Player da Rádio

Pesquisar este blog

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Jejuar para Corrigir


Nossos Sábios ensinaram:

“Toda geração na qual o Sagrado Templo não é reconstruído é considerada como se o tivesse destruído”…

Rabino Eliahu Kitov

10 de Tevet – Jejuar para Corrigir

Do que se trata o jejum do dia 10 de Tevet?

Maimônides escreve o seguinte (Leis do Jejum, cap. 5):

“O jejum do dia 10 de Tevet é como os demais jejuns que foram instituídos para lamentar a destruição do Beit HaMikdash (o Sagrado Templo) e o exílio de Israel. No entanto, o objetivo principal do jejum não é a dor e o lamento, pois o sofrimento sentido quando esses acontecimentos ocorreram já foi suficiente. Pelo contrário, sua finalidade essencial é estimular o arrependimento, recordar-nos das más ações de nossos antepassados, assim como de nossas próprias ações, que trouxeram, a eles e a nós, grandes tribulações. Ao recordar tudo isso, nos arrependeremos e agiremos corretamente, como expressa o versículo (Levítico 26:40): ‘E confessarão os seus pecados e os pecados de seus antepassados, pelas infidelidades que cometeram contra Mim…’”.

Nossos Sábios (Talmud Yerushalmi, Tratado Yomá 1) ensinaram:

“Toda geração na qual o Beit HaMikdash não é reconstruído é considerada como se o tivesse destruído”, pois cada geração possui a capacidade de despertar a misericórdia Divina, redimir Israel de seus inimigos, reunir seus exilados dos lugares onde se encontram dispersos e reconstruir o Beit HaMikdash. Como isso pode ser alcançado? Por meio de um arrependimento completo e da correção dos pecados das gerações anteriores. Enquanto a salvação não chega, isso é sinal de que ainda não nos arrependemos de nossos pecados; por isso, continuamos sofrendo por nossas próprias transgressões e pelas de nossos antepassados. É como se estivéssemos atrasando a redenção final, e como se nós mesmos tivéssemos provocado a destruição.

Mesmo quando o Beit HaMikdash se encontra em ruínas, Israel permanece no exílio e nossa terra jaz desolada em mãos estrangeiras, nenhum desses fatores deve ser visto como sinal de que D’us tenha “se divorciado” de Seu povo — que D’us não o permita. Ele não decretou um exílio eterno para os judeus, nem uma destruição perpétua para Seu Santuário. Exílio, destruição e aflição — tudo isso é temporário e pode, a qualquer momento, por misericórdia Divina, ser transformado em alegria. O que foi destinado a ser eterno é que o povo judeu viva em sua terra e que o Grande Templo seja reconstruído.

Exílio Temporário

O versículo diz:

“…para que a terra não vos vomite por tê-la contaminado, como vomitou a nação que nela habitava antes de vós” (Levítico 18:28).

Este versículo não é apenas uma advertência, mas também uma promessa. D’us assegura a Israel que, mesmo que contaminem a terra, ela não os expulsará definitivamente. Apenas a nação que a habitava anteriormente foi “vomitada” de forma permanente, para nunca retornar, assim como alguém que vomita algo repugnante e jamais volta a ingeri-lo. Israel, porém, não foi “vomitado” pela terra, mas exilado em consequência de seus pecados, e em breve retornará para possuí-la como herança eterna. Seu retorno depende apenas do arrependimento e da misericórdia Divina, que apressarão o momento da redenção final.

Portanto, o objetivo do jejum é subjugar a má inclinação por meio da restrição do prazer, abrindo assim nossos corações ao arrependimento e às boas ações, o que fará com que se abram para nós os portais da misericórdia Divina.

Dessa forma, toda pessoa deve comprometer-se seriamente a examinar suas ações e arrepender-se durante esses dias [de jejum], pois esse é o seu propósito essencial. Como declara o versículo (Jonas 3:10) a respeito dos habitantes de Nínive: “E D’us viu as suas ações”. Os Sábios (Tratado Taanit 22a) explicaram: não diz que D’us viu seus cilícios e jejuns, mas que D’us viu suas ações — isto é, o jejum serviu como meio para despertar o arrependimento, tornando suas ações dignas.

Lemos em Jaiêi Adam (133):

Assim, aquelas pessoas que jejuam, mas passam o dia viajando ou desperdiçando o tempo, consideram apenas o aspecto secundário [o jejum] e deixam de lado o essencial [o arrependimento]. No entanto, o arrependimento por si só — sem o jejum — também não é suficiente, pois é um mandamento positivo, instituído pelos Profetas, jejuar nesses dias.

Nossos Sábios (Talmud Yerushalmi, Taanit 2) declararam:

Quanto a todo jejum que não seja cumprido adequadamente, o versículo diz (Jeremias 12:8):

“Ela levantou a sua voz contra Mim; por isso, Eu a aborreci”.

— Seleção extraída de Nós e o Tempo – Sefer HaTodáá, do Rabino Eliahu Kitov —

(Com a gentil autorização de www.tora.org.ar)

O Jejum de 10 de Tevet não é apenas um dia de privação física, mas um convite à transformação interior.

Ao nos abstinermos de alimento e bebida, abrimos espaço para o arrependimento sincero, para a melhoria das nossas ações e para a esperança na redenção.


Que este dia nos ajude a agir com mais consciência, responsabilidade e verdade, e que possamos merecer ver Jerusalém reconstruída em paz, com a reunião de todo o povo de Israel em sua terra.

Fonte: Breslev Israel

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

“Ajuda-me, e rápido!”

O Chidushei HaRim, que foi discípulo do Rebe de Kotzk, transmitiu este ensinamento em seu nome, acrescentando um complemento breve, porém muito importante. Eis o que ele ensinou:

“Quando a pessoa faz um pedido ao Santo, Bendito Seja, por algo — seja filhos, vida ou sustento — isso está nas mãos do Céu. Se HaShem quiser, Ele pode conceder o que foi pedido; se não quiser, não concederá, a menos que o pedido seja por temor Divino. Se a pessoa pede a HaShem com todo o seu coração e com toda a sua alma que Ele lhe preencha o coração com temor Divino, então HaShem não apenas não deixará de responder ao seu pedido, como o concederá imediatamente.”

Ou seja, a prece para alcançar realizações espirituais deve, necessariamente, ser aceita, e essa prece dá frutos de imediato, pois isso corresponde à vontade do Criador.

Em termos práticos, o indivíduo está neste mundo para rezar a fim de alcançar o temor Divino. Por isso, o Chidushei HaRim explica:

“O que está nas mãos da pessoa é que, por meio do anseio e da vontade, com todo o seu coração, de alcançar o temor Divino, por meio disso HaShem lhe concede o temor Divino, conforme está escrito: ‘Quem dera que o seu coração fosse assim, para que Me temessem’ (Deuteronômio 5:26) — que tenham a vontade de temer a HaShem e de colocar o temor Divino em seus corações. Isso está nas mãos do indivíduo: por meio de uma prece adequada, ele certamente causará um efeito e alcançará o temor Divino.”

E essas palavras falam por si mesmas. Da mesma forma, Rabi Yehoshua de Belz ensina: “Presume-se que todas as preces de Israel serão aceitas e não retornarão vazias.

Contudo, é preciso fazer uma distinção: se a pessoa reza por questões espirituais, então é atendida de imediato; mas se reza por questões materiais, é possível que sua prece não se cumpra.”

A partir dessas palavras, vemos que tudo o que foi dito aqui — que HaShem quer nos conceder de imediato e que podemos pedir-Lhe que nos dê algo agora mesmo — aplica-se unicamente às questões espirituais, pois no âmbito espiritual a prece deve ser aceita imediatamente.

Já quando rezamos por assuntos materiais, embora HaShem queira nos prodigalizar abundância de bem, não podemos pedir-Lhe que nos salve de imediato; devemos esperar com paciência até que Ele nos envie Sua salvação.

Isso acontece porque, quando se trata de assuntos materiais, existem cálculos Divinos envolvidos quanto ao que o indivíduo deve vivenciar na vida e em quais circunstâncias deve servir ao Criador. Às vezes, se ele for resgatado no plano material, isso pode interferir em sua missão espiritual, que é o fator principal a ser considerado. Por isso, HaShem retém o resgate material, e é proibido “forçar o momento”.

Ao contrário, a salvação espiritual não pode ser evitada, pois alcançá-la é todo o nosso propósito neste mundo e a razão pela qual fomos criados. Por isso, nos Salmos, o Rei David pede a HaShem em diversas ocasiões:

“Ajuda-me, rapidamente”,
“Apressa-Te em me ajudar”,
“Resgata-me de imediato”,
“Depressa, ajuda-me”,
e expressões semelhantes.

Equipe do Breslev Israel

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Hitbodedut – Vaigash ✡️

Por que tantos de nossos antepassados e líderes nacionais mais importantes decidiram ser pastores?

Rabino Lazer Brody

“E os homens são pastores, porque sempre foram pastores” (Bereshit 46:32).

Yosef (José), ao descrever seus irmãos ao Faraó, diz que eles são “pastores, porque sempre foram pastores”. Esta passagem parece ser redundante. Além disso, por que tantos de nossos antepassados e líderes nacionais mais importantes — Avraham (Abraão), Itzjak (Isaac), Yaakov (Jacó), os filhos de Yaakov, Moshe (Moisés), Shmuel HaNavi (Samuel, o Profeta) e David HaMelech (Rei David) — decidiram ser pastores?

Nossos Patriarcas encontraram quatro vantagens na profissão de pastor:

Primeiro, cuidar de ovelhas é uma atividade relativamente simples, que não ocupa excessivamente a mente; portanto, a pessoa pode cuidar dos rebanhos e, ao mesmo tempo, pensar em assuntos de maior importância.

Em segundo lugar, as ovelhas são rentáveis, pois produzem lã e leite e se reproduzem; se pastam em campo aberto, o dono do rebanho praticamente não tem despesas.

Em terceiro lugar, quem cuida de rebanhos passa a maior parte do tempo afastado de outras pessoas e, assim, evita cometer uma longa lista de transgressões, incluindo calúnias, fofocas, enganos e muitas outras.

Em quarto lugar, essa ocupação permitiu que nossos Patriarcas mantivessem sua santidade, evitando a assimilação aos seus anfitriões egípcios, já que o pastoreio era algo impensável para os antigos egípcios.

A vida solitária dos pastores no deserto permitiu que nossos antepassados se dedicassem ao seu passatempo favorito: a hitbodedut, ou seja, a prece pessoal em isolamento. Rabí Nachman de Breslev ensina:

“A hitbodedut é a coisa mais elevada que existe. Os tzadikim mais famosos disseram que alcançaram seu alto nível espiritual graças a uma extensa prece pessoal em reclusão” (Likutei Moharan II:25).

Em outra ocasião, Rabí Nachman de Breslev ensina:

“Quando a pessoa reza no campo, cada folha de grama se une à sua prece, ajudando-a e dando força à sua oração” (Likutei Moharan II:11).

O pensamento esotérico judaico ensina que todo ser criado — mineral, vegetal, animal e, naturalmente, o ser humano — possui uma força vital espiritual que chamamos de “alma”. A prece pessoal, especialmente no campo, envolve toda a Criação, pois todas as criaturas aproveitam a oportunidade de se ligar a uma prece de nível superior, já que isso facilita a correção de suas próprias almas. Assim, todos os seres criados formam uma bela sinfonia de fundo para o ser humano privilegiado que reza em meio a eles. Uma prece tão sublime ascende diretamente ao Trono Celestial. É por isso que nossos antepassados e sábios passaram tanto tempo quanto possível praticando a Hitbodedut.

Quando falamos com Hashem em hitbodedut, emulamos nossos antepassados. E Hashem fica mais do que feliz em ouvir Seus amados filhos e filhas que se aproximam Dele por meio da prece pessoal.

Pode-se perguntar: se a prece pessoal é tão maravilhosa, por que nem todos falam com Hashem por pelo menos uma hora por dia? A maioria das pessoas alega que não tem tempo diariamente para falar com Hashem em prece pessoal.

Nossos antepassados sabiam que, ao falar com Hashem, podiam suprir todas as suas necessidades, tanto espirituais quanto materiais. Rabí Nachman de Breslev ensina que, quando seguimos seus passos, também podemos satisfazer todas as nossas necessidades.

Muitas pessoas se lamentam, quando na verdade tudo o que precisam fazer é pedir a Hashem tudo aquilo de que necessitam. A hitbodedut não é apenas um sinal de nossa realeza: é um dos maiores dons que Hashem poderia nos conceder.


Que essas palavras fortaleçam o coração, tragam esperança e renovem a confiança.


Que Hashem, bendito seja,

nos guie com misericórdia,

nos conceda saúde,

paz interior

e muitos motivos para sorrir.


Hashem sempre nos ama. 🙃🙂🙃 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Tudo é para o bem e tudo vem de Hashem!

Miketz – Tudo é Para o Bem!

Justamente os problemas que os irmãos de Yosef enfrentavam os levaram a pensar: “Que pecado teremos cometido?” Após uma introspecção, encontraram um...

