuridão, após o pôr do sol.

Por isso, ela foi dada no Egito, um lugar de escuridão espiritual.

O momento da lua nova está ligado à capacidade de trazer luz para dentro de uma realidade escura.

Deus começou a moldar interiormente o Seu povo ao estabelecer a renovação da lua como um sinal que se repetiria ao longo do ano.

Assim, a experiência da auto-renovação ficou gravada em nossos corações.

A mitzvá de santificar a lua nova nos concede a capacidade de manter viva a esperança pela redenção futura.

A luz da liberdade que brilhou durante o Êxodo continua iluminando até hoje

e se renovará em grande intensidade no momento da nossa redenção final.


Fonte: Breslev Israel


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