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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Acorda pra vida! | O Jardim da Emuná - Fé || Rav Aharon Noeh

A mensagem central do vídeo enfatiza a importância da emunat hashem (fé completa no Criador), oração e autoconhecimento para enfrentar as dificuldades da vida. O orador destaca que as tribulações são oportunidades de crescimento espiritual e que a conexão com Hashem é essencial para encontrar propósito e significado nas experiências diárias.

Destaques:

  • A emuná, ou fé, é fundamental para nossa conexão espiritual e para enfrentarmos desafios. Acreditar que tudo acontece para o nosso bem nos fortalece e nos guia na vida.
  • O mês de Lul é um período importante para arrependimento e conexão com o Criador. É um tempo de reflexão e de fazer boas ações para melhorar nossa vida.
  • Ter emunat em nós mesmos e na Torá é essencial para superar dificuldades. Essa crença nos permite entender que temos poder espiritual para alcançar nossos objetivos.
  • A prática diária de oração e estudo é crucial para vencer desafios pessoais. A dedicação a essas atividades transforma nossa vida e nos ajuda a crescer espiritualmente.
  • O julgamento após a morte é um tema central, onde nossas ações são registradas em um livro da vida. As consequências de nossas ações diárias podem levar a um destino espiritual, positivo ou negativo.
  • A prática de Bodedut é crucial, pois permite arrependimento e compreensão das ações. Isso resulta em um "carimbo" positivo no livro da vida.
  • Falar mal dos outros é comparado a assassinato, imoralidade e idolatria, pois danifica a alma da pessoa e a reputação dela. Isso gera consequências espirituais severas.
  • Comportamentos como desperdício e corrupção acarretam dívidas espirituais, levando a reencarnações em formas inferiores. A pureza da alma é fundamental para evitar tais destinos.
  • Não devemos deixar as complexidades da vida nos vencer. Precisamos reconhecer que somos uma neshamá, uma centelha divina que deseja viver e brilhar intensamente.
  • A luta constante e a busca por aché são essenciais para nossa evolução espiritual. Enfrentar dificuldades nos torna mais humildes e nos aproxima de Hashem.
  • A humildade, a emunat e o desejo formam uma entidade única que nos conecta a Hashem. Reconhecer nossas limitações é crucial para cultivar essa conexão.
  • A prática diária de gratidão e oração fortalece nosso relacionamento com Hashem. Mesmo em tempos bons, devemos buscar essa conexão de forma constante.
  • A busca por um propósito espiritual é essencial para uma vida significativa e gratificante. Quando reconhecemos nossa necessidade de conexão com Deus, tudo se torna mais doce e valioso.
  • Famosos e ricos frequentemente enfrentam solidão e desespero sem uma conexão com Deus. Isso evidencia a importância de buscar um propósito espiritual diariamente.
  • Problemas na vida podem ser vistos como oportunidades de crescimento espiritual. Essa perspectiva nos ajuda a enfrentar dificuldades com mais facilidade e resiliência.
  • A compaixão de Deus se revela em nossas vidas quando pedimos ajuda. Este relacionamento íntimo nos permite superar desafios e encontrar significado em nossa jornada.
  • A eletricidade deve passar por transformadores e disjuntores para ser segura, assim como a luz divina de Achem precisa ser administrada para não sobrecarregar nossas almas. Dessa forma, somos preparados para receber uma maior iluminação espiritual.
  • A comparação entre a eletricidade e a luz divina mostra a necessidade de preparação espiritual. Precisamos nos tornar recipientes adequados para receber essa luz.
  • A narrativa dos quatro rabinos que entraram no pomar destaca a importância do preparo espiritual. Apenas um deles saiu em paz, provando a necessidade de estar pronto para a luz divina.
  • O exemplo de Rabi Akiva ilustra como esforços pessoais e superação de desafios podem fortalecer nosso eu espiritual. Ele se tornou um grande sábio apesar de suas dificuldades.
  • As dificuldades da vida são essenciais para o crescimento espiritual e pessoal. Elas nos aproximam de Hashem, fortalecendo nossa alma e nos preparando para enfrentar os desafios.
  • Rabiaquiva, apesar de rejeições, tornou-se um exemplo de perseverança e profundidade espiritual, em contraste com seus colegas que não enfrentaram as mesmas dificuldades.
  • As lutas pessoais são oportunidades para pedir ajuda a Hashem, permitindo que possamos entender melhor nosso propósito e fortalecer nossa confiança nele.
  • Reconhecer que os desafios são caminhos para a iluminação espiritual ajuda a transformar desespero em esperança, motivando o crescimento pessoal e espiritual.
  • A busca da alma por luz durante momentos de escuridão é essencial para superar dificuldades. Essa jornada traz crescimento espiritual e aproximação a valores divinos, mesmo em tempos desafiadores.
  • As dificuldades enfrentadas na vida muitas vezes motivam a busca por uma conexão mais profunda com a espiritualidade e o sentido da vida. Isso é evidenciado por histórias de grandes sábios.
  • A relação entre dificuldades e a intensidade da oração é destacada, onde momentos de dor levam a uma maior busca por respostas e conexão com a divindade.
  • A ideia de que as dificuldades são temporárias e podem ser vistas como oportunidades de crescimento espiritual é enfatizada, encorajando a resiliência e a perseverança na emunat.

A emunat pode oferecer apoio em momentos difíceis de várias maneiras interligadas. Aqui vão alguns aspectos práticos e psicológicos que costumam aparecer quando a fé está presente:

Como a emunat pode ajudar em momentos difíceis?

1) Consolação e esperança

  • Sentimento de propósito: acreditar que há um propósito maior por trás das dificuldades pode reduzir o desespero imediato.
  • Luz no escuro: a emunat frequentemente oferece uma perspectiva de que as situações desafiadoras são temporárias e que mudanças são possíveis.