Tudo o que HaShem faz é para o nosso bem.

É muito conhecida a narrativa que conta a história de Yosef e seus irmãos. Eles o venderam como escravo e, após vinte e dois anos, voltaram a se encontrar. Quando os irmãos foram comprar trigo, não o reconheceram — não perceberam que se tratava de Yosef. No momento em que notaram que o governador lhes falava com dureza e os colocava na prisão, disseram: “Somos culpados por causa de nosso irmão; ele nos suplicava que tivéssemos misericórdia dele, mas não tivemos piedade.”

Em outras palavras: quando os irmãos de Yosef perceberam todas as dificuldades que estavam enfrentando, não as atribuíram ao acaso, mas procuraram onde estava a falha. E não encontraram outro pecado senão o de não terem tido piedade de seu irmão.

Se prestarmos atenção, veremos que eles não se arrependeram especificamente por tê-lo vendido, pois consideravam que assim deveriam agir com Yosef — classificaram-no como um “perseguidor”. Sentiam-se aflitos por não terem demonstrado compaixão naquele momento.

No entanto, Reuven não concordava com a postura dos irmãos. Ele argumentava: “Seu sangue está clamando! Certamente, ele morreu em sua escravidão.” Para Reuven, não se tratava apenas de falta de compaixão: “Vocês pecaram ao vendê-lo!”

Devemos levar em conta o que está escrito na Guemará: “Todo aquele a quem D'us ama, Ele faz sofrer. As dificuldades que D'us nos envia são para expiar nossos pecados.” Justamente os problemas que os irmãos de Yosef enfrentavam os levaram a pensar: “Que pecado teremos cometido?” Após uma introspecção, encontraram um único pecado: a venda de Yosef.

Há um exemplo que pode ser relacionado a este tema. Conta-se que, em certa cidade, governava um senhor muito bondoso. Como administrador das terras e propriedades, permitia que os trabalhadores vivessem pagando aluguéis muito baixos. Por exemplo: onde o aluguel era de R$300, ele cobrava apenas R$100. Agia assim com todos os seus empregados — era a única forma de garantir que vivessem com dignidade.

Um de seus trabalhadores era extremamente pobre; mal conseguia sustentar a si mesmo e à sua família. Com esse empregado, o governador era ainda mais compassivo: em vez de cobrar R$100, como dos demais, cobrava-lhe apenas R$50.

Após certo tempo, esse governador precisou deixar seu cargo, e em seu lugar assumiu outro, totalmente diferente — um homem pouco compreensivo e muito materialista, que não reduzia nem um centavo do valor devido. Os trabalhadores rogavam-lhe que fosse mais flexível, mas ele não atendia a nenhum pedido.

Quando o empregado mais pobre se aproximou para falar com o novo governador, explicou-lhe que seria impossível pagar a quantia exigida. O governador então lhe disse que, por cada real que não pudesse pagar, receberia um chicotada.

Não houve mês em que esse pobre trabalhador não recebesse várias chicotadas por sua dívida. Quando o mandato desse governador terminou, o governador anterior retornou ao cargo. Então, o trabalhador foi até ele e contou tudo o que havia sofrido.

O governador pediu ao empregado que lhe dissesse quantas chicotadas havia recebido e, por cada uma delas, concedeu-lhe uma fortuna. O trabalhador voltou para casa muito feliz com a recompensa recebida. Depois de um tempo, sua esposa notou que ele parecia preocupado e perguntou: “O que há com você?” Ele respondeu: “Ah, que pena não ter recebido mais chicotadas!”

Se refletirmos sobre essa história, perceberemos que, de acordo com o exposto, quando enfrentamos dificuldades devemos saber que tudo acontece por algum motivo, que, se HaShem deseja que algo ocorra, é para o nosso bem, e que certamente receberemos uma recompensa por esse sofrimento.

Qual era a intenção de Yosef? Por que causou tantos problemas aos irmãos? Yosef queria que seus sonhos se cumprissem em todos os detalhes, para que não precisassem ser realizados depois de forma mais severa.

De acordo com o Rambam (Maimônides), sobre o versículo “E Yosef lembrou-se dos sonhos”, Yosef agia contra sua própria vontade — chorava e lavava o rosto para que ninguém percebesse. Ele se continha, mas tinha algo muito claro: essa atitude serviria como expiação para seus irmãos pelo que haviam feito.

Segundo a perspectiva judaica, tudo o que HaShem faz é para o bem.

Redação Breslev Israel

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Chanucá – Luzes e… Luzes

 Nem todas as luzes são iguais. Há luzes que iluminam. Há luzes que ofuscam. Há luzes que mareiam...

Rabino Daniel Oppenheimer

Nem todas as luzes são iguais. Há luzes que iluminam. Há luzes que ofuscam. Há luzes que mareiam…

Uma das coisas que mais mudou a vida do homem moderno é a luz. Não faz tanto tempo que o ser humano despertava e vivia praticamente apenas com a luz natural. A cera para velas era muito cara e era economizada para ser usada em casos de necessidade, para iluminar a noite. Tudo isso mudou. A tecnologia permitiu fazer praticamente as mesmas coisas de dia e de noite. Os aviões decolam e aterrissam a qualquer hora. Passeamos, nos visitamos e… até estudamos à noite. Quer tomar sol e não tem tempo durante o dia? Está nublado? Não há problema! Existem as camas solares.

Isso também trouxe consigo um aspecto negativo. A noite e o impedimento de sair criavam um espaço para a reflexão. A contemplação (e o saber usar o tempo de estar sozinho, sem televisão e sem companhia) fez crescer mais de uma pessoa.

Nem todas as luzes são iguais. Há luzes que iluminam. Há luzes que ofuscam. Há luzes que mareiam. Quando tiramos uma foto, percebemos que uma das coisas importantes a se levar em conta é que não falte… nem sobre luz. Luz excessiva ou insuficiente às vezes pode significar… escuridão.

Os Sábios assinalaram que, quando a Torá se refere aos diferentes exílios aos quais estivemos expostos, o da Grécia (Iaván) é denominado “Joshej” – escuridão. E não por acaso. Iaván é descendente do filho de Noach chamado Iéfet. Iéfet se caracteriza por sua sensibilidade à beleza, às artes, à estética, às estruturas do pensamento e da filosofia, às esculturas. Seu irmão Shem, de quem provém o povo judeu, personifica o nome. O nome das coisas, no idioma hebraico, é a sua essência. As coisas não se definem por palavras convencionais apenas para que todos chamemos os objetos pelo mesmo nome e saibamos o que o outro está dizendo, mas sim pela função Divina que cada pessoa ou objeto possui. Uma arma, por exemplo, pode ser um elemento de defesa para um, um instrumento de trabalho para outro (o assaltante), um objeto “esportivo” para um terceiro ou “mercadoria” para o comerciante que a vende. Cada um a observa a partir de sua ótica pessoal. Quando Adam nomeou os animais, conseguiu compreender sua essência fundamental acima de sua visão pessoal.

Essa diferença entre Shem e Iéfet manifestou-se em Janucá. Iaván (Grécia) queria impor ao mundo uma “religião” na qual as artes, o esporte e a nudez do corpo humano assumiam um caráter religioso. No entanto, na realidade, as artes não deixam de ser aparências e imagens que se procuram projetar. Diferentemente disso, o judeu deve buscar a essência de sua existência, para a qual foi criado. A arte de Iéfet é positiva para acompanhar a essência, não para substituí-la. Quando tenta fazê-lo, transforma-se em algo opaco, em escuridão.

Os Jashmonaim (macabeus) “arriscaram-se” e lutaram porque os gregos haviam proibido a observância do Shabat, de Rosh Jodesh e da Brit Milá (esta última os incomodava particularmente, pois para os judeus representa a submissão do corpo ao espírito, enquanto para os gregos o corpo e sua beleza são o fator central da existência humana). Todos os judeus poderiam tê-lo feito, mas grande parte optou pelo que estava na moda naquela época, que era a cultura do “físico”. Lutaram pela Neshamá (alma) do povo judeu. Restauraram o Bet HaMikdash (Templo).

A Neshamá é chamada de a “vela” Divina que está em nossas mãos. Os macabeus buscaram e encontraram azeite puro. Muito pouco. Não era suficiente para os oito dias necessários para preparar azeite novo. O que se faz em tal situação? Dilui-se? Procura-se um azeite que não seja puro? Não! O azeite deve ser puro, mesmo que seja pouco, mas íntegro e saudável. Acenderam o pouco azeite puro que tinham e… oh milagre! Durou oito dias. Demonstraram que não é a quantidade que define as coisas. É necessária pureza. É possível que, no começo, haja apenas pouca luz. No primeiro dia, a Januquiá está quase vazia. Mas se o azeite é puro, ao cabo de oito dias temos a Januquiá cheia.

A luz genuína da Torá, por um lado, e o brilho aparente da Grécia antiga, por outro, continuam competindo por nossa atenção. Se soubermos fixar nosso olhar, poderemos enxergar com a luz da Torá, sem nos deixarmos ofuscar pelos outros brilhos ocasionais.

(Com a gentil autorização de www.tora.org.ar)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Ascensão desde o abismo – Parashá Vaieshev

Yosef era um homem extremamente atraente – “de bela forma” – e muito meticuloso com a maneira como se vestia – “de aspecto bem parecido”.

**Rabino Lazer Brody**  
“… e Yosef era de bela forma e de aspecto bem parecido” (Gênesis 39:6)

Utilizando uma linguagem aparentemente dupla, a sagrada Torá nos diz que Yosef era um homem extremamente atraente – “de bela forma” – e muito cuidadoso com sua aparência – “de aspecto bem parecido”.

À primeira vista, parece que Rashi desaprova o comportamento de Yosef, pois em seu comentário sobre esse versículo, Rashi afirma que, desde o momento em que Yosef se tornou responsável pela casa de seu senhor, “começou a comer, beber e enrolar o cabelo; Hashem disse: ‘Seu pai está de luto e você enrola o cabelo? Incitarei o urso contra você.’”

Naturalmente, o “urso” era a esposa de Potifar e o subsequente encarceramento de Yosef.

Yosef conhecia toda a Torá, pois era o principal discípulo de seu pai. Podemos conceber que ele tenha transgredido a halachá, a lei judaica?

Para sermos precisos: Yaakov estava de luto porque acreditava que Yosef havia sido morto. Yosef não estava de luto e, portanto, não estava sujeito às restrições do luto (como a proibição de cortar o cabelo ou fazer a barba).

Mesmo se considerarmos que ele poderia ter sido mais sensível aos sentimentos de seu pai por piedade, o fato é que ele era o chefe dos administradores e responsável pelos bens de um oficial de alto escalão como Potifar — exigindo que mantivesse uma aparência impecável, conforme a Halachá determina.

O Shulchan Aruch permite ao enlutado cortar o cabelo após trinta dias; porém, alguém do nível de Yosef tem permissão para cortar o cabelo e se arrumar após sete dias, ao final da shivá.  
O Shach esclarece que pentear o cabelo não é considerado um ato de prazer ou alegria. Portanto, mesmo se Yosef estivesse de luto, ainda assim seria permitido a ele arrumar-se.

E já que ele não estava de luto, por que Rashi cita um Midrash que aparentemente o condena?

Com a ajuda de Hashem, explicamos assim: as ações de Yosef estavam totalmente alinhadas com a lei judaica e eram agradáveis a Hashem.  
No entanto, Hashem estava enganando o Satã e preparando o cenário para a futura redenção do povo judeu.

O Satã ansiava tentar Yosef por meio da esposa de Potifar e depois lançá-lo na prisão.  
Sem compreender a intenção divina, o Satã estava satisfeito: ou Yosef cairia na tentação e perderia seu alto nível espiritual, ou seria encarcerado e perderia sua influência e status. O Satã tinha certeza de que seria o fim de Yosef.

Mas o que o Satã não sabia é que o encarceramento de Yosef seria o início de sua verdadeira ascensão ao poder e à glória.

Aprendemos, então, uma lição profunda, capaz de fortalecer nossa emuná e nossa confiança em Hashem mesmo nas situações mais difíceis: **a pior queda conduz ao maior ascenso**.

Hashem está prestes a elevar Yosef de seu abismo mais profundo à sua mais elevada grandeza, como vemos quando ele decifra os sonhos do Faraó na Parashat Miketz.

A má inclinação, que é o próprio Satã, tenta convencer a pessoa de que ela está perdida, que não há solução para seus problemas e que seus desafios são insuperáveis — pois uma pessoa deprimida é uma pessoa vencida.

Ao contrário disso, a emuná nos ensina que nunca há motivo para desespero, porque a salvação de Hashem é repentina, inesperada e frequentemente vem de um lugar que jamais imaginaríamos.  
Essa é a forma maravilhosa com que Hashem conduz o mundo.

Este também é o segredo do Mashíach e da Redenção.

Observemos os acontecimentos anteriores ao nascimento do Rei David: Yehudá e Tamar, Boaz e Ruth.  
Consideremos as circunstâncias do nascimento de David, quando seu próprio pai pensou que ele era um mamzer (bastardo), fruto de uma relação proibida.  
Estes são exemplos de como Hashem engana o Satã, fazendo com que atos aparentemente indignos se tornem precursores da Casa de David.

Além disso, tanto Tamar quanto Ruth poderiam facilmente ter caído na desesperação devido às suas situações.  
Mas elas se apegaram a Hashem com emuná e, longe de desistirem, alcançaram os níveis mais elevados do povo judeu, tornando-se as matriarcas do Mashíach.

Que o recebamos muito em breve. Amén!!!

Fonte: Breslev.com

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Tzedaká – Caridade / Justiça Social

Nossos Sábios ensinam: Se você vê que seu sustento é muito limitado, dê tzedaká! E muito mais se você conta com um sustento suficiente.

Grupo Breslev Israel

Nossos Sábios ensinam: Se você vê que seu sustento é muito limitado, dê tzedaká! E muito mais se você conta com um sustento suficiente. É como duas ovelhas, uma tosquiada e a outra não, que querem atravessar o rio: a tosquiada não tem problemas para cruzá-lo, mas a outra se afoga quando sua lã se enche de água (Guuitín 7a).

Rabi Nachman ensina: Todos os começos são difíceis… Assim como a mulher que está dando à luz deve sofrer as dores do parto antes de trazer seu filho ao mundo, do mesmo modo, para tudo o que desejamos conquistar — gerar e criar — primeiro devemos sofrer as “dores de parto”. A parte mais difícil é fazer a abertura, o começo. A tzedaká é chamada de “abertura”. É a primeira abertura, aquela que alarga todas as brechas e abre todas as outras portas; a que cria oportunidades (Likutei Moharán II 4:2).

Não é fácil começar a dar tzedaká. E especialmente se por natureza somos avarentos ou se em nossa personalidade existem traços de dureza. O verdadeiro trabalho consiste em quebrar nossa crueldade inerente, convertendo-a em compaixão. Isso é expresso pelo versículo: “E Eu ordenei aos corvos que o sustentassem”. Embora por natureza o corvo seja cruel, ele se transformou em compaixão para sustentar o profeta Eliyahu. Do mesmo modo, todo aquele que dá tzedaká por sua generosidade inata, independentemente da quantidade, precisa passar por essa etapa preliminar de quebrar qualquer vestígio de crueldade que possa possuir, convertendo-o em compaixão.

Rabi Natan escreve em Likutei Halachot que, quando vemos outra pessoa morrendo de fome, certamente despertamos compaixão para ajudá-la. Claro que isso é uma mitzvá e devemos fazê-lo, mas também existe um nível muito mais elevado de dar tzedaká. Mesmo aquele que por natureza possui um coração generoso deve passar por essa etapa quando começa a dar além da sua tendência compassiva. Quando ele supera sua tendência inata, entendendo onde termina sua compaixão e onde começa sua crueldade, deve converter essa crueldade em compaixão e dar tzedaká. Se não fizer isso, então se considera que ainda não começou a trabalhar o tema da tzedaká. Cada um tem um ponto em que diz: “Daqui eu não passo” — este ponto de “crueldade” é o que deve se esforçar para quebrar.

Ao nos forçarmos a dar tzedaká, estamos mudando nossa própria essência, o que nos permite aproximar-nos de nosso Criador e, ao fazê-lo, trazer ao mundo as bênçãos de Deus.

É importante lembrarmos que, além de sermos escrupulosamente honestos em nossos negócios, também nos é exigido compartilhar nossas bênçãos com aqueles que têm menos do que nós. Isso se realiza dando tzedaká.

Quanta tzedaká devemos dar?

Certa vez, um chassid muito rico foi ver o Maguid de Mezritch, anunciando que, em seu grande desejo de se aproximar de Deus, havia feito um voto de jejuar e mortificar seu corpo.

Então o Maguid o tomou pela lapela e ordenou: “Você deve comer peixe e carne todos os dias”.

Depois que o rico se foi, os discípulos do Maguid lhe perguntaram: “O que há de errado em esse milionário sofrer um pouco?”.

O Maguid respondeu: “Se ele come peixe e carne, então vai entender que os pobres têm que comer pelo menos pão. Mas se ele come apenas pão, então o que vai acontecer com os pobres?”.

As leis de tzedaká estão enumeradas em Yoré Deá 247–259 e incluem quanto dar, a quem dar, etc. Nossos deveres de caridade são determinados por nossa renda, levando em conta muitas das considerações que nosso contador teria. No entanto, em termos gerais, devemos dar para tzedaká dez por cento (dízimo – maasser) de nossa renda.

Isso pode parecer difícil — porque afinal, poderíamos pensar: “Ufa… com todo o trabalho que tive para conseguir esse dinheiro, por que não vou aproveitá-lo?”. Mas quando damos aos outros, recebemos muito mais do que damos. Na realidade, dar é receber!

Ao dar maasser, você se salvará de seus inimigos (Likutei Moharán I, 221).

Rabi Nachman disse a Reb Dov de Tcherin, que era um rico homem de negócios, que desse vinte por cento de sua renda aos pobres. Reb Dov de Tcherin cumpriu essa mitzvá durante toda a sua vida. Antes de falecer, ouviu-se ele dizer: “Com meus vinte por cento não tenho medo do Tribunal Celestial, porque serei considerado meritório” (Kojavei Or, pág. 24, #19).

As seguintes citações foram retiradas do livro Sefer HaMidot (O Livro dos Atributos):

A tzedaká é tão grande que acelera a Redenção Final, salva da morte a pessoa que a dá e lhe permite receber o Rosto Divino.
O ato de dar tzedaká permite à pessoa melhorar seu mau comportamento.
Seja generoso e você poderá ascender no mundo.
A tzedaká dada aos pobres da Terra Santa traz prosperidade a quem a dá.
Dê tzedaká e você será abençoado com filhos.
A tzedaká traz paz.
Jerusalém será redimida através da tzedaká.
Quando as pessoas não são caridosas, inevitavelmente o governo emite maus decretos e as despoja de todo o seu dinheiro.
Dê tzedaká com as duas mãos e suas preces serão respondidas.
Ao dar tzedaká, a pessoa se salva da injustiça, da opressão e da desgraça.

Quando devemos dar tzedaká?

É uma ótima ideia separar o dinheiro da tzedaká assim que se recebe o salário. Há quem inclusive deposite seu dinheiro de tzedaká em uma conta bancária separada, mantendo essa conta especificamente para as organizações de beneficência que deseja apoiar.

A Torá afirma: “Dar, você dará [ao pobre]. E não se entristeça ao dar” (Deuteronômio 15:10). Rabi Eliyahu Chaim costumava parafrasear o versículo: “Dê o que você já separou e então não se entristecerá ao dar”.

A pessoa deve dar caridade diariamente, antes de rezar (Orach Chaim 92:10; Likutei Moharán I 2:4).

Ao iniciar qualquer empreendimento, dê caridade. Tudo o que você deseja atingir — seja o estudo da Torá, a oração, outras mitzvot, viagens, negócios ou qualquer coisa — preceda esse ato com tzedaká (Likutei Moharán II 4:2).

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Munições de mitzvot – Vaishlach

Rabi Najman conta sobre um rei que reuniu todos os seus adivinhos para que estes o advertissem sobre qual poderia ser um perigo potencial para os seus descendentes.

Rabino Lazer Brody

“Vivi com Labão… adquiri bois e jumentos, ovelhas, servos e servas” (Gênesis 32:5–6)

Nosso patriarca Yaacov estava se preparando para seu iminente encontro com Essav em três níveis, como nossos Sábios ensinam: com presentes, com oração e com guerra. Ele envia mensageiros — alguns dizem que eram anjos — para obter informações sobre as intenções de Essav e para transmitir uma mensagem de paz. Como veremos a seguir, essa mensagem de modo algum era sinal de fraqueza, mas sim o contrário: de força. Em termos cuidadosamente encobertos, porém gentis, Yaacov diz a Essav que, se ele quiser lutar, receberá muito mais do que imagina.

De acordo com Rashi, Yaacov inicia sua mensagem dizendo que, apesar do fato de ter vivido com Labão, ainda assim observou todas as mitzvot da Torá. Isso soa estranho: que importância teria para o perverso Essav o fato de seu irmão ter observado mitzvot enquanto vivia na casa de Labão? Além disso, em vez de esconder sua riqueza para minimizar a inveja de Essav, Yaacov enumera uma a uma todas as suas posses: “bois e jumentos, ovelhas, servos e servas”. Por que ele não disse simplesmente que era um simples criador de gado com alguns animais?

Nossas respostas estão escondidas no famoso conto de Rabi Najman, “O rei que decretou a destruição”. Rabi Najman conta sobre um rei que reuniu todos os seus adivinhos para que o alertassem sobre qual poderia ser um perigo potencial para seus descendentes. Eles lhe disseram que ele e seus descendentes deveriam tomar cuidado com os bois e as ovelhas.

Havia apenas um judeu em todo o reino, um dos ministros do rei, que tinha permissão de praticar abertamente o judaísmo porque havia salvado a vida do avô do rei. O rei atual, ou seja, o neto, retirou todos os privilégios daquele ministro judeu. Ele perdeu o direito de usar tzitzit e tefilin e, consequentemente, foi forçado a praticar sua fé clandestinamente, como o restante dos judeus do reino.

Então o novo rei teve um sonho: ele viu um céu noturno limpo e as doze constelações do zodíaco; Áries e Touro riam dele. O rei despertou furioso e com grande temor, e viu-se forçado a fugir para um refúgio distante — porém, o caminho até o refúgio passava por um túnel de fogo. Ele viu outros reis atravessando o túnel tranquilamente, porque cada um deles estava acompanhado de um judeu que usava tzitzit e tefilin. Esses eram os reis que permitiam que os judeus praticassem abertamente sua religião. O rei então tentou passar pelo túnel, mas ele e seus descendentes foram eliminados. Por que Áries (o carneiro) e Touro (o boi) riam dele? Porque o tzitzit é feito da lã do carneiro, e o tefilin é feito do couro do boi. Este é o conto de Rabi Najman, resumidamente.

Agora podemos entender por que Yaacov disse a Essav não apenas que havia observado todas as mitzvot na casa de Labão, mas também que havia adquirido “bois e jumentos, ovelhas, servos e servas”.

De acordo com a bênção que Isaac deu a Essav, este só teria poder sobre Yaacov se Yaacov se tornasse negligente no cumprimento das mitzvot. Portanto, Yaacov adverte Essav que, como tem sido extremamente rigoroso em todas as mitzvot, Essav estará em sérios problemas se buscar conflito armado. Em termos enigmáticos, Yaacov revela suas armas não convencionais: os “bois” são os tefilin, os sacrifícios, os rolos de Torá, as mezuzot, a separação entre leite e carne, o abate kasher e todas as outras mitzvot realizadas com gado bovino. Os “jumentos” simbolizam a proibição de arar com boi e jumento juntos e a redenção do primogênito do jumento. As “ovelhas” aludem aos tzitzit, à primeira tosquia, ao shatnez, aos sacrifícios rituais, ao cordeiro de Pêssach e a todas as mitzvot feitas com ovelhas. Os “servos” se referem às leis sobre o escravo hebreu, o escravo cananeu e o escravo fugitivo. As “servas” aludem às mitzvot referentes à serva judia e às leis sobre sequestrar uma serva já comprometida.

Yaacov está dizendo a Essav que todos os anjos criados pela observância dessas mitzvot ao longo dos anos — pois nossos antepassados já observavam mitzvot antes mesmo de a Torá ser dada no Monte Sinai — seriam forças espirituais que cairiam sobre ele como “mísseis antibunker”. “É isso que você quer, Essav?”, pergunta Yaacov. Essav recua, e o resto é história.

Os atos dos pais são sinais para os filhos. Nosso antepassado Yaacov nos ensina como enfrentar um inimigo potencial: com amabilidade, mas com firmeza, dependendo de Hashem e não da força do próprio braço. E se o inimigo decide lutar contra o escolhido de Hashem, que tente — mas que não se esqueça dos “bois e ovelhas” e de todas as outras munições de mitzvot.

Que esta semana traga paz, luz e boas notícias para todos nós.

Que Hashem ilumine cada lar com proteção, alegria e serenidade. 🍯🌿

Que esta semana traga paz, luz e boas notícias para todos nós.

Que Hashem ilumine cada lar com proteção, alegria e serenidade. 🍯🌿

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Hashem Todo-poderoso e o mundo físico

A emuná simples nos ensina que Hashem é Todo-poderoso. É evidente que tudo na natureza está nas mãos do Criador...

Grupo Breslev Israel

A emuná simples nos ensina que Hashem é Todo-poderoso. É evidente que tudo na natureza está nas mãos do Criador, Que criou a natureza e Que tem o poder de alterá-la. A hitbodedut demonstrou isso ao mundo inteiro e, em particular, ao povo de Israel, durante o Êxodo do Egito. Hashem mostrou que possui o poder de anular todos os sistemas da natureza, como ocorreu no processo da redenção do povo judeu do Egito, na divisão do Mar Vermelho, na entrega da Torá e nos quarenta anos em que os judeus permaneceram no deserto.