2) Estrutura e rotina espiritual

  • Práticas regulares: oração, meditação, leitura de textos sagrados ou rituais ajudam a criar uma rotina estável em meio ao caos.
  • Disciplina emocional: essas práticas podem acalmar a mente, reduzir a ansiedade e melhorar o foco.

3) Sentido de comunidade e pertencimento

  • Apoio social: comunidades de emunat costumam oferecer redes de apoio, encorajamento e compaixão, o que reduz o isolamento.
  • Compartilhamento de dificuldades: trocar experiências com pessoas que passam por situações similares pode trazer compreensão e esperança prática.

4) Ensinamentos sobre resiliência

  • Aceitação e transformação: muitos ensinamentos de fé falam sobre aceitar o que não se pode mudar, ao mesmo tempo buscando crescimento pessoal no que é possível.
  • Caridade e serviço: ajudar os outros pode dar significado às tribulações próprias e criar um senso de agência.

5) Regulação emocional e significado

  • Mindfulness religioso: a prática de estar presente durante momentos difíceis pode ser fortalecida pela fé.
  • Narrativa de superação: transformar o desafio em uma história de superação com valores centrais (fé, gratidão, humildade) pode fortalecer a resiliência.

6) Perspectiva sobre o sofrimento

  • Sofrimento como dimensão humana: a emunat pode oferecer a visão de que o sofrimento não é sem sentido, mas pode ter um propósito maior ou lições aprendidas.
  • Confiança na misericórdia/divina providência: para muitos, isso reduz a sensação de abandono e aumenta a esperança de que as coisas podem melhorar.

O papel da oração na vida espiritual

A oração é uma prática central em muitas tradições de emunat e pode cumprir várias funções importantes para o desenvolvimento espiritual, emocional e comunitário. Abaixo estão alguns aspectos comuns de como a oração atua na vida espiritual:

1) Comunicação com o divino

  • Conexão direta: a oração é um meio de conversar com Hashem, Deus, ou o sagrado, buscando intimidade, louvor, gratidão e pedido.
  • Expressão de desejo e confiança: permite externar anseios, dúvidas e confiança na providência divina.

2) Foco e disciplina interior

  • Rotina espiritual: horários de oração ajudam a estruturar o dia e manter a mente voltada para valores espirituais.
  • Calma mental: a prática repetitiva pode reduzir o ruído mental, promovendo concentração e serenidade.

3) Regulação emocional

  • Processamento de emoções: a oração oferece um espaço para reconhecer medo, dor, gratidão e esperança.
  • Resiliência: ao compartilhar orações de dificuldade, a pessoa pode sentir apoio simbólico e emocional.

4) Desenvolvimento de virtudes

  • Humildade e gratidão: reconhecer limitações próprias e agradecer pelas bênçãos cultivam atitudes positivas.
  • Perdão e compaixão: preces de pedido de perdão ou de intercessão pelos outros podem fortalecer empatia e responsabilidade moral.

5) Transformação de perspectiva

  • Narrativa de sentido: a oração pode ajudar a reinterpretar eventos difíceis, buscando propósito ou lições aprendidas.
  • Confiança na providência: em muitas tradições, a oração reforça a ideia de que não estamos sozinhos diante das vicissitudes da vida.

6) Comunidade e pertencimento

  • Unidade espiritual: orar em grupo fortalece laços comunitários, cria um senso de pertencimento e ressonância compartilhada de valores.
  • Transmissão de tradição: orações coletivas ajudam a manter vivas práticas, memórias e identidades religiosas.

7) Práticas práticas de oração

  • Oração vocal: súplicas, louvores, agradecer e pedir orientação.
  • Oração contemplativa: silêncio, meditação, repetição de uma palavra ou frase sagrada.
  • Estudo associado: leitura de textos sagrados na moldura da oração para aprofundar compreensão.
  • Gestos e rituais: ajoelhar, acender velas, beijar textos sagrados, que podem intensificar a experiência.

Extraído resumo do vídeo no Youtube do Canal do Breslev em Português.

A mãe pássaro – Ki Tetzé

**A mãe pássaro – Ki Tetzé**

A mitsvá de deixar ir a mãe pássaro antes de pegar seus ovos ou filhotes ensina uma profunda lição sobre a grandeza da maternidade.

Rabanit Jana Braja Seigelbaum



A mitsvá de deixar ir a mãe pássaro antes de levar seus ovos ou filhotes nos ensina uma profunda lição sobre a grandeza da maternidade. Ibn Ezra afirma que a mãe é essencial, por isso o caçador deve deixá-la em paz e respeitá-la. “Se por acaso houver um ninho de ave diante de ti no caminho, em qualquer árvore ou sobre a terra, com filhotes ou ovos, e a mãe estiver empoleirada sobre os filhotes ou sobre os ovos, não tomarás a mãe com os filhotes. Deverás deixar ir a mãe, mas poderás levar os filhotes, para que te vá bem e prolongues os teus dias” (Devarim 22:6-7).

RESPEITAR A MÃE DA VIDA

Segundo o Ramban, a recompensa por despedir a mãe pássaro é especialmente grande porque esta mitsvá envolve um tema tão profundo e elevado. O Kli Yakar observa que a recompensa por esta mitsvá é idêntica à recompensa por cumprir o mandamento de honrar os pais. Ambas as mitsvot nos ensinam que nenhum ser vem ao mundo sem uma mãe que o trouxe à luz. Essa cadeia de maternidade conduz-nos de volta a Hashem — a Mãe original, Aquela que deu à luz ao mundo. Se o mundo fosse eterno, sem um Criador, não haveria razão para honrarmos nossos pais. No entanto, cremos que a primeira Mãe compartilhou a Sua honra com todas as mães que d'ElA emanaram. Por isso, devemos honrar nossos pais e também despedir a mãe pássaro. Como ambas as mitsvot reforçam nossa crença na criação do mundo, a recompensa por elas é viver uma vida longa neste mundo. Esse é o fundamento da emuná (fé), como está escrito: “O justo viverá pela sua fé” (Habacuque 2:4). Por meio da emuná, apegamo-nos à fonte da vida — e, portanto, a recompensa por isso é viver uma vida longa.

PARA REPARAR O MUNDO

Imediatamente após a mitsvá de despedir a mãe pássaro, menciona-se a construção de uma nova casa. Nossos Sábios explicam essa proximidade da seguinte maneira: se cumprires a mitsvá de despedir a mãe pássaro, terás o mérito de construir uma casa nova, pois esta mitsvá leva-te a crer que D'us criou e construiu o mundo (ver Rashi, Devarim 22:8).

O Rabino Eliahu Kitov pergunta por que a Torá proíbe tirar a mãe pássaro de cima de seus filhotes no ninho, quando em geral permite tirar a vida de qualquer pássaro para atender às necessidades da humanidade. Além disso, por que a Torá demonstra compaixão apenas pela mãe e não pelos filhotes? Ele próprio explica que os filhotes, assim como os ovos, pertencem à humanidade, pois D'us nos fez soberanos sobre todos os animais. Mas por que os seres humanos podem controlar a mãe que paira sobre seus filhotes? A razão pela qual ela não voa e foge da mão do caçador é o seu instinto de proteger os filhotes. Essa mãe dedica-se à criação de seus filhos, que é a forma mais essencial de Tikkun HaOlam (reparação do mundo). Para proteger seus filhotes, a mãe está disposta a arriscar-se a ser capturada pelo caçador. Não é apropriado aproveitar-se cruelmente desse nobre traço de caráter, que D'us imprimiu em Suas criaturas. Por isso, devemos libertar a mãe pássaro. Ela poderá então partir e construir outro ninho, cumprindo assim a vontade do seu Criador ao continuar envolvida na reparação do mundo.

Ainda que a humanidade seja soberana sobre toda a criação, não podemos subjugar o espírito de D'us que Ele concedeu a todas as Suas criaturas. O instinto maternal de proteger os filhotes é considerado a manifestação do espírito de D'us que mantém o mundo em movimento.

NOSSA ALMA É UMA MÃE PÁSSARO LIBERTA

O Ramban apresenta uma razão cabalística para a mitsvá de despedir a mãe pássaro. Ele cita o Rabino Rejmai do Sefer HaBahir, que observa que a Torá dá mais ênfase à mãe do que ao pai. Isso ocorre porque a mãe se refere ao atributo de Biná, muitas vezes chamado de “intuição”, como afirma: “Pois a mãe se chama Biná” (Provérbios 2:3).

Assim como a mãe tem o poder de dar à luz, o atributo de Biná dá à luz às sete sefirot inferiores (emanações divinas), encarnadas nos sete dias da Criação. Esses dias nos ensinam a ter fé em D'us e em Sua providência divina. Assim como devemos libertar a mãe pássaro — que também alude à alma — e deixá-la reunir-se com seu Criador, ela nos lega a sua descendência. Os ensinamentos de fé e as boas ações que adquirimos neste mundo são os filhos da alma.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Os parceiros na Criação – Shoftim

Raramente na Torá somos informados sobre o que D'us “aborrece”. Na parashá desta semana, somos alertados sobre a proibição de erguer um tipo de altar chamado matzevá. O versículo logo nos informa que isso é algo que “Hashem, teu D'us, aborrece”.

O que há de tão terrível nesse altar? Além disso, a Torá nos ordena construir um tipo de altar chamado Mizbéaj como parte do Santuário. Esse tipo de altar (Mizbéaj) é digno de louvor, enquanto o outro (matzevá) é proibido. Por que existe uma diferença tão substancial entre esses dois tipos de altares?

Por fim, nosso ancestral Jacó construiu diferentes tipos de altares durante sua vida, sendo o primeiro deles uma matzevá. Mas se D'us aborrece esse tipo de estrutura, por que Jacó a construiu?

É interessante notar que, em um período posterior de sua vida, Jacó acabou construindo um Mizbéaj. Tentaremos explicar por que ocorreu essa mudança.

A resposta a essas perguntas baseia-se nas ideias do grande líder judaico alemão do século XIX, o rabino Samson Raphael Hirsch. Qual é a diferença entre uma matzevá e um Mizbéaj? A matzevá é um altar feito de uma única pedra, ao contrário do Mizbéaj, que é composto por várias pedras. Essa simples diferença contém um profundo simbolismo.

Na época de nossos Patriarcas, a humanidade basicamente desconhecia a existência de Hashem. A idolatria e o paganismo eram algo natural. Nossos grandes antepassados — Abraão, Itzchak (Isaac) e Yaacov (Jacó) — passaram suas vidas ensinando e difundindo a crença em um único D'us. A ideia de que toda a natureza estava unificada e emanava de uma única fonte — Hashem — era simbolizada pela matzevá de pedra única. A consciência dessa unidade foi um grande avanço para a humanidade, e, naquele momento, o símbolo correspondente da unidade da vida, a matzevá, era amado por D'us.

Essa ideia foi fundamental até o momento da entrega da Torá. Naquele instante, o povo judeu foi chamado a viver uma vida que não apenas revelasse a unicidade de Hashem na natureza, mas que se concretizasse ao tornar-se parceiro de D'us na construção de um mundo ideal.

A partir de então, tornou-se tarefa do povo judeu viver e ensinar ao mundo não apenas a existência de um Criador, mas também o desafio e a responsabilidade da humanidade na criação desse mundo perfeito.