Muitas pessoas, sempre que enfrentam algum problema — doenças, situações perigosas, questões jurídicas, etc. — rezam por uma mudança nas leis da natureza. Num abrir e fechar de olhos, Hashem pode remover um tumor do corpo de alguém, conceder filhos a uma mulher estéril ou transformar o coração de um ser humano. O jovem que abandonou o caminho da Torá pode, num instante, fazer teshuvá. Se uma mulher deseja o divórcio com tanta urgência que não se consegue convencê-la a tentar trabalhar no relacionamento com o marido, pode-se rezar para que Hashem mude seu coração, fazendo-a desejar continuar casada. Se um acusado em um processo judicial fizer teshuvá e orar, é possível que seja absolvido até das acusações mais graves. Tudo isso acontece porque a emuná é o recipiente por meio do qual recebemos todas as salvações.

Tudo isso refere-se ao âmbito físico. Porém, no âmbito espiritual, muitas vezes a pessoa não possui emuná suficiente de que Hashem é Todo-poderoso.

Essa carência manifesta-se de duas formas:

Primeiro, a falta de emuná de que Hashem pode transformar até a pessoa mais vil em alguém como Moisés.
Segundo, a falta de emuná de que Hashem pode, num único instante, anular as paixões físicas do indivíduo e possibilitar-lhe todos os avanços espirituais pelos quais reza, sem demora, de imediato.

Essas duas carências são, na verdade, uma só: a pessoa não acredita que Hashem seja Todo-poderoso no âmbito espiritual.

Primeiro axioma: Hashem pode salvar a todos espiritualmente

Hashem é Todo-poderoso no âmbito espiritual, o que significa que Ele pode realizar absolutamente qualquer coisa, sem exceção. Hashem fez Moisés, e Ele pode fazer de você e de qualquer outra pessoa um Moisés.

O Rambam escreve explicitamente que toda pessoa pode tornar-se um tzadik como Moisés. Da mesma forma, Rabi Nachman de Breslev afirma que ele pode fazer com que cada um de nós seja como ele — no sentido mais literal. Por isso, querido leitor, lembre-se disso e peça a Hashem que lhe conceda uma emuná plena e absoluta de que, assim como Ele fez Abraão, Isaac e Jacó, assim como fez Moisés e Arão, José e Davi, assim como fez todos os tzadikim, sábios e pastores de Israel, assim como fez Rabi Shimon Bar Yochai, o Arizal, o Baal Shem Tov e Rabi Nachman de Breslev, Ele também pode fazer o mesmo com você, elevando-o, a partir exatamente do lugar em que se encontra, aos mais altos níveis espirituais.

Hashem derruba os soberbos e exalta os humildes. Ele pode elevar os humildes, tirá-los do monturo de lixo e fazê-los sentar entre príncipes. Ele pode guiar até os maiores pecadores a fazerem uma teshuvá completa, tornando-os absolutamente retos e justos, contando-se entre os maiores da geração. Hashem pode transformar todos os pecados em méritos, e ninguém pode impedir isso. Ele pode fazer tudo isso — e deseja fazê-lo! Agora, cabe a você acreditar nisso com uma emuná absoluta e desejar isso com todo o seu coração!

Portanto, toda vez que você se dedicar ao trabalho da vontade e se concentrar num aspecto específico do serviço Divino — por exemplo, deixar de cometer uma determinada transgressão, vencer um vício, superar um defeito de caráter ou abandonar um vício — deve acreditar com emuná plena de que Hashem pode ajudá-lo a alcançar um sucesso total. Assim como Ele ajudou todos os tzadikim a tornarem-se pessoas inteiramente puras, Ele também o ajudará, desde que você siga os conselhos dos tzadikim, trilhe o caminho deles e faça o que eles fizeram, conforme sua situação e seu nível. Os tzadikim ensinaram que esse trabalho é fácil e que o essencial é ter vontade e rezar muito. Devemos clamar a Hashem do mais profundo do coração até conseguirmos dominar plenamente as paixões físicas. Quando alguém acredita com emuná completa que Hashem pode transformá-lo num instante, começa a ver mudanças extraordinárias.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

A canção de Lea – Vaietze

 Rabi Shimon diz:

“Desde o dia em que Hashem criou o mundo, não houve ninguém que O louvasse até que Lea o fez.”

O quê? Ninguém louvou Hashem até então?

Rabino Shalom Arush

A Guemará diz:

“Rabi Yochanan, que aprendeu com Rabi Shimon Bar Yochai, disse: ‘Desde o dia em que Hashem criou o mundo, não houve uma pessoa que louvasse Hashem até que Lea O louvou, como está escrito: ‘Desta vez louvarei ao Hashem’” (Guemará, Berajot 7b).

O autor do Even Israel , em sua explicação sobre a Torá (Parashat Vaietze), levanta a pergunta:

“Podemos realmente entender esta Guemará de forma literal?”

É verdade que ninguém louvou Hashem até Lea?

Abraham, nosso patriarca, não louvou Hashem?

É surpreendente — especialmente porque há uma exigência haláchica de que a pessoa recite a bênção 'Hashem é Bom e faz o Bem'  após o nascimento de um filho, e sabemos que Abraham manteve toda a Torá, incluindo decretos rabínicos como Eruv Tavshilin  (Kidushin 82). Certamente ele louvou Hashem quando teve um filho!

Muitos conhecem o Midrash que diz que Adam cantou Mizmor Shir LeYom HaShabat  (Tehilim 92 — “É bom louvar Hashem!” ) quando viu que seu arrependimento foi aceito.

É difícil aceitar literalmente que grandes pessoas antes de Lea não louvaram Hashem.

Além disso — por que Lea não louvou Hashem por seus filhos anteriores?

A intenção da Guemará não é dizer que Lea foi a primeira a louvar Hashem pelo bem recebido.

Nossos antepassados ​​certamente O louvaram por Sua bondade.

E Lea também O elogiou quando seus outros filhos nasceram.

O ensinamento é outro:

Lea foi a primeira a louvar Hashem pelo sofrimento — pelo que parecia ser ruim na vida.

Lea passou por muitas dores.

Todos diziam que ela estava destinada a casar com o perverso Esav.

Ela chorou sem cessar, rezando para não se casar com ele — seus olhos se enfraqueceram de tanto chorar.

Seu próprio pai, Labán, a humilhou ao enganar Yaakov, colocando Lea no lugar de Raquel sob o dossel nupcial.

Ela viveu com a dor de ter sido aceita como esposa sem ser desejada ou amada.

Até o nascimento de Yehuda, Lea carregava um coração ferido — sempre se sentindo inferior a Raquel, que Yaakov desejava desde o início.

Então nasce Yehuda — o quarto filho.

Nesse momento Lea percebe algo profundo:

Enquanto cada uma das quatro mães deveria ter três filhos (totalizando as Doze Tribos), ela recebeu um quarto.

Seu sofrimento, suas lágrimas e sua dor não foram em vão.

Por meio do sofrimento, ela recebeu mais do que todas as outras.

Foi isto que ele disse:

“Desta vez louvarei Hashem!

Louvarei por toda dor que vivi.

Por este filho que trará levitas, sacerdotes e reis.

Obrigada, Hashem, pelo sofrimento – ele valeu a pena.”

Yehuda significa literalmente “aquele que agradece”.

E Yehudim, “judeus”, significa “os que agradecem”.

Nosso próprio nome revela nossa essência: agradecer a Hashem sempre.

Ser judeu é agradecer o dia inteiro — ao abrir os olhos e antes de fechá-los.

Como filhos de Lea, é nosso dever caminhar como ela caminhou.

E ainda assim — uma vida inteira de agradecimento não basta diante de tudo que recebemos.

Que jamais deixemos de agradecer a Hashem

e que nunca cesse nosso louvor.

Amém.

Fonte: breslev.com

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Toldót – O Caçador e Sua Boca

Estes dois irmãos, quando eram pequenos, aparentemente eram iguais, mas ao crescer notou-se a diferença: “E Esaú foi um homem hábil na caça, e Jacó era simples e...

Rabino Iosef Meta

Estes dois irmãos, quando eram pequenos, aparentemente eram iguais, mas ao crescer notou-se a diferença, como escreve a Torá: “E Esaú foi um homem hábil na caça, e Jacó era simples e permanecia nas tendas”…

O caçador e sua boca

A porção semanal trata do nascimento dos filhos do patriarca Itzjak (Isaque), que eram gêmeos e se chamavam Esaú (Esav) e Jacó (Iaacov).

Essas crianças, quando eram pequenas, aparentemente eram iguais, mas ao crescer notou-se a diferença, como escreve a Torá: “E Esaú foi um homem hábil na caça, e Jacó era simples e permanecia nas tendas”.

Mas ele não caçava apenas com as mãos, mas também “caçava com a boca” (Gênesis 25:28). Ou seja, tinha uma oratória habilidosa, falava muito bem, mas seus atos não condiziam com suas palavras. Até mesmo seu pai, Itzjak, foi enganado, como veremos.

Mais adiante, Esaú volta do campo, cansado, e encontra Jacó cozinhando lentilhas (um alimento tradicionalmente consumido em períodos de luto, assim como o ovo, por ser redondo, simbolizando o ciclo da vida). Nem sequer pergunta por que Jacó está cozinhando lentilhas; em vez disso, pede: “dá-me um pouco desse vermelho”. Jacó então propõe dar-lhe algo em troca: que Esaú lhe venda seu direito de primogenitura. Assim foi feito. E mesmo após comer, Esaú desprezou a primogenitura.

O que é a primogenitura? Qual é o seu significado? Esaú arrependeu-se da venda em algum momento? [Deixamos estas perguntas aos nossos leitores para que nos contem; se D'us quiser, na próxima semana daremos a resposta correta.]

No final da Parashá, fala-se das bênçãos que Itzjak desejava conceder ao envelhecer e perder a visão. Ocorre então um episódio muito estranho: Jacó, aparentemente, engana seu pai. Por ordem de sua mãe, ele se faz passar por Esaú, engana Itzjak e toma as bênçãos destinadas a Esaú.

Quando Esaú descobre, enfurece-se e decide consigo mesmo: “Após a morte de meu pai, matarei Jacó”. Por esse motivo, Jacó foge para Aram Naharaim.

O que é tudo isso? Por que ele fez isso? Será que não sabia que Esaú perceberia? Por que Rivka (Rebeca) induz seu próprio marido, Itzjak, a ser enganado? Será que Itzjak não poderia, por si só, ficar irado e, em vez de bênção, proferir uma maldição? Obviamente que sim — ele certamente levaria isso em conta. Portanto, o que nos falta compreender é: qual era a intenção de Rivka com tudo isso?

A chave de tudo está no versículo que diz: “E Itzjak amava Esaú, pois este lhe trazia caça com a boca, mas Rivka amava Jacó”.

A Torá não usa palavras à toa; há aqui uma mensagem que nos permitirá entender. De fato, houve uma discussão entre Itzjak e Rivka, que começou quando “os meninos cresceram” e culminou no episódio do engano. Sobre o que discutiam?

Sobre a educação, o futuro dos filhos e o que se esperava deles. Um dos meninos estava se afastando da educação do lar de Itzjak, do caminho traçado pelo avô Abraão (conforme o Midrash). Esse era Esaú. Rivka sentia que, infelizmente, não havia esperança de que Esaú continuasse no caminho espiritual (a menos que ele próprio o desejasse — o que, segundo o Midrash, não lhe interessava, pois estava “cansado”, talvez por isso nem tenha perguntado por que Jacó cozinhava lentilhas). Por isso, ela amava Jacó, apesar do instinto maternal natural de amar igualmente os dois filhos — como se vê claramente no final da Parashá, onde fica evidente que ela amava os dois.

Itzjak, por sua vez, pensava de forma diferente. Sabia do afastamento de seu filho, mas decidiu dar-lhe ainda mais amor, pois, no fundo de seu coração, tinha esperança de poder encaminhá-lo novamente. E o fato de Esaú “caçar com a boca” contribuiu para enganá-lo. (O Midrash relata que Esaú perguntava ao pai como separar o dízimo do sal, e Itzjak acreditava que o fazia por ser meticuloso nas questões espirituais.)

Por essa esperança, Itzjak não deu ouvidos às muitas advertências de Rivka, que certamente lhe dizia: “Estão te enganando!”

A ponto de o versículo (Gênesis 26:35) relatar que, quando Esaú completou 40 anos, casou-se com duas mulheres hititas. “E isso causou amargura a Itzjak e a Rivka”. Ou seja, Itzjak já sabia que seus netos não seguiriam o caminho de Abraão, pois Esaú havia se assimilado ao casar-se com mulheres de uma cultura totalmente alheia à casa de Itzjak. Mesmo assim, Itzjak decidiu conceder-lhe as bênçãos que recebera de seu pai Abraão, nomeando-o assim como um dos líderes sucessores de Abraão após sua morte.

O que restava a Rivka fazer? Deixar que o futuro da casa de Abraão ficasse nas mãos de um impostor? Certamente que não!

Então, como fazer para mostrar a Itzjak que estavam o enganando e que não deveria transmitir a Esaú as bênçãos que D'us dera a Abraão?

Havia apenas um caminho: demonstrar claramente a Itzjak que, infelizmente, era fácil enganá-lo — talvez só assim ele compreendesse como Esaú o havia manipulado até então.

Para isso, foi escolhido Jacó, que era muito simples e, segundo o Midrash, não queria participar do plano. Essa é a lógica do engano arquitetado por Rivka contra Itzjak — um episódio que teve um desfecho dramático. Quando Esaú chegou e Itzjak percebeu o engano, entendeu naquele exato momento que fora enganado durante todo aquele tempo. Isso fez com que “estremecesse com um grande tremor”, e o Midrash explica que, nesse instante, Itzjak viu o abismo se abrir sob seus pés (Gênesis 27:33).

Ou seja, percebeu que aquele erro o levaria ao abismo. Foi então que compreendeu plenamente a mensagem de Rivka e reforçou ainda mais as bênçãos que havia dado a Jacó, dizendo: “E também ele será abençoado” (Gênesis 27:33).

Fonte: breslev.com

domingo, 16 de novembro de 2025

Apenas um depósito

A pessoa que tem emuná sabe que Hashem é Quem lhe dá tudo o que possui.

Rabi Shalom Arush

A pessoa que tem emuná sabe que Hashem é Quem lhe dá tudo o que possui. Essa pessoa entende que o dinheiro que Hashem lhe concede, na verdade, não lhe pertence, mas é apenas um depósito que Hashem fez com ela para verificar se fará o uso adequado desse dinheiro. E, quando Ele vê que essa pessoa é uma depositária fiel e o utiliza corretamente, então Ele a escolhe como canal por meio do qual derramar toda a Sua abundância e toda a Sua compaixão sobre Suas criaturas. Assim, Hashem coloca dinheiro em suas mãos para que o distribua da maneira apropriada: uma parte para sustentar sua própria família e outra parte para causas de caridade.

No entanto, quando alguém tem uma emuná fraca e se considera o único dono de seus bens, agindo com avareza e recusando-se a ajudar os outros, então Hashem vê que não se pode confiar nessa pessoa e, às vezes, chega até a retirar todo esse dinheiro dela e depositá-lo nas mãos de outra.

Conta-se sobre o Rebe de Apta que certa vez foi visitado por um homem pobre que precisava casar sua filha e, para isso, necessitava de uma quantia considerável. O Rebe disse-lhe que fosse procurar certo milionário e, para isso, redigiu uma carta solicitando ao milionário que fizesse uma doação ao pobre no valor exato necessário para o casamento da filha.

O pobre dirigiu-se à mansão do milionário, explicou o motivo de sua visita e entregou-lhe a carta. O milionário leu a carta, ofendeu-se profundamente e, com o rosto furioso, devolveu-a ao pobre, resmungando: “Quem ele pensa que é, seu rabino, para me dar ordens? Acaso meu dinheiro pertence a ele? Onde está escrito que devo obedecê-lo? Se tivesse me pedido uma quantia razoável e se expressado de forma mais respeitosa, fazendo um pedido em vez de me dar ordens, eu não teria nenhum problema. Mas ele está me ordenando, claramente, que eu lhe dê uma soma astronômica, como se fosse dono dos meus bens… Vá e diga-lhe que não tenho obrigação alguma de obedecê-lo…”.

Totalmente humilhado, o pobre saiu da mansão do milionário. Foi então diretamente à casa do Rebe de Apta e contou-lhe tudo o que acontecera. O Rebe suspirou e disse ao pobre que fosse à casa de um de seus discípulos e transmitisse a ordem do Rebe para que lhe desse determinada quantia em dinheiro (muito menor do que aquela que havia pedido ao milionário).

O pobre foi ver o discípulo e percebeu que este vivia numa casa muito humilde. Era óbvio que não teria como lhe dar nem mesmo aquela quantia modesta indicada pelo Rebe, mas, evidentemente, não quis contrariar a ordem do Rebe e, por isso, entrou na casa e transmitiu a mensagem.

O discípulo, assim que ouviu as palavras de seu Rebe, imediatamente levantou-se e exclamou com alegria: “É claro! É claro! O Rebe me deu uma ordem! Vou ver imediatamente o que posso fazer. Sente-se e descanse um pouco, enquanto vou correndo arrecadar essa quantia inteira!”.

Imediatamente, o discípulo foi contar à esposa que o Rebe havia ordenado que dessem ao pobre tal quantia para ajudá-lo a casar sua filha. Os dois conversaram por alguns minutos e combinaram que ela procuraria em casa algo que pudessem vender. Enquanto isso, o marido iria percorrer a cidade, casa por casa, pedindo às pessoas que o ajudassem a arrecadar a quantia indicada, para assim cumprir esse preceito tão elevado de ajudar um casal com as despesas do casamento.

Passadas duas horas, o discípulo retornou com uma quantia considerável, à qual somou o dinheiro que sua esposa conseguiu vendendo os candelabros de prata que recebera de presente de casamento – surpreendentemente, o montante total era exatamente o valor indicado pelo Rebe.

Tanto o discípulo quanto sua esposa alegraram-se imensamente pela grande oportunidade que tiveram de ajudar outra pessoa e por terem cumprido os desejos do tzadik. Obviamente, o pobre também se alegrou e emocionou-se muito com a generosidade e o bom coração daquele casal, e ainda naquele mesmo dia saiu para arrecadar mais dinheiro, até que logo conseguiu a quantia necessária e pôde casar sua filha com dignidade.

A partir daquele episódio, o discípulo do Rebe de Apta, que com tanta abnegação ajudara o pobre, viu que a fortuna começou a lhe sorrir, e assim teve muito sucesso na vida, aumentando cada vez mais sua riqueza, até se tornar um grande milionário. Por outro lado, o milionário que se recusara a obedecer à ordem do Rebe começou a sofrer revés após revés nos negócios, até perder toda a fortuna e, em pouco tempo, não ter sequer dinheiro suficiente para levar pão à mesa…

Então, sua esposa lhe disse: “Tudo isso é um castigo por você não ter obedecido ao Rebe de Apta e por tê-lo desrespeitado. Vá vê-lo e peça perdão. Talvez consiga apaziguá-lo e recuperar sua fortuna e seu prestígio.”

O ex-milionário ouviu a esposa e foi procurar o Rebe de Apta. Ao chegar, entrou no quarto com a cabeça baixa, cheio de vergonha. O Rebe recebeu-o com grande afeto e perguntou-lhe o motivo da visita.

O ex-milionário pediu-lhe que, por favor, o perdoasse por tê-lo desrespeitado.

O Rebe perguntou de que forma o havia desrespeitado.

O ex-milionário explicou que havia zombado da ordem do Rebe, negando-se a entregar ao pobre a quantia que o Rebe havia determinado, e que por isso fora castigado, perdendo toda a sua fortuna.

O Rebe explicou-lhe que, na verdade, não se tratava de um castigo, mas sim de uma traição ao seu dever.

O ex-milionário, perplexo, não entendeu o que o Rebe queria dizer, então o Rebe esclareceu:

“Antes de minha alma descer ao mundo, no Céu foi decidido que eu seria milionário e viveria cercado de luxos e riquezas. No entanto, eu não concordei, argumentando que a fortuna me roubaria tempo precioso e que eu não conseguiria estudar Torá; portanto, não queria ser milionário. Então me disseram que não havia outra alternativa e que minha alma deveria descer com uma grande soma de dinheiro. Mas eu insisti, afirmando que de modo algum aceitaria ser milionário, pois o único que me interessa é estudar Torá e, além disso, minhas necessidades materiais são poucas — então, para que suportar o fardo de administrar uma fortuna?

Na Corte Divina, debateram o que fazer comigo e, por fim, propuseram que eu escolhesse uma alma para depositar minha fortuna em suas mãos — e eu escolhi você. Ou seja, toda a riqueza que você possuía… na verdade, pertencia a mim. Mas, quando precisei de uma certa quantia para dar ao pobre e enviei-o a você para que a entregasse, você recusou-se a fazê-lo… Ao ver que você não era um depositário fiel do meu dinheiro, escolhi um dos meus discípulos, que com muita alegria e grande abnegação me obedeceu, fez exatamente o que lhe ordenei e cumpriu o preceito de dar caridade, e então transfiri minha fortuna para ele.”

O ex-milionário sentiu-se muito mal com a maneira como havia agido e, profundamente arrependido, disse ao Rebe: “Rebe! Toda a minha vida estive acostumado a viver em meio a luxos, e a pobreza me deixa desesperado! Será que o senhor não tem um pouco de sustento para me dar e me salvar dessa terrível pobreza?”

O Rebe sorriu, chamou seu fiel discípulo — que agora era milionário — e ordenou-lhe que fornecesse ao ex-milionário uma mesada suficiente para sua manutenção, permitindo-lhe viver com dignidade. Assim, o ex-milionário voltou para casa alegre e com a lição aprendida…

Que a luz de Chanucá ilumine sua casa e seu coração com alegria, proteção e abundância.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

A caverna dupla – Jaiei Sara

Segundo a tradição, Sara não foi a primeira pessoa a ser enterrada na caverna de Maquela em Hebron. Adão e Eva já estavam enterrados ali...

Rabino Abraham Isaac Kook z"tzl

Segundo a tradição, Sara não foi a primeira pessoa a ser enterrada na caverna de Maqupelá em Hebron. Ali já estavam enterrados Adão e Eva. Posteriormente, a eles juntaram-se outras três casais: Abraão e Sara, Isaque e Rebeca, Jacó e Lia.

Por que essa caverna funerária era chamada Maqupelá? Maqupelá significa “duplicado”. Os Sábios, em Eruvin 53a, explicaram que se trata de uma caverna dupla, que contém duas câmaras ou dois níveis. O Talmud relata que um erudito arriscou-se a entrar na caverna e ali encontrou os Avot (os Patriarcas e as Matriarcas) em uma câmara, e Adão e Eva na segunda.

O que significa que a caverna de Maqupelá tenha duas câmaras? De modo geral, qual é a função do sepultamento?

Dois caminhos

Há dois caminhos para o crescimento espiritual e a iluminação, cada um com suas próprias vantagens. O primeiro caminho utiliza nossas faculdades naturais de raciocínio e análise. Quando funcionam corretamente, nossas faculdades intelectuais podem alcançar resultados maravilhosos. Elas nos permitem adquirir preciosas qualidades de caráter e servir a Deus por meio de uma consciência interior.

No entanto, a mente está ligada ao corpo e por ele influenciada. Quando o corpo se entrega aos desejos de prazeres físicos, a mente também perde sua orientação. Esses desejos físicos podem distorcer nossas percepções e deformar nosso raciocínio, deixando-nos sem orientação para uma vida iluminada.

Por isso, Deus criou um segundo meio para o progresso espiritual: a Torá. A Torá é independente do corpo físico, não sendo afetada por suas inclinações e desejos. É um guia imutável rumo ao caminho da integridade e da santidade. Certamente, os poderes da mente humana jamais conseguirão proporcionar o mesmo nível de santidade alcançado por meio das instruções dadas por Deus na Torá e em suas mitsvot.

Contudo, o caminho do intelecto humano ainda possui uma vantagem especial. A observância das mitsvot, embora muito elevada, não exerce influência direta sobre o próprio corpo. O corpo continua sendo atraído pelos desejos físicos e permanece em desacordo com os objetivos espirituais da Torá.

O ideal é combinar os dois métodos. Se nosso cumprimento das mitsvot puder despertar nossos corações e inspirar nossas mentes, estabelece-se uma harmonia entre nossas ações físicas e nossa consciência interior. Como nossas faculdades mentais fazem parte de nossa natureza essencial, quando a mente se conecta com a Torá, a parte física também se integra aos preceitos da Torá. Esse refinamento do corpo não poderia ter ocorrido sem a combinação da Torá com nossas faculdades naturais de intelecto e razão.

A morte e o sepultamento

Após o pecado de Adão, a morte foi decretada sobre a humanidade. Isso não foi um castigo arbitrário. O propósito da morte é separar o corpo e a alma, permitindo que ambos sejam reparados e refinados. A alma, já livre do peso dos desejos físicos do corpo, é reparada e refinada no Mundo das Almas.

O corpo também exige uma correção espiritual. Ele também foi formado à imagem de Deus e possui um imenso poder espiritual quando complementado pela santidade da alma. Enquanto a alma é corrigida no Mundo das Almas, o corpo é reparado por meio do sepultamento, ao retornar aos seus elementos originais.

O refinamento do corpo

O que isso tem a ver com a caverna de Maqupelá? O sepultamento na caverna dupla é uma metáfora dos dois métodos pelos quais o corpo é refinado e elevado.