Esse conceito é simbolizado no Mizbéaj de múltiplas pedras.

Na época dos Patriarcas, o conceito da matzevá de pedra única serviu para criar uma consciência capaz de despertar o mundo de seu paganismo errôneo e desenvolver uma percepção da verdade da realidade: que Hashem está por trás de tudo e une toda a existência.

No entanto, uma vez que nos tornamos a nação da Torá no Monte Sinai, essa consciência passou a ser insuficiente. A partir daquele momento, nossa participação humana tornou-se essencial para alcançar a perfeição deste mundo.

Essa transição também foi simbolizada na vida de Jacó. Antes de viajar à casa de Lavan para se casar e formar uma família, seu foco estava em difundir a mensagem de Abraão e Itzchak, ou seja, que existe um único Criador — Hashem — que está envolvido em tudo o que acontece e que dirige toda a criação. Depois de se casar e retornar à terra de Israel com a família que seria a base do povo judeu, sua missão mudou. Agora, sua responsabilidade — e a de sua família — seria trabalhar juntos para formar uma sociedade que refletisse a verdade, a santidade e a luz Divina neste mundo. É por isso que ele construiu um altar de pedra única, uma matzevá, antes de sair de Israel, mas, ao retornar, ergueu uma estrutura de várias pedras — ou seja, um Mizbéaj.

É preciso apreciar o incrível privilégio de nos tornarmos parceiros na Criação, construindo, metaforicamente, um altar de múltiplas pedras, no qual cada pessoa contribui com seus dons únicos para a retificação do mundo.

Com essa visão, esperamos utilizar todas e cada uma das oportunidades que nos forem apresentadas para contribuir com nossos talentos ao mundo inteiro e transformá-lo em um lugar verdadeiramente Divino.

Escrito por Breslev Israel - Yeshiva

terça-feira, 26 de agosto de 2025

O destino da testemunha falsa – Shoftim

O destino da testemunha falsa – Shoftim


Rabino David Charlop

Ouça este artigo:

Qual poder têm nossos pensamentos? Se alguém tem intenções malignas que nunca chegam a se concretizar, para onde vão esses pensamentos?


O Maharal de Praga (1525–1609) oferece uma explicação fascinante para essas perguntas. No entanto, para entender bem seu ensinamento, precisamos começar analisando um preceito da leitura da Torá desta semana, que convida à reflexão.


Duas testemunhas comparecem a um tribunal judaico e afirmam que uma pessoa qualquer — que chamaremos de Sam — violou uma proibição da Torá. Por exemplo, dizem que Sam comeu comida não kosher, profanou o Shabat ou matou alguém, e portanto merece ser punido. O tribunal ouve o testemunho e, com base nele, decide que Sam é culpado. No entanto, entre a sentença e a execução real da punição, surgem duas novas testemunhas que desmentem totalmente o testemunho do primeiro grupo, explicando ao tribunal que os primeiros testemunhos são inválidos porque aqueles homens não estavam próximos do local do suposto crime.


O que você acha, querido leitor? O que deveria ser feito com as primeiras testemunhas? Aplicar uma multa? Mandá-las para a prisão por alguns meses? Impor um castigo corporal?


De acordo com a Torá, devemos infligir às testemunhas falsas exatamente o mesmo castigo que elas tentaram impor ao acusado. Sim, é isso mesmo. Se disseram que Sam merecia açoites, então são elas que recebem os açoites. Se tentaram condená-lo à morte, são elas que são executadas.


Provavelmente, para a maioria das pessoas, esse método parece um tanto surpreendente. Afinal, embora o que fizeram certamente não seja digno de elogios, muitos achariam que essa lei de “olho por olho” é um pouco extrema, não é?


Sobre esse ponto, o Maharal explica o funcionamento interno das ações dessas testemunhas. E, a partir de suas palavras, podemos descobrir o quão poderosos são, de fato, os pensamentos.


Para entender seu ensinamento, vamos primeiro analisar o que essas testemunhas fizeram de errado e por que merecem tal punição. É óbvio que não são responsáveis por ferir diretamente alguém, já que sua transgressão foi apenas verbal. Poderíamos puni-las pelo susto ou pela angústia emocional causada ao acusado, mas impor açoites ou pena de morte apenas por causar sofrimento emocional parece exagerado.


Na verdade, o único erro real delas foi terem más intenções. Elaboraram um plano para prejudicar alguém, e por isso são consideradas responsáveis. Mas, se sua transgressão se limitou aos pensamentos e às palavras, por que merecem um castigo tão severo?


Em geral, a maioria das pessoas entende recompensa e punição com base em experiências infantis: se formos bons, D'us nos dá um doce; se formos maus, levamos uma bronca. Já como adultos, precisamos aprofundar nossa compreensão desse tema, para perceber a interconexão entre nossos pensamentos, nossos atos e seus resultados.


Se alguém tenta arremessar sua bicicleta contra uma parede com a intenção de derrubá-la, o mais provável é que a pessoa e a bicicleta saiam machucadas, enquanto a parede permanece de pé. Isso é um castigo? Obviamente, é uma consequência direta de um ato insensato. Essa analogia reflete, de forma um pouco simplificada, a verdadeira natureza da recompensa e da punição. O que fazemos — ou deixamos de fazer — retorna a nós como uma consequência natural no plano físico ou espiritual.


Quando as testemunhas foram acusar falsamente uma pessoa inocente, agiram com a intenção de causar dano. Seus pensamentos criaram uma realidade e colocaram em movimento a possibilidade de prejudicar o acusado. Mas o que acontece agora, já que o acusado é inocente?


Segundo o Maharal, a mesma intenção maligna volta-se contra os próprios acusadores. Os maus pensamentos não se dissipam nem desaparecem: são reais e têm o poder de causar danos. Como Sam não é o destinatário justo desses planos maliciosos, a intenção maligna reverte e se torna a causa do castigo das testemunhas.