O primeiro método, que utiliza a inteligência e a razão humanas, é exemplificado por Adão e Eva. O primeiro homem e a primeira mulher foram criados com o mais alto nível de talentos e poderes primordiais. Com suas robustas faculdades mentais, eles representaram o uso do intelecto e do raciocínio naturais para o avanço espiritual.

Os Patriarcas e as Matriarcas, por sua vez, deram origem ao povo judeu, preparando o caminho para a revelação da Torá no Sinai. Eles representam a segunda orientação espiritual: a da Torá.

A caverna funerária dupla de Maqupelá combinava esses dois caminhos. Uma câmara continha Adão e Eva, o ápice da capacidade intelectual natural. A segunda câmara abrigava os Avot, os progenitores da Torá. O nome da cidade, Hebron, deriva da palavra jibur (“conexão”), aludindo à união desses dois modos de elevação do corpo.

Fonte: Breslev.com

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

O difícil caminho para a santidade – Lech Lechá

A vida de nosso patriarca Avraham é a saga de uma luta contínua, com provas intermináveis de fé.
Rabino Lazer Brody

“Houve fome na terra, e Abram desceu ao Egito” (Bereshit 12:10).

A vida de nosso patriarca Avraham é a saga de uma luta contínua, com provas intermináveis de fé.
Hashem lhe ordena que abandone sua terra natal e empreenda a difícil jornada rumo à Terra Prometida — ainda desconhecida — isto é, a terra de Canaã. Pouco depois de chegar a Canaã — a futura Terra de Israel — Avraham se encontra em meio a uma grave fome. Não tem outra escolha senão arrumar as malas e ir em busca de alimento e água em outro lugar.

A fome é apenas a quarta entre as dez tremendas provas de fé de Avraham (segundo Rashi).

Alguém poderia perguntar: “Por que Hashem precisava provar a fé de Avraham dez vezes? Por que provas tão difíceis — desde perseguições e o risco de morte em um forno de fogo até a Akedá, quando lhe foi pedido que sacrificasse seu único filho? Acaso Hashem não sabia que a fé de Avraham era firme?”

Hashem sabe exatamente como Avraham reagiria — com uma fé perfeita, simples, pura e sem mancha.
As provas não são para o benefício de Hashem, mas sim para o benefício do próprio Avraham.

O Rabi Nachman de Breslev explica (Likutei Moharan I:66.4) que os obstáculos que uma pessoa encontra na vida servem para aumentar o seu anseio.

Por essa razão, antes que uma pessoa alcance um progresso significativo no serviço a Hashem — especialmente na aquisição de algo vital para seu judaísmo, como o aumento da santidade — ela é provada por uma série de obstáculos.
É preciso superar tais obstáculos se quiser alcançar sua meta.
No entanto, são justamente os obstáculos que alimentam o desejo de atingir o objetivo.
Assim, eles se tornam os instrumentos que extraem da pessoa seus melhores esforços para alcançar o ganho espiritual — pois os obstáculos fortalecem o anseio.

A Guemará ensina que três coisas se obtêm mediante provas e tribulações: a Terra de Israel, a Torá e o Mundo Vindouro.

Os atos dos pais abrem o caminho para os filhos.
Como nosso patriarca Avraham teve de se esforçar tanto para obter a Santa Aliança com Hashem e a promessa da Torá e de Eretz Israel para sua descendência, seu desejo e anseio multiplicaram-se mil vezes mais.
Hashem mostrou a Avraham que tanto a fé quanto Eretz Israel não se conquistam facilmente.
As provas e tribulações apenas intensificaram o desejo de Avraham — assim como os obstáculos alimentaram o desejo de Menachem, o banqueiro, de encontrar um bom par para sua filha, que de outro modo talvez nem tivesse considerado.

Que Hashem nos conceda um anseio ardente pela santidade, que nos ajude a superar todos os obstáculos que se interpõem no caminho da Torá e de Eretz Israel. Amém.

domingo, 26 de outubro de 2025

A compaixão Divina

Hashem quer revelar-nos toda a Sua compaixão. E a quem, em especial? À pessoa que não a merece,
Grupo Breslev Israel

Hashem quer revelar-nos toda a Sua compaixão. E a quem, em especial? À pessoa que não a merece, pois a pessoa que a merece a receberá por direito, e não por compaixão Divina. Por isso, quanto menor for o nível do indivíduo, mais pode suplicar a Hashem: “Eu acredito com emuná completa que Tu queres me ajudar tal como sou, mesmo que eu seja o mais baixo do mais baixo, porque, no meu caso, Tua compaixão se revela mais do que nunca. Se não tiveres compaixão de mim, isso indicaria que Tua compaixão é finita (Deus não o permita), como se fosses Compassivo com todos, mas não comigo. Mas não é assim. Tu és um Pai Compassivo e Tua compaixão é infinita, mesmo no meu caso. E o que é que eu estou Te pedindo? Acaso estou Te pedindo que me ajudes a pecar, que me dês capacidade e recursos para continuar pecando? Não! Não quero pecar. Quero que me ajudes a viver de acordo com Tua vontade. Estou Te pedindo compaixão genuína. Tu, sem dúvida, queres e desejas ter compaixão de mim, mesmo neste momento”.

A essência da compaixão de Hashem expressa-se quando Ele concede à pessoa um estado de consciência que a impeça de pecar, tal como ensina Rabi Nachman (Likutei Moharan I, 7):

“Não há nada mais penoso do que quando o santo povo de Israel cai e peca, Deus não o permita, e o Compassivo tem piedade. Essa é a situação mais dolorosa, pois todas as aflições graves do mundo são consideradas nada em comparação com o fardo pesado dos pecados, Deus não o permita. Quando o povo de Israel cai e peca, Deus não o permita, trata-se de um fardo muito pesado, um fardo insuportavelmente pesado, como diz o versículo: ‘Como uma carga pesada, eles são demasiado pesados para mim’ (Salmos 38:5). A pessoa que conhece a santidade do povo de Israel, que sabe de onde eles provêm e que entende a espiritualidade e a nobreza do povo de Israel, sabe que eles estão absolutamente distantes do pecado e que o pecado não tem absolutamente nenhuma ligação com eles, de forma alguma, considerando a grande santidade de sua raiz, sua grande nobreza e espiritualidade. Assim, todo o sofrimento do mundo não é considerado um fardo se comparado com o peso esmagador dos pecados, Deus não o permita, que o Compassivo tenha piedade…”

A essência da compaixão — ter compaixão de Israel, a santa nação — é livrá-los do fardo pesado dos pecados. E sempre que o povo de Israel caía em pecado, Moisés, a paz esteja sobre ele, dedicava-lhes sua alma e orava por eles, como no caso dos espias e outros episódios semelhantes. Isso ocorria porque ele sabia que, de acordo com a santidade e a nobreza do povo de Israel, eles estão distantes do pecado e é absolutamente impossível que carreguem o fardo pesado do pecado. E, na verdade, como é que chegam a pecar, Deus não o permita? Isso acontece somente quando a pessoa carece de consciência espiritual, pois “ninguém peca a menos que um espírito de loucura o domine” (Sotá 3). E essa é a situação mais penosa de todas; devemos ter compaixão dessa pessoa e dar-lhe consciência espiritual, como diz o versículo: “Feliz aquele que dá entendimento ao pobre” (Salmos 41:2), pois “não há pobre exceto aquele que é pobre em entendimento” (Nedarim 41). Devemos ter compaixão dele e dar-lhe consciência.

Esse é o propósito da Criação. Hashem criou o mundo para que fosse habitado, conforme diz o versículo: “Não o criou em vão; para ser habitado o formou” (Isaías 45:18). A pessoa que não possui consciência espiritual não é considerada um ser humano. Portanto, um mundo habitado por pessoas que carecem de consciência espiritual é uma ruína desolada, tal como ensina Rabi Nachman: “O mundo deveria ser habitado por seres humanos. A essência do ser humano é sua consciência espiritual. Se a pessoa não possui consciência espiritual, não faz parte da civilização e não é considerada um ‘ser humano’ de forma alguma, mas sim está no nível de um animal com forma humana”.

Por isso, o propósito mais profundo da compaixão Divina é despertar em nós a consciência que nos restitui à nossa verdadeira humanidade, para que possamos viver como filhos de Hashem, com entendimento, pureza e proximidade a Ele.


Fonte: Breslev.com

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Bereshit: O Poder da Renovação

Ali vamos nós! Um novo ano, uma nova ideia.

Depois de vários anos traduzindo os artigos de outras pessoas sobre os ensinamentos do Rebe Nachman, este ano quero tentar algo novo: compartilhar, a cada semana, um ensinamento sobre a porção semanal da Torá ou sobre um momento especial do ano, baseado nos ensinamentos do Rebe Nachman.

Um novo ano, uma nova ideia — exatamente sobre isso eu gostaria de refletir um pouco: a ideia da renovação. Encontrar a força e a coragem para tentar algo novo ou retomar aquilo que talvez tenhamos abandonado há muito tempo.

Começar de novo.

Depois de concluirmos, há poucos dias, a leitura anual da Torá em Simchat Torá, recomeçamos neste próximo Shabat com a Parashat Bereshit.

Bereshit relata a criação do mundo e a história de Adão e Chava no Jardim do Éden, mas quero me concentrar na primeira palavra: Bereshit, que significa “no princípio”. Começar de novo.

O Rebe Nachman ensina, na última lição que proferiu em sua vida — em Rosh Hashaná do ano de 1810, poucas semanas antes de falecer durante a festividade de Sucot (Likutei Moharan II, 8) — que, ao se conectar com um grande tzadik e seguir seus conselhos e ensinamentos, uma pessoa pode alcançar uma fé plena, que consiste em acreditar na renovação constante do mundo.

Deus criou o mundo do nada absoluto e continua renovando-o a cada dia.

O poder e a inspiração para encontrar essa renovação estão nos escritos do tzadik, que possui o aspecto da profecia, um espírito divino. Todos nós podemos nos conectar com esses ensinamentos em nosso próprio nível e sentir uma nova vitalidade e renascimento por meio deles.

Este ano e este dia são uma criação completamente nova, embora aos nossos olhos pareçam iguais a ontem ou ao mês passado...

No entanto, tudo é realmente novo. Isso significa que, assim como a realidade da renovação existe constantemente no mundo, nós também podemos nos conectar com esse poder de renovação em nossas vidas, todos os dias.

Muitas vezes começamos o ano com ideias, metas e inspiração renovada, mas, com o tempo, devido a obstáculos ou à rotina diária, deixamos que esses objetivos e novas ideias se desvaneçam. Também ficamos presos aos remorsos do passado em vez de recomeçar.

É justamente por isso que a renovação (hitchadshut) é tão essencial. Não importa se eu quis estudar algo todos os dias e ontem ou na semana passada não o fiz; agora estou começando de novo, agora posso dar um novo passo à frente. Basta dizer a si mesmo: “Agora estou fazendo um novo começo!”

O próprio Rebe Nachman testemunhou que ele mesmo fazia isso muitas vezes ao dia, e nós também podemos acessar esse poder surpreendente de simplesmente recomeçar.

Esse também é um dos aspectos mais poderosos da oração ou meditação pessoal diária.

A cada dia descobrimos que nossas vidas e o que enfrentamos são diferentes, e, a cada dia, as palavras e orações de que precisamos também são novas. Podemos nos expressar novamente diante de Deus todos os dias.

Esse é um princípio fundamental que o Rebe Nachman nos ensina: não desespere, continue tentando e continue recomeçando.

Fonte: Breslev.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Onde estás? – Bereshi

Com olhos de emuná (fé), percebemos que tudo o que vemos, ouvimos e encontramos é uma mensagem de Hashem que nos pede que nos avaliemos: “Onde estás?”

Rabino Shalom Arush

Mas ao perguntar a Adão onde ele está, Hashem está lhe dando a oportunidade de parar, avaliar a si mesmo e esclarecer o ponto da verdade em sua mente. Hashem já conhece a resposta…

“E Hashem Deus chamou o homem e lhe disse: ‘Onde estás?’” (Gênesis 3:9).

Nossos sábios nos ensinam que os Cinco Livros de Moisés estão encapsulados no Livro de Gênesis, ou Bereshit. Nele são apresentados, de forma condensada, temas que mais tarde são desenvolvidos ao longo da Torá. Por exemplo, a pergunta em hebraico composta por uma única palavra que Deus fez a Adão – ayeka, “onde estás?” – é a base da conexão do ser humano com Hashem.

Hashem, como nos diz o Midrash, certamente sabia onde Adão estava.

Mas ao fazer a pergunta, Hashem estava dando a Adão a chance de parar, refletir e esclarecer a verdade em sua própria mente. Hashem já conhece todas as respostas, mas deseja que nós mesmos descubramos a verdade, para que possamos compreender o que está acontecendo em nossas vidas. Hashem está perguntando a Adão: “Teu pecado foi um acidente, ou tens a intenção de continuar pecando?”

A resposta de Adão parece, à primeira vista, estranha (Gênesis 3:12): “A mulher que me deste, ela me deu da árvore, e eu comi.” Que tipo de resposta insolente é essa? Será que Adão foi audacioso o bastante para dizer a Hashem que pecou e ainda continuará pecando?