O Maharal compara isso a uma pedra lançada contra uma parede: não só bate na parede e cai ao chão, como pode ricochetear e ferir quem a lançou.


Contudo, as ideias do Maharal não nos ensinam apenas sobre o poder dos pensamentos e das palavras, mas também nos mostram uma imagem mais precisa do que são recompensa e punição. A máxima “o que alguém semeia, isso colherá” se aplica até mesmo aos aspectos mais espirituais de nossas vidas.


Fonte: breslev.com

O primeiro passo

Não existe casal que não passe por dificuldades e brigas. Às vezes, as crises chegam ao ponto de ebulição, com o divórcio à vista. Nesse ponto, o casal tem duas opções: tentar investir, trabalhar e reabilitar o casamento, ou desistir e se divorciar, chalila .

Existe algum indicador que possa prever o sucesso do casal em voltar a viver em paz um com o outro?

A resposta é que existe tal coisa, o que, naturalmente, levanta a questão do que é. Ou, em outras palavras: qual é a primeira coisa que se deve verificar, despertar, enfatizar e construir conforme necessário, antes de iniciar qualquer processo de reabilitação e reconciliação?

Chazal nos conta em Masechet Avot d'Rabbi Natan como Aharon Hacohen costumava mediar e reconectar duas pessoas que haviam brigado:

Quando duas pessoas brigavam, Aharon ia sentar-se ao lado de uma delas e dizia: Meu filho, veja a angústia que seu amigo está passando! Seu coração está despedaçado e ele está rasgando as próprias roupas. Ele diz: Como posso encarar meu velho amigo? Estou tão envergonhado, traí sua confiança. Aharon sentava-se com ele até que sua raiva diminuísse. Então Aharon ia até a outra e dizia: Meu filho, veja a angústia que seu amigo está passando! Seu coração está despedaçado e ele está rasgando as próprias roupas. Ele diz: Como posso encarar meu velho amigo? Estou tão envergonhado, traí sua confiança. Aharon sentava-se com ele até que sua raiva diminuísse. Quando as duas pessoas se viam, elas se abraçavam e se beijavam .

Lendo a fundo a história de Aharon Hacohen , vemos que, enquanto as partes não acreditarem na boa vontade e no cuidado uma da outra, não há paz possível. Cada um pensa: "Ele me odeia", "Ele não se importa com o que aconteceu", "Ele está feliz por eu estar sofrendo" e outros pensamentos semelhantes, que não permitem nenhum processo de reconciliação e apaziguamento.

E assim, o primeiro passo em qualquer reconciliação e em qualquer processo de paz conjugal é fazer com que ambas as partes acreditem que o outro lado não é ruim; ao contrário, ele (ou ela) ainda ama, se importa e quer que as coisas sejam boas para ambos.

Quando um dos lados perde completamente a fé de que o outro o ama, geralmente ele desiste no começo e não quer passar por nenhum processo; e mesmo que tentem algum processo, é provável que ele falhe.

Shalom Bayit (Paz no Lar) com Hashem Essas coisas são claras, simples e fáceis de entender. Mas a ideia inovadora que devemos ter em mente é que é exatamente a mesma coisa que o nosso relacionamento com o Criador! Exatamente a mesma coisa!

Todos os pecados, delitos e transgressões intencionais são "brigas", "explosões de raiva". E todo processo de teshuvá (arrependimento) é como fazer as pazes em casa, por assim dizer – paz entre o homem e seu Criador, e entre o povo judeu e Hashem Yitbarach . E assim, Chazal diz sobre o altar, que expia os pecados, que ele faz a paz entre Israel e seu Pai Celestial. De fato, Chazal junta tudo isso e diz: "Vão e aprendam com Moisés e Aharon, que se dispuseram a fazer a paz entre Israel e seu Pai Celestial, entre o homem e seu próximo, entre marido e mulher." 2

Se for assim, assim como para conectar duas pessoas é preciso convencer ambas as partes de que a outra o ama e está muito magoada com a separação e deseja muito a reconciliação, da mesma forma, para fazer teshuvá , devemos ouvir os tzaddikim que nos explicam o quanto Hashem nos ama, quer e aguarda nossa teshuvá , como um pai aguarda seu filho.

Isso nos dá conselhos incríveis e básicos para qualquer um que queira restaurar sua conexão com o Criador e realmente fazer teshuvá :

Para realmente fazer teshuvá , consertar tudo o que você quebrou, virar a página e desenvolver uma conexão real e profunda com o Criador por muitos dias e anos, uma conexão que é o ápice da felicidade e da perfeição do homem – para alcançar tudo isso, o primeiro passo é acreditar que Hashem te ama! Sem isso, não há nada para falar!

Esta é a principal emuná (fé) que todos nós carecemos. E essa é a razão profunda por trás do fenômeno de baalei teshuvá abandonarem o processo de teshuvá e de pessoas desistirem completamente de fazer teshuvá . Porque toda teshuvá , correção e conexão com o Criador são construídas sobre a fé, o sentimento e o conhecimento absoluto de que Hashem Yitbarach te ama, seja qual for o seu estado!

O pior de todos O inverso também funciona. A falta de fé de que Hashem me ama, me quer e está satisfeito comigo é a iniquidade mais grave. De acordo com o que explicamos, é fácil entender o porquê: o sentimento equivocado de que Hashem não me ama e não quer minha teshuvá é a maior causa da desconexão de Hashem. Fecha a porta para todo o processo de teshuvá , de cura, de retificação; porque se Hashem não me ama, a conclusão é o desespero total.

E assim, o próprio desespero é o resultado de não aceitar o princípio básico de que Hashem me ama e que sou importante, precioso e favorecido aos Seus olhos, yitbarach . Com tal desespero, não se pode seguir em frente – o caminho fica completamente bloqueado.

Agora podemos entender o que o Rabino Natan diz em suas orações: “E se eu disser, chas veshalom , que minha esperança se foi e também minha expectativa de Hashem, isso é mais difícil do que o primeiro .” E, usando uma linguagem ainda mais dura, o Rabino Natan diz para si mesmo: "Não diga morra, chas veshalom , alegando que seus pecados estão com você, e você está apodrecendo neles, chas veshalom , e você não pode se arrepender de suas loucuras e atos equivocados porque seus pecados foram além disso, a ponto de chas veshalom sua vida eterna e sua esperança em Hashem se foram. Oh, oh, tenha misericórdia e compaixão de si mesmo e dos poucos dias que lhe restam neste mundo, que passam num piscar de olhos, e não diga tais coisas, chalila , porque isso é pior do que o que você disse antes, porque tais pensamentos, ideias e confusões são difíceis e prejudiciais, e irritam seu Criador mais do que todos os pecados, iniquidades e transgressões intencionais que você cometeu desde o seu início até hoje."

A raiz da “Bilam-idade” O perverso Bilam era um símbolo do mal. Ele era um profeta, compreendia as coisas, tinha "conhecimento do Altíssimo", Hashem lhe fala; e, no entanto, é um homem completamente corrupto, uma das pessoas mais sujas do mundo quando se trata de questões de santidade, um pecador que faz os outros pecarem, cheio de luxúria, mau-olhado e ganância, cujos desejos não conhecem satisfação, e a cereja do bolo: ele é um verdadeiro odiador do povo judeu; tudo o que ele quer é aniquilá-lo e destruí-lo.

Qual é a raiz de todo esse mal?

O Santo Rashi expressa a raiz profunda de todo esse mal em poucas palavras. Quando os emissários de Balaque chegam a Bilam, Hashem Yitbarach se revela a Bilam e lhe pergunta: "Quem são essas pessoas que estão com você?" A resposta de Bilam é: "Balak, filho de Tzippor, os enviou a mim." 3 E Rashi explica: "Embora eu não seja importante aos Seus olhos , sou importante aos olhos dos reis."

Em outras palavras, a raiz profunda de toda a maldade de Bilam é sua percepção distorcida de que ele não é importante aos olhos de Hashem! Se eu não sou importante para Hashem, não tenho chance, e não tenho razão para me esforçar para tentar me aproximar Dele ou consertar minhas ações.

Pensar que Hashem não te considera importante – essa é a mais séria desconexão com Hashem. Não é humildade – é kefira (heresia)!

E se isso soar muito extremo para você, eu o surpreenderei e direi que essas não são minhas próprias palavras – ao contrário, são as palavras do “advogado de defesa” dos judeus, Rabino Levi Yitzchak de Berditchev, autor do Kedushat Levi : “Se [uma pessoa] se desespera e diz que o Santo, Bendito Seja Ele, não obtém prazer no mundo humilde – isso não é chamado de pessoa humilde; na verdade, ela está se inclinando na direção do kefira .” 4

Portanto, cada um de vocês, queridos leitores, este é o seu primeiro passo: creiam de todo o coração e tenham a consciência clara e firme de que Hashem Yitbarach os ama, independentemente de qualquer coisa. Mesmo que tenham cometido todas as transgressões do mundo, Hashem lhes diz: “Eu sempre os amei, estou esperando por vocês e ansioso para ter um relacionamento com vocês; peço apenas uma coisa: lembrem-se de que Eu sempre os amei e desejo fazer apenas o bem e ainda mais bem. Enquanto acreditarem nisso, vocês sempre estarão conectados a Mim e apegados a Mim.”

Fonte: breslev.com

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Acredite em si mesmo – Acredite em Hashem

Crie em si mesmo – Crie em Hashem

Não há nada que quebre mais o espírito de uma pessoa do que a sensação de não estar progredindo. Quando alguém sente que não avança em seu caminho espiritual, emocional ou pessoal, perde a fé em si mesmo e no propósito de sua jornada. Especialmente quando, após meses ou anos, percebe que continua exatamente como era antes.

A forma mais poderosa de se encorajar é compreender que, mesmo que pareça que estamos desistindo de nossos maiores ideais, na verdade estamos direcionando nossos esforços para um objetivo claro. E ao alcançá-lo, recuperaremos a confiança em nós mesmos e na força de nossas orações. Isso é mais importante do que qualquer outra coisa, pois é a chave para o sucesso em todas as áreas da vida. O Rabino Natan explica (Likutey Moharán – Najalot 4) que, ao focar profundamente em suas orações, a pessoa constrói uma ferramenta maravilhosa de autoconfiança — e, com isso, adquire o poder de trazer resultados por meio de suas súplicas durante toda a sua vida!

Ao alcançar esse estado, a pessoa preenche sua existência com sentido. À medida que progride, transforma-se e melhora, sua vida começa a avançar. Surge então uma alegria interior, uma sensação de realização e uma imagem positiva de si mesmo — tudo isso essencial para continuar caminhando com força e propósito.

Meia hora de esforço pode mudar tudo

É fundamental lembrar que, ao dedicar apenas meia hora por dia a trabalhar em um único objetivo espiritual, mesmo que ainda esteja longe da perfeição e tenha muitos aspectos a corrigir, esse pequeno esforço é suficiente para neutralizar completamente todos os “julgamentos” divinos contra você.

O que são esses “julgamentos”? São as dificuldades que Hashem permite em nossa vida quando percebe que não estamos cumprindo o que é esperado de nós. Esses desafios surgem em diferentes áreas — saúde, relacionamentos, trabalho — não como castigo, mas como um chamado de atenção, um toque suave para nos despertar do torpor espiritual.