Ramatayim Tzofim, em sua explicação do Midrash, ensina que Adão – a própria criação das mãos de Hashem – se desculpou diante Dele e admitiu que continuava propenso ao pecado, pois ainda não havia se refinado espiritualmente. Ele escreve: “Esta é uma lição importante para a pessoa, que deve ter consciência de si mesma e não ser tão ignorante a ponto de se enganar.”

Esse é um pensamento profundo, especialmente porque muitas pessoas não conseguem se enxergar sob a luz da verdade.

Vemos, então, que embora a resposta de Adão a Hashem pareça ousada, na realidade é digna de elogio, pois ele disse a verdade e reconheceu sua fraqueza. Adão se avaliou corretamente e, portanto, não se enganou. Tal autoavaliação sincera é agradável a Hashem.

Após cada tropeço, pecado, explosão de ira, demonstração de egoísmo, ato de mesquinharia ou qualquer comportamento similar, Hashem nos faz a pergunta mais penetrante: “Onde estás?” Em outras palavras: “Que conclusão tiras sobre tua situação atual? Compreendes que és vulnerável à tua má inclinação e que ela tem te dominado?”

Hashem não faz essa pergunta apenas depois de cairmos; nossa alma Divina – uma pequena centelha da bondade de Deus, nossa força vital – também nos questiona sempre que precisamos escolher entre caminhos. Mesmo quando vemos ou ouvimos sobre alguém que fez algo terrível, nossa alma grita de dentro de nós: “Acreditas que és melhor do que ele? Saiba que poderias ter cometido o mesmo erro. Pensas que és tão justo que estás acima do pecado?”

Com olhos de emuná, percebemos que tudo o que vemos, ouvimos e vivenciamos é uma mensagem de Hashem nos pedindo reflexão: “Onde estás?” Quando a pessoa reconhece o quão perigosa é a má inclinação e o quão facilmente o ser humano é levado ao pecado, ela pode tomar as precauções necessárias. O soldado que subestima o inimigo acabará sendo surpreendido despreparado.

Adão, como vimos, não se enganou. Ele sabia que era suscetível a pecar novamente. Por isso, Adão se tornou o primeiro baal teshuvá – penitente – do mundo, pois foi honesto com Hashem e consigo mesmo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

O nó de 24 quilates – Parashat Haazinu

Aquele que realiza uma boa ação está criando um anjo protetor, e aquele que transgride cria um anjo acusador.

Rabino Lazer Brody

“… todos os Seus caminhos são justiça…” (Deuteronômio 32:4)

O Rabino Nisim Yaguen, de bendita e santa memória, contou a seguinte história, de importância fundamental nestes dias sagrados:

Faltavam oito minutos para o horário de fechamento. Todas as mulheres que tinham ido à mikve naquela noite já haviam realizado a imersão, e a encarregada — uma mulher muito enérgica, com pouco mais de trinta anos — já tinha arrumado e limpo o local. Como não havia mais ninguém para atender, decidiu fechar a mikve, especialmente porque naquela noite precisava ir ao casamento de um parente no outro extremo da cidade. Enquanto trancava a porta de entrada com a chave, uma jovem chegou correndo, muito ofegante, e exclamou: “Ah, não! Não me diga que já vai fechar! Saí correndo de casa para vir à mikve porque não tinha ninguém para cuidar do bebê! Por favor, me deixe entrar — ainda faltam cinco minutos para o horário de fechamento!”.

“Sinto muito”, respondeu friamente a encarregada. “Hoje já encerramos. Já terminei de limpar e preciso ir a um casamento. Se eu não sair agora, não chegarei a tempo.”

“A senhora não entende”, retrucou a mulher, com tom de súplica. “Eu observo o Shabat e a pureza familiar, mas meu marido não. Ele é um caminhoneiro muito corpulento, e se tem algo que ele odeia no mundo é ter que esperar duas semanas por mês para conseguir o que quer. Ele não se importa nem um pouco se eu vou ou não à mikve. Se a senhora não me deixar entrar, ele vai me forçar, porque me avisou que não esperaria nem mais um único dia. Eu lhe peço, por compaixão! Se eu não me imergir hoje, terei a mesma punição que comer no Yom Kipur — ou até pior…”.

“Sinto muito, não posso ajudá-la. A senhora deveria ter se preocupado em vir mais cedo.”

“Mas eu cheguei a tempo!”

“Sim, mas quando a senhora terminar, já vai ser meia hora depois do horário de fechamento, e eu tenho outros compromissos esta noite”, disse a encarregada da mikve, apontando para sua roupa de festa e seu colar de ouro, aludindo ao casamento.

“Mas será que a mikve não é a sua obrigação principal? Como a senhora não entende? Sou uma baalat teshuvá (mulher judia que retornou às suas raízes e começou a cumprir os preceitos), e meu marido não. Se eu não me imergir agora, amanhã será tarde demais…”.

Todas as súplicas caíram em ouvidos moucos. A encarregada da mikve trancou o local e entrou em um táxi.

A pobre mulher ficou ali parada, sem acreditar no que acontecera, olhando o táxi se afastar, e então desatou a chorar. Sabia perfeitamente o que a esperava em casa.

Nove meses depois, ela deu à luz um menino. Por mais que tentasse, não conseguiu disciplinar aquela criança tão desobediente, que mais tarde se tornou um homem atrevido e mal-humorado, constantemente envolvido em problemas com todo mundo.

Dezenove anos se passaram desde aquela fatídica noite.

A cidade de Bnei Brak ficou em choque. Uma gangue de jovens delinquentes inventou um esquema de emboscar mulheres que iam a salões de festas. Os ladrões corriam atrás da vítima, arrancavam-lhe os colares de ouro do pescoço. O ouro macio e fino geralmente se rompia com facilidade, e então o ladrão fugia correndo. Mas, dessa vez, o ladrão arrancou do pescoço de uma mulher de cerca de cinquenta anos um colar grosso e trançado de 24 quilates, que não se quebrou tão facilmente. O ladrão puxou o colar repetidamente, mas a corrente não se rompeu. A mulher tentou gritar, mas não conseguia — estava se asfixiando. Por fim, caiu no chão. O ladrão foi preso, mas a mulher perdeu a vida.

A vítima era a encarregada da mikve, dezenove anos depois. O ladrão era o jovem concebido naquela noite em que sua mãe não foi autorizada a entrar na mikve.

Sim, o final não é feliz. É aterrorizante, pois demonstra a profundidade da justiça Divina. O Rabino Eliezer ben Yaakov ensina na Ética dos Pais que aquele que realiza uma boa ação está criando um anjo protetor, e aquele que transgride cria um anjo acusador.

Nossos Sábios ensinam que há certas transgressões que não podem ser corrigidas — aquilo que o rei Salomão chama de “os tortos que não se podem endireitar”, como, por exemplo, a criança nascida de uma relação extraconjugal, que não pode fazer nada quanto ao seu status de mamzer.

Meu querido mestre e guia espiritual, o Rabino Shalom Arush, escreve em seu mais recente livro, “No Jardim da Pureza”, cuja edição em espanhol em breve será lançada, sobre as profundas consequências que as circunstâncias da concepção têm sobre a criança que está por nascer e sobre seu futuro. Este livro deveria ser leitura obrigatória para todo homem.

Em resumo, a partir da história citada, podemos aprender quatro lições fundamentais:

1. O bem ou o mal que fazemos aos outros, cedo ou tarde, volta para nós.
2. As circunstâncias da concepção do bebê — e especialmente a pureza familiar — exercem uma profunda influência sobre a criança e seu futuro.
3. Aqueles que ocupam cargos de responsabilidade pública ou religiosa devem saber que sua função e prioridade principal é servir ao público, e que há coisas que não podem ser negociadas.
4. Assim como nos ensina a porção da Torá desta semana, a justiça de Hashem é absoluta e precisa.


Breslev.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Mensagem de Hosh Hashaná - 5786

Aproxima-se o momento em que um ano se desvanecerá com o ocaso e um anoitecer nos transportará a um novo ano.

Ouça este artigo:

E, nesses instantes que formam a fronteira entre o passado e o futuro, nos reuniremos em nossas sinagogas, envolvidos por pensamentos em que se mesclam esperança e saudade, arrependimento e gratidão, alegria antecipada e resquícios de sentidas mágoas.

Na percepção da fragilidade do ser humano e no reconhecimento do quanto erramos, buscaremos alcançar o perdão, a ser concedido por nossos próprios corações, por aqueles que nos cercam, pela fraternidade dos seres humanos e, principalmente, pelo Eterno.

Ante o aproximar de um novo ano, nosso pensamento se divide entre dois sentimentos: o de esperanças que projetamos para o futuro e o da tentativa de compreensão do que ocorreu no passado.

Está para ser virada uma página do livro de nossa vida. Será que ela marcou o crescimento de nossas realizações, o amadurecimento de nossa inteligência, a realização de nossa potencialidade, o aprofundamento de nossa fé, a conscientização de nossas responsabilidades para com nosso povo e para com toda a sociedade em que vivemos?

Será que cada instituição de nossa coletividade, voltada para a ajuda aos necessitados, recebeu nosso total apoio, cumpriu sua função, trouxe alívio para os que sofrem, conforto para os solitários, medicação aos enfermos, apoio aos anciãos, carinho às crianças?

Os dez dias que se estenderão de Rosh Hashaná até Iom Kipúr nos proporcionarão a possibilidade de uma introspecção perscrutadora, em que ponderaremos os valores que pautaram nosso comportamento e buscaremos, através da inspiração da fé, conscientizar-nos de que nossos atos são parte integrante do diálogo existencial com Deus em que se constitui nossa vida e, dessa forma, procuramos dar-lhes significados mais profundos e critérios mais nobres.

Imensa será a saudade com que lembraremos aqueles que nos deixaram, e pensaremos em como manter viva sua imagem, aplicando em nosso comportamento os exemplos e atitudes nobres que os caracterizaram.

Admiraremos, com alegria, os primeiros passos na vida dos que nasceram nesse ano, e pensaremos em como poderemos nos constituir em exemplos positivos para a nova geração.

Continuaremos tentando compreender, na complexidade da vida social e política do recém-iniciado século 21, o porquê de tanto ódio, tanta incompreensão, tantas guerras, e reafirmaremos nosso tradicional compromisso e nossa total responsabilidade de cumprir a missão que há quatro milênios foi entregue a Abrahão: "Sê tu uma bênção para todos os povos."

Em nossas preces, lembraremos todos os seres humanos, rogando que, para todos, o ano seja repleto de saúde, paz, realizações e bênção. Rogaremos para:

Que todos os que creem no Eterno possam ter a certeza de seu caminho, tenham força e confiança para enfrentar os obstáculos que se lhes antepuserem, e possam ser abençoados com a felicidade de cumprir suas metas.

Que tenhamos humildade bastante para reconhecer nossos erros e coragem suficiente para repará-los.

Que cada um se sinta comprometido em dedicar uma parte de seus esforços em benefício da comunidade da qual participa.

Que nossas ações contribuam para que:

  • Haja menos ódio, menos incompreensão e menos violência.

  • Haja mais compreensão, amor, paz e fé.

  • Que mais crianças sorriam.

  • Que menos pais tenham motivos para chorar.

  • Que os poderosos do mundo se curvem ante a justiça das causas.

  • Que os justos tenham reconhecida, perante todos, a força do direito.

Que o Brasil seja para todo o mundo o exemplo de um país que constrói em harmonia, se desenvolve em segurança e convive em justiça e fraternidade.

E que o Eterno conceda inspiração, criatividade e disposição para o trabalho a cada um de seus habitantes, para que o esforço conjunto de todos transforme subdesenvolvimento numa palavra do passado; dependência econômica em algo desconhecido; crise de energia numa etapa superada; e estado de exceção, uma exceção nunca mais repetida.

Que uma paz completa e duradoura seja alcançada no Oriente Médio e que Israel possa se desenvolver com segurança, ajudando, com sua tecnologia e seu exemplo de democracia, a melhorar o padrão de vida de todos os seus vizinhos.

Que não haja mais distorções nos noticiários a respeito de Israel e que o mundo todo compreenda que cooperação, paz e desenvolvimento conjunto são as verdadeiras metas deste país, e que sua consecução trará benefícios para toda a humanidade.

Que a ética, a moral e a fé de Israel se irradiem por toda parte, tornando realidade o versículo que diz: Ki mitsion tetsé Torá udvar Hashém mirushaláyim – "Pois de Tsión emanará o ensinamento da Torá, e de Jerusalém, a palavra do Eterno."

Que possam todos os homens do mundo expressar a totalidade de seu sentimento para com o próximo por meio de nossa tradicional saudação:


🌿✨ *SHALOM!* ✨🌿


Mensagem extraída do livro:

Na Espiral do Tempo - Uma viagem pelo calendário judaico de David Gorodovits - Editora Sefer

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Devemos emular a compaixão de Hashem

Tu és o Rei

Ouça este artigo:

Segundo nos ensinam os Rabinos, em Rosh Hashaná temos que coroar Hashem como corresponde, pois não o fazemos durante o resto do ano. Nosso foco é muito limitado e temos tendência a nos esquecer. Por isso, devemos nos esforçar de forma especial para infundir em nossa consciência a realidade de que Hashem é o Rei.

Muitas vezes caímos sob a influência do velho e insensato rei, ou seja, o Instinto do Mal, que usurpa a autoridade do verdadeiro Rei. Pensamos que temos liberdade de fazer o que quisermos, mas na realidade somos prisioneiros de guerra do Instinto do Mal. Somos seus servos cada vez que fazemos algo que vai contra nós mesmos e que danifica a nossa alma.

Temos que nos render à Monarquia de Hashem e nos colocar sob as asas de Sua compaixão infinita. Diz o Rabino Natan que o principal aspecto de coroar Hashem como Rei é o arrependimento — o ato de retornar a Ele com todo o coração. Precisamos ser humildes e anular nossa lógica e nossas opiniões subjetivas, que são tão, mas tão limitadas. Precisamos aceitar Sua soberania com total simplicidade.

Nossa tarefa consiste em iluminar o mundo com a luz de Hashem. Quanto mais crescermos em emuná (fé) e temor reverencial de Hashem, mais Sua compaixão se revelará a nós e ao mundo inteiro.

Nossa correção individual e nacional consiste em deixar de reclamar e agradecer a Hashem. Após a missão fracassada dos espiões, o povo de Israel chorou e reclamou sem nenhum motivo. Até hoje seguimos pagando o preço daquele trágico erro. Devemos corrigir essa falta agradecendo a Hashem profusamente por todas as bênçãos que Ele nos deu e continua nos dando. Não apreciar todas as bênçãos que temos anda de mãos dadas com o hábito de reclamar continuamente.

Em hebraico, a palavra “judeu” é iehudí, que significa “dar graças”. Quando não damos nada por garantido, podemos ser felizes. A gratidão é a principal tarefa do judeu. A ingratidão é a raiz de todos os problemas, enquanto a gratidão evoca o perdão que mitiga os juízos severos.

A gratidão invoca a Compaixão Divina

Em um dos CDs de emuná conta-se a história de um jovem cujo irmão havia adoecido de câncer. Os médicos já tinham desistido, afirmando que não havia esperança de recuperação. O Rabino Shalom Arush recomendou ao jovem que dissesse a seu irmão para começar a agradecer a Hashem pela doença durante cinco minutos por dia.

Esse irmão havia crescido em um kibutz antirreligioso e era totalmente contrário à religião. No entanto, a situação era desesperadora e ele não tinha a quem recorrer, então decidiu aceitar o conselho. Assim, começou a agradecer a Hashem cinco minutos todos os dias. De forma milagrosa, em poucas semanas, o tumor cancerígeno desapareceu por completo!

À redação de Breslev Israel chegam inúmeros exemplos diários de salvações milagrosas que acontecem quando as pessoas começam a agradecer a Hashem pelas situações difíceis em que se encontram. Neste caso, o relato é especialmente marcante porque o protagonista era uma pessoa totalmente “anti” (religiosa), o que ressalta o tremendo poder da gratidão e a infinita compaixão de Hashem.

Devemos emular a compaixão de Hashem

Iom Kipur expia unicamente os pecados cometidos contra o Criador. Uma pessoa não pode se dizer “religiosa” e, ao mesmo tempo, falar mal dos outros. O judaísmo exige que respeitemos e ajudemos cada ser humano.

No Tratado Sanedrin conta-se sobre uma sala de estudos que estava cheia de gente. De repente, Rebi pediu que a pessoa cujo hálito tivesse cheiro de alho saísse da sala, porque o odor era difícil de suportar. Rav Hiyá se levantou e saiu para evitar que a pessoa em questão sofresse vergonha, e então todos os outros também saíram. No dia seguinte, o filho de Rebi perguntou a Rav Hiyá por que ele havia saído da sala de estudos, encerrando toda a sessão. Rav Hiyá respondeu que jamais se deve humilhar um ser humano, muito menos em uma casa de estudo.

Bom caráter — saber como se comportar — é um pré-requisito e uma consequência da Torá. A Torá nos ordena a nos apegar a Hashem. Devemos agir como Hashem: ser compassivos, compreensivos e saber perdoar.

No mérito de emular Hashem e sermos pessoas sensíveis, amáveis, pacientes, compreensivas, generosas e que sabem perdoar, que Seu Reino se manifeste em todo o mundo e que todos vocês sejam abençoados com um maravilhoso novo ano!

A redação Breslev Israel


** Traduzido com AI.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Religioso? Pra quê? – Nitzavim

Para que eu preciso ser religioso? Por que não basta ser uma boa pessoa? Não sei se você já ouviu essa pergunta...

Rabino David Charlop

Para que eu preciso ser religioso? Por que não basta ser uma boa pessoa? Não sei se você já ouvido essa pergunta, mas gostaria de compartilhar com você alguns pensamentos sobre o tema. Comecemos com alguns versículos da leitura da Torá desta semana que nos servirão de antecedente.

"Eis que pus diante de ti a vida e o bem, e a morte e o mal… para que ames a Hashem teu Deus, para que sigas os Seus caminhos… e escolhas a vida para que tu e a tua descendência vivam."

Esse versículo é ao mesmo tempo inspirador e um tanto desconcertante. A Torá nos implora que "escolhamos a vida". Será que precisamos que a Torá nos incentive a escolher o óbvio? Só pessoas que não estão bem da cabeça escolheriam o contrário. Além disso, as opções dos versículos parecem extremas: a vida e a morte, o bem e o mal. Existem realmente apenas dois caminhos? De fato, a vida está tão cheia de tons de cinza que fica um pouco difícil nos relacionarmos com versículos que nos pintam a vida em preto e branco.

A leitura da Torá desta semana sempre cai nos dias que antecedem Rosh Hashaná. Há uma pergunta clássica ligada a esse período, que trata das questões mencionadas antes. Os rabinos nos ensinam que em Rosh Hashaná se abrem três livros. O primeiro é para os justos, ou tzadikim, que são imediatamente inscritos para a vida. O segundo é para os ímpios, que são imediatamente inscritos para a morte. O terceiro é para as pessoas que estão no meio, nem totalmente justas nem totalmente más, cujo julgamento é adiado até Yom Kipur. Segundo esse ensinamento, o decreto final é, em última análise, apenas uma das duas opções. Será que é assim de verdade? Há apenas dois caminhos? Além disso, o que acontece com os justos que não chegam a viver o ano todo? Será que eles não são realmente justos?

Você já assistiu às Olimpíadas? Sem dúvida, já foi testemunha de algumas atuações incrivelmente inspiradoras. É provável que tenha visto entrevistas com os vencedores da medalha de ouro que descrevem o longo caminho até conquistar o tão almejado prêmio. Foi fácil o caminho? Invariavelmente, os atletas relatam a longa e dura jornada rumo ao triunfo. Refletem sobre as dificuldades, o anseio pela grandeza e, finalmente, o sabor embriagador do sucesso. É óbvio que ser simplesmente "bom" não tem lugar nas Olimpíadas e não produz vencedores de medalhas de ouro.

Em todos os campos imagináveis — música, teatro, literatura, ciência ou o que for — o objetivo é sempre a grandeza. Ser bom não faz com que um ator ganhe um Oscar, nem que um estadista receba o Nobel da Paz, nem que um cantor consiga lotar salas de concerto. Exigimos excelência em todos os aspectos da vida, mas, curiosamente, quando se trata da própria vida, conformamo-nos em ser simplesmente "bons". Como alguém pode resignar-se a ser apenas uma "boa" pessoa? Não se entende…

Uma das razões pode ser que não temos uma ideia clara de como medir a grandeza na vida, então nos conformamos com "ser bons". Quando Hashem nos pede que escolhamos a vida e o bem, a que Ele se refere? A umas férias nas Bahamas? A ter três Mercedes por família? Tentemos definir a vida e o bem. Creio que chegaremos a uma definição ao definir seus opostos.

Todos conhecemos o famoso relato do Gênesis em que ao primeiro homem foi dito que não comesse do Fruto do Conhecimento e que, se o fizesse, morreria. Adão consumiu o fruto e, eis que não morreu imediatamente. De fato, viveu mais 930 anos. Há várias explicações para entender essa aparente discrepância, mas uma abordagem em particular é relevante para nosso debate. Sabemos que imediatamente depois de comer a fruta, Adão foi expulso do Jardim do Éden e foi enviado a vagar, afastado da proximidade com Hashem que havia sentido enquanto estava no Jardim. Aquele vagar, esse afastamento de Hashem, é a "morte" mencionada na história. Para o judeu, o fator que define a vida e a morte é a proximidade ou o afastamento da Fonte da Vida.

Hashem nos indica nossas opções: a vida e a morte, o bem e o mal, e nos suplica que escolhamos a vida. Não apenas ser "bons", mas conectar-nos à vida eterna que se encontra em Sua Torá. Em essência, Ele nos está dizendo: "Por que se conformar em ser apenas uma pessoa 'boa' se você pode se conectar comigo? Por favor, não faça da mediocridade uma meta de vida". Essa é a escolha que Hashem nos apresenta — uma vida cheia de significado e propósito último, ou a morte, uma existência basicamente sem sentido.

Fonte: Breslev.com

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

O amor mais puro

O único consolo de uma geração que sofre em uma escuridão espiritual sem precedentes é que a luz chegará em breve, se D'us quiser.

Rabino Shalom Arush

Ouça este artigo:

A Guemará nos diz que a escuridão mais densa precede o amanhecer. O único consolo de uma geração que sofre em uma escuridão espiritual sem precedentes é que a luz chegará em breve, se D'us quiser.

A inclinação ao mal nunca foi tão forte, e a escuridão espiritual e moral nunca foi tão profunda. Já é difícil por si só quando uma pessoa nasce na Sibéria ou na selva amazônica e nunca ouviu falar do judaísmo. Não estou me referindo a essas pessoas, mas sim a judeus observantes da Torá — até mesmo rabinos — que foram dominados pela inclinação ao mal por meio de fantasias e acabam fazendo exatamente o oposto do que a Torá ensina.

Como saber se alguém está realmente cumprindo seus deveres de acordo com a Torá? Há uma pergunta de diagnóstico rápido que todos podem se fazer: tenho *shalom bait*, paz no lar matrimonial? Se a resposta for negativa, então é preciso começar a estabelecer prioridades, deixando de lado todo o resto e concentrando-se em construir um casamento feliz. Não há nada mais importante — nem mesmo o estudo da Torá. A paz conjugal é a prova mais clara de que uma pessoa está vivendo conforme os ensinamentos da Torá. E a ausência de paz matrimonial demonstra exatamente o contrário. Quando alguém não vive aquilo que aprende, seu aprendizado passa para o lado escuro, o *sitra ajra*. Por essa razão, a paz conjugal é um pré-requisito absoluto para o crescimento na Torá.

Como pode uma pessoa afirmar ser um erudito da Torá ou um líder espiritual se não ama o próximo — que é o mandamento mais básico de todos? Os sorrisos e a amabilidade devem começar em casa, onde não há plateia aplaudindo nem exposição pública. Se você quer saber quem uma pessoa realmente é, observe como ela age com sua esposa em casa, não como age quando prega do púlpito.

Muitos maridos só percebem seu erro quando já é quase tarde demais — depois de receberem ordens de restrição e notificações judiciais contra si. Ingenuamente, encolhem os ombros e me escrevem dizendo que não fizeram nada errado, que não bateram na esposa nem lhe negaram dinheiro. Será que um marido que não bateu nem deixou sua esposa passar fome pode ser chamado de "bom marido"? Obviamente, eles não leram o *Jardim da Paz* antes de se casar. A Guemará afirma que uma mulher só obtém satisfação por meio de seu marido. O bom marido é aquele que pensa nela, que a escuta e se esforça verdadeiramente para fazê-la feliz em todos os sentidos. Ele se levanta para ajudá-la. Nem estamos falando aqui do amor físico, que, em essência, não é amor, mas diversão.

A cabeça e o coração de um marido carinhoso devem estar livres de luxúria. Suas únicas motivações no relacionamento conjugal devem ser trazer felicidade à esposa e criar uma família. No momento em que ele busca satisfazer suas próprias necessidades, passa a ser um receptor e não um doador. Como o marido é o doador e a esposa é a receptora, quando ele se torna receptor, ela fica sem marido — e duas mulheres nunca se dão bem na mesma cozinha.

Todo homem deve saber que não há nenhuma dispensa na Torá para olhar para outras mulheres. A imagem de sua esposa deveria ser a única imagem presente em sua mente.

Então, o que fazer se você está mal no seu casamento? Dedique trinta minutos por dia de sua oração pessoal para pedir a Hashem que o ajude a cuidar dos seus olhos e a construir um relacionamento feliz com sua esposa. Santidade pessoal e doação a ela são as palavras-chave.