No entanto, quando uma pessoa se dedica com sinceridade a um único objetivo, mesmo deixando outros de lado por enquanto, Hashem se agrada. Ele sabe que o ser humano é limitado, que não pode corrigir tudo de uma só vez. E por isso, quando vê que alguém escolheu um caminho específico para trabalhar, Ele tem paciência com as demais imperfeições. Mas se a pessoa não escolhe nenhum foco, Hashem entende que, na verdade, ela não pretende mudar — e então envia sofrimentos para despertá-la.

Por isso, ao investir com profundidade em um único aspecto da vida, a pessoa consegue afastar todos os julgamentos divinos. A vida se torna mais leve, doce e plena.

Hashem entende nossas limitações

Nenhum pai sensato exige que seu filho faça algo além de suas forças. Da mesma forma, Hashem não espera que resolvamos todos os nossos problemas de uma só vez — porque isso é humanamente impossível. Quando um pai vê seu filho se esforçando para superar um defeito ou um mau hábito, ele se alegra profundamente e não exige mais do que isso. Assim também é Hashem: Ele se alegra conosco quando fazemos o possível para melhorar, e não tem acusações contra nós.

Se o atributo da justiça (Din) se levanta contra nós, Hashem responde: “O que você quer dele? Ele está trabalhando em si mesmo, progredindo em tal área da vida. Com o tempo, alcançará seu objetivo e depois se voltará para os outros.” Quando não há julgamentos contra nós, a vida flui com paz e bondade.

Devemos sempre lembrar deste princípio simples, mas profundamente verdadeiro: é impossível corrigir tudo ao mesmo tempo. É exatamente nisso que a Mitzrá (a inclinação negativa) se alimenta — fazendo-nos esquecer dessa verdade para nos atormentar com culpa e desespero. Por isso, é vital mantermos essa consciência viva em nossos corações.

A jornada é longa, mas cada passo conta

O Santo, Bendito Seja, criou o ser humano como um ser finito. É Sua vontade que nos esforcemos intensamente para alcançar um objetivo, depois outro, e mais outro. Esse é o único caminho verdadeiro para nos aproximarmos de Hashem. É nas dificuldades que sentimos nossa necessidade d’Ele, é nelas que oramos com sinceridade e agradecemos por cada pequeno avanço. Se tudo fosse fácil, nos esqueceríamos de Hashem, nos tornaríamos soberbos e nos afastaríamos d’Ele.

Portanto, devemos saber que o propósito de nossa existência é estar perto de Hashem. Quando fazemos o trabalho da vontade divina — quando desejamos o que Ele deseja — isso já é chamado de “estar perto de Hashem”, mesmo que ainda não tenhamos alcançado o objetivo. Nós esperamos, anelamos e confiamos que Ele nos salvará.

E por isso, podemos até nos alegrar por ter sido criados como seres limitados. Assim, podemos focar em um tema por vez, exigindo de nós muito esforço e dedicação — e é exatamente assim que nos aproximamos verdadeiramente do serviço divino e da oração.

Não perca a esperança

Por essa razão, jamais devemos perder a esperança. Devemos lembrar que esta é uma jornada longa e que o progresso é lento. O importante é continuar no caminho, com muita paciência e constância. Todo aquele que deseja se aproximar de Hashem e unir-se a Ele nunca se desespera — porque não tem medo de esperar, se necessário. Cada dia, ele se une mais a Hashem através do trabalho interior, e já conquistou o elemento mais essencial: a fé, a emuná.

Esse é o ponto central que deve ocupar lugar de destaque em nossa consciência: precisamos de muita paciência e perseverança. Esse processo, sem dúvida, levará tempo. Nós fazemos a nossa parte e dizemos a Hashem:

“Quero corrigir todos os meus maus traços de caráter. Quero me libertar de todas as minhas paixões físicas, maus hábitos e do caos interior que carrego. Não quero cometer nenhum pecado. Quero cumprir todas as mitzvot com perfeição e me arrepender plenamente dos meus erros. Mas sei que não posso lutar em todos os frentes ao mesmo tempo. Por isso, faço a minha parte: trabalho no que é mais urgente agora, pois sei que é isso que Tu esperas de mim neste momento.”

“Por favor, peço-Te que me ajudes a não me desviar deste caminho, nem desistir, mas que eu continue até ver resultados concretos. Então poderei avançar para outra área que precise de correção. Enquanto isso, quero me alegrar em cada dia que me aproxima mais de Ti, e orar para cumprir a Tua vontade. Isso é o mais importante para mim. É o meu propósito. Se eu não tivesse tantos aspectos a corrigir, minha vida estaria desconectada de Ti. Por isso, agradeço-Te por todas as oportunidades de reparação. Ajuda-me a me alegrar no meu trabalho, e não me desanime por ele levar tanto tempo.”

Um passo afeta toda a vida

Além disso, devemos lembrar: quando uma pessoa trabalha profundamente em um único tema, isso impacta positivamente toda a sua vida. No serviço divino, todos os aspectos estão interligados. Quando alguém desenvolve fé, isso traz alegria, elimina a raiva, melhora os relacionamentos e fortalece a harmonia familiar. Da mesma forma, corrigir o pacto de santidade influencia todos os âmbitos da vida — é a chamada “retificação universal”, como o próprio nome sugere.

Como o Rabino Natan ensina na introdução ao Sefer HaMidot, ouviu diretamente do Rabino Najman de Breslev: “Todos os traços de caráter são vizinhos. Por isso, um pode ajudar o outro.” Assim, quando uma pessoa melhora em uma área, não está ignorando as demais — pelo contrário, essa melhora se irradia por todo o seu serviço espiritual.

Portanto, cada pequeno esforço tem o poder de neutralizar completamente os julgamentos que pesam sobre nós. Não há mais condenações divinas em nosso caminho. A vida se torna boa, doce e cheia de sentido. Nossa obra nos traz satisfação e eleva toda a nossa jornada espiritual.

Conclusão: Confie no processo

Não se desanime. Confie. Avance um passo de cada vez. Dedique-se com amor, paciência e fé. Hashem vê cada esforço, cada oração, cada tentativa de melhora. E Ele está ao seu lado, todos os dias, celebrando cada avanço — por menor que pareça.

Acredite em si mesmo.
E, acima de tudo, Acredite em Hashem.

Fonte:Breslev.com (traduzido do Espanhol para Português)

domingo, 17 de agosto de 2025

Fortalece tu Emuná

Fortalece tu Emuná

Únicamente quando alguém tem uma fé completa, suas orações são perfeitas, ou seja, sem dúvidas nem vacilações.

Grupo Breslev Israel

Portanto, a oração do indivíduo é um reflexo de sua medida de emuná (fé) e é aceita de acordo com essa medida. E aqui devemos ter muito cuidado. Há muitos fatores que enfraquecem a emuná e a oração, e especialmente enfraquecem nossa fé essencial de que Hashem deseja nos salvar. Por isso, precisamos conhecer isso e proteger-nos desses fatores, pois não devemos permitir que nada enfraqueça nossa oração.

Muitas vezes, a familiaridade que alguém tem com os ensinamentos da Torá e os escritos dos tzadikim o “esfria”, o desencoraja, e então a pessoa reza sem força. Inclusive conhecimentos que são verdadeiros e cheios de emuná podem impedir que alguém alcance a fé perfeita. Mas é proibido permitir que até mesmo esses conhecimentos tão verdadeiros enfraqueçam nossas orações, ainda que seja em um grau mínimo.

Por exemplo, alguém sabe que Hashem é Justo e Reto, como está escrito: “Ele é minha Rocha e não há injustiça nele” (Salmos 92:16). Sabe que tudo é julgado medida por medida. Se a pessoa foi castigada, foi sem dúvida por causa de seus pecados, pois não há sofrimento sem transgressões. Essa pessoa não foi afligida sem motivo. Hashem não condena sem justiça. Portanto, a pessoa deve fazer uma teshuvá (arrependimento) completa e examinar seu comportamento. E deve aceitar o decreto do Rei com amor e gratidão.

Todos esses são aspectos do que se chama uma “fé perfeita” e são absolutamente verdadeiros. No entanto, eles enfraquecem a oração. A pessoa sabe que merece um castigo, que ainda não fez teshuvá, e que Hashem é justo em tudo o que faz. Mesmo assim, a verdade absoluta é que Hashem quer que cada pessoa viva.

Além disso, o Rabino Meir nos ensina que mesmo que no Céu tenha sido decretado e selado um veredito de morte contra alguém, ainda assim, com uma fé perfeita, essa pessoa pode anular o decreto. Isso significa que, embora o julgamento Divino seja certamente verdadeiro e correto, por meio de uma oração perfeita, alguém pode anulá-lo e viver. Assim, depois que o profeta disse ao Rei Ezequias que o julgamento divino contra ele já estava selado, ele orou do fundo do coração — e o decreto foi imediatamente anulado. Isso aconteceu porque ele acreditou que, embora o profeta tivesse dito que ele morreria, Hashem queria que ele vivesse.

Da mesma forma, mesmo quando uma pessoa sabe que é má, indigna e imoral, Hashem deseja salvá-la, pois Ele quer salvar a todos. Isso porque o propósito do mundo é que vivamos, reconheçamos o Criador e acreditemos Nele. “Não morrerei, mas viverei e anunciarei as obras de D'us” (Salmos 118:17). “Não os mortos louvarão a D'us, nem todos os que descem ao silêncio” (Salmos 115:17).

Hashem quer salvar a todos, inclusive ao pecador mais grave. Na verdade, Ele deseja especialmente salvá-lo, porque quer que viva e corrija seu comportamento. Hashem não deseja que o ímpio morra, mas que abandone seu mau caminho e viva. Por isso, quando oramos, devemos acreditar com fé perfeita que Hashem quer que vivamos — tanto no sentido físico quanto no espiritual, ou seja, fazendo uma teshuvá completa.

Por isso, o que alguém deve fazer é clamar a Hashem com um único pensamento: “Preciso que me salves imediatamente, e Tu queres me salvar! Resgata-me! Dá-me o que preciso! Dá-me vida, acima de tudo. E depois ajuda-me a corrigir tudo o que preciso corrigir, a fazer teshuvá, a mudar, etc. Mas agora não posso pensar em tudo isso — só posso pensar em ser salvo, aqui e agora, porque essa é a Tua verdadeira vontade”.

Quando clamamos a Hashem com todo o coração e acreditamos Nele, não estamos “convencendo” Ele a nos resgatar, mas apenas aludindo à Sua verdadeira vontade, fazendo com que ela passe da potência ao ato. No momento em que oramos e elevamos esse clamor, não pensamos em mais nada. Não pensamos: “mereço” ou “não mereço”, “fiz teshuvá” ou “não fiz teshuvá”. Pensamos apenas numa coisa: “Hashem quer me salvar, e Ele está apenas esperando que eu faça o meu papel: clamar a Ele com todo o meu coração”.

Todos os outros pensamentos durante a oração — por mais verdadeiros que possam ser — enfraquecem nossa prece e a esfriam.

Únicamente quando alguém tem uma fé completa, suas orações são perfeitas, ou seja, sem dúvidas nem vacilações. São fortes e absolutas — e, portanto, eficazes. Pois quando clamamos com todo o coração, nossa oração cumpre seu propósito e anula todos os decretos contrários a nós.